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Tespit Edilen Ud Mızrabı Türleri:

REVIEW OF OUD PLECTRUM AND ITS TYPES

2. Tespit Edilen Ud Mızrabı Türleri:

(Igreja Matriz de Serra Branca)

Acervo: Fabiolla Lemos (2011)

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Existem dois modos dos católicos fazerem referência a esta santa: Nossa Senha da Imaculada Conceição e Nossa Senhora da Conceição. Optamos pela segunda, que foi a forma como os moradores a denominaram nas entrevistas.

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Mais do que um dia santo para os fiéis católicos, a comemoração que neste dia acontece se relaciona ao dogma da Igreja Católica pelo qual o filho de Deus foi gestado. Conforme a doutrina católica, Maria teve sua concepção (conceição) preservada do pecado original, o que a caracteriza como imaculada, ou seja, sem mácula. A Igreja reconheceu oficialmente a isenção do pecado original de Maria, no dia 08 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, por isso neste dia é celebrado o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, ou Nossa Senhora da Conceição.

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De acordo com o depoimento ao Projeto de História Local do Pe. Antônio Apolinário, ex-pároco de Serra Branca, onde atuou por cerca de 21 anos, os grupos chamados evangélicos só começaram a surgir no município por volta dos anos 1990, após sua transferência para outro município. Esse fato é atribuído, na interpretação do padre Antônio, à consciência cristã das pessoas que respeitavam profundamente à Igreja Católica nas décadas estudadas. No entanto, outra moradora, D. Maria Santina relata que entre as décadas de 1930 e 1940 já existiam pessoas na região que possuíam credos diferentes, como os chamados evangélicos, vigorosamente combatidos pelo padre Edgar Toscano, pároco local. No seu depoimento, esta moradora revela: “Pade Edgar tinha uma raiva, uma queixa de evangélico”. E continua: “Ele era brabo demais. Disse que era contra, chamava “os cão”. Do jeito que eles chama com a gente hoje, chama, era...” (Maria Santina, 88 anos).

As festas de padroeiros(as), de acordo com os estudos de DaMatta (1984), estão associadas aos ritos da ordem, ou seja, aqueles que têm como propósito celebrar a manutenção da hierarquia e das desigualdades do mundo social e, sendo assim, constituem ritos de reforço. Apontando a estrutura da ordem, no caso a religiosa, ele afirma que,

Desse modo, os rituais religiosos partem de igrejas e locais sagrados, pretendendo ordenar o mundo de acordo com os valores que são ali articulados como os mais básicos: O mundo de Deus – representado pela Igreja Católica e pelas formas de religiosidade que a ela se referem – é um universo onde as coisas se ordenam de um modo plenamente vertical. De cima para baixo e de baixo para cima. Com Deus, a Virgem Maria, os santos, os anjos, os mártires, os beatos, os sacerdotes e os fiéis formando uma cadeia: do altar-mor, onde essa verticalidade está constituída, até o adro da igreja, onde as pessoas se espalham, misturando o profano com o sagrado (1984, p. 83).

Ao mesmo tempo em que a ordem é reforçada, há um discurso da Igreja Católica que visa suavizar os impactos dessa hierarquia por meio da ideia de que ela – a Igreja – é a responsável pelo reino dos Céus, e não pelo mundo físico, real ou material. Sua função é atender ao pedido de qualquer fiel que busque ajuda ou intermediação junto aos santos(as), a Nossa Senhora e/ou ao próprio Deus. Essa atribuição de acolhimento de todos os fiéis no seu espaço permite que aconteçam encontros entre ricos e pobres, saudáveis e enfermos, homens e mulheres, adultos e crianças, fiéis “praticantes” e “não praticantes”75 em diversas celebrações. DaMatta (1984) observa ainda que, embora a Igreja busque atender a todos os fiéis, seus ritos de comemoração jamais apontam para uma inversão da ordem, como no carnaval. Como já afirmamos, as festas da ordem mantém e reforçam as hierarquias e as desigualdades sociais.

