Acervo: Foto gentilmente cedida por Juarez Ribeiro Araújo
Na fotografia, embora o pavilhão não apareça, vemos outro elemento característico dessa festa, o parque de diversões, com a estrutura da roda gigante e de um carrossel. Além disso, podemos notar um aglomerado de pessoas no centro, provavelmente acompanhado a montagem dos brinquedos. Percebemos que o lugar representado é a praça que fica localizada
em frente a Igreja Matriz. Isso remete à ideia de que a festa era um momento de agitação na cidade que levava as pessoas às ruas, ampliava o número de encontros entre velhos conhecidos e o barulho das conversas. Nenhum dos moradores, no entanto, referiu-se aos parques com entusiasmo nas suas entrevistas. Isso é um dado curioso, tendo em vista que é bastante comum a presença de parques nesse tipo de festa, que serve para atender aos anseios de diversão de crianças e jovens, sobretudo nesse período tratado, em que eram considerados novidades ou modernos, até porque só se instalavam em momentos específicos, como este questão.
Dando continuidade aos relatos sobre a festa, o Sr. Luiz Gonçalves resume a programação.
A festa da Padroeira, festa de pavilhão, a programação era aquela. Era alvorada festiva com a banda de música 6:00 horas da manhã, com a queima de fogos, onde acordava todo mundo, daí a pouco a banda fazia uma retreta90 pela cidade, dava uma volta em toda a cidade ali, e tinha que andar em todas as ruas, porque se não o pessoal ficava mal visto. Aquelas ruas eram enfeitadas com bandeirolas, como se fossem aquelas bandeirolas de festa junina, a rua que era mais bem enfeitada era premiada, recebia uma certa contemplação, como por exemplo, fazer um movimento de festa ali, convidar o pessoal praquela rua, a banda de musica ia, tocava um pouco. Aí em seguida, fazia sabe um movimento como caminhada pra um daqueles pontos turístico de Serra Branca, não é bem turístico mas a gente considerava como se fosse turístico, o açude, o menino Jesus de Praga, ou Serra do Jatobá, o açude onde a gente fazia algumas premiações. Bom, voltava era almoço, a tarde eu começava a fazer um programa de música, onde havia bastante namoro e a noite o pavilhão da festa, sem haver baile. O baile se resumia quando saísse a rainha da festa, fazia aquele baile. A noite era pavilhão mesmo, todo mundo se arrumava, todo mundo se enfeitava, tinha que participar do pavilhão, que era o centro do negócio e é onde eu ficava ali, com quem estava dentro do pavilhão como quem estava fora (Luiz Gonçalves, 64 anos).
O Sr. Luiz recordou as principais atividades da festa, como a alvorada e o desfile da banda pela cidade, acordando os moradores e anunciando que era chegado o dia da santa Padroeira. Relata ainda, e é o único a lembrar, os passeios pelos chamados pontos turísticos de Serra Branca. Por fim, comenta as noites de pavilhão, sem baile dançante, onde atuava como locutor de festa, precedidas pelo trabalho como locutor de rádio durante tardes e o capricho nas roupas usadas pelos frequentadores. Nesta perspectiva, D. Geruza também nos fornece um relato mais detalhado acerca do pavilhão, que vale a pena ser incorporado ao texto apesar de ser uma citação longa.
