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Há, entre o ator e o sistema, uma relativa opacidade e, portanto, há zonas de ocultamento de uma dimensão para com a outra. SIMMEL6

(1986e, 1986f, 1988), de quem DUBET (1996) retoma a tematização da diferenciação entre ator e sistema, aponta que a sociedade é composta por indivíduos e que eles, por viverem socialmente, encontram-se, simultaneamente, socializados e não-socializados. Isso é possível pelo caráter da modernidade e pela tensão aqui já apontada entre racionalidade e subjetividade, ou objetividade e subjetividade.

A tensão, para SIMMEL, revela-se empiricamente ao observar o cotidiano dos indivíduos que vivem imersos em relações sociais e, portanto, essas relações são já pré- existentes ao indivíduo e possuem para com eles uma anterioridade impositiva de

6 Acerca do debate sobre a importância da obra de SIMMEL, sua biografia e a sua trajetória intelectual consultar os comentaristas: FREUND (1981), FRYSBY (2002), LEVINE (1984), MORAES FILHO (1983), VANDENBERGHE (2001, 2005), WAIZBORT (2000).

valores. Ao mesmo tempo, esses mesmos indivíduos é que dão sustentação a essas relações pois, ao manterem entre si ações de reciprocidade, conformam a vida em sociedade e a dão concretude existencial. Sendo assim, há, no interior dos processos de constituição da vida social, um duplo movimento de identificação com os comportamentos socialmente valorados e de uma recusa desses mesmos valores sociais.

SIMMEL apresenta uma série de exemplos para compreender esse caráter indissociável e aparentemente contraditório da sociabilidade humana. Por um lado, como exemplo de um desses pólos, pode-se citar o sacerdote para quem o exercício de “sua função eclesiástica cobre e esgota por completo sua realidade individual” (SIMMEL, 1986c, 47). E , por outro lado, as “relações de amor e de amizade” nas quais o “elemento ‘não-social’ encobre por completo a personalidade, com sua cor especial, com sua irracionalidade e sua vida interior” (SIMMEL, 1986c, 48). Importante destacar que esses exemplos são dados para melhor compreender a vivacidade desses dois sentidos na vida social e que, empiricamente, não é possível haver uma dissociação por completo desses dois elementos. Por isso, SIMMEL circunscreve seus exemplos em torno do caráter funcional do exercício sacerdotal ou o despertar da vida anímica no interior das relações amorosas e de amizade. E, também, aponta serem esses exemplos extremos de um gradiente no qual convivem, em diferentes intensidades, elementos distintos ora a dar ênfase a um desses aspectos, ora a dar ênfase a um aspecto oposto. Esses exemplos servem apenas para melhor caracterizar as determinações sociais e não sociais presentes nas interações que os indivíduos mantêm entre si. Portanto, esse duplo caráter se encontra presente em qualquer relação e é apenas analiticamente que se pode entendê-la como dois pólos distintos. O que aqui importa enfatizar é que, para SIMMEL. a observação empírica pode fornecer uma percepção clara de que irremediavelmente os seres sociais estão em constante interação e, para ele, parte dessa atividade social escapa ao objetivismo presente numa visão funcionalista das interações. O indivíduo é, por um lado, produto da sociedade por ter que viver segundo expectativas sociais já anteriormente elaboradas pelas gerações passadas e que se materializam em regras sociais e na tradição a dizer, objetivamente, como se deve proceder socialmente. Por outro lado, o indivíduo é membro da sociedade e, portanto, é mais do que uma “vasilha” na qual se misturam aqueles elementos previamente existentes e que conformariam sua individualidade. As tradições, as crenças, as regras sociais e os traços culturais herdados, assim com outros elementos sociais já

cristalizados, são vividos no interior das interações e como tais sofrem um intenso processo de diferenciação social por se verem postos em dúvida pelos indivíduos que com eles se relacionam e os significam.

