V) CASE STUDY: ‘’JAPONYA’’
2) Toplum ve Yönetim
Halle (1973), Jackendoff (1975) e Chomsky (1995), por exemplo, defendem uma organização lexical onde derivação e flexão se encontram representados no léxico de forma semelhante, ou seja, não ocupam subcomponentes autónomos. Halle (1973) considera a existência de quatro subcomponentes do léxico: como primeiro subcomponente refere uma lista de constituintes morfológicos (os quais designa por morfemas), sobre os quais atuam livremente as RFP que representam o segundo subcomponente; neste atua o terceiro
subcomponente, o filtro, que especifica quais as palavras que realmente pertencem à língua, formando o Dicionário da Língua, o quarto componente. Halle não faz qualquer distinção entre morfologia flexional e morfologia derivacional: na lista de consituintes morfológicos (primeiro subcomponente) estão representados tanto constituintes morfológicos flexionais como derivacionais. De igual modo, não há qualquer distinção entre RFP flexionais e RFP derivacionais e constam do Dicionário da Língua de Halle todas as formas flexionadas.
Jackendoff (1975) defende a Teoria da Entrada Lexical Plena, segundo a qual tanto as
formas flexionadas como as derivadas são listadas no léxico e relacionadas por regras de
redundância. Essas regras expressam as regularidades fonológicas, sintáticas e semânticas
existentes entre os itens lexicais em questão e, uma vez aprendidas, torna-se mais fácil aprender novos itens lexicais. Segundo Jackendoff (1975), as regras de redundância constituem a parte gramatical do léxico.
Chomsky (1995)34 propõe o programa minimalista, que preconiza que a formação de palavras tem a capacidade de gerar as estruturas lexicais da língua. A morfologia derivacional, também designada por morfologia lexical, apresenta-se como parte integrante do léxico, constituindo, eventualmente, a componente generativa deste. Chomsky (1995) propõe, ainda, que as palavras se encontram no léxico já na sua forma flexionada; cabe à sintaxe, apenas, o papel de verificar e selecionar os traços morfológicos dos itens lexicais. Neste sentido, também a flexão se apresenta como parte integrante do léxico.
Outros autores (Miceli & Caramazza, 1988; Badecker & Caramazza, 1989;
Laudanna, Badecker & Caramazza, 1992 e Miceli, 1994), vão, também, de encontro à
hipótese lexicalista forte, na medida em que defendem que tanto a morfologia derivacional como a flexional se encontram representadas no léxico. Contudo, estes autores diferem de Halle (1973), Jackendoff (1975) e Chomsky (1995), pois salvaguardam que, apesar de ambas se encontrarem no léxico, a derivação e a flexão apresentam representações distintas, ou seja, ocupam subcomponentes autónomos.
Estes autores assumem que, no léxico, são representadas as bases, não os radicais. Defendem, assim, a hipótese de representação das bases (the stem representation hypothesis). Nesta hipótese, apenas os afixos flexionais são representados separadamente das suas bases; os afixos derivacionais, pelo contrário, não apresentam representações separadas das suas
34 Refere-se que o modelo anterior proposto por Chomsky (1981), designado Modelo de Princípios e Parâmetros,
adota, pelo contrário, uma perspetiva lexicalista fraca (Chomsky, N. (1981). Lectures on Government and Binding. Berlin: Mouton de Gruyter.).
bases: as palavras derivadas são representadas no léxico na sua forma derivada mais informação flexional (ex.: realization + s).
Com o objetivo de testar esta hipótese, Laudanna, Badecker & Caramazza (1992) realizaram três experiências com universitários italianos. Numa primeira experiência, os autores pretenderam verificar se as palavras derivadas (ex.: rapitore (“raptor”)) eram tão eficazes como as palavras flexionadas regulares (ex.: rapivano (“raptavam”)) na facilitação do reconhecimento de uma palavra flexionada com o mesmo radical (ex.: rapire (“raptar”)). Com efeito, foi observado que ambas as palavras induzem o mesmo grau de facilitação no reconhecimento da palavra base, pelo que, esta primeira experiência, não evidenciado assimetrias entre os dois processos morfológicos, não confirmou a hipótese da representação das bases. Em contrapartida, as duas experiências seguintes foram consistentes com a hipótese referida: estas investigações comprovaram que palavras flexionadas apresentadas previamente (ex.: mutarono (“mudaram”)) funcionam como inibidoras do reconhecimento lexical de palavras flexionadas com radicais homógrafos (ex.:
mute (“mudo”)), enquanto palavras derivadas com os mesmos radicais (ex.: mutevole
(“mutável”)), apresentadas também anteriormente, não induzem qualquer inibição no reconhecimento desses radicais. Isto indica, segundo Laudanna, Badecker & Caramazza (1992), que existe um momento no processamento lexical em que as flexões, mas não os afixos derivacionais, são representadas separadamente das suas bases morfológicas.
Miceli (1994), por sua vez, remete para os resultados obtidos no estudo de Miceli & Caramazza (1988). Miceli & Caramazza (1988) estudou o discurso espontâneo e a repetição de palavras e não palavras de um indivíduo afásico com défices neurológicos marcados e comprovou a existência de um grande número de erros de operações flexionais, em contraste com um número diminuto de erros derivacionais (os erros consistiram, maioritariamente, na flexão nominal de número, contrastes de género e na flexão verbal de tempo-aspeto-modo; na repetição de palavras derivadas por prefixação, o indivíduo, não só não manifestou dificuldades neste processo de formação de palavras, como também evidenciou erros flexionais). Outro estudo semelhante, realizado por Badecker & Caramazza (1989), também com um indivíduo afásico, teve resultados similares: os erros derivacionais são pouco significativos quando em comparação com os erros de flexão; mesmo nas provas de avaliação da capacidade de derivação, a maioria dos erros demonstrados são de ordem flexional.
Segundo os autores, os resultados obtidos nestes estudos vão de encontro à hipótese de representação das bases: morfologia derivacional e flexional são representadas de forma distinta, na medida em que palavras derivadas se encontram no léxico na sua forma derivada, contrariamente às palavras flexionadas, que se encontram na sua forma não flexionada. Por outro lado, sugerem, também, a existência de um défice seletivo da componente flexional, o que enfatiza a sua autonomia funcional e, por isso, evidencia, de acordo com Badecker & Caramazza (1989: 114) “(…) a forte distinção entre morfologia flexional e derivacional35” e, de acordo com Miceli & Caramazza (1988: 1), que “os
processos de flexão e derivação constituem subcomponentes autónomos do léxico36”.
Contudo, Miceli (1994) refere também estudos realizados com outros indivíduos afásicos (Badecker & Caramazza, 199137; Semenza et al, 199038 apud Miceli, 1994), que
evidenciaram a existência de erros derivacionais, resultantes de substituições de afixos e de ligações de afixos muito produtivos a radicais incorretos. Por este motivo, esta autora resguarda que, apesar de a representação lexical da palavra derivada abranger apenas a sua forma de base e as flexões, quando essa forma de base não está disponível, o léxico recorre às representações distintas dos radicais e sufixos derivacionais.