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Sim, o pavilhão, um mês antes, ele [o padre Marques] convidava pra uma reunião. E essa reunião iam várias pessoas, as pessoas que eram interessadas a cooperar com a festa. No tempo dele tinha várias pessoas que iam pra essa reunião e se comprometia e fazia, viu? Então, durante o mês, três reuniões... pra marcar como seria. Qual banda de música? Nas noite, os noitário? Primeiramente a festa religiosa, os noitário durante a novena, né? quando fosse pra culminância da festa, os três dias, armava o pavilhão, ou banda daqui, porque teve muitas, ou de fora, e convidava também uma banda de fora, não havia dança no pavilhão. Era quermesse, a premiação de várias pessoas e o leilão. Durante o pavilhão, aquele leilão animadíssimo, aí, era bonito demais. As garçonete, ele [o padre Marques] dava a roupa das garçonete, cada ano a igreja dava as roupa das garçonete, longo, de seda, coisa muito boa. Aí, era uma maravilha. A sociedade toda ali e quem não podia beber botava, fazia sua barraca pra vender sanduíche, vender cocada, vender tapioca, vender ao redor do pavilhão (...) Na primeira noite, dedicada às crianças, que era um encanto. A gente pedia pratinho nas casa e levava aquele mundo de prato pra vender as própria criança. Olha, a mãe dava o prato, mas comprava lá, não sabe, aquele pratinho feito com aquele refrigerante. Já havia refrigerante. É. A noite das criança deixava uma boa ajuda pra festa. Na outra noite já era dos adultos, muito animada e deixava muito dinheiro porque o leilão era arrochado. Quem tinha dinheiro ia e leiloava mesmo. Rematação de galinha, aí, minha filha, respeite o mundo de galinha que era doado. E ele, lá na casa paroquial tinha o forno e tinha as cozinheiras, aquelas galinha assada pra leiloar. Ah, isso dava dinheiro. Tinha galinha que respeite o tanto que dava isso, só não havia briga, mas era bom porque “Eu boto tanto”, “Tanto... tanto pra fulano”, “Tanto...”, digamos, “Tanto pra o prefeito da cidade”, “Tanto...”, aí as pessoas botava dinheiro pra aquela galinha ser comida. Aí, dali pelo prefeito ou por aquela família. No domingo era a grande missa. A missa solene... cantada em latim. Eu era cantora, a gente cantava em latim (...) [a depoente começou a cantar em latim]. Em latim, e ninguém sabia o que era que tava dizendo, mas era muito boa a animação (Geruza, 79 anos).
Pelo longo trecho transcrito, podemos analisar o significado dessa festa para a população, considerando a predominância dos católicos entre ela. Era um momento de confraternização entre os moradores e união entre famílias, ou melhor, de congregação entre os fiéis. Isso fica comprovado pelo fato de o município receber seus próprios moradores, aquelas pessoas naturais de lá que residiam em outros locais e pessoas de outros municípios, integrando não apenas zona urbana e rural, mas parte da micro-região do Cariri. Esse discurso próprio da Igreja, de união e confraternização, servia para reforçar a defesa daqueles tidos como seus principais valores: solidariedade, amor ao próximo, devoção e obediência, respeito, bem como funcionava para garantir a manutenção de seu papel como viga mestre da ordem social, auxiliada pela instituição familiar.
Um indicador da prevalência deste discurso é o próprio relato de D. Geruza, quando se refere a “crianças”, “adultos”, “cozinheiras”, “famílias” e “sociedade”. São palavras que indicam coletivos e anseiam a transmissão da ideia de que todos eles se doavam à festa da
paróquia. Disso podemos concluir que a religiosidade, que funcionava como esteio para a festa, era um aspecto da vida que mantinha as pessoas unidas, ainda mais quando lideradas por uma figura como o padre João Marques, que tanta admiração despertava e desperta pelas lembranças.
Existem elementos na fala desta moradora que conformam o tempo passado como um tempo em que prevalecia a abundância de alimentos, como quando ela cita os produtos vendidos durante a festa: sanduíche, cocada, tapioca, refrigerante e “um mundo de galinha”. A referência a esta fartura de comida sugere que a festa refletia a abundância presente nos lares das famílias de Serra Branca, tomando um contorno de verdadeiro Paraíso onde havia união, harmonia, abastança e felicidade. Para Gaeta (1995, p.160), este discurso, que remete a uma Idade do Ouro, se constrói em oposição ao comedimento alimentar do cotidiano no presente, eivado pela escassez.
Não obstante, ainda no trecho de D. Geruza, enfatizaríamos outro aspecto apresentado por esta festa. Ela era uma oportunidade para as famílias/pessoas mais humildes, que não concorriam no nível das rainhas, arrecadarem algum dinheiro para auxiliar suas despesas e sobrevivência. Daí a venda de sanduíches e bebidas fora do pavilhão. Ou seja, “quem não podia beber”, na verdade, quem não dispunha de condições para sentar em uma mesa do pavilhão e beber, vendia quitutes para sobreviver. Em outro momento, essa distinção entre os frequentadores da festa fica mais explícita, quando ela cita quais pessoas poderiam arrematar as galinhas dos leilões: “prefeito” ou “aquela família”. Prefeitos ou “aquelas famílias” são as pessoas que “poderiam”, em outras palavras, dispunham de reservas financeiras que permitiam o arremate nos leilões e a entrada no pavilhão. Percebemos, dessa forma, uma diferenciação social polarizada pelos que “podiam” (a elite local) e os que “não podiam” (populares) participar.