Essa tematização ajuda a pensar no dilema da relação entre o indivíduo e a sociedade tentando definir o que viria primeiro e o que provocaria o aparecimento e constituição do segundo. O debate se apresenta muitas vezes definido com o uso de metáfora. Uma das mais utilizadas é a do ovo e da galinha. Essa alegoria, entretanto, mostra-se estéril, pois a solução já encontrada pelas ciências biológicas é de que a galinha é anterior ao ovo, visto que o ovo é um ente de menor complexidade organizacional e que para ser gerado necessita de um outro ente já geneticamente desenvolvido e que possa vir a transmitir-lhe as características necessárias que o identifiquem como um ovo. Isso transposto para a vida social poderia fazer pensar que a sociedade é anterior ao indivíduo por ser mais complexa. 7

Para SIMMEL é justamente o oposto que de fato se dá: o indivíduo é que é mais complexo, pois é nele que se encontra a capacidade de produzir cultura por estabelecer uma unidade que sirva de escoadouro paras as interações mantidas por cada um em meio às interações sociais mantidas com outros indivíduos.

Fora dos homens e de sua individualidade, há produtos de natureza material apartados da natureza espiritual. Esta natureza humana se ancora na individualidade para se expressar, pois nada mais é do que uma demonstração da vida psíquica e da

7 ELIAS (1994) em A Sociedade dos Indivíduos apresenta uma outra metáfora da relação do indivíduo com a sociedade. A relação entre esses dois âmbitos se assemelharia à existente entre a casa e os tijolos utilizados em sua construção. A interdependência aqui é evidente, pois não há uma casa sem tijolos e a casa não é simplesmente o somatório de tijolos. Há na vida social algo mais do que a soma de indivíduos que a formam e, concomitantemente, que fazem com que cada um deles seja um ser social. Esses só existem individualmente como ser social por se encontrarem em relação com a totalidade social que forma a sociedade. Aqui, entretanto, a metáfora se mostra também insuficiente para se compreender essa relação, pois há tijolos sem casa. Nesse sentido, só é possível manter essa metáfora se ela for compreendida no interior da tradição sociológica na qual, como lembra MARX e para permanecer com a alegoria do tijolo, o que determina para que serve um tijolo é o seu valor de uso. Ou seja, a metáfora é, por um lado, apenas uma aproximação e por se tratar de uma alegoria entre o mundo biológico ou físico e o mundo social sempre vai ser insuficiente para compreender a interdependência e a incapacidade que se tem de precisar o que se passa no interior da relação entre o indivíduo e sociedade. Mas, por outro lado, as metáforas do ovo e do tijolo são esclarecedoras, pois permitem, ao se tomar os devidos cuidados, compreender que se está lidando com uma realidade social na qual os laços impostos entre indivíduo e sociedade são indissociáveis. A metáfora serve para localizar o problema. Nesse sentido, a obra de SIMMEL está pontilhada de exemplos e analogias para melhor pensar essas relações e o caráter construtivista da sociedade. Esses exemplos empíricos e as metáforas possuem, portanto, a intenção de tornar clara as posições teóricas defendidas por ele e não substitui o teor de suas formulações e a abrangência de suas análises.

capacidade desse em conferir vida as coisas materiais exteriores a sua individualidade. Ao se tomar o mundo das coisas, portanto, pode-se dizer que essas só existem por terem sido produzidas socialmente a partir da interação dos indivíduos que deram vida a elas quando as criaram e as vivificam quando as utilizam. Vale lembrar que a ênfase recai não no indivíduo isolado, mas no indivíduo em relação, ou melhor, em inter-relação, pois a pedra de toque é a capacidade de cada um vir a se relacionar entre si na constituição de relações recíprocas definidoras das relações sociais.

SIMMEL parte dessa constatação empírica de que a“sociedade existe onde quer que vários indivíduos entram (sic) em interação”. (SIMMEL, 1986e, 59) Reciprocidade mobilizada pelos indivíduos que agem tendo em vista a convivência que usufruem uns com os outros e na qual se inscrevem as intencionalidades de suas ações independentemente de quais objetivos persigam. Não importa portanto, que eles ajam tendo em vista a manutenção ou extinção dos laços que os prendem entre si. O que importa para que essas relações sejam consideradas como sociais é a unidade que elas venham a formar e que SIMMEL vai denominar de sociação (Vergesellschaftung)8.

