2. Tablo 1452 Numaralı Ġzmit ġer‟iyye Sicilinde Geçen Konuların Dağılımı
2.2. Terekeler
As escolas portuguesas são cada vez mais instituições multiculturais, fruto das transformações demográficas que decorrem da imigração. O meio sociocultural português registou nos últimos anos alterações significativas decorrentes da descolonização e da integração na Comunidade Europeia. Desta forma tornou-se num país de acolhimento, de imigrantes, vindos de toda a parte do mundo.
Em Portugal, o debate sobre a perspetiva multicultural relaciona-se com as mudanças ocorridas após 25 de Abril de 1974. Com a descolonização das ex-colônias ocorrida a partir deste movimento político, viu-se surgir um enorme fluxo de imigrantes destas ex-colônias e portugueses de regresso a Portugal. Além disso, em consequência
31 de outros fatores que não a descolonização das ex-colônias, viu-se acrescentar a esse fluxo, imigrantes de outros países europeus, imigrantes do Leste Europeu e Brasil.
Em Portugal, a questão da multiculturalidade aparece inicialmente de forma muito tímida, através da Constituição da República, capítulo III referente a Educação:
“Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades
de acesso e êxito escolar (artº.74º. ponto 1).
O ensino deve contribuir para a superação de desigualdades económicas, sociais e culturais, habilitar os cidadãos a participar democraticamente numa sociedade livre e
promover a compreensão mútua, a tolerância e o espírito de solidariedade.” (artº.74º,
ponto 2)
Em Portugal, no que diz respeito à educação, quer a Constituição quer a legislação específica protegem os direitos dos alunos migrantes ou filhos de imigrantes, tendo as crianças, jovens e adultos de outras línguas e culturas de origem os mesmos direitos que os alunos portugueses.
Tendo por base o documento orientador do Ministério da Educação (2005) - português língua não materna considera-se como princípios básicos os seguintes:
“Princípio da integração – educar pela e para a igualdade, em conformidade com o
direito à educação e no respeito pela manutenção da língua e da cultura de origem. A Escola assume-se como um espaço de excelência para a prática do convívio e da cooperação;
Princípio da igualdade – promover o sucesso escolar como forma de garantir a
igualdade de oportunidades. A Escola assume-se como um espaço privilegiado para o combate às desigualdades sociais e às atitudes discriminatórias;
Princípio da interculturalidade – fomentar o diálogo entre culturas, em condições
de igualdade e de reciprocidade. A Escola assume-se como espaço de valorização do plurilinguismo e do pluriculturalismo;
Princípio da qualidade – prosseguir a consecução dos objetivos a que a Escola se
propõe, no que se refere ao desenvolvimento das competências pessoais, sociais, éticas
e intelectuais” (p.9).
No mesmo documento para além dos princípios básicos, também são estabelecidos os seguintes objetivos estratégicos:
Objectivo geral
“Oferecer condições equitativas para assegurar a integração efetiva dos alunos, cultural, social e académica, independentemente da sua língua, cultura, condição social, origem e idade.”
Objetivos específicos
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- desenvolvimento de uma progressiva autonomia pessoal no âmbito escolar e social;
- integração efetiva dos alunos no currículo nacional e em qualquer nível ou modalidade de ensino;
- promoção do sucesso educativo e desenvolvimento de uma cidadania ativa.”
(pp.9-10)
No plano específico das leis à educação, a Lei de Bases do Sistema Educativo 1986, permite uma interpretação de cunho monocultural (Capítulo I, art.3º alínea a) como também aponta um olhar multicultural que privilegia a diversidade cultural (Capítulo I, art.3º d. e Capítulo II, Secção II, Educação Escolar, art.7º alínea f). Assim, o sistema educativo organiza-se de forma a:
“a) Contribuir para a defesa da identidade nacional e para o reforço da fidelidade à matriz histórica de Portugal, através da consciencialização relativamente ao património cultural do povo português, no quadro da tradição universalista europeia e da crescente interdependência e necessária solidariedade entre todos os povos do Mundo;
(...)
d) Assegurar o direito à diferença, mercê do respeito pelas personalidades e pelos projetos individuais da existência, bem como da consideração e valorização dos diferentes saberes e culturas; Artigo 7º
(...)
f) Fomentar a consciência nacional aberta à realidade concreta numa perspetiva de humanismo universalista, de solidariedade e de cooperação internacional. “
Na realidade escolar como é a nossa, múltipla nas suas vertentes, étnica, cultural e social, uma das preocupações a ter em atenção deve ser que as diferentes culturas, através do conhecimento recíproco, se entendam, respeitem e, ao mesmo tempo que se enriquecem, conservem também as suas características. Deste modo, os alunos estrangeiros podem apresentar necessidades como:
-“Necessidades linguísticas - resultantes do desconhecimento total ou parcial da
língua portuguesa (e dos códigos culturais da sociedade de acolhimento a ela associados), com consequências tanto para as relações interpessoais e sociais, como para a aprendizagem nas restantes disciplinas;
-Necessidades curriculares – resultantes das diferenças de currículo entre o país
de origem e o país de acolhimento, podem constituir saberes insuficientes para o avanço das aprendizagens. Essas necessidades curriculares são, essencialmente, de dois tipos: conteúdos declarativos (sobretudo os relacionados com História,
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Geografia e Cultura do país de acolhimento) e aprendizagens instrumentais essenciais.
