2. ÖZEL İLKÖĞRETİM OKULLARINDA GÖREVLİ ÖĞRETMENLERİN
2.5. Toplam Eğitimsel Yansımalara İlişkin Görüşler
Featherstone (1999) inicia o livro que tem por título justamente a expressão “Cultura Global” com uma pergunta: existe uma cultura global? A resposta seria “não” se a cultura for considerada do ponto de vista da integração, mas seria possível responder “sim” se forem pensados processos de integração ou desintegração que acontecem em um nível trans- nacional ou trans-social. O pós-modernismo seria um símbolo dessa imagem cultural que se propaga com a variedade de discursos que fogem da acepção estrita do Estado Nacional – numa distinção de idéias globais anteriores, como a da Cristandade, do Iluminismo, do Socialismo e do Desenvolvimento no pós-guerra. Para os liberais, desde Mills e Spencer, a modernização iria corroer o “localismo”, e criar uma sociedade gigante, flexível, móvel e participativa. O pós-modernismo seria a afirmação dessa sociedade num estágio ainda mais elástico, que Harvey(1996) associou ao estágio pós-fordista, de compressão do espaço-tempo pelo novo capitalismo e seus produtos, e de superação da cultura baseada no projeto iluminista, inaugurando um novo tempo histórico – a condição pós-moderna na cultura contemporânea.
Para Yudice (2004) “o número de explicações para a globalização iguala-se ao número de teóricos e críticos que trabalham com esse conceito”. O momento de deflagração da globalização varia, dependendo do autor, do século XVI (o “século das descobertas”) até o advento da internet. Giddens (1987) lembra o fato de que após a Primeira Guerra Mundial foi criado um sistema de monitoramento dos Estados Nacionais, enfatizando a idéia de que o desenvolvimento do Estado Moderno foi orientando-se por normas cada vez mais globais com relação à sua soberania.
A virada em direção à antropologia histórica nos estudos sobre cultura foi significativa a partir de 1960 (BURKE, 2005). O interesse por estudos culturais também ficou mais evidente em outras ciências, tais como a psicologia cultural, a geografia cultural e a ciência política (o autor cita o “choque de culturas” de HUNTIGTON, 1997).
Frequentemente as mudanças na economia mundial após os anos 70, com a chamada “crise do fordismo” são apontadas como desencadeadoras da desmonopolização das estruturas econômicas. Por outro lado, inovações tecnológicas, particularmente nos meios de
comunicação também são apontadas como possibilitadoras do fenômeno. Del Roio assim resume essas transformações:
[...] em fins dos anos 70, portanto, tem início a gestação do Estado neoliberal, intimamente vinculado às necessidades do capital em crise. Aparentemente surge com a tarefa de resolver o déficit fiscal, mas suas incursões incidem sobre as relações sociais de produção e sobre a correlação de forças entre as classes sociais. O Estado neoliberal surge como instrumento da mundialização do capital e guarida do império universal do Ocidente, para benefício da oligarquia financeira. A transferência do patrimônio público/estatal para a gestão direta do capital privado, fazendo largo uso de subsídios, é uma das mudanças nodais, juntamente com a drástica retirada dos direitos sociais do trabalho. A crise induzida aos sindicatos e partidos operários, antes de tudo, com a fragmentação dos sujeitos coletivos, reforça a tendência ao esvaziamento das instâncias de representação política democrática, estimulando, pelo contrário, formas decisórias midiático-plebiscitárias. O espaço público tende a encolher e a sociedade civil passa uma vez mais a se reduzir à semelhança da dimensão do conflito entre interesses privados do indivíduo mercantil. (DEL ROIO, 1998).
Para Smith (1999) o processo de globalização e intensificação dos contatos não leva, no entanto, necessariamente à tolerância, pois as nações entram em competição de “prestígio cultural”, às vezes verdadeiras “batalhas culturais”. O “estrangeiro”, assim, representa um incômodo desagradável na dicotomia local-cosmopolita. Até a década de 1980, para este autor, os estudos culturais eram centrados basicamente em perspectivas nacionais. O crescimento da compreensão global de práticas culturais deriva da liberalização do comércio internacional e outros fatores econômicos, bem como outros fenômenos transnacionais nas comunicações e transportes. Segundo Yudice (2004) os primeiros estudos nessa perspectiva eram muito específicos, como a crítica ao imperialismo cultural, a teoria da dependência e outros estudos - boa parte proveniente da “esquerda” política. Ignorando essa postura, Marshal McLuhan previu a “aldeia global” nos anos 60 e recomendou aos educadores que aceitassem as implicações das novas tecnologias de comunicação de massa, pressuposto para a recriação do mundo sob os parâmetros da cultura global. Contemporaneamente os estudos envolvem concepções de redes, como a análise de Johnson (2004). Wallerstein (1999) chama de cultura global o sistema de idéias da economia mundial capitalista, sistema esse marcado pelo conflito – o que eleva à própria interpretação de cultura como um campo de batalha ideológico do sistema econômico moderno. Frequentemente a metáfora do vírus é usada para ilustrar fenômenos econômicos, tais como crises nas bolsas de valores, etc. - mesmo atentados terroristas são, depois do 11 de setembro de 2001, vistos, às vezes, como exemplos de crises deflagradas por “redes viróticas”.
