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2. ÖNCEKİ ÇALIŞMALAR

2.1. Zenginleştirme çalışmaları

2.1.2. Diğer Zenginleştirme çalışmaları

2.1.2.2. Ekstraksiyon çalışmaları

2.1.2.2.3. Tiyoüre çözeltisi ile yapılan ekstraksiyonlar

DURKHEIM enfrenta essa questão quando, em sua tese de doutoramento Da Divisão do Trabalho Social, pergunta:

Como é que, ao mesmo passo que se torna mais autônomo, o indivíduo depende mais intimamente da sociedade? Como pode ser, ao mesmo tempo, mais pessoal e mais solidário? Pois é inconteste que esses dois movimentos, por mais contraditório que pareçam, seguem-se paralelamente. É este o problema que nos colocamos. (DURKHEIM, 1995, L)

Para GIDDENS (2000, 1998), essa proposição durkheimiana é basilar no interior de sua sociologia e por nem sempre ter sido bem compreendida fez com que muitos reduzirem o seu pensamento a um combate ao individualismo social. GIDDENS busca elucidar a permanência dessa tensão e o porque desse equívoco. Para isso, diferencia a argumentação durkheimiana em duas perspectivas de análise sobre a temática da relação entre indivíduo e sociedade. A primeira perspectiva é aquela que se apresenta em sua compreensão metodológica do fato social no qual se dá ênfase ao caráter positivo desse

em relação ao indivíduo e, portanto, realça sua coercitividade para com o individuo; a segunda refere-se à abordagem dos fenômenos inerentes à sociedade de seu tempo na qual o processo de individuação é um fator preponderante na diferenciação social o que legitima, por exemplo, a sua compreensão da divisão social do trabalho ou a sua tipologia sobre o suicídio.

Ou seja, DURKHEIM recusa o individualismo em seu tratamento metodológico e o aceita como um fato preeminente na sociedade industrial. Essa aceitação, entretanto, não dissolve a tensão, mas, ao contrário, a retém como constituidora dos fatos sociais. Apresenta-se subjacente no próprio tratamento dado às análises dos fenômenos empíricos, pois, por um lado, sua crítica ora se endereça aos que desconsideram o valor da individuação, ora tem como alvo os que a hipertrofiam.

DURKHEIM critica, em primeiro lugar, a formulação de COMTE (1978) para quem a vida em sociedade só é possível através de uma adesão do sentimento à razão positiva na qual o subjetivo — a vida interior e individual — , encontra-se submetida através de um austero consenso moral à ordem social. Essa condição somente se dá, para DURKHEIM, quando os laços de coesão social se encontram determinados pela baixa diferenciação social. Nessas sociedades, a divisão do trabalho ainda se encontra embrionária e a consciência coletiva é ainda a instância supra-individual que permite a essa vir a se expressar.

Sendo assim, a caracterização durkheimiana da solidariedade mecânica, presente nesse âmbito da sociabilidade, indica que as relações sociais ainda são fortemente cingidas por componentes morais nos quais a ênfase se encontra na adequação do indivíduo à ordem social. A consciência individual é expressão da consciência coletiva e o indivíduo se resolve na aceitação imperativa das regras sociais. Esse caráter repressivo da sociedade manifesta-se, para DURKHEIM, em sua conformação jurídica que, ao dar ênfase aos aspectos punitivos, busca limitar a diferenciação social.

A solidariedade mecânica restringe-se, portanto, àquelas sociedades nas quais a divisão social do trabalho convive com uma baixa diferenciação social, pois não há uma distinção significativa entre sistema e ator. Essa diferenciação apenas pode vir a se manifestar no interior da sociedade industrial na qual há mais condições objetivas do indivíduo se expressar e, assim, se distinguir da totalidade social.

Essa diferenciação, entretanto, não faz com que DURKHEIM se apresente como um voluntarista. Sua crítica se endereça, em seugndo lugar, àqueles autores que, como SPENCER, dão ênfase ao pólo da individualidade ao postularem que a vida social é fruto da elaboração de um contrato no qual os indivíduos expressam seus interesses sociais.

Em sua discordância com SPENCER e os economistas partidários do utilitarismo, DURKHEIM elabora sua crítica à compreensão de que a vida em sociedade encontra-se baseada nas escolhas dos indivíduos. Enquanto para esses a divisão do trabalho é algo almejado pelos indivíduos que se especializam para aumentar a produção, para DURKHEIM é justamente o oposto que ocorre: a especialização e a divisão social do trabalho são frutos do incremento da produção.

