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4. VARLIK (AKTİF) HESAPLARININ İNCELENMESİ

4.1. Dönen Varlıklar

4.1.3. Ticari Alacaklar

Dentre os muitos arquétipos9 existentes, é o da persona que mais de perto se relaciona com o vitiligo. Para Bryant (1983), persona é uma palavra associada ao antigo drama grego e romano, que faz referência a uma máscara, usada por atores, na representação de personagens. Ao mesmo tempo em que ela serve como proteção, para que o indivíduo possa esconder sentimentos e descartá-la quando não mais necessitar dela, o uso excessivo pode também se tornar prejudicial, quando há uma identificação excessiva com a mesma.

De acordo com Del Nero (2003) a persona é uma máscara que encobre a verdadeira personalidade do sujeito. “O arquétipo da persona atua como representação do que se esperam dos homens perante a sociedade, caracterizando, assim, uma espécie de compromisso entre as duas partes: o indivíduo e a sociedade” (p. 90).

Segundo Hopcke (1995, p.10), a primeira referência feita por Jung ao se referir à

persona encontra-se na obra “Tipos Psicológicos”. Ao analisar a persona, Jung

(1961/2011, § 246) traz que mesmo aparentando aspectos individuais ela não deixa de conter aspectos coletivos.

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Arquétipo: formas de apreensão que se repetem de maneira uniforme e regular. [...] formas a priori, inatas de intuição, da percepção e da apreensão que são determinantes necessárias e a priori de todos os processos psíquicos (JUNG, 1971/2009, § 270/280, p. 69/ 73/74).

A persona (personae) é:

Um complexo funcional que surgiu por razões de adaptação ou de necessária comodidade, mas que não é idêntico à individualidade. O complexo funcional da persona diz respeito exclusivamente à relação com os objetos [...] Mudar a persona, a atitude externa, é uma das partes mais difíceis da educação [...]. Assim como a persona é um ser que parece constituir o caráter total de uma (JUNG, 1991, § 390/392, p. 755/758).

Assim, para Jung (1961/2011) a persona é uma estrutura psíquica que funciona como mediadora entre o ego e o ambiente. Destacando, dessa forma, a função adaptativa desse complexo funcional.

Hopcke (2011) esclarece que Jung, em muitos momentos, apresenta avaliações negativas ao se referir à persona. No entanto, ele não deixa de reconhecer a importância desse arquétipo. Hopcke (1995) ainda salienta que “a persona é o lugar da personalidade onde o público e o privado se encontram, onde aquilo que somos colide com aquilo que nos disseram para ser” (p. 7).

A persona está relacionada com os papéis desempenhados pelos indivíduos, as formas como os mesmos se apresentam ao mundo. Cada ambiente exigirá determinadas posturas. No entanto, a escolha dessas posturas não se dará somente através das necessidades de ajustamento social, mas também por aspirações individuais, já que há a possibilidade em se escolher qual a máscara a ser apresentada ao mundo. Por isso, dá-se o encontro do público e do privado, do coletivo e do pessoal.

Whitmont (2000) expõe que a pele está intimamente associada com a dinâmica da persona, já que esta última se refere à postura social do indivíduo, sendo parte da imagem que o mesmo apresenta para o mundo. Todavia, uma identificação excessiva com a persona pode oferecer dificuldades para o indivíduo, por não haver uma diferenciação de si mesmo com este arquétipo. Muitas vezes, não há uma distinção entre “a pele individual e as vestes coletivas”. Essa inseparabilidade pode ser manifestada por alterações patológicas na pele, “é como se a pele não pudesse respirar”. Logo, a “incapacidade” do sujeito de se apresentar ao mundo pode ser expressa em uma marca na pele, visivelmente exposta (p. 142).

Assim, podemos fazer o seguinte questionamento: pode uma identificação excessiva com o arquétipo de a persona ocasionar uma atitude compensatória no plano orgânico, ocorrendo uma doença de pele, por exemplo?

Como complementação à ideia supracitada, trago a citação de Sant’ Anna et al (2003, p. 85), onde os autores expõem que:

Do ponto de vista compensatório, podemos pensar que, se algo sombrio mancha a imagem de uma pessoa, é porque talvez ela esteja muito idealizada, pura, polarizada nos aspectos positivos e homogêneos da personalidade [...]. Em termos prospectivos, quando há uma configuração da polaridade, a saída é a vivência do conflito até o ponto no qual os opostos passam a se relacionar dando origem a uma síntese dialética – um novo estágio da consciência.

Dessa forma, é possível pensar a presença da doença a partir da abordagem finalista. Por essa perspectiva, conforme Ramos (2006) explicita, “a doença orgânica pode ser uma reação do organismo, com a finalidade de levar o indivíduo a integrar o reprimido, religar o ego ao seu eixo com o Self (p. 73)”.

Assim, o mecanismo compensatório pode propiciar tanto a melhora da doença em sua polaridade orgânica, como auxiliar no processo de individuação. Isto dependerá da existência do processo dialético entre os conteúdos inconscientes manifestados na esfera orgânica e a integração dos mesmos na atitude consciente.

Hopcke (1995) também afirma que a pele, metaforicamente, pode ser associada à persona. Por um lado, oculta e protege; por outro, revela quem realmente somos. Stein (2006) ainda acrescenta à metáfora que “a persona é a pele psíquica entre o ego e o mundo” (p. 110).

Pessoas com doenças de pele não mostram ao mundo a persona considerada como adequada aos moldes ditados pela cultura. As manchas, muitas vezes bem visíveis, diferentemente do que ocorre com algumas características de personalidade, não podem ser evitadas e escondidas. Logo, os ideais de “persona” dos sujeitos acometidos por dermatoses podem apresentar-se de forma muito distante do ideal, isto é, da aparência que estes indivíduos gostariam de mostrar ao mundo.

Assim, a pele, ao ter manchas visíveis, dificulta a função adaptativa buscada pela

persona. Com isso, indivíduos acometidos por uma doença de pele ao longo da vida

sofrem um transtorno no desenvolvimento da persona; ou seja, podem não saber como se apresentar ao mundo e qual o novo papel a ser desempenhado. Esse transtorno pode suscitar sentimentos de angústia, frente à necessidade de adaptação ao novo, ao desconhecido, porque a persona apresenta-se de forma inadequada.

Como esclarecimento, tomando por referência as citações de Goffman (1998), não apresentando características esperadas pelo que a sociedade impõe como normalidade, pessoas com manchas na pele estão suscetíveis a experienciar comportamentos estigmatizantes.

Considerando o que foi abordado neste capítulo, podemos pensar na seguinte consideração: a persona, não apresentando as características compatíveis com o que se é desejado pela cultura, pode criar profundos sentimentos de inadequação e inferioridade. Essas reações podem ocasionar prejuízos na condição física apresentada por um indivíduo, já que podemos considerar a influência de aspectos psíquicos em disfunções orgânicas, conforme abordaremos no tópico seguinte.