É importante expormos que nas falas não existe qualquer tipo de intenção em expressar essa ideia de maneira nítida. Na verdade, pelos depoimentos, conflitos desse tipo são apagados ou negados. A festa era um momento de celebração em conjunto, onde não deveria haver distinção de qualquer tipo entre seus frequentadores, ainda considerando que se tratava de uma festa promovida pela igreja com e para seus fiéis.
Esse aspecto também surge no depoimento de D. Margarida quando ela informa que nem todo mundo ficava no pavilhão, assinalando que os que se concentravam dentro dele gozavam de privilégios que os demais não possuíam, como, tranquilidade, pois, lá deveria estar “só quem fosse pras banca pra não perturbar o povo que tava nas banca”. O Sr. Luiz
Gonçalves também enfatiza as distinções entre a elite e os populares que permeava toda a estrutura da festa da Padroeira.
A festa do pavilhão era assim: a elite de Serra Branca praquele pavilhão da festa ali, quem não passasse por aquele pavilhão da festa não era serrabranquense. Então, aquilo ali era sagrado, o povo trabalhava o ano inteiro, acho que pra comprar roupa, a melhor que ele pudesse, no caso aí até três, que era uma pra cada... e o cara ia pro pavilhão da festa. Chegando lá no pavilhão da festa, ele ia encontrar o quê? Um coreto com uma banda de música, que ao seu tempo executava um dobrado ou uma valsa ou alguma coisa lá (Luiz Gonçalves, 64 anos).
Como vemos, na memória deste morador a elite se destaca no pavilhão. Em outro momento, estas questões que envolvem as distinções entre ricos e pobres se apresentam de modo mais contundente no seu depoimento, por exemplo, quando a importância do locutor da festa é narrada. Esta figura tinha a função de direcionar o desenrolar da festa. Era ele quem animava seus frequentadores, orientava a banda, estimulava as disputas entre as candidatas a rainha e suas torcidas, divulgava os avisos e os “fatos” ocorridos nos bastidores e ressaltava as presenças ilustres.
Então, o locutor da festa era o centro do pavilhão, onde ele fazia o leilão de galinha assada ou de um prato que tivesse ali e também fazia a divulgação de todo acontecimento. Quem tava chegando, uma autoridade, realçava. “Estamos recebendo aqui a visita de Paulo, filho de dona Estelita, de Tagi, é um jovem ai jornalista e muito brilhante, bem acompanhado de...
(...)
“Vilma, estão aqui, fazendo essa visita aqui, nessa festa, eles vêm pra abrilhantar a nossa festa, agora ela se tornou-se maior, então realmente nos dando esse prazer, vamos pedir pra que eles voltem sempre e que continuem com a gente”91. Era um exemplo! Por exemplo, né!? Eu sei que o locutor da festa era o centro! Saísse aquela pessoa dalí... E comigo, eu criei esse estilo, eu dei uma nova dimensão aquele pavilhão lá. Quando era Padre Marques, um dia eu disse: “Eu não vou mais no pavilhão da festa”, ele ameaçou de não fazer festa. Quando foi Padre Antônio Apolinário, só fazia a festa se eu tivesse garantindo presença. E foi aí que eu estava em São Paulo, vindo pra Serra Branca pra passar a festa, pra fazer essa festa mesmo, porque ele só realizou com minha presença. Aí ele pediu pra eu fazer a festa de Cordeiros, foi através disso ai que eu falei pra ele: “Padre, eu não posso que eu tenho que ir pra São Paulo no fim do ano”, “Arranja um jeito mas vá fazer a festa de Cordeiro”. Aí essa festa de Cordeiro... “Então tá bom. Você arranja uma casa de amigo lá pra eu ficar”. Arranjou a casa de Lilia de Honorato Canário, ela me recebeu lá, nossa! Parecia que ia chegar o príncipe, o xá da Pérsia, me recebeu ali. E quando eu tava montando o equipamento de som, não era pouco, era muita coisa, eu tinha trazido de São Paulo um equipamento pesado, ai foi onde eu conheci aquela que veria a ser minha futura esposa, que hoje é minha ex-esposa Edna, né? conheci ali (Luiz Gonçalves, 64 anos).