Outra diferença entre as festas da ordem e da desordem assinalada por este autor reside nas questões que abarcam o corpo e o comportamento. Ao contrário do carnaval, cujo objetivo é proporcionar prazer ao corpo, e neste caso o desgaste é inevitável, na festa religiosa o comportamento característico é o da contenção, seja corporal, seja verbal. O corpo deve ser neutralizado, sacrificado em função das noções de devoção, respeito, dever e ordem. Um dos aspectos que indicam essa necessidade de controle sobre si é o fato de as festas da ordem não conseguirem integrar corpo e espírito do mesmo modo que faz o carnaval, por exemplo. Vejamos a disparidade.

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Esclarecemos que o termo “praticante” é utilizado para pensarmos naquelas pessoas que frequentam a Igreja com assiduidade e que, geralmente, se envolvem de forma mais ativa com suas atividades. Já “não praticante” se refere às pessoas que afirmam acreditarem na existência de Deus, se intitulando católicos, mas que frequentam esporadicamente as celebrações religiosas. Salientamos que quando mencionamos aqui a fiéis ou a Igreja, estamos falando da Igreja Católica, instituição que, como já falamos, possuía hegemonia entre a população de Serra Branca.

Assim, eu posso estar ajoelhado numa igreja, mas ter meu espírito muito longe dali, o que no caso de um ritual orgiástico (como o carnaval) é impossível, dada a solicitação em que o corpo e o espírito estão implicados. De fato, num almoço com amigos ou num baile de carnaval, não posso deixar de me envolver. A festa carnavalesca requer tudo de mim: meu corpo e minha alma, minha vontade e minha energia. Mas as festas da ordem

parecem dispensar essa motivação totalizada. Daí, talvez, essas regras

rígidas de contenção corporal, verbal e gestual nos ritos da ordem (DAMATTA, 1984, p. 84). [grifos nossos]

A disciplina e o sacrifício impostos ao corpo fazem com que as pessoas sejam reconhecidas, nos ritos da ordem, de acordo com os respectivos lugares que ocupam na sociedade. Ou seja, o prefeito e os vereadores, secretários e juízes, médicos e advogados devem ocupar suas posições segundo suas funções e lugar de destaque que possuem em uma determinada sociedade. Por outro lado, seus comportamentos nesses espaços devem acompanhar esta noção de contenção. Já o restante da população, formada pelos cidadãos comuns, que não tem autoridade ou cargo de maior notoriedade local, deve se posicionar igualmente em um lugar correspondente. Nesta perspectiva, DaMatta (1984) ressalta que “Entre autoridade e povo, nessas ocasiões solenes e formais, há uma clara divisão” (p. 86).

Esta divisão, inclusive, marcava a disposição do local em que, por exemplo, acontecia a festa da Padroeira em Serra Branca. Nas entrevistas que realizamos sobre a festa de Nossa Senhora da Conceição, os moradores lembraram o pavilhão, que se tratava de uma área cercada com uma estrutura de madeira, na qual, ficavam as barracas das candidatas à rainha da festa e aqueles que podiam consumir seus produtos, e, do lado de fora, permaneciam as pessoas que não tinham recursos para adentrarem-no com o intuito de consumir as comidas e bebidas vendidas pelas candidatas. Por outro lado, estas pessoas encontravam outros espaços para se divertir e participar da festa, consumindo nas barracas localizadas fora do pavilhão, brincando nos parques de diversão ou mesmo circulando ao redor do pavilhão, como mencionaram alguns depoentes.

Notemos aqui esta estrutura que realçava as diferenciações sociais entre os fiéis que frequentavam a festa, corroborando a observação de que “Seja uma cerca, seja um espaço vazio, seja um palanquim ou outra construção qualquer que permita imediatamente saber quem é quem, pois os ritos da ordem não admitem a confusão de papéis ou posições” (DAMATTA, 1984, p. 86).

Para construir esta parte do texto referente à festa da Padroeira, utilizamos as entrevistas arroladas abaixo.

• Antônio Apolinário76

, em 03/04/2009; • Geruza Mamede Lima77

, em 11/06/2011; • João Lôpo e Araújo78

, em 25/06/2008; • Luiz Gonçalves79

, concedida em 08/10/2009; • Margarida Antonino da Silva80

, em 11/06/2011; • Maria Santina81

, em 14/12/2011; • Severino Ramos82

, em 10/06/2011.

