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İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

4.1. TGA Aktivitelerinin Ontolojik Yaklaşıma Göre İncelenmes

A Comunidade Alto Vera Cruz/Taquaril é uma região, pertencente à cidade de Belo Horizonte, com grandes vulnerabilidades sociais e econômicas, dadas as complicadas circunstâncias e condições de sua ocupação e a exclusão social consequente.

Percebe-se pelas observações geradas na pesquisa exploratória que a relação com as instituições financeiras, para a maioria da amostra entrevistada, resume-

se aos serviços de pagamento de contas. Tal fato juntamente à facilidade de deslocamento e a simplicidade de realização das operações financeiras diretamente no caixa favorecem a preferência pela utilização dos serviços da única Casa Lotérica local.

Além disso, nota-se que os moradores da comunidade, em sua maioria, possuem baixa renda (não em níveis de extrema pobreza), trabalham em empregos formais ou de maneira autônoma (possibilidades de descontinuidade de nível de renda a depender do andamento de sua atividade em cada mês), o que os permite garantir certas condições de vida. Não há, porém, uma maioria que consegue manter reservas, as pessoas afirmam ter dificuldades em poupar e esclarecem que, em casos de imprevistos emergenciais recorrem aos conselhos e a ajuda financeira de familiares e amigos. O receio relativo às instituições financeiras convencionais se evidencia não somente nestas ocasiões, como também é exposto abertamente no dia-a-dia, em que estes indivíduos recorrem às agências bancárias só se inevitavelmente necessário.

Assim, os relatos presenciados por esta investigação enfatizam condições socioeconômicas precárias, indivíduos que trabalham e sobrevivem com o que é estritamente essencial - a renda se divide para garantir os pagamentos das contas básicas, alimentação e educação dos filhos.

Diante desta descrição, deve-se atentar para a importância atribuída aos serviços e produtos financeiros, a fim de se analisar este comportamento frente ao que o sistema financeiro oferece e qual a razão desta relação restrita – se tal Exclusão Financeira sofrida é reconhecida como tal ou se esta condição de desigualdade financeira não é percebida como um prejuízo a esta realidade que as pessoas vivem (FIG.11).

FIGURA 11 – Opiniões Sobre os Serviços Financeiros dos Moradores Entrevistados – Comunidade Alto Vera Cruz

De acordo com a FIG.11 acima, nota-se que a maioria dos entrevistados atribuem importância a quase todos os serviços financeiros listados – contas bancárias, cartões de débito e de crédito, investimentos, financiamentos e crediários – com a exceção do talão de cheques e dos empréstimos. Possivelmente, os indivíduos avaliam o talão de cheques como não importante, devido à perda geral de expressão do mesmo nas transações econômicas cotidianas como um todo. Além disso, tais moradores não possuem saldo suficiente para garantir o pagamento de cheques, enfatizando-se a condição do cheque pré-datado, de maior uso por aqueles que possuem renda limitada. Já com relação aos empréstimos, recorre- se aos relatos que explicitam o grande receio em se relacionar com os bancos, principalmente quando as transações envolvem juros. As condições de concessão de empréstimos oferecidas pelas instituições financeiras são consideradas como inadequadas à realidade em que estes indivíduos vivem – a maioria relata que não se encaixa nas exigências mínimas necessárias para se tomar empréstimo no banco- e, por medo de não conseguirem pagar os juros devidos e de se tornarem inadimplentes recorrentes, eles preferem eliminar tais possibilidades de recursos de suas opções do dia-a-dia. Tal postura se repete frente ao cartão de crédito por uma parte considerável da amostra entrevistada. A proporção de 43,28% dessas pessoas prefere evitar o uso deste serviço, já que seu orçamento está todo comprometido com as atividades necessárias básicas para sua sobrevivência - muitos alegam que não podem assumir uma fatura extra por mês para pagar e temem a dívida com os juros altos, argumentando, também, que não possuem renda suficiente para garantir a aquisição de um cartão de crédito. Assim, frente a uma situação imprevista ou uma emergência, as pessoas consideram primeiramente a opção de recorrer aos familiares e amigos para tomar um empréstimo. Caso não seja possível obter a ajuda destes entes próximos, elas preferem assumir a condição de inadimplentes. Os moradores da comunidade veem o empréstimo bancário ou a ajuda financeira promovida pelas instituições convencionais como um risco de aumento incontrolável de uma dívida existente (que não puderam evitar), devido ao reconhecimento da incapacidade própria de pagamento dos juros altos previstos. Não há confiança em um aconselhamento oferecido por instituições financeiras.

É importante destacar que 87,07% da amostra atribui importância à conta bancária, porém 38,31% das pessoas admitiram não ser bancarizadas (FIG.8). Algumas destas últimas descreveram a necessidade de encerrar sua conta bancária, expondo a dificuldade de manutenção da mesma pelos custos e taxas de transações usuais que tal serviço envolve.

Interessante ressaltar que o risco percebido pelos entrevistados em serviços como empréstimos e cartão de crédito não é previsto em serviços de crediários (muitas vezes concedidos através de cartões das lojas de departamentos ou através de carnês de pagamentos). Há a atribuição de importância a estes serviços financeiros pela maioria dos participantes da pesquisa (73,13%), os quais argumentam que os crediários possibilitam compras, que de outra forma poderiam não ocorrer, uma vez que envolvem um sistema de pagamento em várias parcelas de valor acessível – adequando-se à realidade vivenciada por estes consumidores. Ainda que tais serviços financeiros, de certa forma, envolvam altas taxas adicionadas aos valores dos bens, as quais representam um acréscimo extremamente elevado ao preço final. As pessoas que os utilizam não consideram este fato como uma desvantagem ou um prejuízo às suas condições vividas, pois configuram a única oportunidade dentro do que lhes é possível de garantir a aquisição de certos bens. Ou seja, elas escolhem pagar por tais prejuízos, com o objetivo de se sentirem incluídos na aquisição de certos bens, os quais acreditam contribuir para a garantia de uma “boa qualidade de vida”.

Por fim, ressalta-se que mais da metade dos entrevistados admitiram ter dificuldades em entender os serviços financeiros oferecidos pelos bancos ou instituições financeiras, o que, de certa forma, reflete uma deficiência da educação financeira local. Desse modo, de acordo com o que já foi discutido anteriormente, percebe-se que as pessoas aparentam preferir uma relação com o sistema financeiro que se resuma àquilo que acreditam ser realmente necessário às transações típicas de seu dia-a-dia.

Não se pode ignorar, também, o fato de que 36,82% dos respondentes afirmaram terem dificuldade de acessar ou utilizar os serviços oferecidos pelas instituições financeiras convencionais e 45,77% possuem dificuldade de entender os mesmos.