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A escolha dos professores que participariam do Programa foi conduzida pelo Coordenador Pedagógico e pelo Chefe da Divisão de Ensino e levou em consideração o perfil de cada professor para trabalhar com alunos com dificuldades de aprendizagem, bem como as outras funções que esses profissionais iriam desempenhar em 2014.

Outro aspecto considerado era que todos eles deveriam ser voluntários. Por isso, os professores inicialmente selecionados foram pessoalmente convidados para participar do

Programa pelo Coordenador Pedagógico. Além da oportunidade de poder explicar individualmente a importância e o alcance desta nova iniciativa no CMF, o convite pessoal serviu para demonstrar consideração e valorizar os profissionais selecionados.

4.3.2.1 Professores exclusivos, compartilhados e vinculados

A equipe pedagógica era composta por professores exclusivos, com dedicação integral ao Programa, e outros pertencentes às outras coordenações compartilhados ou vinculados ao Apoio Pedagógico.

A diferença dos professores compartilhados para os vinculados era o tempo dedicado ao apoio e à sua Coordenação. Enquanto os compartilhados eram do apoio e tinham uma pequena carga horária no turno regular, os professores vinculados ficavam em suas Coordenações de Ano, frequentando o apoio apenas nos horários das reuniões e de suas aulas e tinham como prioridade o turno regular. O contato do Coordenador do apoio com os professores vinculados era muito pequeno. Esta situação ocorreu devido à carência, em algumas disciplinas, de professores que pudessem dedicar um tempo maior ao Apoio Pedagógico.

Além do Coordenador Pedagógico, os professores de Ciências, Língua Inglesa, Língua Portuguesa e Matemática eram exclusivos no início do Programa. Esses professores exclusivos lecionavam tanto no 6º quanto no 7º ano. Os professores de Ciências e Língua Inglesa também auxiliavam o Coordenador nos encargos administrativos da Seção. As disciplinas Geografia e História contavam com professores vinculados, sendo um professor para cada ano letivo em cada disciplina, já que eles integravam também alguma Coordenação de Ano.

O professor de Matemática do apoio que era exclusivo no início do Programa foi transferido para Manaus em abril e, por isso, um novo professor teve uma redução de carga horária do turno regular e passou a integrar a equipe do Apoio Pedagógico, compartilhado com o 6º ano. No segundo semestre, este novo professor do apoio deixou o 6º ano no turno regular e passou a dar aula no 3º ano do Ensino Médio. Com a saída do Colégio de mais um professor de Matemática no último bimestre, a sua carga horária no 3º ano aumentou, justamente no período da preparação final para o ENEM. Este professor era ainda um aspirante a oficial, sendo constantemente designado para diversas outras atividades.

Situações como essas, relacionadas à equipe pedagógica, não eram boas para o apoio pedagógico, mas deviam ser encaradas como desafios. O Programa foi implantado com

a exigência de não haver aumento de efetivo docente, ou seja, todos os professores envolvidos no apoio pedagógico faziam parte do efetivo já existente no Colégio.

Ter professores exclusivos ou compartilhados no Programa tinha suas vantagens e desvantagens. Os professores exclusivos podiam se dedicar integralmente aos alunos do apoio. Com um número menor de alunos e sem as atribuições de elaboração e correção de provas entre outras atividades exigidas no turno regular, estes professores tinham melhores condições de focar na ajuda aos alunos com dificuldades. Já os professores compartilhados possuíam outras atribuições referentes ao turno regular e passavam parte do seu tempo na sua Coordenação de Ano, além de possuírem um número maior de alunos.

A grande vantagem do professor compartilhado em relação ao exclusivo era a sua presença junto às Coordenações. Eles estavam mais próximos dos professores da manhã, participavam das reuniões e, por isso, ficavam melhor informados sobre a condução do ensino. Estes professores também faziam uma espécie de “defesa” dos alunos do apoio, lembrando aos professores das suas dificuldades e de que esses alunos tinham a necessidade de mais atenção. Subjetivamente eles difundiam aos professores da manhã as ideias do apoio, de dar mais tempo e mais atenção a quem mais precisava, com o objetivo de que, a médio e longo prazo, também os professores do turno regular pudessem aderir plenamente a essa filosofia de trabalho.