-Necessidades de integração – resultantes das diferenças sociais e culturais entre o
país de origem e o país de acolhimento. A estas necessidades acrescem, muitas vezes,
condições sociofamiliares desfavorecidas.” (Ministério da Educação, 2005) –
documento orientador português língua não materna, p. 7)
Também, só muito tardiamente (no início da década de 90 do século XX) se assistiu em Portugal à criação de organismos sob tutelas ministeriais, com o objetivo de trabalhar com a diversidade cultural, procurando principalmente resolver e prevenir problemas resultantes da interação das minorias com as diversas instituições portuguesas e com a sociedade no seu todo, mas também ter alguma atenção à diferença cultural.
Neste contexto, a Educação Intercultural nasceu da necessidade e da possibilidade da escola vir a minimizar os conflitos étnico-culturais através de práticas interculturais que promovessem o respeito à diversidade. Ora, tais conflitos não deixam de aflorar as condições sociais e económicas adversas pelas quais as minorias étnicas se debatem.
Assim, o primeiro organismo foi criado em 1991 e designava-se Secretariado Coordenador dos Programas de Educação Multicultural (SCOPREM), através Despacho Normativo nº 63/91 de 18 de fevereiro, apresentando na altura competências estritamente de âmbito educativo. Este organismo é responsável, entre outras coisas, pela recolha e tratamento dos dados relativos ao sucesso e insucesso escolares de todos os alunos que frequentam os ensinos básico e secundário em Portugal. O seu objetivo principal consistia em procurar compreender e diminuir as razões do insucesso escolar que determinadas minorias apresentavam ao nível do 1º Ciclo do Ensino Básico, principalmente as minorias caboverdianas (uma minoria exógena, resultante de processos imigratórios) e cigana (uma minoria endógena à sociedade portuguesa).
A principal iniciativa deste organismo consistiu no desenvolvimento de um projeto, o Projeto de Educação Intercultural (PREDI), através do Despacho nº170/ME/93 do Ministério da Educação, com início em 1993 e termo em 1997. O PREDI assumia a educação intercultural como um conceito que envolve uma formação sistemática que tenha como objetivos desenvolver, quer nos grupos maioritários quer nos grupos minoritários: uma maior compreensão das culturas nas sociedades modernas, uma maior capacidade de sintonia entre pessoas de culturas diferentes, uma atitude mais adaptada ao contexto da diversidade cultural de uma dada sociedade, devido à melhor
34 compreensão dos mecanismos psicossociais e dos fatores sociopolíticos capazes de produzir o racismo e uma maior capacidade para participar na interação social, criadora de identidades, e de reconhecimento da pertença comum à humanidade.
Este Secretariado foi substituído, em 2001, pelo Secretariado Entreculturas, assistindo-se a uma alargamento de competências, nomeadamente ao nível da colaboração na definição e dinamização de políticas ativas de combate à exclusão no que diz respeito à sociedade em geral e já não somente à escola.
Em 2004 este Secretariado foi incorporado no Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME). O Secretariado Entreculturas passou a integrar o ACIME, passando este, a partir daquela data, a englobar também preocupações com a educação escolar dos imigrantes e minorias étnicas. Este organismo oferece apoio legal aos imigrantes e minorias étnicas,
Este organismo, através do Observatório da Imigração, tem tido um papel importante no que concerne à produção de estudos sobre imigrantes e minorias étnicas, com impacto ao nível da melhoria da imagem social dos mesmos. Do ponto de vista da educação escolar, não se pode considerar que em Portugal tenha emergido um modelo de educação intercultural (a existir um modelo, este seria enformado e informado por um “pluralismo cultural benigno).
No ano seguinte foi promulgado o despacho normativo (nº 7/2006, de 6 de fevereiro) do Ministério da Educação, o qual constitui um desafio às escolas para que criem condições sociais e pedagógicos-didáticas, as quais promovem a integração dos alunos estrangeiros e facilitem o acesso destes a todas as áreas do saber.
No ano seguinte, a Resolução do Conselho de Ministros nº 63-A/2007, DR 85 Serie I elaborado a partir de um conjunto de todos os ministérios, com contributos das organizações da sociedade civil recolhidos durante um período de discussão pública, resultou num documento que espelha a as sensibilidades da sociedade portuguesa. O plano define um programa que pretende atingir níveis superiores de integração, em que merece particular destaque as medidas para favorecer o combate ao abandono e insucesso escolar dos descendentes de imigrantes.
O Decreto-Lei n.º 167/2007, de 3 de maio, veio centralizar, num instituto público – Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), as atribuições dispersas por vários organismos, permitindo unir meios humanos necessários e especializados numa resposta conjunta aos desafios para o acolhimento e a
35 integração dos imigrantes, bem como numa maior eficácia na promoção do diálogo intercultural e inter-religioso.
O projeto desenvolvido pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), então Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), teve assim, como objetivo:
- dar uma resposta integrada aos problemas dos cidadãos imigrantes, com uma focagem total nas suas necessidades, aproximando a Administração Pública a estes cidadãos;
- juntar, num mesmo espaço e filosofia de intervenção, os vários serviços que se relacionam com os imigrantes, suportados numa estrutura informática comum e partilhada, de forma a permitir a comunicação entre serviços e dar uma resposta
conjunta às necessidades de cada pessoa; (Centro Nacional de Apoio ao
Imigrante)
Tendo em consideração que a escola engloba mais que ensino, e que educação diz respeito a todos os cidadãos, a forma como nos relacionamos quotidianamente, independentemente do país de origem, da cor ou da religião, considera-se importante refletir sobre a necessidade de uma resposta educativa adequada e equilibrada no que respeita ao in(sucesso) nas minorias étnicas.