As transformações ocorridas na estrutura social objetiva da sociedade, em especial, aquelas associadas ao desenvolvimento da maquinaria e à aplicação tecnológica da grande indústria moderna trouxeram mudanças significativas para os indivíduos. É importante investigar quais foram as principais implicações dessas mudanças bem como do padrão de pensamento a elas associado.
Primeiramente, procuraremos acompanhar o percurso proposto por Marcuse (1999), desde sua análise e compreensão de uma “razão individualista”, presente na sociedade nos séculos XVI a XVIII, até sua transformação em razão tecnológica, a partir do século XIX. Em seguida, a partir das contribuições de Adorno e Horkheimer (1973) e Horkheimer (2007), investigaremos as transformações na concepção de indivíduo intensificadas desde o período do Renascimento.
Marcuse (1999) é um dos autores que investigaram o surgimento de um tipo de racionalidade como consequência do desenvolvimento do novo processo de produção de mercadorias calcado na indústria e na mecanização desse processo industrial. Foi no decorrer do desenvolvimento tecnológico que uma nova racionalidade e novos padrões de individualidade se disseminaram na sociedade.
Segundo o autor, no período renascentista, o homem tinha de superar todo o sistema de ideias e valores que lhe era imposto, para encontrar e apossar-se das ideias e valores que se ajustassem ao seu interesse racional. Àquela época, o indivíduo era obrigado a viver em estado de vigilância constante e rejeitar tudo que não fosse verdadeiro nem justificado pela razão. Afinal, falsos padrões ainda governavam a vida
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dos homens, e o indivíduo livre era o que criticava esses padrões. Essa maneira de pensar, denominada pelo autor de “racionalidade individualista”, é produto de um princípio de individualismo que era condicionado pela afirmação de que o interesse próprio era racional, ou seja, resultava do pensamento autônomo e era constantemente guiado e controlado por ele. A possibilidade de realização dessa racionalidade pressupunha um ambiente social e econômico adequado, e a sociedade liberal era considerada adequada a essa racionalidade individualista.
Dos princípios da sociedade liberal, em que reinava a compreensão do homem como um ser livre e racional, ocorreram as significativas transformações que colocaram não somente o indivíduo contra seus próprios interesses, mas também a ciência e a tecnologia contra os interesses da humanidade.
De acordo com Marcuse (1969), anteriormente, o indivíduo apoiava valores que contradizem flagrantemente os valores que predominam na sociedade de hoje. Nos séculos XIV à XVII, o indivíduo podia ser definido como:
O sujeito de certos padrões e valores fundamentais que nenhuma autoridade externa deveria desrespeitar. Esses padrões e valores diziam respeito às formas de vida que se mostravam mais adequadas ao desenvolvimento total das faculdades e habilidades do homem (Marcuse, 1999, p. 75).
Dos apontamentos de Marcuse (1999) é importante observar que o indivíduo era considerado um ser autônomo com capacidade de discernir e decidir sobre as condições de vida que favorecem seu pleno desenvolvimento. Para o autor, o indivíduo também poderia ser retratado como “ser racional capaz de encontrar essas formas através de seu próprio raciocínio, e depois que tivesse adquirido a liberdade de pensamento” (Marcuse, 1999, p. 76).
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Marcuse (1999) menciona que o princípio individualista necessitava de um ambiente social e econômico adequado para existir, e a sociedade liberal era considerada o ambiente adequado a essa racionalidade individualista. Nesse ambiente, as marcas da individualidade repousavam sobre a transformação dos produtos e ações individuais em necessidades sociais. Cada indivíduo se diferenciava pelos diversos produtos e pelas diversas formas de agir na sociedade. No entanto, no decorrer do tempo, “o processo de produção de mercadorias solapou a base econômica sobre a qual a racionalidade individualista se desenvolveu” (Marcuse, 1999, p.76). Para o autor, o poder tecnológico foi determinante nessa transformação das condições sociais que já não mais favorecem a racionalidade individualista e passam a favorecer outro tipo de racionalidade, a tecnológica. Segundo o pensamento de Marcuse (1999), o poder tecnológico do aparato tende à concentração do poder econômico e afeta toda a racionalidade daqueles a quem serve. Essa racionalidade tecnológica não está confinada aos sujeitos e empresas de grande porte, “mas caracteriza um modo difundido de pensamento” que “estabelece padrões de julgamento e fomenta atitudes que predispõem os homens a aceitar e introjetar os ditames do aparato” (Marcuse, 1999, p. 77).
