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(TL) 18 Mehmet Duhani Harbiye 5.000 133 Abdulkadir

4.4.1. Opções Metodológicas - Abordagem qualitativa e quantitativa

No que concerne à metodologia, dentro do método científico, optámos por uma abordagem quantitativa e qualitativa, dada a natureza complexa e ambígua do fenómeno da Liderança Escolar e ao facto de analisarmos a realidade da(s) liderança(s), na peculiaridade, das Escolas Públicas do 1. º Ciclo, do Ensino Básico da RAM. No âmbito das Ciências da Educação e de acordo com Sousa (2005), a questão dos métodos quantitativos versus métodos qualitativos, aparenta ser “uma questão falsamente formulada”, uma vez que os investigadores sentem-se tentados a aceitar os argumentos “que não possuem suficientes conhecimentos de matemática para poderem efectuar estudos baseados na análise quantitativa” (p.32). O autor acrescenta:

A questão de que as estratégias qualitativas são tão ou mais eficazes que as quantitativas só se manteria se as investigações dependessem das metodologias. Como são as metodologias que devem depender, adaptar-se e servir os propósitos da investigação e nunca o contrário, as estratégias metodológicas passaram a servir as necessidades da investigação e não as dificuldades, gostos ou tendências dos investigadores. Não haverá, portanto, uns métodos melhores do que outros, mas métodos que melhor ou pior servem o estudo pretendido (Ibid., Ibidem.).

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A escolha da utilização do paradigma qualitativo neste projecto deveu-se ao facto de estudarmos uma realidade em particular, ou seja, o caso específico da liderança em contexto escolar. Tuckman (2002) foi uma outra referência teórica, para a seleccção do referido paradigma; o autor expõe que as temáticas da investigação qualitativa icluem os dados qualitativos, que se traduzem na “descrição detalhada e densa; inquérito em profundidade; citações directas que apreendem as experiências e as perspectivas pessoais dos intervenientes” (p.509).

A pesquisa qualitativa permite analisar os aspectos implícitos ao desenvolvimento das práticas organizacionais. Neste sentido, recolhemos dados que são, essencialmente, de carácter descritivo, tendo como interesse, acima de tudo, a compreensão do significado que os participantes atribuem às suas experiências. No entanto, advertimos que “há momentos em que os investigadores qualitativos recorrem a técnicas quantitativas, e vice- versa” (Bell, 2008, p.20).

Para finalizar, importa realçar que a abordagem qualitativa e quantitativa são portadoras de vantagens e desvantagens, o que não invalida que os dados recolhidos por ambas possam trazer grandes benefícios na resolução do problema de investigação.

4.4.2. Estudo de Caso

Para a concretização da presente investigação, optámos pelo método de estudo de caso, uma vez que é indicado para investigadores isolados, proporcionando a oportunidade para estudar, de uma forma mais ou menos aprofundada, um determinado aspecto de um problema em pouco tempo (Bell, 2008, p.23; Sousa, 2005, p.139).

Assim sendo, averiguemos a adequabilidade deste método ao nosso estudo. Recorrendo à perspectiva de (Yin, 2003), o estudo de caso “é uma investigação empírica que investiga um fenómeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real” (p.32). O autor acrescenta que este método é utilizado de forma extensiva, em pesquisa, nas Ciências Sociais, nas quais se incluem a Educação e a Ciência da Administração (estudos organizacionais); é também “o modelo frequente para a pesquisa de teses e dissertações” nessas “disciplinas e áreas” (Yin, 2003, pp.11-19). Referente à investigação em educação, o estudo de caso possibilita a análise de determinadas características de um ou mais

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sujeitos, numa perspectiva construtivista, o que “permite uma maior compreensão do seu funcionamento fenomenológico” (Sousa, 2005, p.139).

Uma vez que a nossa investigação incidiu sobre a compreensão dos processos organizacionais das escolas (entre eles a liderança e as diferenças de género), o estudo de caso revelou-se indicado, pela possibilidade de “compreender fenómenos sociais complexos” (Yin, 2003, p.21). Não poderá ser descurado que este permite “preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real” e contribui de “forma inigualável, para a compreensão que temos dos fenómenos individuais, organizacionais, sociais e políticos” (Ibid., Ibidem.).

Explicitemos que os estudos de caso são, geralmente, considerados estudos qualitativos (Bell, 2008; Tuckman, 2002; Yin, 2003), pois permitem combinar uma variedade de técnicas, tanto qualitativas, quanto quantitativas. Na perspectiva de Yin (2003), o estudo de caso pode incluir e “mesmo ser limitado às evidências quantitativas. Na verdade, o contraste entre evidências quantitativas e qualitativas não diferencia as várias estratégias de pesquisa” (p.33).

Nas opinião de Sousa (2005), o estudo de um caso resume-se essencialmente aos seguintes procedimentos:

1. º Recolha, a mais exaustiva possível, dos dados sobre o caso em estudo e o contexto em que se encontra inserido;

2. º Análise qualitativa e quantitativa desses dados, procurando-se constantes, relações, discrepâncias, frequências e elementos de valor significativo;

3. º Efectuar inferências a partir da análise e extrair conclusões (p.140).

Podemos classificar a presente investigação como estudo de caso único incorporado, uma vez que envolve mais do que uma unidade de análise. De acordo com Yin (2003), num “estudo organizacional, as unidades incorporadas também podem ser unidades de „processo‟ como reuniões, funções ou locais determinados” (p.63). Como analisámos a função de liderança, recorremos a esta abordagem. Embora mais exigente, é um projecto coerente com a nossa investigação, porque “um estudo de caso único é análogo a um experimento único, e muitas das condições que servem para justificar um experimento único também justificam um estudo de caso único” (Ibid., p.62).

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A investigação realizada é também considerada um estudo de caso de tipo descritivo (Yin, 2003), pois recorremos à descrição de aspectos particulares da liderança nas escolas. Notemos que este método “baseia-se na premissa de que um caso poderá apresentar-se como típico de vários outros semelhantes, podendo ser visto como um exemplo de um conjunto de eventos ou grupo de indivíduos” (Sousa, 2005, p.144).