Aquela unidade ou sociação (Vergesellschaftung) pode ter diversos graus, segundo a espécie e a intimidade que tenha a interação — desde a união efêmera para dar um passeio até a família; desde as relações por prazo indeterminado até a pertinência a um mesmo Estado; desde a convivência fugitiva num hotel até a união estreita de uma corporação medieval. (SIMMEL, 1983e, p.60)

O caráter de interação é fundante para que se dê a presença da sociação, mas não é a única determinação exigida, pois há encontros fortuitos, como o cruzar de olhos ou o compartilhar uma fila, nos quais não se efetivam interações sociais. Essas podem vir a ocorrer caso venha a se estabelecer uma maior densidade desses contatos que as possibilite formar uma unidade na qual convirjam os interesses dos vários indivíduos envolvidos9. Sendo assim, a unidade é que expressa o caráter interacional da sociação e

8 Adoto aqui a posição de MORAES FILHO (1983, 31) que em sua tradução do termo Vergesellschaftung indica a palavra sociação como a mais próxima das intenções simmelianas em caracterizar o mundo social em seu constante vir a ser. A sociedade não está formada, mas se constrói incessantemente a partir das ações recíprocas dos indivíduos. Essa é uma versão para o português do vernáculo usado pela sociologia norte-americana: sociation. Em espanhol e francês, respectivamente, o termo se encontra vertido como

socialización e socialisation o que poderia levar, caso se adote socialização, a um distanciamento das

proposituras de SIMMEL e a uma aproximação com a sociologia durkhemiana.

9 A densidade aqui referida se constitui pela intercessão de vários vetores como, por exemplo, a duração, o número de participantes, a recorrência, a constituição e a modalidade das hierarquias de subordinação e/ou a dominação,a existência de conflito entre as partes, a uniformidade nos comportamentos.

que lhe dá concretude ao lhe atribuir uma forma de ser na qual os seus conteúdos possam vir a ser socialmente veiculados.

A relação entre forma e conteúdo é de fundamental importância para a sociologia simmeliana. SIMMEL ficou conhecido como um defensor da sociologia formal por insistir na preponderância da primeira em relação à segunda.

Referindo-se aos conteúdos, diz:

Em si mesmas, estas matérias com que se enche a vida, estas motivações, ainda não chegam a ser social (sic),. Nem a fome nem o amor, nem o trabalho, nem a religiosidade, nem a técnica nem as funções e obras de inteligência constituem ainda sociação quando se dão imediatamente e em

seu sentido puro. (SIMMEL, 1983e, 60) (Grifos meus)

Essa preponderância, entretanto, não o torna um formalista que desconsidera a importância dos conteúdos histórico-sociais e privilegia a análise das formas puras e abstratas. Ao se debruçar sobre o trecho em itálico na citação, percebe-se que a subordinação do conteúdo à forma se dá por uma exigência ontometodológica de suas postulações, pois, considerando sua definição de sociação como a unidade dentro da qual os indivíduos realizam os seus interesses, os conteúdos puros e imediatamente tomados em–si não se encontram ainda socialmente compartilhados e, portanto, estão inacessíveis à vida social por se verem não mediados pelas interações. Como são as interações que caracterizam a insurgência das unidades formais, é também impossível ocorrer a existência de forma social sem conteúdos sociais. Sendo assim, não há conteúdo socialmente valorado sem que haja uma unidade formal que a expresse, nem há uma forma na qual se dêem relações de reciprocidade sem que em seu interior não se encontrem mediados os conteúdos sociais. “Se analisarmos qualquer fenômeno social dado, conteúdo e forma sociais constituem uma realidade unitária.” (SIMMEL, 1983e, 60)