4.3.2.2 Os professores militares e seus encargos adicionais

Os Colégios Militares possuíam um quadro de professores bastante heterogêneo no que diz respeito às suas origens. Dois grandes grupos eram formados pelos professores militares e professores civis concursados que representavam aproximadamente 50% do efetivo total de professores do CMF.

No grupo dos professores militares existiam os oficiais Prestadores de Tarefa por Tempo Certo (PTTC)8, os militares de carreira integrantes do Quadro Complementar de Oficiais (QCO) e os oficiais temporários. Estes dois últimos, por serem militares da ativa, ocupavam funções de coordenação e chefia e concorriam a diversas escalas comuns a todos os demais militares, como serviço de oficial de dia para os tenentes, escalas de representação, formaturas, sindicâncias e outros processos administrativos.

Estes encargos, somados às atividades de ensino, acabavam sobrecarregando em alguns momentos os professores militares do Apoio Pedagógico, principalmente aqueles que não eram exclusivos e que possuíam também atividades juntos às suas Coordenações.

Embora o Coordenador se empenhasse junto ao Subdiretor de Ensino para que esses professores fossem liberados de alguns desses encargos não relacionados diretamente às atividades de ensino, em alguns casos isso não era possível. Esses professores acabavam empenhando parte dos seus tempos para outras atividades eminentemente militares e administrativas.

4.3.2.3 A importância da parceria entre os professores do Apoio Pedagógico e das Coordenações de Ano do turno regular

O relacionamento entre o Apoio Pedagógico e as Coordenações de Ano deveria ser de mútua ajuda, compartilhando informações e buscando sempre trabalhar em parceria visando o melhor atendimento possível aos alunos com dificuldades. Se os alunos fossem aprovados, o sucesso seria de todos, da mesma maneira que todos deveriam se sentir corresponsáveis se algum deles fosse reprovado.

A primeira iniciativa para esta aproximação foi a apresentação do Programa de Apoio Pedagógico ao corpo docente do CMF, no dia 28 de janeiro de 2014. Naquela oportunidade, o Coordenador do Programa falou não apenas do Programa em si, mas principalmente dos seus fundamentos e da sua importância para a escola.

O objetivo da apresentação foi dar início a uma política de sensibilização do corpo docente, buscando o envolvimento de todo o Colégio, e não somente da SAP na ajuda aos alunos com dificuldades de aprendizagem. Este momento foi importante para diminuir a desconfiança inicial que alguns professores tinham sempre que um novo projeto para a melhoria do ensino-aprendizagem era apresentado.

Ao longo do ano, além dos encontros informais, o contato com os professores do turno regular ocorreu por meio dos professores do apoio que lecionam também no ensino regular e durante as participações nas reuniões semanais das Coordenações. Lá se conversava sobre os alunos, especialmente aqueles que mais preocupavam a equipe, suas dificuldades e como os professores da manhã também podiam ajudá-los.

A ajuda não significava estar à tarde com aos alunos do apoio pedagógico. Na verdade, o Coordenador evitava ao máximo solicitar a participação dos professores da manhã em atividades do apoio, embora em algumas raras oportunidades isso tenha ocorrido. Até

porque eles possuíam outros encargos que os professores do apoio não possuíam, como confecção de documentos referentes ao ensino, elaboração de provas, etc. Esta ajuda significava, acima de tudo, pensar no apoio pedagógico e nos alunos com dificuldades no seu dia a dia como professor. Conforme disse certa vez uma professora: “É preciso ser contaminado pelo desejo de ajudar aqueles que mais precisam” (P1).

Benzer Belgeler