DURKHEIM reconhece, como apresentado antes, que os indivíduos só ganham maior autonomia e se diferenciam da totalidade social no interior da sociedade industrial que, através da multiplicação das atividades fabris e do aparecimento acentuado de profissionais especializadas, permite, por um lado, que o processo de individuação ganhe cada vez mais autonomia no interior da reprodução social. Esse processo exige, por outro lado, que se intensifique um outro tipo de solidariedade que venha a garantir a coesão social, pois, senão, estaria-se à mercê da individualidade dos utilitaristas ou da luta fratricida, visto que a causa da solidariedade mecânica se revela menos eficaz nas complexas sociedades modernas.

A saída para esse dilema é formulada por DURKHEIM na distinção que faz ente solidariedade mecânica e solidariedade orgânica, pois nessa última se preservam as condições sociais nas quais cada indivíduo possui, “em muitas circunstâncias, a liberdade de crer, de querer e agir conforme suas preferências. Nas sociedades de solidariedade mecânica, ao contrário, a maior parte da existência é orientada pelos imperativos e proibições sociais” (ARON, 1982, 300)

Ou seja, a solidariedade orgânica é a saída durkheimiana para escapar dos determinismos da individualidade ou da objetividade social e se funda na própria dinâmica da sociedade industrial que provoca maior diferenciação entre os indivíduos e, concomitantemente, maior coesão social advinda da interdependência característica dessa mesma diferenciação. A solidariedade orgânica exige, pois, diferentemente da solidariedade mecânica, algum grau de expressão das particularidades dos indivíduos que, ao contratuarem relações entre si, expressam “suas preferências”, entretanto, essas

relações interindividuais pressupõem uma sociedade movida por relações solidárias na qual a competição não é destrutiva, mas inerente à funcionalidade do sistema.

Essa dinâmica social se expressa na legislação que não mais se baseia em um direito repressivo ou restritivo, mas, sim, em um direito “restitutivo, ou cooperativo, cuja essência não é a punição das violações das regras sociais, mas repor as coisas em ordem quando uma falta foi cometida, ou organizar a cooperação entre os indivíduos”. (ARON, 1982, 302)

O direito nas sociedades pré-modernas, por se encontrarem fundeadas na solidariedade mecânica, baseia-se na restrição da liberdade individual e, portanto, na submissão dessa à ordem social via uma aceitação da moralidade vigente. O direito nas sociedades modernas, ao contrário, baseia-se na manutenção e na expressão das diferenças individuais e, portanto, ao regular a relação entre os interesses particulares, deve reconhecer os contratos firmados entre esses e respeitar os interesses em jogo. Ou seja, o direito não deve, nesse último caso, deter-se, majoritariamente, em sua função repressora, mas, ao contrário, sua função maior será a de promover a cooperação entre as partes envolvidas para que elas cheguem a um bom termo.

Aqui, entretanto, enfrenta-se uma questão conhecida como o “problema de Hobbes” (HOBBES, 1997). Este ao propor o Leviatã como instância instauradora da ordem societária cria um problema lógico: se a sociedade apenas se institui enquanto tal por um poder externo a ela, como isso ocorre se a força do soberano ainda não existe quando esse contrato inicial foi firmado. O que em termos durkheimianos seria enfrentar a pergunta de como se dá a passagem da solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica se os indivíduos que estão inseridos num primeiro momento societário encontram-se assujeitados às regras. Como pensar na possibilidade de o indivíduo poder transitar de um momento para outro (solidariedade mecânica/orgânica) se a perspectiva utilitarista da confecção do contrato foi rejeitada por DURKHEIM?

A saída para o dilema é retomar sua concepção metodológica de que o fato social é coercitivo em relação aos indivíduos. Deve-se buscar na vida social as explicações para os comportamentos dos indivíduos e observar que, quando da passagem das sociedades pré-modernas para as sociedades modernas, efetiva-se um adensamento populacional, material e moral no interior da sociabilidade que será responsável pelo aparecimento da solidariedade orgânica. Sendo assim, o próprio aumento populacional acrescido ao aumento da riqueza material fez com que se

intensificasse o processo de diferenciação entre os indivíduos e se tornasse necessário uma maior densidade moral a regular a troca entre os interesses individuais. Por isso o direito, nesse âmbito social, incide majoritariamente nas disputas entre os indivíduos com o intuito de manter a solidariedade que deve presidir a contratuação entre os agentes sociais.