Não se deve, entretanto, esquecer que o processo de sociação se distancia da socialização compreendida aqui como internalização dos valores sociais em uma dimensão na qual o indivíduo se adapta às determinações sociais. O fato de SIMMEL apontar a necessidade de termos processos sociais nos quais conteúdos e forma se articulam não faz da sociação uma adequação de uma a outra na constituição de uma unidade organicamente disposta como no funcionalismo. Quando SIMMEL usa o termo funcionalismo ele deve ser compreendido no interior das lógicas que orientam as interações e que possibilitam ao indivíduo cumprir determinadas interações que possam estar ou não socialmente discriminadas — como no exemplo do religioso a serviço das

funções sacerdotais: nada o impede de exercer outras atividades não prescritas por essas funções. Ou seja, é a unidade na ação que traz coesão social para as interações dos indivíduos e, portanto, toda e qualquer unidade é eminentemente social no sentido que é produzida em meio a relações sociais mesmo que parte delas não esteja discriminada pelas formas valoradas socialmente.

A unidade do social e não-social vem a se conformar através de uma dialética entre conteúdo e forma na qual a sociação se estabelece como articuladora entre dois pólos distintos, mas irremediavelmente imbricados. Por um lado, o momento no qual os indivíduos mantêm uma miríade de experiências intersubjetivas quando imersos no mundo da vida; e, por outro lado, o momento compreendido pelas formas nas quais os processos e organizações sociais, como diz SIMMEL, estabelecem-se como organizadores do mundo da vida.

A articulação entre forma e conteúdo se dá por uma exigência das próprias reflexões teóricas levadas a cabo por SIMMEL. Se de um ponto de vista analítico o ponto de partida para se melhor compreender as relações sociais são as interações mantidas pelos indivíduos, de um ponto de vista metodológico há a constatação de que lidar com os objetos sociais a partir dessa unidade básica é uma quimera, pois os vínculos resultantes das interações sociais são de tal ordem de complexidade que se torna um sonho querer compreendê-las a partir das relações mais imediatas que os atores sociais estabelecem entre si. SIMMEL propõe que se trate esses objetos sociais “como realidades auto-suficientes. Então, somente por mero procedimento de método, é que falamos a respeito do Estado, do direito, da moda etc., como se fossem seres indivisos” (SIMMEL, 1983f, 49)

Aqui se encontra uma aproximação entre as posições simmelianas e as defendidas por KANT (1985). Essa aproximação se evidencia pela recorrência, na sociologia de SIMMEL, de três pontos específicos: primeiro, a distinção entre forma e conteúdo; segundo, a formulação de que os conteúdos são inacessíveis à consciência e, terceiro, a concepção de que as formas puras necessitam dos conteúdos para se tornarem objetivas. Isso pontua sua filiação à epistemologia kantiana que procura compreender o fenômeno em sua distinção com o númeno. A pergunta que orienta a epistemologia kantiana é como poderá ter o conhecimento realidade objetiva se, por um lado e como crítica ao racionalismo clássico, a razão se encontra vazia de objetividade e através de seu exercício apenas se chega a tratar de objetos racionais sem conteúdos naturais; e,

por outro lado e como crítica ao empirismo, os dados intuídos pela sensibilidade não podem ser universalisados por sua variabilidade. Ou seja, os sentidos não pensam e o entendimento não intui.

Para KANT a resposta possível a essa questão reside na recusa do empirismo e do racionalismo clássico. A coisa-em-si (númeno) é inapreensível a não ser em sua aparência (fenômeno) que se desvela à consciência como intuição desta para com os objetos exteriores que são organizados através das formas a priori do espaço e do tempo presentes na sensibilidade, por se encontrarem a priori no entendimento humano. O fenômeno se constitui enquanto tal apenas através da mediação dessas formas puras do entendimento que conferem intuitivamente uma organização ao mundo sensível. Os conteúdos sensíveis, sem essa mediação, tornam-se inacessíveis à razão e, portanto, apenas o fenômeno se torna apreensível e objeto do conhecimento por (1) se referir ao númeno que permanece como uma realidade ilusória para a percepção e (2) enquanto conteúdo da experiência organizado pelas formas.

