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3. BİZANS İMPARATORLUĞU’NUN ÖNEMLİ YOLLARI

3.1. Ticaret Yolları

Para que se compreenda a Ciência Jurídico Penal, é preciso conhecer alguns aspectos do processo de construção da Teoria do Delito. Refazer a trajetória de construção da Teoria do Delito significa traçar um modelo metodológico para a demonstração da hipótese pretendida, ou seja, demonstrar de modo científico a construção do tipo penal por meio da Ciência Jurídico Penal. Tipificar uma conduta humana como antijurídica, ilícita e de relevância para o Direito Penal, não é apenas subsumir um fato ou ato a uma norma. Para que seja considerada realmente relevante para o Direito Penal, não apenas de modo formal, mas também de modo material, existem escalões do delito que devem ser preenchidos, escalões estes que foram construídos pelas Ciências Jurídico-Penais.

Talvez porque o Direito Penal toque questões cada vez mais relacionadas à individualidade humana como a vida, a liberdade, a segurança, um dos obstáculos a ser transposto é a própria subjetividade de cada indivíduo, seja ele o cientista jurídico, o legislador, o operador do direito ou o cidadão. Este nível de subjetividade interfere na própria relação de comunicação entre a Ciência jurídica, o discurso

14Assim, o intuito primordial desta tutela, penal, na parte referente aos crimes de funcionários públicos

(ou agentes ‘similares’), é o de impedir, de prevenir, um abuso de poder por parte do ‘titular’ desse poder. A ideia de legalidade, objectividade e imparcialidade no exercício de funções visa exactamente garantir que o funcionário manifeste exclusivamente a vontade juridicamente imputável ao Estado, não retirando a titularidade desse poder benefício (ilegítimo) próprio ou para terceiro. Com o que, repetimos, se poderia dizer, em singela formulação, que todo desvio de poder corresponde a uma corrupção (em sentido etimológico) do poder; como, inversamente, toda a corrupção (em sentido penal) é necessariamente desvio/abuso do poder – na estrita medida em que o funcionário coloca ao ‘serviço’ de fins privados (no caso, os seus) o exercício do poder público (mesmo que não queira lesar a legalidade).” CUNHA, José M. Damião da. Da corrupção (Do seu enquadramento jurídico no âmbito da tutela penal dos interesses do estado: erros e lacunas de punibilidade). In: ANDRADE, Manuel da Costa et al. (Org.). Direito penal: fundamentos dogmáticos e político-criminais, homenagem ao Prof. Peter Hünerfeld. Coimbra: Coimbra, 2013. p.856.

jurídico penal e a relação com a sociedade em que está inserido. Por estar tão próxima da Sociologia, vez que muitos dos fenômenos sociais e políticos são objetos de ambas as ciências, as Ciências Jurídico-Penais acabam, em determinadas situações, sendo instrumentalizadas como Políticas Públicas, ou seja, são utilizadas como objeto de controle social para a criação de modelos sociais aceitáveis, sem que necessariamente seja retirado dos fatos sociais apenas a carga jurídica, transpondo para o Direito e, mais especificamente, para as Ciências Jurídico-Penais, demandas e situações não jurídicas.

Esse desvirtuamento das Ciências Jurídico-Penais acaba por interferir na construção e no desenvolvimento do Sistema Integral de Direito Penal: na Criminologia, na Política Criminal, na Dogmática Penal, no Processo Penal, na Execução da pena. O Direito Penal é regido por princípios: subsidiariedade, fragmentariedade, proporcionalidade, intervenção mínima que, por sua vez criam outros escalões como a necessidade e o merecimento de pena. A construção metodológica do caminho percorrido pelas Ciências Jurídico-Penais é capaz de revelar o discurso jurídico impresso nesta construção, deixando vir à tona a cientificidade deste discurso e a necessidade de um olhar para além da crítica, um olhar reflexivo, aberto às discussões capaz de dialogar com a Teoria do Direito e com as demais áreas do conhecimento humano.

Com isso, o que se quer demonstrar, no âmbito da Dogmática Penal dos delitos de corrupção e tendo em vista a crescente preocupação traduzida pelas diversas Convenções Internacionais, ocorre uma inflação legislativa, mesmo que esta apresente-se apenas no âmbito dos Projetos de Lei, e uma retomada nas discussões acercados delitos de corrupção. No âmbito dogmático-penal, os tribunais atuam de modo a construir interpretações mais claras e precisas acerca dos delitos de corrupção, objetivando revelar o desvalor da ação.

Quando tratamos de Ciências Jurídico-Penais, tratamos de Ciências Sociais Aplicadas, de modo que não se pode e nem mesmo é possível desconsiderar o papel da Sociologia e da própria Psicologia. A tênue linha que separa a ciência do Direito destas duas ciências torna-se ainda mais frágil e porosa quando estamos tratando das Ciências Jurídico- Penais15.

15 Nas palavras de Miguel Polaino Navarrete: “Lógicamente el moderno sistema de la dogmática

penal de corte funcional normativista, del que es máximo representante el Catedrático de Filosofía del Derecho y Derecho Penal en la Universidad de Bonn GÜNTHER JAKOBS, no solo prescinde de

Construir um discurso científico capaz de se revelar livre de interferências sociológicas e psicológicas é certamente um desafio ainda maior quando o objeto a ser estudado liga-se as Ciências Jurídico Penais. Nesta seara, a Dogmática Penal revela-se um tanto quanto mais distante, sofrendo menos influência – de forma direta – da Sociologia e da Psicologia que, respectivamente, acabam por exercer pressões e influências nos discursos político-criminais e criminológicos. Entretanto, como a Dogmática Penal é “a infranqueável barreira de política criminal”16 e esta por sua vez é um conjunto de estratégias orientadas que tem por finalidade a solução mais adequada ao caso concreto e, o caso concreto é a exteriorização da Criminologia, é preciso demonstrar, metodologicamente e cientificamente seu papel. Esta demonstração contribui para a construção de conceitos e para o fechamento dos mesmos, possibilitando assim a construção do tipo penal de forma a revelar de modo eficaz o discurso jurídico que serve de alicerce a tal construção, sendo então capaz de comunicar os valores e ideais da sociedade em que se insere.

Benzer Belgeler