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TESPİTLER/SORUN ALANLARI İHTİYAÇLAR GELİŞİM ALANLARI
Nesta parte da pesquisa, descreve-se com maiores detalhes a proposta de periodização da Psicologia Escolar e Educacional no Brasil, apresentada no início do
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capítulo. Em seus trabalhos, Barbosa (2011, 2012), a partir da articulação entre fontes orais e escritas, propôs uma divisão específica da constituição da história da Psicologia escolar e educacional, conforme já mencionado. A saber: 1) Colonização, saberes psicológicos e educação (1500-1906); 2) A psicologia em outros campos de conhecimento (1906-1930); 3) Desenvolvimentismo – a Escola Nova e os psicologistas na educação (1930-1962); 4) A Psicologia Educacional e a Psicologia do Escolar (1962- 1981); 5) O período da crítica (1981-1990); 6) A Psicologia Educacional e Escolar e a reconstrução (1990-2000); 7) A virada do século: novos rumos? (a partir de 2000).
I - O PRIMEIRO PERÍODO: COLONIZAÇÃO, SABERES PSICOLÓGICOS E EDUCAÇÃO (1500-1906)
De acordo com Barbosa (2011, 2012), esse período tem como marco inicial a chegada dos portugueses ao Brasil e, especialmente, o início da missão jesuíta em 1549. Foram os jesuítas que construíram, pela primeira vez nesta terra, um sistema educativo, que tinha como finalidade a catequização dos índios. Nessa época foram criados colégios para ensinar a ler e escrever, que, conforme aponta Massimi (1984, 1987 e 1990), já continham nuances de ideias psicológicas. Nesse período, encontram-se obras que ressaltam o papel da educação moral, física e fórmulas de como educar melhor os filhos.
No entanto, Barbosa (2011, 2012) alerta que, nesses primórdios, pode-se falar apenas em saberes psicológicos disseminados no interior da educação jesuíta, ainda fortemente alicerçados ao propósito da colonização. A autora indica que a influência do pensamento empirista e das teorizações existentes sobre domesticação por meio de castigos e prêmios é uma das marcas dessa fase.
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De acordo com Waeny e Azevedo (2009), no final do século XIX, Psicologia e Pedagogia se articularam; e coube à Psicologia classificar as crianças com dificuldades escolares e buscar métodos educacionais que as ajustassem às exigências da sociedade. Já as primeiras décadas do século XX foram marcadas pelo desenvolvimento urbano- industrial e posterior industrialização, e tais condições exigiam indivíduos mais capacitados na leitura, escrita e no falar. Isso fez com que aumentasse o número de escolas. As autoras ressaltam que, nos primeiros anos do século XX, mais precisamente em 1903, as aplicações da Psicologia da Educação tiveram como marco inicial a publicação do livro “Educational Psychology” e o periódico “Journal of Educational Psychology”, por E. L. Thorndike.
As autoras indicam que foi nesse contexto e entre 1895 e 1905, sob a denominação inicial de escolas complementares, que surgiram as primeiras instituições para a preparação de futuros mestres no interior de São Paulo.
II - O SEGUNDO PERÍODO: A PSICOLOGIA EM OUTROS CAMPOS DO CONHECIMENTO (1906-1930)
Para Barbosa (2011, 2012), esse período inaugura-se com a criação do primeiro laboratório, o Pedagogium7. Nessa fase, a Psicologia é inserida em currículos das
7 Sob inspiração de Rui Barbosa, o decreto n. 980 de 1890 instituiu, no Rio de Janeiro, o Pedagogium,
centro de produção de conhecimento e estímulo para as realizações educacionais. Essa instituição previa o funcionamento de um Museu Pedagógico, gabinetes e laboratórios para o estudo de ciências físicas e história natural, a publicação da Revista Pedagógica, cursos e conferências para a formação de
professores públicos e particulares, entre outras atividades.
Em 1897 o Pedagogium passou para a administração municipal da cidade do Rio de Janeiro, tendo funcionado até esta data como Museu Pedagógico. O Pedagogium teve seu caráter alterado para um “centro de cultura superior aberto ao público”, funcionando durante mais de 15 anos. Medeiros de Albuquerque, então Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, foi o responsável por essa alteração. Foi nessa condição que, em 1906, foi criado o Laboratório de Psicologia Pedagógica, muito provavelmente o primeiro laboratório deste tipo no país, planejado por Alfred Binet em Paris, dirigido por Manoel Bomfim e colaboradores (Antônio Austregésilo e Plínio Olinto). Algumas dessas investigações foram publicadas na Revista Educação e Pediatria. Em 1919, por Decreto Municipal, o Pedagogium encerrou suas atividades. (Waeny e Azevedo, 2009).