Essa aproximação traz para a sociologia simmeliana alguns desdobramentos importantes. Como KANT, SIMMEL vai contestar a existência de leis universais que traduzem as regularidades do mundo objetivo. Sua sociologia é diametralmente oposta a proposta metodológica durkhemiana de determinar leis empíricas e universais para o mundo social. SIMMEL aponta que apenas as formas são universais, mas não na intenção postulada por DURKHEIM de lei universal aplicável às realidades empíricas. Trata-se de uma regularidade baseada na idéia de um modelo passível de ser generalizado por se aplicar a diferentes contextos espaço-temporais, mas que, ao mesmo tempo, permanece como um ideal por não se aplicar textualmente a nenhuma realidade concreta. Como em KANT as formas puras do entendimento são universais, mas necessitam dos conteúdos sensíveis para que se possa extrair conhecimento deles. Assim é para SIMMEL: para quem as formas sociais necessitam dos conteúdos presentes nas interações subjetivas.

Os vínculos entre forma e conteúdo não devem, entretanto, conduzir o raciocínio a pensar que SIMMEL reserva o uso do termo forma em sua sociologia apenas para as construções mentais dos cientistas sociais que, pela via da análise das formas, chegariam a sintetizar os fenômenos sociais que investigam. Essa perspectiva está presente em seu texto e se põe em evidência por aquilo já referido anteriormente — que os conteúdos são de uma tal ordem de complexidade que, às vezes, torna-se impossível

compreender as interações sociais em sua multiplicidade de intenções. SIMMEL dá como exemplo um Historiador que queira explicar a batalha de Maratona. Ele teria que explicar o comportamento de todos os guerreiros que dela participaram, o que tornaria o seu trabalho impossível e os resultados não seriam satisfatórios. Junto a essa perspectiva de análise, entretanto, SIMMEL admite que as formas também são elaboradas pelos atores sociais quando interagem, pois, diferentemente dos objetos naturais na filosofia kantiana, tratam-se de fenômenos nos quais os participantes, e não apenas os cientistas sociais, estão imersos e se vêem enredados. Assim, a formalização é uma atividade da qual participam observadores externos e participantes internos na articulação de conteúdos intrínsecos às interações mantidas por eles.10

É a sociação que torna a forma e os conteúdos “seres indivisos” que participam da unidade posta em movimento pelas reciprocidades sociais. É em torno do caráter de unidade das interações e das organizações, portanto, da unidade diferenciada do conteúdo e da forma respectivamente, que SIMMEL funda a sua dialética que busca entender como essas unidades se implicam mutuamente, organizam-se, desorganizam-se e reorganizam-se ao recomporem-se tendo em vista os processos de sociação levada a cabo pelos indivíduos sociais.11

FREUND (1981), na introdução francesa de Sociologie e Épistémologie, refere- se a essa dialética entre forma e conteúdo. O comentarista da obra simmeliana aponta que cada uma dessas duas dimensões da sociação se articulam uma frente a outra em uma luta na qual os conteúdos da vida se efetivam ao encontro das formas e, simultaneamente, a vida só pode vir a se realizar no encontro dessas duas dimensões. Não há, portanto, conteúdo que não se manifeste sem a intermediação das formas

10 O que remete à posição anteriormente explicitada da dupla hermenêutica, na qual a constituição das formas pelos atores e pelos observadores externos não invalida o uso desses distintos pontos de vista para a análise das práticas sociais dos atores.

11

É necessário deixar claro que para a sociologia simmeliana não há pareamento entre determinadas formas e determinados conteúdos. Há distintos conteúdos sob distintas formas e vice-versa. Pode-se citar dois exemplos extraídos do comentarista FREUND: o mundo formal da política pode vir a ser organizado tendo como fim uma maior solidariedade ou uma maior concorrência entre os agentes ou ainda os interesses econômicos que podem vir a se expressar em organizações planificadas ou de livre concorrência como fora durante a Guerra Fria. Também é necessário dizer que para SIMMEL as formas se organizam em torno dos interesses movidos e moventes das interações sociais e que, portanto, essas se apresentam onde houver relações de reciprocidade não importando que se trate de fenômenos para as

Benzer Belgeler