Pode-se dizer que ainda há um empecilho para que o dilema hobbesiano, que se pôs DURKHEIM, seja resolvido: como os indivíduos se tornam sujeitos morais movidos pela solidariedade orgânica se anteriormente isso não se dava a não ser pela coerção social? É o indivíduo um receptáculo passivo das condições sociais? GIDDENS (2000b,117s) diz que é, nesse momento, que DURKHEIM se apóia em "convicções básicas e consensuais relativas à dignidade e ao valor do indivíduo humano, tais como foram formuladas pelos philosophes do século XVIII, e que estão na base da revolução francesa,” para indicar que já há no seio social uma crença generalizada acerca da dignidade do indivíduo. E que, portanto, a divisão social do trabalho atém-se, via solidariedade orgânica, a essa determinação social que pressupõe um sujeito moral, mesmo que inexistente durante o período sob o qual a solidariedade mecânica se fazia vigente.

A solidariedade orgânica desperta o que se encontra em gemem na vida social: a propensão à moralidade que só emerge quando as condições objetivas da sociedade moderna suscitam essa predisposição e põem em ato o que se encontrava em potência — diminuição da escassez material e aumento da especialização profissional.

Essa posição de DURKHEIM quer rejeitar, concomitantemente, o espontaneismo da vida social e da moralidade individual. Os partidários do primeiro, como os utilitaristas, defendem uma perspectiva voluntarista e tornam a vida social uma decorrência das ações individuais. Os partidários do segundo, por sua vez, fazem da vida social uma exigência imperativa da ordem social, anulando as escolhas individuais. DURKHEIM busca ultrapassar essas posições, por isso as rejeita, mas, simultaneamente, conserva, em sua produção analítica dos fenômenos sociais, afirmações próximas a essas mesmas posições que ele busca ultrapassar. É por isso que a resposta ao problema que se coloca na introdução Da divisão do Trabalho Social, e que foi aqui transcrito no início dessa seção, permanece como uma síntese de duas posições aparentemente excludentes, “Pois é inconteste que esses dois movimentos, por

mais contraditório que pareçam, seguem-se paralelamente. É este o problema que nos colocamos (DURKHEIM, 1995, L)”.

Essa síntese faz parte das fragilidades do texto de DURKHEIM e que, segundo GIDDENS, expressa-se numa defesa intransigente tanto da liberdade individual, quanto da ação coercitiva da sociedade sobre esse mesmo indivíduo. Na tematização da anomia, por exemplo, percebe-se que há pelo menos duas variáveis. Uma é vista como “ausência de normas” e, portanto, o indivíduo deve orientar sua conduta pelas normas sociais e sua ação deve ser intrinsecamente favorável à manutenção do status quo ou o seu comportamento poderá vir a ser considerado desviante em decorrência de uma socialização imperfeita. A outra pode vir a ser entendida como “tensão normativa” e, portanto, os indivíduos, ao agirem socialmente, vivenciarão essa tensão já que as decisões tomadas poderão atuar na manutenção ou na alteração das normas sócias.

A segunda variável, entretanto, permanece residual na tematização durkheimiana e que a primeira se manifesta com maior vigor. E DURKHEIM termina por tratar a socialização do indivíduo como aceitação das normas sociais. Os seus textos nos quais esse tratamento aparece com maior evidência são os relacionados com a função social da educação. Em Educação e Sociologia, por exemplo, afirma: 4

Resulta da definição precedente, que a educação consiste numa socialização metódica da nova geração. Poder-se-á dizer que, em cada um de nós, existem dois seres que, para serem inseparáveis que não por abstração, não deixem de ser distintos. Um, é constituído por todos os estados mentais que apenas se referem a nós próprios e aos acontecimentos relacionados com a nossa vida pessoal: é aquilo a que poderíamos chamar o ser individual. O outro, é um sistema em nós, não a nossa personalidade, mas sim o grupo, ou diferentes grupos de que fazemos parte; é o caso das crenças religiosas, credos e práticas morais, tradições nacionais ou profissionais, opiniões colectivas de qualquer espécie. O seu conjunto constitui o ser social. A constituição desse ser em cada um de nós, eis a finalidade da educação. (DURKHEIM, 1984, 17)