A atual Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Serra Branca, foi construída no começo do século XX, sendo iniciada entre 1909 e 1910, pelo pedreiro Luiz Gomes de Souza, conhecido como “Mestre Luiz”, que foi o construtor de toda a obra. No entanto, até esta edificação, Serra Branca possuía uma Capela de Nossa Senhora da Conceição com vinculações à Igreja de Nossa Senhora dos Milagres de São João do Cariri. Isso durou enquanto Serra Branca foi distrito deste município, subjugada político-administrativamente (SOUZA, 2008, p. 14).

Após uma sucessão de párocos na década de 1930, quem presidiu a paróquia de Serra Branca, entre as décadas de 1940 e fins da de 1960, foi o Padre João Marques Pereira83. Percebemos que não houve uma entrevista em que seu nome não fosse citado, inclusive quando o tema não era a festa da padroeira, como futebol, política e, principalmente, educação. No seu caso, poderíamos elencar uma série de adjetivos apenas recorrendo às falas dos entrevistados, como “brabo”, “sério”, “carismático”, “solidário”, “lutador”, “organizado”, “pessoa fantástica”, dentre outros.

Acreditamos que ater-se a este nome seria bastante interessante, mas demandaria um trabalho para o qual não nos propomos. Por ora, destacaríamos sua presença constante nas

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Antônio Apolinário, 77 anos, é natural de Esperança-PB. Sua entrevista foi concedida ao Projeto de História Local. Ele foi pároco de Serra Branca, onde atuou por 20 anos, de 1971 a 1991.

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Ver nota 33.

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O Sr. João Lôpo, 80 anos, é natural de Serra Branca. Foi vereador, atuou na área da saúde como farmacêutico e, do pai maestro, herdou a paixão pela música que o levou a fundar a Banda Imaculada Conceição no município nos anos 1960. Esteve envolvido ainda na criação do time do Flamengo..

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Luiz Gonçalves, 64 anos, é natural de Serra Branca. Teve uma formação técnica em eletrônica que o preparou e estimulou a desenvolver, com o apoio da Igreja local, experiências com rádio e cinema. Trabalhou também na construção civil no município e em algumas empresas no sudeste, onde viveu por cerca de 30 anos. É um nome sempre lembrado quanto à vida cultural do município. Fundou um dos cinemas que existiram em Serra Branca, bem como uma rádio e um programa de auditório.

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Dona Margarida, 81 anos, residiu na casa paroquial por 17 anos com o padre João Marques Pereira, por isso acompanhava de perto a organização da festa da Padroeira. Atualmente é aposentada.

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Dona Maria Santina, 88 anos, é aposentada. Viveu toda a vida em Serra Branca e grande parte dela na zona rural, inclusive o período do qual tratamos. Atualmente reside na zona urbana.

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Ver nota 32.

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memórias, enfatizando o poder84 que este exercia na comunidade que pastoreou por 27 anos. Podemos nos reportar ao seu papel e influência no município de Serra Branca, a partir da caracterização do poder simbólico com base em Bourdieu (1998), este afirma que a religião – no caso do nosso estudo a Católica Romana, faz parte da estrutura estruturante dos sistemas sociais. Assim, a estrutura do poder religioso (a Igreja) conferiu ao Padre Marques os “instrumentos de conhecimento e de construção do mundo dos objetos, como formas simbólicas” (p. 8), a religião exercia um poder sobre as pessoas porque comportava símbolos estruturados e esses, são “instrumentos por excelência da integração social” (p. 10). Esse poder é simbólico e como nos afirma o autor citado “é com efeito invisível, o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe são sujeitos ou mesmo que o exercem.” (p. 7-8). O padre Marques, se tornou o orientador de grande parte da vida não só religiosa, mas, social de toda uma comunidade, que o respeitava, admirava e seguia e, que hoje o mantém na lembrança como “brabo” e, ao mesmo tempo, como “pessoa fantástica”!