[...] entra em cena a ideologia neoliberal, como seu ingrediente, produto e condição. Quando se criam, fortalecem e generalizam as estruturas globais de poder, por sobre os Estados nacionais, cria-se a ilusão de que a época conturbada do capitalismo alcançou o seu limite, de que chegou o fim da história. (IANNI, 2000, p.83).
Archer (1999) aponta que o tratamento dado à cultura a partir da sociedade industrial passou pelas idéias de convergência industrial e pós-industrialismo até chegar à “terceira onda” de Alvin Toffler – a sociedade da informação, oriunda da fusão entre a computação e as telecomunicações. Uma nova estrutura social foi sendo criada, a partir do efeito da tecnologia da informação em todos os tipos de atividade, do lazer ao trabalho. A invasão da informática no mundo cotidiano representaria para esta autora um florescimento do Terceiro Estágio – o Positivo – de Comte, com a exclusão da filosofia, substituída pela técnica.
Touraine (1999) lembra que este novo estágio não significa outra coisa que a
afirmação do “iluminismo” – com sua confiança no progresso do espírito humano, e a substituição de formas tradicionais do pensamento pela Razão. Para este autor a “era das revoluções” chegou ao seu final, e cada país necessita encontrar uma convivência específica entre o racionalismo moderno e suas próprias condições de existência.
Para Smith (1999) uma cultura global é construída artificialmente, mas, diferentemente dos Estados Nacionais, que também são construções artificiais, porém feitas por uma elite, a cultura global é mais eclética e auto-construída, abrigando parcelas das culturas nacionais e folclóricas preexistentes. Para esse autor o conceito de identidade cultural pressupõe:
1. um sentido de continuidade entre as experiências das gerações sucessivas da unidade da população;
2. as memórias compartilhadas de eventos e personagens específicos que constituíram pontos decisivos de uma história coletiva
3. um senso de destino comum da parte da coletividade que compartilha essas mesmas experiências. (SIMITH, 1999, p. 192).
O obstáculo para a construção dessa identidade num nível global seria a presença constante de elos e sentimentos pré-modernos existentes na era moderna. Os nacionalistas, na acepção desse autor, são constrangidos pelas tradições culturais aceitas e pelas repostas populares que podem canalizar ou manipular. Mas o próprio autor afirma que é difícil vislumbrar uma cultura global que absorva totalmente as culturas etno-nacionais – sua relevância política é que tende a diminuir.
Tenbruck (1999) contrapõe à idéia difundida da globalização como “americanização” o “senso de missão” da América: independência, democracia e progresso seriam os baluartes
da construção de um Mundo Uno, abandonada após a Primeira Guerra Mundial e retomada após a Segunda. O declínio da soberania dos Estados Nacionais levou, no entanto ao panorama contemporâneo que se caracteriza como uma batalha pela cultura global – na qual alguns países que se mantiveram afastados do Ocidente pelo subdesenvolvimento ou pela opção socialista tornam-se atores importantes.
Gellner (1997) afirma que o nacionalismo cria nações, e não o inverso. A nação, para Arnason (1999) tem que ser analisada dessa maneira, como uma instituição interpretativa, e não como uma estrutura objetiva. Hannerz (1999) lembra que uma cultura global é marcada não só pelo entrelaçamento entre nações, mas pelo entrelaçamento entre culturas locais diversificadas, bem como pela criação de culturas sem território específico. A distinção entre cosmopolita e local, inicialmente feita por Merton na sociologia recebeu em diversos autores muitas acepções como, por exemplo, os aspectos “transnacionais” da cultura, exemplificados pelas pessoas que, viajando pelo mundo tornam-se “sem pátria”, como os homens de negócio, jornalistas ou intelectuais – ou a realeza hereditária, cultura “transnacional” em decadência. No entanto vários tipos de culturas transnacionais do mundo se entrelaçam, como a diplomacia. O argumento de Arnason é que “os cosmopolitas encontram um valor na diversidade enquanto tal”, o que significa que “não poderá haver cosmopolitas sem a existência dos próprios locais”. (ARNASON, 1999, p. 265).
A comunicação intercultural, que investiga as relações transnacionais entre indivíduos e organizações faz uso de ferramentas psicológicas, sociológicas, antropológicas e linguísticas, dentre outras. A reestruturação do espaço legal, a partir da internacionalização, por exemplo, tem de fazer uso desse tipo de análise. A economia cultural global, como tensão permanente entre a homogeneização e heterogeneização, complexa e com propensão à desterritorizalização vive conflitos de conseqüências desconhecidas, como a influência pública da religião na sociedade, a criação de um padrão de consumo desenfreado e generalizado em populações completamente diversas, etc. A comunicação intercultural procura contribuir para a resolução do conflito apontado por Turner (1999), ao mostrar que a sociologia contemporânea vive um conflito, entre uma perspectiva global ou nacional.
A cultura global só pode, assim, ser definida como algo em permanente construção e que, oscilando entre extremos, povoa de elementos universais realidades locais, que os adaptam e os utilizam segundo suas tradições – isto é, sua cultura local.