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No contexto da Terminologia, esta investigação sustenta-se numa opção de base conceptual, visando configurar um fluxo de trabalho, no âmbito do qual o terminológico concilia a componente autónoma e individual de investigação com uma componente de interacção colaborativa. Ao avançar com uma proposta de itinerário que congrega uma abordagem predominantemente qualitativa, sustentada numa combinação de pressupostos metodológicos da Terminologia (análise onomasiológica e semasiológica), com a adaptação de pressupostos das Ciências Sociais e Humanas (nomeadamente da grounded theory e da investigação-acção), julgamos trazer um elemento de inovação que poderá ser aplicado a quadros similares em que o terminológo necessita de compreeender exaustivamente um dado conceito, com vista a desenvolver trabalho de harmonização no âmbito da definição, tendo como objectivo último a estabilização da relação entre o conceito definido e termo que o designa: “blended learning”.

No contexto do domínio-objecto de análise, o interesse em contribuir para o estudo do conceito de <blended learning> justifica-se globalmente pelo quadro conjuntural internacional que se vive actualmente no Ensino Superior (Vanderlinden, 2014, p. 76):

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The pressures on higher education in 2014 are perhaps greater than in any

other time period. The strategic adoption of blended learning is interconnected to all the issues that are front of mind for decision makers such as accessibility, affordability, limited resources, and competition, not to mention perhaps the greatest interconnected concern— student learning16.

Estando de algum modo em causa a credibilidade e a sustentabilidade do sistema educativo do Ensino Superior, num momento em que os recursos financeiros internacionais e nacionais escasseiam e se vislumbram reformas porventura apressadas, é necessário continuar a acreditar que - por herança secular - as instituições de Ensino Superior continuam a ser um dos espaços privilegiados para o exercício da reflexão crítica e do debate de ideias. Contribuir para a precisão linguística e conceptual de conceitos que estão na ordem do dia torna-se neste quadro uma tarefa prioritária. Como salienta Snart (2010, p. 146): Knowledgeable and informed discussion will be an absolute must if blended learning is to flourish as a truly innovative opportunity for teaching and learning.

Neste enquadramento, Vandelinden (2014, p. 83) defende a importância do conceito de <blended learning> como estratégia17 institucional. Falar em opção

estratégica e em inovação parecerá no contexto actual um lugar comum, mas é por certo fundamental que o <blended learning> seja mais do que um simples rótulo no catálogo de oferta formativa das instituições. O investigador acrescenta ainda que a inexistência de uma definição institucional tem um impacto negativo, dado que mina a qualidade pedagógica (Idem, 2014, p. 75):

When colleges and universities fail to define blended learning at an institutional level, however, it is then reduced to the broadest understanding and open to interpretation regarding the ratio of face-to-face time and online interaction and activities. The absence of a precise definition undermines the important distinctions made by Garrison and Vaughan (2008) that blended learning is a transformational redesign of teaching and learning.

No contexto mais estreito de um enquadramento Pós-Bolonha assume-se como relevante melhorar a compreensão, a delimitação e a representação do conceito de <blended learning>, partindo da premissa de que uma definição harmonizada poderá

16 Sublinhado nosso.

17 Um pensamento estratégico implica, como sustenta Morrill (2007), a clarificação de objectivos e de prioridades, a mobilização de recursos e de motivação e a definição clara de linhas de acção futura.

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enriquecer a reflexão teórica. Na verdade, como sustenta Peres (2011, p. 8), não são ainda claros os pressupostos metodológicos inerentes aos processos de integração da tecnologia no Ensino Presencial:

A maioria das universidades utiliza um modelo de b-learning (misto). A aprendizagem mista pode ser vista como um estágio na adopção de e-Learning que é menos ameaçador e menos arriscada do que um movimento inteiramente online (Clark & Mayer, 2008). No entanto, nesse processo de mudança, de acordo com Nova e Alves (2003), a maioria dos processos de integração da tecnologia Web está a ser implementada com base em metodologia do ensino presencial.

Em nosso entender, o facto de em português as opções denominativas preferenciais para designação do conceito em estudo corresponderem aos empréstimos “blended learning” (ou “b-learning”), indiscutivelmente consagrados pelo uso linguístico, merece naturalmente algumas considerações. Foram meritórias, sobretudo na fase inicial de implantação do conceito e do respectivo termo, as diferentes iniciativas de tradução, ou de criação de uma designação em língua portuguesa, em particular por parte de Pimenta (2003), Cardoso (2004), Carvalho (2006), Miranda (2009), entre outros investigadores. Formação combinada, ensino semi-presencial, ensino combinado, formação mista, metodologia de formação mista, aprendizagem híbrida, modelo combinado, constituíram exemplos de propostas designativas, as quais – por razões que justificariam uma análise que não cabe no âmbito deste trabalho – acabaram por perecer. Com efeito, a diminuição da variação denominativa é sempre uma meta desejável no contexto da comunicação de especialidade.

No caso do <blended learning>, acabou por ocorrer uma harmonização natural da designação, seriam por isso tardias e irrelevantes quaisquer tentativas de intervenção para fazer vingar uma designação portuguesa. No entanto, não é, em todo o caso, tardio actuar no plano da definição, intervindo, na esfera do possível, em defesa da Língua Portuguesa enquanto língua de comunicação científica. Será necessário enfatizar o princípio de que a existência de recursos terminológicos em Português significa, em primeira instância, poder educar Portugal e os Portugueses em Língua Portuguesa. Em segundo lugar, significa também poder formar cientificamente países de língua oficial portuguesa, com particular enfoque nos países africanos de expressão portuguesa. Como sustenta Cabré (1993, p. 18) /.../ a language that cannot

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be used in all types of communication is doomed to disappear, and a language cannot be used in all situations unless it has the necessary terminology.

É pelas questões evocadas que o produto resultante deste trabalho se destina a investigadores do domínio das Tecnologias Educativas, a docentes do Ensino Superior e a entidades decisoras (gestores de Instituições de Ensino Superior e decisores políticos em matérias de educação), entendendo-se que estes grupos de actores receberão como mais-valia a delimitação e representação do conceito - sustentada na expressão linguística materna.