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Batı Toplum Çıkarına Olan ve Batı Dünya Egemenliğini Meşrulaştıran Bilim Olarak Sosyoloji Meşrulaştıran Bilim Olarak Sosyoloji

3.SEZGİN KIZILÇELİK’İN BATI UYGARLIĞINA VE BATI SOSYOLOJİSİNE YÖNELİK TEMEL TEZLERİ

3.2. Batı Toplumunu Anlama ve Batı Gerçeğini Meşrulaştırma Aracı Olarak Sosyoloji Olarak Sosyoloji

3.2.3. Batı Toplum Çıkarına Olan ve Batı Dünya Egemenliğini Meşrulaştıran Bilim Olarak Sosyoloji Meşrulaştıran Bilim Olarak Sosyoloji

O caput do art. 5º da CF/88 veicula expressamente o direito fundamental à segurança. O termo segurança é bastante amplo, podendo ser encarado, a partir da análise de todo o texto da Constituição, como segurança econômica (arts. 1º, IV; 3º, II; 5º, XIII, XVII, XVIII, XXII, XXIII, XXXII; 170; 173; 174; 182; 186; 192; 193; 225), de polícia (arts. 5º, X, XI, XII, XVI, LXI a LVI e 144), de relacionamento externo (arts. 4º; 137, II, 138; 142 e 143), de apoio cultural (arts. 216, 220 a 224) e de seguridade social (arts. 6º e 194 a 203), conforme bem observa Sérgio Sérvulo Cunha (2004, pp. 235-302).

Diante desse cabedal tão amplo de sentidos que o termo segurança pode adquirir, podemos entender o direito à segurança previsto no caput do art. 5º da

CF/88 como o direito fundamental à segurança jurídica, já que todas as demais modalidades de segurança já estão suficientemente referidas em vários dos dispositivos espalhados ao longo da Constituição (ÁVILA, 2012, pp. 207-210)42.

Fixada essa premissa, urge extrair um conteúdo mínimo do que vem a se entender por segurança jurídica.

Na doutrina estrangeira, Rodolfo Luis Vigo (1998, pp. 502-513) arrola como conteúdo da segurança jurídica, em termo objetivos, nada menos que vinte exigências: a determinação geral, não casuística, dos direitos, deveres e permissões; a promulgação, no sentido formal de ampla publicação, das regras jurídicas, permitindo conhecimento pelos destinatários; o acesso fácil e permanente às determinações jurídica, que vai além do momento específico da promulgação; a compreensão das determinação jurídicas, que implica que elas sejam compreensíveis e passíveis do menor número de dúvidas possíveis, ou, em outros termos, que as norma sejam inteligíveis do ponto estrutural e linguístico; a estabilidade das disposições jurídicas; o cumprimento possível e fácil das normas; a resolução dos conflitos jurídicos por terceiros imparciais; o acesso fácil aos juízes; a resolução dos conflitos em tempo oportuno; a possibilidade de defender pretensões perante os juízes, que representa a oportunidade de argumentar em favor de sua pretensão e apresentar provas pertinentes; a fundamentação das decisões jurídicas; a prévia determinação da maneira de criar e derrogar normas jurídicas; a coerência entre as condutas normativamente previstas e as condutas que se almejam reguladas, de modo a não se criar normas totalmente ineficazes, cujas violações não gerem nenhuma reação jurídica; a existência de um poder coercitivo; um poder político legitimado democraticamente; um tratamento jurídico igualitário; uma capacidade suficiente do direito vigente de oferecer respostas, que pode ser obtida mediante a aplicação dos princípios jurídicos; uma visão sistemática do direito

42 Sérgio Sérvulo Cunha não chega a enquadrar o que é conhecido estritamente como segurança jurídica em nenhum dos sentidos de segurança sobre os quais se detém mais profundamente (econômica, de polícia, de relacionamento externo, de apoio cultural e de seguridade social), mas, ao tratar genericamente da segurança, fazendo referência inclusive ao texto da Constituição francesa de 1793, que fala em segurança com proteção para a conservação da pessoa, dos seus direitos e das suas propriedades, assenta que “(…) a segurança vai além do que se presta com a função de polícia (…) Nela se inclui a garantia das justas expectativas, para que o que se criam mecanismos tais como o respeito ao direito adquirido, a irretroatividade da lei, prazos de carência e de vacatio legis, e normas variadas que compõem o cerne do devido processo legal” (2004, p. 236).

vigente por parte dos juristas; a disposição cidadã ao cumprimentos dos deveres e a existência de uma moeda estável.

Em termos subjetivos, o mesmo autor (idem, pp. 513-514) destaca que segurança jurídica exige previsibilidade, entendida esta a) como a capacidade de o indivíduo realizar cálculos jurídicos futuros em consonância com os efeitos jurídicos que decorrerão de certos comportamentos ou omissões e b) como a confiança de que o direito reagirá de certa forma toda vez que se agir de determinada maneira, garantindo assim o poder do indivíduo de, a qualquer momento, realizar uma espécie de exame da situação jurídica que cada sujeito ocupa em termos de direitos e deveres.

No Brasil, tratando do caput do art. 5º da CF/88, Cláudio Pereira de Souza Neto (2013, pp. 231-232) é mais sintético ao consignar que o direito fundamental à segurança é multidimensional, dividindo-se em vários subprincípios (irretroatividade da norma tributária, anualidade das regras eleitorais, etc.), que podem ser agrupados em três categorias básicas: estabilidade, previsibilidade e ausência de perigos.