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Os nomes Paulo, Estelita, Tagi e Vilma foram utilizados pelo depoente para exemplificar o modo como ele fazia a locução da festa da Padroeira. Paulo e Vilma estavam presentes no momento da entrevista, por isso seus nomes foram mencionados pelo depoente.
É interessante percebermos que ao afirmar a centralidade do locutor da festa,o Sr. Luiz Gonçalves, na verdade, se coloca como figura necessária, uma vez que ele desempenhou esta função por algum tempo, vindo inclusive do sudeste para garantir a sua atuação na festa a pedido dos párocos João Marques e Antônio Apolinário. Além da importância do locutor da festa, ele destaca a sua capacidade de inovação ao falar que inventou um estilo de animação da festa, embora não o descreva com maiores detalhes. Notamos ainda, que os nomes destacados na locução da festa eram das pessoas consideradas distintas, que podiam “abrilhantar” a festa, tornando-a mais notável. Destarte, este papel cabia justamente as pessoas oriundas da elite. Outro aspecto deste trecho remete, mais uma vez, ao entrelaçamento entre as experiências individuais e aquelas vividas no seio da comunidade que perpassa as recordações. Nas locuções de festas de padroeiros(as), o Sr. Luiz Gonçalves veio a conhecer aquela que seria, e foi, sua esposa.
Sousa (2006), analisando alguns aspectos da festa da Padroeira em Campina Grande entre 1920 e 1945, enfatiza as tensões estabelecidas nesta comemoração. Ele conclui que as rivalidades presentes no pavilhão, na verdade, expressavam disputas mais amplas que envolviam questões políticas na cidade. Também percebemos que esta aura da política se mantinha nas disputas no pavilhão de Serra Branca.
O esmero com que eram feitos e organizados os pavilhões tinha um significado que ia além do gosto pelas coisas da estética e do espírito. Aqueles espaços, feitos com requinte, denunciavam as disputas e tensões comuns entre as elites e seus partidos. Ao encanto e beleza dos espaços onde iam com sua família, vestidos a caráter, e onde bebiam e comiam à larga, seguiam-se outras peças, que, também dispostas estrategicamente no largo, compunham o repertório de uma guerra subterrânea: concursos entre as bandas de música rivais, de miss, ou mulher mais bela da festa, da criança mais graciosa e da garçonete mais simpática, leilões etc. Cada um destes componentes e momentos da festa era motivo de pugna acirrada entre partidos. Peças postas nos lugares estratégicos e com tanto esmero terminavam tendo um efeito direto sobre os comuns mortais, que eram atraídos pelas disputas, assistiam-nas, tinham suas próprias opiniões sobre elas, mas, ao mesmo tempo, viam se aprofundar o fosso que os separava dos ricos. O luxo e a ostentação destes na festa da Padroeira era um eficaz dique a separá-los (SOUSA, 2006, p. 124-125).
Nas entrevistas sobre a festa, foi comum os moradores se referirem às disputas políticas locais afirmando, por exemplo que a política se “metia” em tudo. No entanto, isso foi feito sempre de modo evasivo e com muito receio da parte deles, como se não quisessem aprofundar o tema pelo teor em que sucediam tais disputas92. Por outro lado, o caráter
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Ressalvamos que o período tratado neste trabalho inclui os anos do processo que levou à emancipação política de Serra Branca do município de São João do Cariri. Antes e depois desse processo, a história política local foi
inclusivo da festa era assegurado mediante a presença de determinados grupos, como por exemplo, a população pobre da zona rural.