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Escolas Normais8. Esse é um momento em que há uma exigência de cientifização da educação, e uma das ciências que vem dar respaldo à educação e à Pedagogia é a ciência psicológica. A autora aponta que nesse período crescem os estudos sobre a aprendizagem, desenvolvimento, processos cognitivos e testes psicológicos (psicometria), assim como sobre as relações entre conhecimentos psicológicos e seu papel no processo de ensino.
Para Waeny e Azevedo (2009), podem-se destacar alguns acontecimentos importantes ocorridos entre os anos 1906 e 1930. Entre eles, vale mencionar: a) em 1914 a cátedra de Pedagogia e Psicologia da Escola Normal foi assumida por Sampaio Dória; b) em 1920 surgiram os primeiros profissionais da educação ligados, principalmente ao ideário escolanovista; c) em 1923, na Escola Normal de Fortaleza, dirigida por Lourenço Filho, o laboratório permitiu a continuidade das pesquisas sobre
8 Em 1911, as escolas complementares paulistas passaram a ser denominadas Escolas Normais Primárias,
com curso de 4 anos de duração, na qual uma das cadeiras era Pedagogia. No ano seguinte, em 1912, a cadeira de Pedagogia passou a compreender três disciplinas: psicologia, pedagogia e metodologia. Em 1912, Clemente Quaglio organizou e passou a dirigir o Gabinete de Psicologia Experimental da Escola Normal da Praça da República, em São Paulo. Ugo Pizzoli foi contratado em 1914 pelo Governo do Estado de São Paulo para modernizar e dinamizar esse laboratório. Ele então criou o Laboratório de Pedagogia Experimental da Escola Normal de São Paulo, na gestão de Oscar Thompson. O gabinete era
constituído por duas salas, uma para os exames “somato-anthropologicos e esthesometrica e
esthesioscopica“ e outra para o “exame psicológico das funções mentais elevadas“. Também foi denominado por Gabinete de Psychologia e Anthropologia Pedagógica. Neste mesmo ano, 1914, apareceu o livro O Laboratório de Pedagogia Experimental, editado por este órgão. Esse laboratório mais tarde foi transferido para a cátedra de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo. Em 1925 Lourenço Filho reativou o laboratório, desta vez contando com a colaboração de Noemy da Silveira Rudolfer, João Batista Damasco Pena, Branca Caldeira, Irene Muniz e Odalívia Toledo. (Waeny e Azevedo, 2009). O laboratório resultou na criação do Serviço de Psicologia Aplicada (à educação), sob a direção de Noemy Rudolfer. Este serviço originou o Laboratório de Psicologia Educacional do Instituto de Educação (ex-escola Normal) da Praça da República. Após a criação da Universidade de São Paulo, este laboratório foi transferido para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL-USP) da rua Maria Antônia. Depois, ampliado e modernizado, converteu-se no laboratório da cadeira de Psicologia Educacional e originou diversas pesquisas, entre 1940 e 1970. A Escola Normal de São Paulo foi representante importante para o desenvolvimento da Psicologia no Brasil em geral e da Psicologia Educacional em particular, graças às atividades de ensino da Psicologia, à produção de seu laboratório, aos cursos ministrados por psicólogos estrangeiros, mas sobretudo por ter sido a base para a Cátedra de Psicologia Educacional, da seção de Pedagogia da FFCL-USP. As Escolas Normais foram o alicerce para as futuras seções de Pedagogia da FFCL-USP, nas quais a Psicologia foi introduzida como matéria de ensino superior (Waeny e Azevedo, 2009).
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maturidade para a leitura e escrita; d) em 1924, sob a liderança de Isaías Alves, a Escola Normal de Salvador difundiu, aplicou, revisou e adaptou testes psicológicos, inclusive defendendo utilizá-los no espaço escolar; e) em 1925, Ulysses Pernambuco criou o instituto de Psicologia de Pernambuco e também criou a Escola para Anormais, anexa à Escola de Aplicação da Escola Normal Oficial de Pernambuco; f) em 1926, Geraldo Paula Souza organizou grupos de estudos em Psicologia Aplicada, com médicos, educadores e engenheiros do Instituto de Higiene de São Paulo; g) em 1928, a disciplina Psicologia passou a ser obrigatória nas Escolas Normais; h) em 1929, foi criada a Escola de Aperfeiçoamento para Professores do ensino primário de Belo Horizonte, uma das mais importantes instituições produtoras de conhecimento, ensino e experiências educacionais baseadas na Psicologia; Helena Antipoff foi diretora do Instituto de Educação (junção da Escola de Aperfeiçoamento com a Escola Normal); i) nos anos 1930 a cadeira de Psicologia das Escolas Normais mudou para Psicologia Educacional, embora mantendo a denominação Psicologia Aplicada à Educação.