No entanto, Marcuse (1999) chama a atenção para o fato de que não se pode mais falar de introjeção para explicar a identificação do indivíduo com a sociedade, pois isso dependeria de processos espontâneos do ego que cada vez mais são impossibilitados de existir devido à gerência e organização complicadas e científicas do aparato social. A dimensão interior da mente na qual a oposição ao statu quo pode se desenvolver foi invadido e abastado pela realidade tecnológica.
Com o aparecimento da indústria moderna e a concentração do poder tecnológico por grandes conglomerados industriais, ocorreu um processo de mecanização e racionalização que forçaram o competidor mais fraco a submeter-se ao
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domínio das grandes empresas. O argumento para justificar tal concentração de poder tecnológico e econômico era o de que as grandes indústrias eram mais eficientes na produção de mercadorias – ou seja, utilizavam menos tempo, menos matéria-prima, menos força de trabalho. Em nome dessa eficiência, era necessário que existisse um sistema de coordenação total, que eliminasse todo o desperdício. Tudo que não favorecesse o princípio da eficiência competitiva deveria ser eliminado, até mesmo o pensamento. É importante mencionar que todo esse aparato era e ainda é utilizado com o objetivo de se obter lucro; e essa utilização lucrativista do aparato impõe não somente a quantidade, a forma e o tipo de mercadoria a serem produzidas, mas afeta toda a racionalidade daqueles a quem serve.
Marcuse (1999, p. 78) aponta que, nas atuais condições, “o avanço individual se transformou em eficiência padronizada” e ressalta:
O indivíduo eficiente é aquele cujo desempenho consiste numa ação somente enquanto seja a reação adequada às demandas objetivas do aparato, e a liberdade do indivíduo está confinada à seleção dos meios mais adequados para alcançar uma meta que ele não determinou (Idem, ibidem).
Ainda de acordo com Marcuse (1999), a liberdade individual anterior foi submersa na eficiência com a qual o indivíduo desempenha serviços atribuídos a ele. Isso é decorrência da atual organização social, que se racionalizou de tal forma que o indivíduo não pode fazer nada melhor do que adaptar-se sem reservas.
Veblen, segundo Marcuse (1999), foi um dos primeiros a concluir que essa nova situação provinha do processo da máquina, do qual se estendia sobre toda sociedade. O processo da máquina requer um conhecimento, e esse conhecimento presume certa atitude intelectual, uma atitude que assimile prontamente o factual.
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De acordo com Veblen,
O processo da máquina pede um ‘treino consistente na apreensão mecânica das coisas’ e este treino, por sua vez, promove uma ‘programação da vida’, um ‘grau de compreensão treinada e uma estratégia ágil em todas as formas de ajustes quantitativos e adaptações’. A ‘ mecânica da submissão’ se propaga da ordem tecnológica para a ordem social; ela governa o desempenho não apenas nas fábricas e lojas, mas também nos escritórios, escolas, juntas legislativas e, finalmente na esfera do descanso e do lazer (Veblen, apud Marcuse, 1999, p. 82).
