BÖLÜM III: YÖNTEM
3.3. Veri Toplama Araçları
Tendo em vista que optamos por estudar as autarquias gaúchas, analisaremos a seguir a categoria Comunicação Pública, com uma abordagem fundamentada nos princípios de Duarte (2012). O autor diferencia a Comunicação Pública da Governamental e da Política. A Política está relacionada à busca de partidos e agentes políticos pela representação eleitoral, e a Governamental diz respeito à relação entre o Estado e a comunidade. Já a Comunicação Pública assume um sentido mais amplo, abrangendo todas as interações alusivas a temas comuns da sociedade. O autor afirma que
A Comunicação Pública ocupa-se da viabilização do direito social coletivo e individual ao diálogo, à informação e expressão. Assim, fazer comunicação pública é assumir a perspectiva cidadã na comunicação envolvendo temas de interesse coletivo (DUARTE, [2010?]).
A Comunicação Pública implica viabilizar a participação dos indivíduos nos processos de construção de todos os planos e ações que, de alguma forma, impactarão a sociedade.
A transparência das organizações públicas é premissa básica para esse processo. Os entrevistados acompanham esta compreensão de que o acesso a informações de ordem pública constitui-se tanto em um direito dos cidadãos, quanto em um dever dos órgãos. Quando questionado sobre o papel da Assessoria de Imprensa no contexto da administração pública, o Jornalista A2 afirma que:
É fundamental para fazer o meio campo entre o público e as atividades que o órgão público exerce. É aquilo que vai permitir que os repórteres, os jornalistas tenham acesso à informação sobre aquilo que se está fazendo no momento, dos serviços públicos para a comunidade.
O Coordenador A reforça dizendo que a Assessoria de Imprensa tem “um papel essencial. A administração pública tem o dever de prestar informações à sociedade, e o cidadão tem direito à informação”. O entrevistado lembra a nova legislação que regulamenta o direito de acesso à informação pelo cidadão como um fato relevante para a consolidação deste serviço e completa ressaltando o caráter social da atividade. “Em relação ao que a gente faz, eu acho que é muito nobre o trabalho de estar atendendo à imprensa, levando para as comunidades as informações que estão dentro do órgão e que são de interesse da comunidade.”
A transparência e o pronto acesso da população às informações, seja através da Imprensa ou de canais diretos entre o governo e o cidadão, constituem-se em atribuições primordiais dos governantes. Kunsch frisa a relevância de a Comunicação ganhar especial centralidade nas instituições públicas.
Partindo do pressuposto de que a razão de ser do serviço público são o cidadão e a sociedade, deve-se avaliar se os órgãos públicos têm dedicado à comunicação a importância que ela merece como meio de interlocução com esses atores sociais e em defesa da própria cidadania (KUNSCH, 2012, p. 4).
Priorizar a Comunicação Pública na estrutura estatal significa preservar o direito do cidadão à informação. Na Autarquia A, a compreensão dos servidores da ACS sobre a relevância de prestar informações aos cidadãos não é corroborada por grande parte dos funcionários, especialmente por aqueles que ocupam cargos de chefia. A coordenação e os jornalistas entrevistados relatam a dificuldade de acesso às fontes como um empecilho para uma resposta rápida às demandas da imprensa. “A principal dificuldade do setor diz respeito ao fluxo interno de informações, que às vezes é complicado. A busca interna da informação, a disponibilidade das pessoas em nos atender” (COORDENADOR A).
Os entrevistados atribuem essa postura dos gestores, e dos servidores em geral, a fatores como a incompreensão sobre as particularidades da atividade jornalística, o receio em relação ao tratamento que será dado à informação pelos veículos e, especialmente, à falta de tempo. “A gente sente que, às vezes, eles têm vontade de sentar conosco e dar uma informação mais completa, mas saem de uma reunião e entram em outra. Essa é a grande dificuldade”, comenta o Jornalista A1.
Independentemente da razão, observamos que há, na Autarquia A, uma restrita conscientização de funcionários e gestores sobre o dever do órgão de prestar informações à sociedade. Revela o Jornalista A1: “Nós temos uma briga grande aqui dentro para convencer todos os setores e diretorias sobre a importância do papel da Assessoria de Imprensa para toda a atividade da instituição”. Por mais que a ACS busque atender às demandas da mídia, através de seu núcleo de Assessoria de Imprensa, não existe uma postura colaborativa por parte dos servidores. “Tu tens que estar em cima. Eles muitas vezes nos escapam, a gente
ouve a voz na sala ao lado e eles saem correndo”, chega a afirmar o Coordenador A.
Mesmo entre aqueles que compreendem a obrigação do poder público de ser transparente, através do fornecimento rápido e claro de informações, esta muitas vezes acaba não sendo incluída no rol das atribuições profissionais. A justificativa sobre a escassez de tempo para conceder entrevistas e fornecer dados traz implícita a falta de compreensão sobre o fato de que a prestação de contas à comunidade, através de todos os meios disponíveis para isso, é uma das responsabilidades inerentes à função.
Se a resposta aos questionamentos da imprensa ainda é um desafio para a Autarquia A, o passo seguinte, de não apenas informar, mas promover a efetiva Comunicação entre a sociedade e seus representes, fica ainda mais distante. Para Duarte (2010?): “A existência de recursos públicos ou interesse público caracteriza a necessidade de atendimento às exigências da comunicação pública”. E estas exigências, segundo o autor, incluem a promoção de espaços de diálogo entre governo e sociedade na busca pela efetiva participação dos cidadãos nas decisões de interesse coletivo.
Na Autarquia A, nem os próprios profissionais que atuam na ACS possuem essa visão sobre a necessidade de desenvolverem estratégias comunicativas voltadas à promoção desses espaços de diálogo. Quando questionados sobre o papel da Assessoria de Imprensa na administração pública, os entrevistados destacaram a responsabilidade de prestar informações de interesse público e a busca pela divulgação das ações da gestão. O Jornalista A1 defende que a atribuição do setor é “cuidar da imagem da instituição no contexto social, nos meios de Comunicação, sobretudo, e mostrar as ações positivas, torná-las públicas através da imprensa”. Trata-se de uma postura que privilegia a transmissão unilateral de informações, em detrimento do diálogo, e que coloca o interesse do Governo acima do interesse da sociedade.
Assim, quando analisamos a Autarquia A, identificamos uma concepção de Comunicação Pública divergente da abordagem sobre a qual fundamentamos esta análise, que trata da consolidação de um relacionamento entre agentes públicos e sociedade em benefício da construção coletiva das políticas públicas. Sem essa
compreensão, torna-se distante a concretização de uma atuação voltada à constituição de canais capazes de promover um processo democrático de construção da cidadania.