A participação das pessoas da zona rural se dava, em parte, por meio das doações para a festa. Eles doavam alimentos, como feijão e jerimum, e animais, como galinhas e bodes, para os famosos leilões de animais. D. Geruza aponta estes últimos como o principal meio de arrecadação da festa “Desde o tempo de padre Marques, desde o tempo dos outros padres atrás dele, já havia o leilão de animais. É o chic. É o que deixa dinheiro, viu?”. D. Margarida também comenta acerca da participação da população da zona rural e reitera o que foi afirmado por D. Geruza.
Não a participação da zona rural era mandar alimentos como feijão milho, batata jerimum estes alimentos era vendida para o dinheiro que recebia era para custear despesas que viesse nos festejos da festa, era o que eles fazia e nós agradecia muito pois eles dava carneiro boi bezerro para o leilão da festa que era feito para a festa, de um modo ou de outro eles participavam e o leilão era muito concorrido, a renda da festa era toda feita separada leilão, galinhas que vinha para festa, dinheiro que alguem dava era tudo separado no final, era divulgada na igreja as despesas que era debito e o credito era o que ficava para a igreja (Margarida, 81 anos).
A população das áreas rurais se fazia presente por meio das doações, mas também comparecia às programações religiosa e profana. Isso não significava que todos os moradores da zona rural adentravam o pavilhão para arrematarem as galinhas leiloadas ou consumirem os demais produtos a venda. Nela, encontramos desde pessoas que participavam das atividades internas do pavilhão, a exemplo dos médios produtores rurais, aquelas que se divertiam fora deste espaço.
D. Maria Santina, filha de agricultores, habitante da zona rural no recorte estudado, sugere que os deslocamentos da zona rural para a urbana na festa da Padroeira aconteciam, sobretudo, devido à programação religiosa da festa. Ela lembra da mãe, Santina Maria da Conceição, que frequentava a festa da Padroeira, cujo nome carregava na sua própria identidade. Isso também explica a devoção e a constante presença dela nesta festa. A festa da Padroeira é uma festa que despertava uma obrigatoriedade moral em função dos valores predominantes na sociedade e no tempo em questão. Outro aspecto que observamos é que, principalmente, as mulheres da zona rural é que faziam o deslocamento. Não é à toa que D.
marcada pelas disputas entre famílias tradicionalmente vinculadas ao poder político na região: os Brito e os Gaudêncio. Estas famílias se alternavam no poder e se envolviam em conflitos, literalmente, pelo alcance e manutenção da hegemonia política na região do cariri. Esclarecemos que não é nosso objetivo aprofundar aqui a discussão a respeito de tais disputas, mas reconhecemos a importância do aspecto político na história de Serra Branca, que interferia, inclusive, nos lazeres do município.
Santina lembra que ela, a mãe, a irmã e as primas iam para Serra Branca, onde eram acolhidas por parentes ou amigos próximos que devam guarida no período da festa.
Quando tava moçinhas, a gente vinha. A missa era em Santa Luzia, a pé, duas léguas e meia e, na festa de Nossa Senhora, como a gente já era mocinha, mamãe vinha, e vinha na quinta feira e só ia no sábado a tarde, depois da procissão, no domingo depois da procissão. (...) Só vinha mamãe, eu e minha irmã e as sobrinha dela. As, as prima lá e meu pai ficava. Mas quando ele queira ir uma missa... Depois fizeram a, a, a Igreja do Jericó, ele foi quem escreveu a pedra fundamental do Jericó, tá no livrinho onde tem a história (Maria Santina, 88 anos).
Além destes aspectos, esta moradora trouxe uma nova ótica para pensarmos a festa, que é justamente a dos que ficavam do lado de fora do pavilhão, que, fato, não incluía todos. D. Santina relatou: “A gente só ficava por fora. A gente vinha pra festa religiosa, aí ficava um pedaço no pavilhão e ia dormi. E o pavilhão amanhecia o dia”. Ela também disse que ficava apenas “andando, passeando (...) dano volta”. Outra moradora que se alinha a esta perspectiva é D. Rita Rangel93. Questionada se lembrava das brincadeiras feitas no pavilhão, ela respondeu
“Sim, é, eles, eu não prestava atenção a isso não. Eles fazia bilhete, tinha