III - O TERCEIRO PERÍODO: DESENVOLVIMENTISMO – A ESCOLA NOVA E OS PSICOLOGISTAS NA EDUCAÇÃO (1930-1962)
Barbosa (2011, 2012) assevera que, nesse período, em decorrência do movimento internacional da Psicologia aplicada e à influência de psicólogos estrangeiros que vieram para o Brasil, podemos dizer que é a primeira vez que temos uma Psicologia que se realiza em termos práticos no interior de organizações, especialmente das escolas. A autora menciona que a denominação desenvolvimentismo foi escolhida para marcar o momento histórico social que o Brasil estava vivendo e por também estar relacionada ao grande crescimento da Psicologia em vários campos teóricos e práticos. O movimento da Escola Nova também é característica do momento.
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Segundo Barbosa (2011, 2012), em 1932, temos a reivindicação de vários educadores que se autodenominam pioneiros da Educação Nova e que, por meio do Manifesto da Escola Nova, solicitavam ao poder público uma renovação do campo educativo. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi um documento que exigia dos poderes públicos educação laica, gratuita e obrigatória para toda a população em idade escolar com base nos pressupostos escolanovistas. A autora indica que, no próprio texto do Manifesto, era possível notar a influência dos conhecimentos psicológicos. De acordo com Barbosa (2012, p. 115):
É ainda destaque nesta fase o crescimento das ideias sobre educação especial e influência da psicanálise e das contribuições estadunidenses no interior da Psicologia naquele momento denominada Psicologia Educacional. É flagrante a consolidação no período da ideia de foco no aluno, com estudos realizados seja pelas vias psicométrica, seja psicoanalíticas. Havia também um interesse em classificar e encontrar formas de educar aqueles que eram chamados de desajustados, ou desviantes, considerados então anormais.
Para Barbosa (2011), essa área ainda chamada Psicologia Educacional foi se estabelecendo como campo de saber, com objeto de estudo, linhas de pesquisa e atuação específicos identificados por esse olhar para a criança que não aprende. Os processos de desenvolvimento e de aprendizagem passam a constituir elementos primários da análise, mantendo a ênfase na criança. No caso dos processos educativos, a autora afirma que se observa o crescimento do movimento de identificação, testagem e classificação das crianças com o objetivo de conhecer seus problemas. Esse também é o momento da separação das crianças ditas normais daquelas com problemas de aprendizagem. Conforme a exposição de Barbosa (2012, p. 116):
Assim, pode-se afirmar que a Psicologia educacional e escolar se erigiu, em termos práticos, do movimento da Escola Nova, e do avanço da onda dos testes e orientações clínicas infantis das
72 crianças-problema. O pensamento higienista e também o eugenista aparecem com influências iniciais, o que justificava a identificação, a seleção e classificação das crianças.
Para Patto (apud Barbosa, 2011), a Psicologia educacional e escolar nasce alicerçada aos interesses políticos, sociais e econômicos do sistema capitalista, e as teorias que passam a alimentar os trabalhos dos psicólogos dessa área trazem como pressuposto o ideário liberal de que a escola é uma instituição que promove igualdade e oportunidades, ideologia que mascara a desigualdade e a injustiça social desse sistema. E foi o movimento dos testes que tem início nos anos que antecedem a profissionalização e seguem crescendo até meados dos anos 80s, que detêm esse interesse ideológico.
Ainda em consonância com Barbosa (2011, 2012), essa é a base da educação compensatória, cujo intuito é cobrir as ditas falhas trazidas pelo educando e que contribuiu para colocar a Psicologia no lugar de ciência que pode contribuir com “o escolar” de forma classificatória e discriminatória.
