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Bina-Kentsel Mekân İlişkisinde Arayüz

A promoção da acessibilidade relaciona-se com a redução ou eliminação de barreiras. Esse paradigma, que envolve tanto questões relativas à circulação, quanto ao acesso à informação, encontrou apoio na ampliação, nas últimas décadas, das políticas de inclusão de pessoas com deficiência para além da eliminação de barreiras físicas associadas ao acesso e à circulação.

Torres, Mazzoni e Mello (2007), mediante a diversidade de quadros de deficiência, discutem a acessibilidade, apontando equívocos derivados da generalização das especificidades de pessoas com deficiência auditiva e visual. O artigo intitulado “Nem toda pessoa cega lê em

braille nem toda pessoa surda se comunica em língua de sinais” destaca a relação direta que

se estabelece entre deficiência e acessibilidade, sem considerar que o deficiente auditivo pode não dominar a língua de sinais, assim como um deficiente visual pode não dominar o código braile. Levando isso em consideração, alternativas que tenham por objetivo promover o acesso à informação devem ser criadas.

Do ponto de vista legal, a acessibilidade encontra amparo no Decreto 5.296 de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta a Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000 estabelecendo regras para a sua promoção. Esse dispositivo legal, em seu artigo 8º, define acessibilidade como

condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida (BRASIL, 2004a).

Promover a acessibilidade, no âmbito da escola, para além das adequações arquitetônicas, inclui em pensar formas e meios para promover o acesso à informação de modo geral. Fernandes, Antunes e Glat (2009), ao descreverem as estratégias e recursos de acessibilidade ao currículo, apontam a transcrição de livros didáticos em braile como materiais que facilitam a aprendizagem e a inclusão em classes regulares. Essa recomendação encontra-se também, no documento “Adaptações curriculares – estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais”, que integra os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998.

Após 1998, inúmeros marcos legais, citados anteriormente no capítulo I desta pesquisa, foram aprovados com o objetivo de promover a inclusão. Em relação ao PNLD, somente em 2005 é que o programa faz menção à adaptação das coleções didáticas para o sistema braile. No entanto, o processo de escolha dessas obras, de acordo com as especificações do edital, seguia um modelo à parte do processo de avaliação geral das publicações. Neste processo, de responsabilidade da extinta Secretaria de Educação Especial, a pré-análise constituía etapa decisiva para a indicação das obras para adaptação.

A partir do edital do PNLD 2011, que incorpora princípios legais de promoção do acesso à informação,78 os livros didáticos passam a ser produzidos em formato digital, para serem

utilizados com um software específico para sua leitura. Com o intuito de disponibilizar o livro neste formato, o MEC, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, criou o MecDaisy, um programa de computador que possibilita a geração de livros digitais falados e sua reprodução em áudio gravado ou sintetizado. Para garantir a conversão para o formato MecDaisy, o item sete deste edital assegura a aquisição das obras em meio digital:

As obras adquiridas no âmbito do PNLD 2011 serão também requeridas pelo FNDE às editoras em meio digital, conforme padrão a ser especificado, podendo seu conteúdo ser convertido e reproduzido nos formatos correspondentes para utilização com vistas à educação especial, para distribuição física ou disponibilização eletrônica às escolas, inclusive mediante contrato, convênio ou parceria com outras instituições, permanecendo os arquivos sob guarda e responsabilidade do Ministério da Educação (BRASIL, 2009, p. 9).

Os Centros de Apoio Pedagógico ao deficiente visual (CAP) ficaram encarregados de fazer a distribuição desses materiais em formato digital, de acordo com a demanda das instituições públicas de ensino. Esses órgãos tiveram grande importância no desenvolvimento da metodologia de descrição de imagens e para a sistematização do conteúdo dos livros didáticos no formato MecDaisy.79 Esses procedimentos posteriormente foram incorporados

ao edital do PNLD 2014. Em relação à adaptação de livros para o sistema braile, apenas as coleções de Matemática continuam a ser produzidos neste formato, de acordo com os dois últimos editais (2011 e 2014), ficando a cargo do MEC a sua conversão direta ou por meio da contratação de empresas parceiras. Neste caso, podemos destacar a atuação do Instituto Benjamin Constant e da Fundação Dorina Nowill como entidades encarregadas de prestar esse tipo de serviço.