Para Marcuse (1999), o ponto decisivo é que essa nova atitude é perfeitamente racional e razoável, uma vez que traz benefícios como segurança e conforto para aquele que seguir as instruções do aparato, o qual “combina a máxima eficiência com a máxima conveniência, economizando tempo e energia, eliminando o desperdício” (Marcuse, 1999, p.80). O autor também enfatiza que, “ao manipular a máquina, o homem aprende que a obediência às instruções é o único meio de se obter os resultados desejados” (Marcuse, 1999, p. 81) e que, pelo fato das relações entre os homens estarem cada vez mais mediadas pelo processo da máquina, “o comportamento humano se reveste da racionalidade do processo da máquina” (Marcuse, 1999, p. 81). Segundo o autor:
A racionalidade individualista nasceu como uma atitude crítica e de oposição que derivava a liberdade de ação da liberdade irrestrita de pensamento e consciência e media todos os padrões e relações sociais pelo interesse próprio racional do indivíduo. Ela transformou-se na racionalidade da competição em que o interesse racional foi substituído pelo interesse de mercado, e a conquista individual foi absorvida pela eficiência. Racional é aquele que mais eficientemente aceita e executa o que lhe é determinado, que confia seu destino às grandes empresas e organizações que administram o aparato (Marcuse, 1999, p. 98).
Marcuse (1999) também chama a atenção para a impotência social do pensamento crítico que é mais uma consequência do crescimento industrial e de seu controle que abrangeu todas as esferas da vida. O autor destaca que a padronização do
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pensamento sob o controle da racionalidade tecnológica também afeta os valores de verdade críticos, e, atualmente, todos os homens agem de forma racional, isto é, “de acordo com os padrões que asseguram o funcionamento do aparato e, portanto, da manutenção da própria vida” (Marcuse, 1999, p. 86).
Das ideias de Marcuse (1999) é pertinente reconhecer que o homem, desde o Iluminismo e, principalmente na época do liberalismo econômico, já não encontra na sociedade as condições para sua realização; em consequência, precisou se adaptar prontamente às novas condições impostas, regidas pela ganância por lucro daqueles que controlam o aparato industrial, tecnológico e científico. Além disso, é importante mencionar, Marcuse (1999) enfatiza que essas mudanças não são efeito (direto ou indireto) da maquinaria sobre seus usuários, mas são, antes, elas próprias, determinantes no desenvolvimento da maquinaria e da produção em massa. A conclusão, portanto, é a de que, antes do desenvolvimento das grandes indústrias, já se fazia presente, na sociedade, um padrão de pensamento (modelo científico) indissociável e compatível com o projeto de necessidades objetivas do sistema de produção.
A transformação do aparato em um sistema em que os seres humanos, e em consequência suas vidas, são pequenos detalhes surgiu com base em um modelo de pensamento que atingiu seu apogeu na época do Iluminismo. Os homens foram transformados em peças que podem ser substituídas sem acarretar problemas para o sistema.
Horkheimer (2007), ao discorrer sobre a história do indivíduo, aponta que o seu modelo emergente é o herói grego, audaz e autoconfiante, que triunfa na luta pela sobrevivência e emancipa-se da tribo. De acordo com o autor, foi Aristóteles quem descreveu o homem grego como um tipo de indivíduo “com coragem de europeu e inteligência do asiático”, que, combinando a capacidade de autopreservação com a
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reflexão, adquiriu a competência para dominar os outros sem perder a própria liberdade. Horkheimer (2007) assevera que antes se fazia presente um antagonismo entre a individualidade e as condições sociais e econômicas de existência individual; atualmente, esse antagonismo é suplantado, na mente dos indivíduos, pelo desejo de se adaptarem à sociedade reinante.
