3.4.5. Toprak Kaynaklı Isı Pompalarında Kaynak Devresi Planlaması
3.4.5.3. Dikey Toprak Isı Değiştiricileri
Joca também fez questão de trazer para nossa conversa uma fotografia de sua família. O aluno explicou que a imagem selecionada era uma fotografia de seus quatro filhos. Como ele e sua esposa não figuravam na foto, Joca optou por ‘anexar’ à imagem uma fotografia 3 por 4 sua e uma de sua ‘Deusa’ - apelido carinhoso pelo qual costuma chamar sua esposa - como estratégia para ali reunir toda a família.
Os filhos de Joca aparecem sentados em um sofá, abraçados e sorridentes. Joca aponta para a imagem e explica que hoje os filhos estão mais velhos, que foram à
58 O sétimo encontro realizado com o grupo deu-se no sentido de explorar a perspectiva de uma ‘boa
faculdade, que um estudou música, que um toca em uma banda e assim vai enumerando orgulhosamente as conquistas obtidas por sua prole.
Figura 18: Joca, sua "Deusa" e filhos
O hábito de fazer e conservar fotografias de família não é recente, nem a atração que esse tipo de imagens exerce. Como fica evidente na constatação feita por Leite, a partir de uma pesquisa realizada, de que
os retratos de família existem em famílias de diferentes camadas sociais e econômicas, e das mais distintas origens geográficas, e de que o hábito de conservar os álbuns, gavetas ou caixas de fotografias de família pode ser documentado, desde o início do século XX, exprime uma atração constante desses retratos(LEITE, 2005, p. 35).
No encontro seguinte, Joca trouxe ainda outra imagem, dessa vez mostrando toda a família reunida e abraçada. A imagem foi impressa em uma folha de ofício e o aluno explicou que solicitou a um de seus filhos que imprimisse a imagem do computador, pois aquela era mais recente e mostrava todos juntos. No
verso da folha, Joca escreveu a data em que a fotografia foi tirada: primeiro de janeiro.
A fotografia, nesses casos, funciona como uma espécie de símbolo de unidade familiar, sendo associada a momentos festivos, momentos em que a família está reunida e nos quais reina, ainda que por vezes apenas aparentemente, a paz, a felicidade e a harmonia no lar:“todo o poder opressor da família é reprimido, sendo mesmo descartadas dos álbuns de família as fotos de pais violentos, crianças choronas e casais em litígio” (LEITE, 2005, p. 37).
A esse respeito, Antonino, personagem de um conto de Calvino, nos convoca à reflexão, ao alegar que
se eu fosse me meter a fotografar, iria até o fim nesse caminho, à custa de perder a razão com isso. Já vocês ainda pretendem estar fazendo uma escolha. Mas qual? Uma escolha no sentido idílico, apologético, de consolação, de paz com a natureza, a nação, os parentes. Não é apenas uma escolha fotográfica, a de vocês; é uma escolha de vida, que os leva a excluir os contrastes dramáticos, os cernes das contradições, as grandes tensões da vontade, da paixão, da aversão. Acham assim que estão se salvando da loucura, mas caem na mediocridade, no estupor (CALVINO, 1992, p. 55).
Patrícia nos explica que a fotografia serve como um memento, um souvenir, uma lembrança material de um momento que você viveu. É uma maneira de possuir e guardar aquele momento fisicamente. Além disso, ao olharmos para ela, poderemos recordar aquele momento, ‘refrescando’ a nossa memória e relembrando as sensações vividas naquele instante. “Para Jacques Le Goff, a fotografia veio revolucionar a memória ao multiplicá-la, dando-lhe uma precisão e uma verdade visuais nunca antes atingida” (LEITE, 2005, p. 34-5).
À noção de utilização da fotografia como suporte para a reconstrução de memórias individuais e coletivas, Simson comenta
Não temos muita consciência de tal fato, mas, como a replicante de Blade
Runner, estamos constantemente nos valendo de imagens instantâneas da nossa vida, registradas em papel fotográfico, para detonar o processo de rememorar e, assim, construir a nossa versão sobre os acontecimentos já vivenciados. Dessa forma, é o suporte imagético que, na maioria das vezes, vem orientando a reconstrução e veiculação da nossa memória, seja como indivíduos, seja como participantes de diferentes grupos sociais (SIMSON, 2005, p. 20).
O próprio ato de olhar as fotografias posteriormente pode ser um pretexto para vivenciar um novo e agradável momento em família, em que os sujeitos ali envolvidos constatam a passagem do tempo, ao identificar suas próprias transformações, além de certificarem-se da existência de uma felicidade passada e de renovarem, no presente, os votos de cumplicidade.
Todos esses aspectos ficam aparentes na fala de Patrícia:
Ah, eu acho importante fotografar porque depois é uma coisa que a gente vai ter. Vai passar o tempo, os anos, e tu vai ver, vai cuidando ali, aqueles momentos bons que a gente teve. Daí tu tá tirando foto é porque tu estás feliz ali, rindo. Aí depois passam os anos e a gente vai ver ali e: “Bah, esse aqui foi um momento bom!”. Esses tempos, eu estava olhando umas fotos que eu tenho lá e eu vi as crianças bem pequenininhas e eu mesma quando era bem mais nova... Aí eu dava risada: “Olha aqui! O tipo de roupa que a gente usava antes...”, a gente olhava e dava risada.
As fotografias de família, desse modo, cumprem diversas funções: ao mesmo tempo em que podem nos apresentar os membros de uma família, dando-nos a conhecê-los, como fizeram Joca e Patrícia ao mostrarem suas imagens e as compartilharem com os colegas, podem funcionar como um dispositivo que permite a construção de uma história coerente da família, estabelecendo um fio condutor a partir do qual a narrativa familiar é construída, contada, compreendida e revista a cada vez que se revisitam essas imagens: “como constam quase sempre de um conteúdo manifesto e um conteúdo latente, as fotografias serão vistas de maneira diferente, dependendo de quem olha” (2005, p. 34), afirmou Leite.
Poderíamos ir mais além, pensando que não apenas as fotos são vistas de modo diferente dependendo de quem as observa como cada um, a cada vez que a contemplar, pode fazê-lo de modo diverso. “A maioria dos que vêem registra o que seleciona, para reter ou ampliar o que viu ou os indícios do que está querendo compreender” (LEITE, 2005, p. 36). O intervalo entre uma mirada e outra a uma imagem pode dotá- la de novos elementos, ou melhor, transformar nosso olhar e, conseqüentemente, nossa compreensão da imagem.