Ou ainda:

Resumindo, muito longe da educação ter por objectivo único ou principal o indivíduo e os seus interesses, a educação é, antes de mais, o meio pelo qual a sociedade renova perpetuamente as condições da sua própria existência. A sociedade só pode viver, se entre os seus membros existir uma suficiente homogeneidade? Pois a educação perpetua e reforça tal homogeneidade, fixando antecipadamente na alma da criança as similitudes essenciais que a vida colectiva pressupõe. (DURKHEIM, 1984, 69)

Nesse sentido, pode-se afirmar que a educação tem como objetivo permitir que o indivíduo se socialize e, assim, ao aderir às “opiniões colectivas de qualquer espécie”, a

sociedade o homogeneiza ao promover a identificação deste com a consciência coletiva. Isso ocasiona, na teorização durkheimiana, uma resolução favorável a uma crescente identificação do ator com o sistema. Sua busca, portanto, de uma síntese possível entre esses dois pólos se efetiva através de uma progressiva dissolução da tensão existente e uma crescente identificação entre processos de individuação e socialização. As lógicas da ação e do sistema, que para DUBET não se identificam por completo, terminam, mesmo ressalvada a importância do indivíduo no interior da solidariedade orgânica, tendencialmente se sobrepondo na homogeneidade requerida pela vida social.

São, portanto, nos escritos durkheimiana da educação, já distante da gênese de uma moralidade articulada a solidariedade orgânica Da Divisão Social do Trabalho, que a identificação entre indivíduo e sistema se concretiza mais visivelmente. Na análise da educação como fenômeno social, DURKHEIM trata não mais de estabelecer os laços que conformam o indivíduo no interior da divisão do trabalho e sua complexificação social a conter, em suas franjas, processos de negociação de sua inserção demarcados por uma expressão da individualidade, mas, sim, considera relevante a adequação do indivíduo ainda infante ou imberbe nas lógicas sociais mais amplas em que se sublinha o estabelecimento do ser social via interiorização de suas regras.

Isso se dá porque DURKHEIM, em sua recusa do utilitarismo, postula a existência de um Estado forte capaz de deter as tendências sociais desagregadoras existentes no indivíduo e a educação serviria como ação estatal para a estabilização do ser social e o afastamento da anomia. A tensão entre racionalismo e subjetividade acabaria, portanto, por pender para a racionalidade do sistema contra a emersão do que há de subjetivo no indivíduo.5

Seguindo essa démarche, as alterações por que passa a escola e o declínio de sua importância como estratégia de aglutinação de indivíduos a conformarem-se como ser social seria postulada como uma crise do sistema não mais coercitivo o suficiente para manter a homogeneidade necessária. A perda de coesão e a emersão da subjetividade seriam compreendidas como uma disfunção anômica a ser corrigida.

É necessário, então, abrir mão de uma compreensão funcionalista de organização dos sistemas sociais nos quais os indivíduos assumem posições morfológicas relevantes

na manutenção dos sistemas, fazendo com que suas subjetividades se vêem eclipsadas pela ordem e pela normatividade social. Deve-se retomar uma concepção do conflito não mais regulado homeostasticamente e, sim, pensar num conflito inerente à tensão entre sistema e ator social no qual a dimensão conflitiva cada vez mais se alargue tendo em vista a própria complexidade constituinte da sociabilidade. E que conforme se intensifique a complexificação social e se efetive, em maior grau, a variabilidade de suas interações, mais também se dá a diferenciação social dos indivíduos e seu distanciamento dos papéis sociais a eles atribuídos pelos sistemas sociais.

Essa seria uma concepção na qual o ator social não é compreendido como uma continuidade dos sistemas, mas o seu “outro lado” constituinte e diferenciado. O ator é o sistema não enquanto uma identificação de um para com o outro, mas como uma relação que se diferencia na tensão suscitada pelo interjogo entre cada um desses pólos. Anverso e reverso se implicam mutuamente e são vividos simultaneamente como momentos distintos de integração e diferenciação do indivíduo. A marcar de sua socialização não mais é compreendida a partir de um ponto de vista durkheimiano, no qual a socialização se encontra disposta pela normatividade social e a subjetividade, enquanto consciência individual, efetiva-se como um desdobramento das representações coletivas.

Benzer Belgeler