O autor também mostra que foi Platão quem fez a primeira tentativa de elaborar uma filosofia da individualidade de acordo com os ideais da pólis; Platão, ao conceber o homem e o estado como estruturas harmoniosas, melhor organizadas quanto mais a divisão de trabalho correspondesse aos aspectos do psiquismo do homem, deu início à visão que considera função primordial do indivíduo a de adaptar-se ao sistema, ou seja, cumprir um papel a que ele está, de certa forma, predestinado. Platão explica que, no domínio prático, a harmonia é cumprida encaminhando cada indivíduo para a sua função de acordo com suas características; no domínio teórico, a harmonia está presente em um sistema que determina a finalidade de cada forma na hierarquia universal. De acordo ainda com Horkheimer (2007), o pensamento de Platão corrobora com o entendimento de que não faz sentido para um homem resistir ao destino, tanto quanto para qualquer outro organismo da natureza resistir aos ritmos das estações. O autor também indica que Aristóteles não discorda de Platão e ensina que uns nascem escravos e outros livres, justificando-se com a afirmativa de que, mesmo quando se é escravo, carrega-se uma virtude, a obediência.
Se alguns filósofos apontavam para uma total adequação do indivíduo ao sistema social, outros pensavam de forma oposta. Ainda seguindo a exposição de Horkheimer (2007), verifica-se que foi Sócrates o primeiro a afirmar explicitamente a autonomia do sujeito. Para Sócrates, não bastava desejar ou mesmo fazer as coisas corretamente, sem reflexão, pois a escolha consciente era uma condição prévia do modo de vida ético.
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Horkheimer (2007) ressalta que esse foi o primeiro momento na história cultural em que a consciência individual e o estado começam a ser separados. O homem emergiu como indivíduo no momento em que a sociedade começou a perder a coesão e ele tornou-se consciente da diferença entre sua vida e a da coletividade. Porém, o autor alerta para o fato de que, no Iluminismo, a ideia de individualidade tornou-se uma síntese dos interesses materiais do indivíduo. O liberalismo caracterizou-se por uma multidão de empresários independentes que cuidavam de sua propriedade. A individualidade desses empresários era a de um provedor orgulhoso, convencido de que a comunidade e o estado dependiam dele e de outros como ele. Contudo, na atualidade, o empresário independente não é mais figura típica. O homem comum acha cada vez mais difícil planejar o seu futuro, que cada vez menos depende de sua própria prudência e cada vez mais das disputas entre os colossos do poder. A individualidade perdeu sua base econômica, e instaurou-se a crise do indivíduo. Por fim, o autor referido realça que esse fato se deve à atual estrutura e conteúdo da “mente objetiva”, que penetra a vida em todos os setores. Conclui que o decréscimo contínuo do pensamento e da resistência individual, resultante dos mecanismos econômicos e culturais do industrialismo moderno, tornará a evolução para o humano cada vez mais difícil. A época do poder industrial sem limites gerou o processo de liquidação do indivíduo.
As ideias precedentes ajudam a entender abreviadamente como o indivíduo é considerado no contexto social desde a Antiguidade. Anterior a Aristóteles e Platão, que pensavam a sociedade como a instância sob a qual os indivíduos tivessem totalmente sob controle, adequados e formados conforme as exigências do sistema social, em contrapartida, Sócrates só considerava como indivíduo aquele ser que não se colocava prontamente à disposição da sociedade, mas, ao invés disso, refletia conscientemente antes de realizar suas escolhas e ações. Mencione-se, além disso, que, sob o liberalismo,
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essas discussões filosóficas foram deixadas de lado e a individualidade foi reduzida às condições materiais do sujeito. Porém, cada vez menos existem possibilidades para a maioria dos indivíduos se afirmar por meio das suas condições materiais.
Segundo Horkheimer e Adorno (1973), o indivíduo, na sociedade contemporânea, tem a sua possibilidade de liberdade reduzida e encontra-se cada vez mais encarcerado pelos mecanismos de controle sociais.
O indivíduo é um ser mediado socialmente, ou seja, a sua constituição depende das relações sociais a que pertence e com as quais se estabelece. De acordo com Horkheimer e Adorno (1973b):
A vida humana é, essencialmente, e não por mera casualidade, convivência. Com esta afirmação, põe-se em dúvida o conceito de indivíduo como unidade social fundamental. Se o homem, na própria base de sua existência, é para os outros, que são os seus semelhantes, e se unicamente por eles é o que é, então sua definição última não é a de uma indivisibilidade e unicidade primárias, mas, outrossim, a de uma participação e comunicação necessárias com os outros. Mesmo antes de se referir ao eu; é um momento das relações que vive, antes de poder chegar, finalmente, à autodeterminação (Horkheimer e Adorno, 1973b, p. 47).