Waeny e Azevedo (2009) mencionam como acontecimentos importantes nesse período: a) a criação em São Paulo no ano de 1933, por Noemy Rudolfer e Annita Cabral, do Laboratório de Psicologia do Instituto Pedagógico, composto por quatro seções – medidas mentais, medida do trabalho escolar, orientação educacional e profissional e estatística; b) em 1934, com a criação da Universidade de São Paulo, Lourenço Filho foi nomeado professor de Psicologia. Essas ações mostram que o ensino formal da Psicologia em cursos superiores teve início e que, a partir daí, estes cada vez mais proliferaram; c) A Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Sedes Sapientiae começa a gestar, em 1940, um curso de formação de psicólogos a partir do curso de Pedagogia, tendo Madre Cristina Sodré Dória como a catedrática de Psicologia Educacional; d) o Instituto de Psicologia da PUC/SP (IPPUC-SP) foi criado em 1951 e
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dirigido por Enzo Azzi, com colaboração de Ana Maria Poppovic. Logo após, em 1953, foi instalada na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Sedes Sapientiae a Clínica Psicológica, com o objetivo de atender crianças com problemas escolares, sob a liderança de Madre Cristina e Haim Grunspun.
IV - O QUARTO PERÍODO: A FASE DA PSICOLOGIA EDUCACIONAL E DA PSICOLOGIA “DO” ESCOLAR (1962-1981)
De acordo com Barbosa (2011, 2012), nesse período, a Psicologia, em sua relação com a educação, continuou a fazer o trabalho de classificar, orientar e tratar as crianças-problema. O foco individual de orientação é a marca da área nesse momento, e inicia-se a produção de laudos de crianças em idade escolar para encaminhamento às chamadas escolas especiais.
A autora assevera que, nos anos 1970, aumenta a influência das teorias behavioristas e da chamada tecnologia educacional. Além disso, surge a teoria da carência cultural como explicação para o não aprender nas escolas. A teoria da carência cultural, nascida nos Estados Unidos era:
Fruto dos movimentos reivindicatórios das minorias negras e de imigrantes latinos que apresentavam baixo rendimento escolar, essa teoria procurava responder à pergunta: por que um grande contingente de crianças negras e imigrantes não aprendia na escola pública americana? Para responder essa questão, psicólogos e demais profissionais passaram a pesquisar as causas dos problemas de aprendizagem, buscando-as nos aspectos do desenvolvimento infantil, nas áreas de nutrição, linguagem, estimulação, cognição, inteligência, motricidade, etc. Ocorre, porém, que os resultados dos experimentos realizados por tais crianças eram comparados com aqueles obtidos com crianças de classes média e alta da sociedade americana, branca e empregada. Tais resultados eram considerados como padrão de normalidade (Souza apud Barbosa 2012, p. 117).
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Ainda conforme a exposição de Barbosa (2011, 2012), é nesse período que se inicia o crescimento da oferta de serviços de Psicologia escolar em âmbitos como secretarias municipais de Educação que, em grande parte, tinham como prerrogativa o trabalho psicométrico e/ou o tratamento clínico dos chamados problemas da aprendizagem.
Para Barbosa (2011, 2012), faz-se relevante o momento em que Maria Helena de Souza Patto assumiu a disciplina Psicologia “do” escolar na graduação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, e retirou o “do”, ficando a disciplina sendo chamada de Psicologia escolar. A ideia era sair do foco individual e do aluno.
Segundo Waeny e Azevedo (2009), a relação entre Psicologia e Educação nesse momento foi polêmica e ao mesmo tempo rica de possibilidades críticas que começaram a emergir. Este marco deve-se ao fato de na década de 1970 a Psicologia ter recebido críticas da Pedagogia devido à maneira como utilizava os testes e as consequências para os educandos (sua interpretação). A Psicologia e os psicólogos, por sua vez, também teceram duras críticas à Psicologia da Educação. Eles apontavam problemas semelhantes aos levantados pelos educadores, mas criticavam o modelo médico que fundamentava a ação desses profissionais.
V - O QUINTO PERÍODO: O PERÍODO DA CRÍTICA (1981-1990)
De acordo com Barbosa (2011, 2012), pode-se afirmar que essa foi a década da denúncia para a Psicologia educacional e escolar. Para a autora, a partir da tese de doutorado de Patto, intitulada “Psicologia e Ideologia: reflexões sobre a Psicologia Escolar (1981)”, principia uma série de críticas sobre a forma como os psicólogos atuavam baseados em pressupostos como o da carência cultural ou em explicações
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como deficit linguístico e problemas de aprendizagem. Essas explicações sobre o não aprender nas escolas estavam apoiadas em uma visão ideológica do que é ou não normalidade no contexto educativo. A Psicologia, até aqui, primordialmente cumpria um papel de Psicologia do ajustamento, que tinha o intuito de normalizar e ajustar os desviantes. Para a autora, houve nesse período um afastamento do campo prático que levou os profissionais da Psicologia educacional e escolar a questionarem o papel dessa área ou as funções do psicólogo no contexto educacional e sua atuação. Por fim, vale destacar que, de modo geral, observa-se que a crítica relativa à Psicologia educacional e escolar tradicional fez com que os profissionais da área buscassem se debruçar sobre suas referências com o fim de repensá-las e de reconstruir a área sobre outros patamares.