Dentro desse contexto, não é incomum associar ao direito fundamental à segurança jurídica, especialmente no que toca à exigência da estabilidade nas relações jurídicas, às garantias fundamentais consagradas no art. 5º, XXXVI, quais sejam, o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e coisa julgadas.

Em termos processuais, interessa mais de perto a garantia da coisa julgada.

Para José Afonso da Silva (2009, p. 135), o texto constitucional refere-se à coisa julgada material, entendida como prestação jurisdicional definitivamente outorgada, não abrangendo assim a coisa julgada formal.

Como se sabe, a coisa julgada material é o fenômeno que tornam imutáveis os efeitos substanciais da sentença de mérito (DINAMARCO, 2009, v. 3, p. 307). Ela corresponde ao ponto final na discussão judicial, oferecendo a solução que elimina o conflito (idem, p. 302). Já a coisa julga formal corresponde à preclusão máxima, entendida como aquela que “projeta sobre o processo o efeito mortal de impedir que nele se tome qualquer outra decisão sobre a causa” (ibidem, p. 304).

5º, XXXVI, somente se refere à coisa julgada material, é de se ver que, no mínimo, a exigência de estabilidade imposta pelo direito fundamental à segurança jurídica impõe que seja reconhecido fundamento constitucional, implícito que seja, para a coisa julgada formal.

De fato, os processos têm que ter um fim, mesmo que não sejam capazes de conferir uma resposta de mérito, capaz de solucionar o conflito. Isso implica reconhecer que o processo, uma vez findo, por qualquer razão, tendo apreciado o mérito da causa ou não, não pode ser reaberto, ou melhor, não se pode novamente discutir as decisões nele tomadas, apesar de ser possível, em outro processo, proferir uma decisão de mérito sobre a causa, desde que no primeiro processo não se tenha obtido essa solução de mérito.

É lógico, portanto, que a estabilidade das relações jurídicas imposta pelo direito fundamental à segurança jurídica confere proteção não somente à coisa julgada material, mas também à coisa julgada formal. Aliás, essa proteção vai além da coisa julgada formal em si, que é a preclusão máxima, para atingir todo o sistema de preclusões.

De fato, na medida em que contribui para o andamento regular e estável do processo, permitindo que ele siga sempre avante, impedindo retrocessos constantes, e criando justas expectativas nas partes em torno dos direitos, poderes, obrigações e ônus processuais que possuem, o instituto da preclusão possui proteção constitucional, pois decorre diretamente do direito fundamental à segurança jurídica. Nesse sentido, Heitor Vitor Mendonça Sicca (2006, pp. 304-305): De outro lado, tem-se a segurança jurídica como outro valor relevante e digno de tutela no sistema. Afinal, outra finalidade precípua do instituto objeto do presente trabalho [preclusão], em suas duas facetas já analisadas [dirigidas às partes e dirigidas ao juiz], é permitir que o processo caminhe com a certeza de que os incidentes e questões já superados não serão revistos. Vedando à parte a prática de um ato depois da oportunidade estipulada na lei processual, assegura-se que o processo caminhará à fase seguinte, com a certeza de que aqueles direitos processuais extintos pelo advento da preclusão não poderão ser mais exercidos. Impedindo o juiz de voltar atrás acerca de algo que tiver incidentemente decidido, respeita-se a justa expectativa jurídica das partes que daquele decisão emerge (vale dizer, a prolação de uma decisão e consequente transcurso do prazo para recurso de uma das partes geram à parte adversa um direito subjetivo que não pode ser ignorado).

Desse modo, não só a garantia de que a solução definitiva, meritória, da lide não poderá voltar a ser questionada no processo em que proferida ou em

qualquer outro processo (coisa julgada material), mas a garantia de que um processo, uma vez findo, não será mais objeto de discussão (coisa julgada formal, preclusão máxima) e de que os atos do processo não serão mais modificados depois de superado o momento oportuno (sistema de preclusões), contam com a proteção do direito fundamental à segurança jurídica43.

Em termos objetivos, isso significa que tanto o legislador quanto o julgador, cada um nas suas respectivas áreas de atribuição (criação do texto normativo e da norma jurídica), não estão livres para criar soluções que desrespeitem a necessidade de estabilização do processo como um todo (coisa julgada, material ou formal) ou de algum ato processual específico (sistema de prelusões). As soluções legislativas e judiciais devem ter em mente a necessidade de que tanto o processo como um todo como seus componentes específicos necessitam ser pensados sob a perspectiva da previsibilidade e estabilização das relações jurídicas, prestando, assim, o devido acatamento ao direito fundamental à segurança jurídica em toda a sua plenitude.

43 Além da coisa julgada e do sistema de preclusões, os institutos da prescrição e decadência também são decorrências direta do direito fundamental à segurança jurídica, como coloca Francisco Gérson Marques de Lima (2002, p. 212): “estas três modalidades de direitos [ato jurídico perfeito, direito adquirido e coisa julgada] funcionam como autênticos elementos da segurança jurídica, e são corolários indissociáveis do Estado de Direito. Ao seu lado pode-se acrescentar, ainda, os prazos referentes ao ajuizamento das ações (prescrição) e ao exercício dos direitos (decadência), além dos prazos processuais e circusntâncias específicas pertinentes à práticas de atos no (e para o) processo, na rubrica 'preclusão'.”

4 ALGUNS ASPECTOS ESSENCIAIS PARA ADEQUADA COMPREENSÃO DAS