Na sociedade atual, as condições que propiciam o desenvolvimento das características que constituem os indivíduos estão, a cada dia, mais escassas. Os mecanismos de controle social impõem modelos de conduta que fazem com que as pessoas não consigam se diferenciar daquilo que é exigido pelos padrões dominantes. Horkheimer e Adorno (1973b) asseguram que só é indivíduo aquele que se diferencia a si mesmo dos interesses e pontos de vista dos outros, aquele que se faz substância de si mesmo e que estabelece como norma a autopreservação e o desenvolvimento próprio. Entretanto, os autores destacam que mesmo esta autoconsciência da singularidade do eu, que não basta para fazer, por si só, um indivíduo, é uma autoconsciência social.
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Com efeito, a crença na independência radical do ser individual em relação ao todo nada mais é, por sua vez, do que uma aparência. Horkheimer e Adorno (1973b) indicam que:
O indivíduo, num sentido amplo, é o contrário do ser natural, um ser que, certamente, se emancipa e afasta das simples relações naturais, que está desde o princípio referido à sociedade, de um modo específico, que por isso mesmo, recolhe-se em seu próprio ser. Se é certo que a chamada psicologia das massas se desdobra, de fato, em processos psicológicos individuais, também se observa o fenômeno inverso, quando o conteúdo e a forma de cada indivíduo se devem à sociedade como estrutura dotada de leis próprias (Horkheimer e Adorno, 1973b, p. 53).
Com o aumento do uso da técnica na indústria, a sociedade hodierna desenvolveu um dinamismo social que obriga o indivíduo a lutar implacavelmente por seus interesses de lucro, sem se preocupar com o bem da coletividade. Para Horkheimer e Adorno (1973b), o meio ideal da individuação, a Arte, a Religião, a Ciência, retrai-se como posse privada de alguns indivíduos. A sociedade, que estimulou o desenvolvimento do indivíduo, desenvolve-se agora, ela própria, afastando de si o indivíduo, a quem destronou.
Devemos enfatizar que foram transformações nas bases materiais da sociedade que causaram transformações no pensamento. A racionalidade individualista foi transformada em racionalidade tecnológica, que agora passa a valorizar a eficiência padronizada. Ser eficiente é agir de acordo com o solicitado e é algo que coloca o indivíduo em consonância com a sociedade, o que vai contra a racionalidade individualista, que adotava como princípio para o fortalecimento do indivíduo a resistência às imposições sociais. Aos indivíduos basta adaptarem-se sem reservas. Foi em decorrência do progresso tecnológico que o comportamento humano foi revestido do comportamento das máquinas. A interação com as máquinas requer certa atitude
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intelectual, que se volta para a assimilação imediata do factual e causa a impotência social do pensamento crítico.
Ao final, deve-se ressaltar que os elementos aqui discutidos são importantes para a compreensão da relação existente entre determinadas condições sociais objetivas e a expressão da racionalidade tecnológica presente em todas as esferas da vida. Esses elementos servem para a investigação da relação existente entre a racionalidade tecnológica e a primazia de determinadas teorias psicológicas no campo da educação.
Fica, então, evidenciado que a sociedade industrial é causa e consequência de um padrão de pensamento que sustenta e repõe a ordem social. Também se pode perceber que é necessário discutir as implicações dessa racionalidade tecnológica nos indivíduos e nas mais importantes esferas da sociedade, com, por exemplo, a esfera da produção do conhecimento – a ciência e a tecnologia.
1.3. CONTROLE SOCIAL, TECNOLOGIA E IDEOLOGIA DA