Waeny e Azevedo (2009) citam como evento importante desse período, a criação, em 1988, da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional - ABRAPEE9. As autoras também enfatizam que, nesse período, as pesquisas questionavam a construção do conhecimento e criticavam seu caráter ideológico. Perguntava-se sobre a função da Ciência, o papel social da Psicologia como profissão e, também, como se constituiria a Psicologia Escolar enquanto campo de atuação para
9 A década de 1980 retratou um momento importante para a Psicologia e para a formalização da área
Psicologia Escolar. Em medos da década de 1980, surgiu a ideia da criação da ABRAPEE a partir da discussão dos parâmetros internacionais que na ocasião orientavam a formação e atuação de psicólogos escolares em vários países. Pouco depois, entre 1987 e 1988 e durante as reuniões da Sociedade Brasileira de Psicologia, concretizou-se a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. Essa mesma década de 1980 viu o surgimento de algumas filiadas: em 1988, Solange Wechsler e um grupo de profissionais em Psicologia Escolar e Educacional da rede pública de Brasília fundaram a seção da ABRAPEE do Distrito Federal; em 1989, Raquel Souza Lobo Guzzo funda a ABRAPEE de São Paulo. Na década de 1990 ocorreu a organização científica da área, mais especificamente em 1991, com o I Congresso Nacional de Psicologia Escolar (Valinhos, SP), onde foi criada a ABRAPEE Nacional; em 1994, com o XVII Congresso Internacional de Psicologia Escolar e II Congresso Nacional de Psicologia Escolar (Campinas, SP); e em 1996, quando foi publicado o primeiro número do periódico Psicologia Escolar e Educacional, da ABRAPEE.
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além desse âmbito ideológico denunciado pelos pesquisadores e sentido pelos que atuavam no dia a dia da área.
VI - O SEXTO PERÍODO: PSICOLOGIA EDUCACIONAL E ESCOLAR E A RECONSTRUÇÃO (1990-2000)
Seguindo os apontamentos de Barbosa (2011, 2012), constata-se como característica desse período a ressignificação dos trabalhos teóricos e práticos da área. Observa-se nessa fase o crescimento de produções científicas relacionadas a vários temas da Psicologia educacional e escolar, agora não apenas reprodutores de teorias estrangeiras, mas produtores de temas relacionados à fundamentação teórica e às práticas do psicólogo no contexto educativo. Os termos Psicologia escolar ou escolar crítica são usados com intuito de diferenciação da Psicologia educacional e escolar tradicional. A visão individualista passa a ser substituída por uma preocupação com os processos educativos de modo mais amplo. Diferentemente da perspectiva tradicional, aponta-se a necessidade de superação do modelo clínico-médico de atuação bem como o do referencial psicométrico. De modo geral, passa-se a compreender que o não aprender na escola não pode ser explicado por questões individuais organicistas ou por problemas de ordem socioambiental. De acordo com Barbosa (2012, p. 120):
O olhar, antes individualizado e centralizado no aluno, ou no professor, ou na escola, passa a priorizar todos os personagens do universo escolar, bem como as relações intraescolares, as políticas públicas educacionais, as condições econômicas, sociais, culturais e políticas de determinado contexto. Embora não de forma consensual e única, é com este espírito de renovação da área, por meio da Psicologia escolar crítica que se estabelecem novas bases e principiam os anos 2000.
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VII - O SÉTIMO PERÍODO: A VIRADA DO SÉCULO, NOVOS RUMOS? (A PARTIR DE 2000)
Para Barbosa (2011, 2012), esse período representa um questionamento a futuros pesquisadores que queiram adentrar nos anos 2000 até os dias atuais de forma a caracterizar esse momento. Pode-se pensar que estamos ainda em um tempo de reconfigurações, olhando para o nosso passado tentando avaliar o presente com a finalidade de renovar nossas teorias e práticas. A autora cita que, a partir dos anos 1990s, o aumento da produção intelectual acadêmica da área foi vertiginoso, e é importante compreender como esses referenciais estão chegando aos profissionais que atuam nesse campo. Por fim, fica a questão se conseguimos construir os novos rumos da Psicologia escolar e educacional. Para Barbosa (2011, 2012a), ainda não é possível responder esse questionamento.