78 Ver a Lei n. 10.753/2003, que “institui a Política Nacional do Livro” (BRASIL, 2003a, caput); o Decreto n.

5.296/2004, em seu artigo 58, que estabelece que “o Poder Público adotará mecanismos de incentivo para tornar disponíveis em meio magnético, em formato de texto, as obras publicadas no País” (BRASIL, 2004a); a Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência (2006), ratificada no Brasil pelo Decreto n. 186/2008 e pelo Decreto n. 6.949/2009; e o Decreto n. 7.084/2010, artigo 28, que determina que “o Ministério da Educação adotará mecanismos para promoção da acessibilidade nos programas de material didático” (BRASIL, 2010a).

79 A Nota Técnica n. 005/2011/MEC/SEESP/GAB, publicada em 11 de março de 2011, descreve os conceitos

e funcionalidades do MecDaisy. A Nota Técnica n. 21/2012/MEC/SECADI/DPEE, publicada em 10 de abril de 2012, estabelece os parâmetros para a descrição de imagens no formato MecDaisy.

Outro fator ligado à promoção da acessibilidade encontra-se no item 7.1 do edital do PNLD 2011, que aborda a produção e distribuição de livros em formato Libras:

7.1 As editoras ficam autorizadas a realizar a produção e a distribuição das suas obras aprovadas, com vistas à educação especial, no formato Libras, diretamente ou mediante contratação de instituição parceira, com aquisição assegurada pelo FNDE no âmbito do PNLD 2011, sujeita à regulação e contratação específicas (BRASIL, 2009, p. 9, grifos nossos).

A Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida como sistema legal de comunicação em 2002, através da Lei 10.436, e regulamentada pelo Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005. O edital do PNLD 2011 é o primeiro, no âmbito do ensino fundamental II, desde a regulamentação da lei,80 a registrar a produção de livros didáticos no formato Libras. No

entanto, o texto do edital não estabelece como obrigação a publicação neste formato, mas apenas autoriza sua produção, conforme trecho citado acima, o que abriu precedente para que essa norma não fosse atendida.

O edital do PNLD 2014 deixa a cargo das editoras a responsabilidade da produção de material em formato MecDaisy, tendo como base para a sua execução a metodologia de descrição e os dados sobre o número de estudantes com deficiência visual, disponibilizados pelo censo escolar. Notamos um aprimoramento no processo de produção dos livros, a partir da incorporação de norma legal, desenvolvida durante o processo de execução do PNLD 2011. A produção de livros em formato Libras neste edital segue os mesmos princípios do edital anterior, segundo o qual as editoras são desobrigadas a produzi-los.

A partir da análise do item acessibilidade nos editais, observamos que houve um avanço e uma ampliação de possibilidades para garantir o acesso dos estudantes, ou melhor, de todos os estudantes aos livros didáticos. Evidencia-se um processo de incorporação das normas legais para a promoção do acesso aos livros. No entanto, os dispositivos legais ainda apresentam lacunas, na medida em que criam meios para acesso ao livro, mas não obrigam

80 A Nota Técnica n. 51/2012/MEC/SECADI/DPEE, de 18 de julho de 2012, ao abordar a implementação

da educação bilíngue, traz em seu texto dez ações principais para sua efetivação, entre as quais podemos destacar a distribuição de livros didáticos e paradidáticos em Libras no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático, pelo qual foram disponibilizados, em 2006, 33.000 exemplares de livro didático de alfabetização produzidos no formato acessível Língua Portuguesa/Libras. Em 2007/2008 foram distribuídos 463.710 exemplares da coleção Pitanguá no mesmo formato (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História), destinados aos estudantes com surdez dos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2011, foram disponibilizados 8.420 exemplares da coleção Porta Aberta em Libras/Língua Portuguesa, destinados aos estudantes surdos matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental de escolas públicas.

as editoras a produzi-los em formato acessível, o que inviabiliza a expansão de sua acessibilidade nos níveis do ensino fundamental II. A acessibilidade também não se configura como estratégia de promoção comercial das editoras, o que se comprova pela ausência de registros nos sites das principais empresas que tiveram obras aprovadas no PNLD 2014, quando se faz busca utilizando descritores como acessibilidade, livro acessível, braille,

libras e inclusão.

Benzer Belgeler