4.2. Alan Çalışmasının Kapsamı ve Yeri
4.5.3. Temsili Cephe Beğenileri Bağlamında Kullanıcı Algısı ile İlgil
Para a edição de 1999 do PNLD, assim como para as demais que serão analisadas, optamos por eleger pontos comuns para observação. Assim examinamos as formas de apresentação dos guias de livros didáticos e a seção que é direcionada aos professores. Nos guias, que têm os docentes como público alvo, a seção “Carta ao professor” é o primeiro momento em que o discurso se dirige a estes profissionais. A existência dessa seção nos indica qual é o percurso semântico do processo de avaliação e o seu papel na escolha dos livros de Geografia: constitui um mecanismo de interpelação direta aos docentes.
A análise da seção “Carta ao professor” nos permitiu identificar como tema principal o guia
como instrumento norteador. O percurso semântico desse tema se desenvolve a partir da
qualificação do processo de elaboração desses documentos, definido pelo texto como “árduo” – o que, por sua vez, valida e legitima a equipe e o processo de avaliação das obras. Esse caráter norteador, de acordo com o texto da seção, transcende a sua função inicial – que é subsidiar a escolha dos livros –, para servir de elemento basilar para a produção de materiais didáticos, uma vez que apresenta questionamentos importantes que têm por objetivo provocar uma reflexão sobre a qualidade das propostas apresentadas pelas coleções e assim melhorar sua qualidade:
O Guia tem-se revelado um instrumento norteador para a produção
de materiais didáticos, trazendo informações sobre os livros inscritos
no programa (PNLD) e contribuindo para o processo de melhoria da
ajudá-lo a refletir sobre as questões relativas à qualidade das propostas veiculadas pelos livros (BRASIL, 1998a, p. 3, grifos nossos).
Embora essas características sejam reforçadas ao longo do texto, são introduzidos elementos que relativizam a sua importância ao observar que os guias não substituem a avaliação do professor e que as contribuições dadas pelas análises servem para auxiliar na reflexão sobre as propostas apresentadas pelos livros.
Na descrição dos critérios adotados para a análise dos livros, o caderno de apresentação destaca o caráter esclarecedor das resenhas, mas ao mesmo tempo isenta o documento da atribuição de propor uma análise mais abrangente das obras, ao alertar o professor para o fato de que apenas exemplos extraídos dessas obras foram apresentados:
É importante lembrar que tanto aspectos positivos como as ressalvas que constam das resenhas apenas exemplificam qualidades e falhas detectadas, o bastante para respaldar o juízo crítico. Não cobrem, portanto, o levantamento da totalidade dos acertos, nem dos problemas do livro (BRASIL, 1998a, p. 4).
Podemos considerar que há uma contradição no texto, pois ao mesmo tempo em que é reforçada a qualidade do processo de análise e a importância desse documento, são introduzidos elementos que relativizam esse processo “árduo”, resguardando-o de possíveis falhas não detectadas pela análise. E, simultaneamente, interpelam os professores a realizarem, eles mesmos, sua própria avaliação das obras.
A estrutura de organização do Guia de livros didáticos: PNLD 1999 de Geografia apresenta-se da seguinte forma: “Introdução”, “Princípios gerais”, “Critérios para análise”, “Critérios classificatórios” e, por fim, o parecer dos especialistas sobre os livros.
Na seção “Critérios para análise”, que se subdivide em quatro tópicos, destacamos o item “Contribuições para a construção da cidadania”, para compreendermos que elementos estão relacionados à estruturação desse processo na concepção de quem avaliou as obras e redigiu o guia. O livro didático e a discriminação foram os temas escolhidos nessa seção, em que o percurso semântico atribuído ao LD é o de agente que tem como principal função promover e estimular o convívio social e “propiciar a formação de pessoas libertas de preconceitos” (BRASIL, 1998a, p. 405). O tema discriminação, que ocupa boa parte do
texto da seção, faz referência principalmente à inferiorização do povo negro, de grupos sociais mais pobres e às discriminações de ordem religiosa. É importante ressaltar que a palavra cidadania é mencionada uma vez, atrelada à efetivação de um ideal social, estando a condição para o seu pleno exercício vinculada à resolução dos problemas de convivência.
O guia reconhece o papel formador dos LDs. Todavia, dá atenção especial ao papel dos textos, imagens e ilustrações na veiculação de ideias “favoráveis” ou contrárias à discriminação, sendo o primeiro critério de exclusão das obras. O documento é prescritivo em relação ao que os LDs não devem abordar, especialmente no tocante a discriminação de qualquer ordem. O texto se estrutura a partir de uma visão negativa da presença de aspectos discriminatórios eventualmente contidos no livro:
É necessário que se excluam os livros didáticos que, de forma clara
ou dissimulada, veiculem ideias favoráveis a estas discriminações,
muitas vezes apresentadas em texto ou em ilustrações. Isto porque o
livro didático deve também propiciar a formação de pessoas libertas de preconceitos, pois estes desfiguram a dignidade humana e criam
problemas à convivência social, prejudicando o processo do exercício da cidadania (BRASIL, 1998a, p. 405, grifos nossos).
Na página 404 deste guia, são apontadas explicitamente as formas de preconceito associadas a cor, sexo, religião, classe social, nível de renda, de idade, entre outros. Assim, ao explicitar os tipos de preconceito responsáveis pela exclusão de coleções didáticas, as possibilidades de construção da cidadania delineiam-se no texto a partir da oposição à noção de discriminação, que por sua vez limita-se à discriminação de determinados segmentos da população. Com base nessas orientações gerais, podemos avaliar mais tarde, nos livros didáticos selecionados, se os elementos textuais e imagéticos transpõem essas recomendações, no sentido de ampliar as possibilidades a partir da representação de grupos não mencionados pelo texto, como as pessoas com deficiência.