1.4. SAHA ARAŞTIRMASI BULGULARI: ANKET VERİLERİ VE ANALİZİ
1.4.5. Toplumsal Uyum İle Algı Ve Yaklaşıma Dair Veriler
Seguindo o indicado por Vergara (2009: 59), que afirma que “todo método tem possibilidades e limitações” e que, por isso, é recomendável explicitar as limitações para se antecipar a possíveis críticas, citamos:
• O fato de termos nos baseado em conceitos e argumentos teóricos de determinados autores, não considerando outras visadas que podem se adequar a outros contextos e objetivos de pesquisa sobre corpo e cultura de consumo.
• A seleção dos entrevistados por acessibilidade, que embora comumente aplicada em estudos qualitativos, é considerado um método não rigoroso e não representativo da população (GIL, 2010).
• O fato de termos entrevistado apenas moradores do Rio de Janeiro.
• Mesmo com todos os cuidados em relação ao anonimato dos entrevistados e tendo havido preocupação para que as entrevistas ocorressem em local onde pudessem se sentir à vontade, é preciso considerar a possibilidade de que algum(ns) dele(s) tenha(m) ficado inibido(s) e deixado de relatar situações e sentimentos relacionados a seu corpo.
94 • De acordo com Gaskell (2000), o entrevistado pode, por diferentes razões, omitir dados
importantes, pode ter dificuldade de dizer alguma coisa com palavras ou até dar uma declaração falsa. Vergara (2009: 22) indica, nesse sentido, que “preconceitos, esquecimentos, articulações imprecisas por parte do entrevistado são, também, limitações da pesquisa”. O fato de termos abordado um tema que implica questões emocionais e autopercepção pode ter gerado viés deste tipo.
• Como indica Gill (2000: 250), a essência da análise do discurso é “sempre indefinível (...), nunca pode ser captada por descrições de esquemas de codificação, hipóteses e esquemas analíticos”, o que pode gerar leituras distintas. Além disso, sendo uma prática interpretativa, terá sempre presente, em algum nível, a subjetividade do pesquisador.
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4 ANÁLISE DOS DADOS
Esta seção é dedicada à análise dos dados primários da pesquisa, investigados à luz do referencial teórico que embasa a presente tese.
Para construção do quadro de análise, em nível teórico, voltamos à pergunta de pesquisa na qual esta tese está fundamentada: No contexto de normatividade estética do mercado, como se caracterizam o discurso e as práticas de consumo dos indivíduos em relação ao próprio corpo, e de que forma isso se conecta à sua segurança ontológica?
Buscando responder essa pergunta, a análise estará fundamentada nos conceitos de identidade, segurança ontológica e normatividade estética, procurando fazer uma triangulação entre eles. Além de identificar e de explorar questões relativas a cada um destes conceitos, será analisado de que forma podem estar ligados entre si no discurso e nas práticas dos indivíduos em relação a seu corpo. Uma representação desta fundamentação teórico-analítica é apresentada no Quadro 3, a seguir:
96 Quadro 3 – Modelo teórico-analítico da tese
Este quadro teórico-analítico contempla as definições constitutiva e operacional dos conceitos centrais da presente tese porque, conforme Vieira (2006), estes são elementos importantes na avaliação do rigor de um estudo qualitativo. Vieira (2006: 19) explica que a
97 definição constitutiva “refere-se ao conceito dado por algum autor da variável ou termo que se vai utilizar”, e que emerge do referencial teórico; enquanto a definição operacional “refere-se a como aquele termo ou variável será identificado, verificado ou medido, na realidade”.
Tendo explicado questões relativas ao nível teórico, passamos então ao detalhamento de aspectos relacionados ao nível metodológico. Para examinar os dados coletados no campo, foi adotado o método de análise de discurso, levando-se especialmente em conta para a estruturação de tal análise procedimentos indicados por Pêcheux (1993), Orlandi (2009) e Gill (2000).
A imersão nos dados iniciou-se com a leitura das transcrições e das notas de campo, em que cada entrevista foi revisitada sucessivas vezes, procurando-se identificar aspectos verbais e paraverbais que contribuíssem para a compreensão do trinômio olhar em relação ao próprio corpo, segurança ontológica e normatividade estética. Como indica Gill (2000), para chegar às primeiras ideias, assim como em todo o processo de análise, evitou-se considerar qualquer informação como algo dado ou familiar, mantendo-se um estranhamento crítico em relação ao que foi dito pelos entrevistados.
Em um segundo momento, partiu-se para a codificação de categorias, inicialmente de forma bastante ampla até que ganhassem um contorno mais nítido, com o agrupamento de algumas destas categorias e o surgimento de outras. Chegamos, então, às seguintes categorias de interesse: (1) Corpo e identidade, (2) Segurança ontológica e o olhar do indivíduo em relação ao próprio corpo e (3) Práticas de consumo no contexto estético normativo do corpo.
A partir daí, neste percurso que nos levou do texto ao discurso, foi feita a de- superficialização dos dados, ou seja, do corpus bruto, para depois chegarmos aos objetos discursivos e, finalmente, ao processo discursivo e à formação ideológica intrínseca. Vale ressaltar que, assim como indicado por Orlandi (2009), estes procedimentos não ocorreram de modo estritamente linear e compartimentado, pois, ao longo de todo o trabalho, a análise do discurso pressupõe interação constante entre teoria, corpus e análise.
98 O Quadro 4, a seguir, resume as etapas de análise dos dados adotadas neste trabalho:
Quadro 4 – Etapas da análise de discurso adotadas na presente tese
99 A partir das categorias de interesse identificadas, e que nomeiam cada seção a seguir, será desenvolvida a análise dos dados desta pesquisa. A primeira seção é dedicada ao tema corpo e identidade, abordando temas como a identidade de gordo e a identidade de magro, aspectos relacionados a gênero, conexões entre corpo e história de vida, corpo e identidade social, além de falar sobre o corpo carioca. Já a segunda seção se volta à análise de questões relacionadas à segurança ontológica e o olhar do indivíduo em relação ao próprio corpo, discutindo temas como autocobrança, autoconfiança e transtornos alimentares. A terceira e última seção desta análise tem como foco as práticas de consumo no contexto estético-normativo do corpo, discorrendo sobre as transformações do corpo e as práticas do dia a dia. Vejamos: