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No contexto histórico, o surgimento do debate da crise socioambiental remonta meados do século XX, momento em que o capitalismo atravessava um período de transição e dava inicio à sua maior crise, atualmente considerada como estrutural26 por sua dimensão mundializada.
De acordo com Filho (2001), partindo das indicações de Héctor Ricardo Leis (1996:90), na década de 1960, se iniciou a chamada revolução ambiental norte-americana em que as preocupações com a degradação do meio ambiente se evidenciam e que a maioria da população passa a expressá-las. Nos anos subsequentes tais preocupações com o meio ambiente alcançam outros países do globo.
Em 1970, as discussões sobre a deterioração do meio ambiente e a necessidade de adoção de medidas urgentes também chegaram no Canadá, a Europa Ocidental, o Japão, a
Nova Zelândia, a Austrália. Na década de 1980, esta preocupação atinge a América Latina, a Europa Oriental, a União Soviética e Sul e Leste da Ásia.
Fruto dessa preocupação, surge e prolifera, principalmente a partir de 1970 uma série de atores e processos que constituem o movimento ambientalista global, tais como, citando apenas alguns: organizações e grupos que lutam pela proteção ambiental; agências governamentais encarregadas desta proteção; grupos de cientistas que pesquisam os temas ambientais; gestão de recursos e processos produtivos, em algumas empresas, voltadas à eficiência energética, redução da poluição; e, de suma relevância, demandadores de produtos caracterizados como “verdes” no mercado (FILHO, 2001,p.)
Nesse sentido, a partir de então o ambientalismo se tornou um movimento multissetorial, conforme reflete H. R. Leis (apud FILHO, 2001), bem como, societal, heterogêneo, cultural, social, político e econômico.
No resgate histórico do movimento ambientalista, sua emergência, evolução e significado Filho (2001), partindo das indicações de Leis e D’Amato (1995), aponta a análise cronológica do seu desenvolvimento. De acordo com Leis e D’Amato (Idem), nos anos de 1950 temos um ambientalismo dos cientistas, haja vista que é pela ciência que emerge a preocupação com a dimensão ecológica mundial. Na década de 1960, entram em cena as organizações não-governamentais. Em 1970, o ambientalismo se institucionaliza sendo esta década marcada pela Conferência de Estocolmo-72 sobre o meio ambiente, em que estiveram envolvidos os segmentos políticos- governos e partidos-, bem como, a igreja católica. Nesta década surgem também diversas agências estatais vinculadas ao meio ambiente.
Logo, tal discussão há muito tempo é pautada pelos movimentos ambientalistas. No entanto, pela conjuntura de crise estrutural do capital, tornou-se massificada e foi incorporada nas agendas políticas do mundo inteiro, envolvendo diversos setores da sociedade (Estados, Organizações Multilaterais, Entidades de Fomento, ONG´s, Empresas), ainda que com interesses e perspectivas de análise antagônicas.
A partir de 1970, a situação de precariedade encontrada nos sistemas naturais que sustentam a vida no planeta passa a ser reconhecida oficialmente por diversos setores da sociedade global. O pensamento hegemônico defendido por representantes ligados aos órgãos oficiais, às instituições financeiras multilaterais, às grandes corporações vem ao longo dos últimos 40 anos criando conceitos, como o desenvolvimento sustentável, e organizando documentos, como a Agenda XXI, que são utilizados como referência para implementar o desenvolvimento agora considerado sustentável, a ser adotado nos países e no Brasil (FILHO, 2001, p.133).
Havia desde a década de 1970 uma manifestação latente da instabilidade ecológica, denunciada pela comunidade científica e os movimentos ambientalistas, que não poderia ser ignorada. Isto, face ao legado destrutivo do modelo de produção fordista para o meio ambiente e seu desgaste eminente para cumprimento dos objetivos do capital27 (ANTUNES, 1999).
A “sensibilização das consciências” no mundo inteiro para a responsabilidade que se deve ter para com a preservação da única Terra que temos que é dotada de um ecossistema frágil e interdependente, foi fortemente influenciada na década de 1969 pela divulgação da primeira imagem do planeta visto do espaço. E a partir de então se desdobrou uma mobilização mais efervescente para problematizar a incidência da ação humana sobre o meio ambiente.
Em 1972 a ONU organizou a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano (ou Meio Ambiente), em Estocolmo, Suécia. Isto porque, as efervescentes discussões deflagradas na década de 1960 que despertaram a visão ambiental já não poderiam ser ignoradas. O resultado deste evento foi à divulgação de um Manifesto Ambiental no qual estavam presentes 26 princípios para elucidar as bases para a agenda ambiental do sistema das Nações Unidas, assim como, tendo por objetivo anunciado à época, também melhorar o meio ambiente para as gerações da década passada e para as atuais.
Neste Manifesto Ambiental da Conferência das Nações Unidas, em seus princípios selavam-se compromissos com a preservação do meio ambiente (fauna, flora, ecossistemas) e seus recursos finitos; com o bem estar e qualidade de vida dos seres humanos, através de políticas demográficas; condições de trabalho favoráveis; Planejamento racional quanto as necessidades do desenvolvimento e as condições do meio ambiente; punições severas às praticas ilegais que tem impactos destrutivos ao meio ambiente através do Estado que exerceria essa função normativa e fiscalizadora, associado ao controle rigoroso das Instituições Nacionais apropriadas; a ciência e a tecnologia como protagonistas para um desenvolvimento econômico e social poupador do meio ambiente, dentre outros.
Atualmente, com olhar sobre a crise ambiental, social e econômica, podemos inferir que a maioria destes princípios não se materializou – inclusive, foram desconsiderados por alguns países, em geral os mais desenvolvidos e também mais poluentes. Mas o discurso regido à época evocava o compromisso ético com a preservação do meio ambiente e apelava
27Movimento fortemente influenciado pelo contexto de lutas e participação política dos movimentos sociais democratas, não perdendo de vista que, todas as ações do capital na direção de direitos e humanidades, têm por plano de fundo, a luta de classes e a resistência da classe trabalhadora.
às autoridades de cada Nação que engendrassem políticas que impulsionassem práticas sustentáveis.
Conforme a reflexão do Manifesto Ambiental (Estocolmo Suécia, 16 junho de 1972) em que a Organização das Nações Unidas – ONU faz um apelo às “consciências” do mundo para que se sensibilizem a necessidade de ter maior cuidado e prudência em relação ao meio ambiente. Nesse documento a ONU diz que através de todo conhecimento e uma ação racional poder-se-ia articular uma vida melhor e um meio ambiente afinado com as necessidades humanas. Caberia então, ao homem, o incremento da ciência e do conhecimento para construção em parceria com a natureza de um mundo melhor28. O objetivo central seria o alcance de um modelo de desenvolvimento contínuo que pensasse no bem comum, no equilíbrio ambiental, que respondesse as necessidades das nações de outrora, sem comprometer a vida das gerações futuras.
Em dezembro de 1972, a Assembleia Geral, criou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Após onze anos de sua criação, o Secretário Geral da ONU convidou a médica Gro Harlem Brundtland, mestra em saúde pública e ex- Primeira Ministra da Noruega, para presidir e formar a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD). Em 1987, a Comissão Brundtland publicou o relatório de suas ações nomeado de “Nosso Futuro Comum”, que além de apresentar as condições ambientais do planeta e as conexões com o modo de desenvolvimento adotado pelos países conceituou o Desenvolvimento Sustentável (ZACARIAS, 2012)29.
Sobre o Relatório de Brundtland cabem algumas ponderações. Esse relatório em verdade subsidiou a construção de uma proposta de desenvolvimento sustentável mais afinada com os interesses mercadológicos, bem como, de oposição às indicações ecológicas mais radicais que vislumbravam uma perspectiva mais “democrática”. O legado desse relatório foi
28 FONTE: http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/.
29O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades.” (...) “Um mundo onde a pobreza e a desigualdade são endêmicas estará sempre propenso à crises ecológicas, entre outras. O desenvolvimento sustentável requer que as sociedades atendam às necessidades humanas tanto pelo aumento do potencial produtivo como pela garantia de oportunidades iguais para todos.” (...) “Muitos de nós vivemos além dos recursos ecológicos, por exemplo, em nossos padrões de consumo de energia. No mínimo, o desenvolvimento sustentável não deve pôr em risco os sistemas naturais que sustentam a vida na Terra: a atmosfera, as águas, os solos e os seres vivos.” (...) “Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas (ONU BRASIL).
a criação da ideologia do crescimento controlado do capital, “confluindo assim, a produção no contexto da acumulação do capital, com o caráter da preservação, do crescimento econômico com “limites” conforme discutiu Silva (2003). Nessa linha de formulação o conceito originário desse relatório seguiu os postulados da política neoliberal.
Ainda na análise de Silva:
Apesar do Relatório de Brundtland identificar um fosso social enorme entre os países; de relatar que a dívida dos países periféricos agravada, ainda mais, os seus problemas ambientais e que as estratégias de desenvolvimento dos países centrais são insustentáveis para o meio ambiente; a comissão propõe uma política de consenso com saídas diplomáticas e sem eficácia prática para o enfrentamento da pobreza nos países de economia periférica. A proposta se resume numa carta de boas intenções e na promessa quanto ao empenho das Nações Unidades para melhorar a qualidade de vida no planeta (2003, p. 46.)
Em 1992, seguindo as recomendações da Comissão de Brundtland, foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, cuja pauta maior era introduzir este assunto na agenda pública. Esta Conferência foi realizada no Brasil, no Rio de Janeiro, ficando conhecida como “Cúpula da Terra” e teve como desdobramento a Agenda 21, que se configurava em um diagrama para a proteção do planeta e para promoção do desenvolvimento sustentável. Agenda esta em que governos se comprometiam a cumprir um programa detalhado para controlar ou reverter o quadro insustentável de crescimento econômico, e instituir atividades que protegessem e renovasse os recursos ambientais (atmosfera; combate o desmatamento, a perda de solo e a desertificação; prevenção da poluição da água e do ar; banir a destruição das populações de peixes e promover uma gestão segura dos resíduos tóxicos).
A Agenda 21 além de abordar as questões ambientais, discutiu os padrões de desenvolvimento que causavam danos ao meio ambiente. Nesse sentido, trouxe para a pauta, temas como: a pobreza e a dívida externa dos países periféricos; processos de produção e consumo e a insustentabilidade de seus padrões; as pressões demográficas e a estrutura da economia mundial. Além disso, enfatizou a necessidade de fortalecimento do papel das formas organizativas em defesa da natureza e do trabalho, como grupo de mulheres, organizações sindicais, agricultores, crianças e jovens, povos indígenas, comunidade
científica, autoridades locais, empresas, indústrias e ONGs, para o alcance do Desenvolvimento Sustentável30.
No entanto, a agenda 21 culminou em propostas e estratégias com pouca força na determinação da ruptura com a dinâmica destrutiva da natureza pelo capitalismo porque buscavam se adequar à manutenção da hegemonia desse sistema. Estavam profundamente entrelaçadas ao neoliberalismo. Assim, as estratégias da Agenda 21, que definia o protagonismo do Estado no fomento do desenvolvimento sustentável no seu território de origem, assumiram um caráter paliativo, imediatista e pontual (SILVA, 2003). O apelo à sensibilização das consciências não poderia representar uma solução concreta a questão ambiental porque tendia a naturalizar as relações capitalistas, não se contrapondo aos seus fundamentos estruturais, bem como, a particularizar nos indivíduos a responsabilidade pelo resgate de um futuro de esperança.
Após essa grande Conferência (a Rio 92), as discussões sobre desenvolvimento sustentável ganham novos formatos e contemplam novos indicadores, ou seja, além da economia passa a estrategicamente integrar as dimensões social e ambiental, se constituindo nos três pilares da sustentabilidade. Reivindica-se a partir de então, a necessidade do estabelecimento de parcerias público-privadas para a construção da proposta de sustentabilidade: governos, Estados- Nação, ONG’S, empresariado e a sociedade de uma forma geral31 (COMPÊNDIO UNIETHOS, 2008).
Houve em 1997 uma sessão especial realizada pela Assembleia Geral, denominada de Cúpula da Terra+5, a fim de revisar e avaliar a implementação da Agenda 21, bem como, tecer orientações para sua implementação. Consta no documento final, a recomendação da adoção de metas vinculadas juridicamente para redução das emissões de gases e efeito estufa que geram mudanças climáticas e para uma maior movimentação dos padrões sustentáveis de
30 “Para assegurar o total apoio aos objetivos da Agenda 21, a Assembleia Geral estabeleceu, em 1992, a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável como uma comissão funcional do Conselho Econômico e Social. A Cúpula da Terra também levou à adoção da Convenção da ONU sobre a Diversidade Biológica (1992) e a Convenção da ONU de Combate à Desertificação em Países que sofrem com a Seca e/ou a Desertificação, Particularmente na África (1994). Em 1994, a Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, realizada em Barbados, adotou um Programa de Ação que estabelece políticas, ações e medidas em todos os níveis para promover o desenvolvimento sustentável para estes Estados”. (FONTE: http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/.)
31O conceito e o debate sobre sustentabilidade na atualidade, encontra-se tecnologicamente desenvolvido a tal ponto que existem instituições cuja existência e missão justifica-se pela necessidade do cumprimento dos objetivos do capital, atuantes no fomento e capacitação às intervenções empresariais no campo socioambiental através do investimento social privado, a exemplo: do Instituto Ethos e o GIFE.
distribuição de energia (produção e consumo), bem como, a erradicação da pobreza como um pré-requisito para o desenvolvimento sustentável32.
Anteriormente, em 1988, o PNUMA e a Organização Meteorológica (OMM) criaram o Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), que hoje se configura como fonte de informação científica relacionada às mudanças climáticas. O Protocolo de Kyoto, que instituiu metas obrigatórias para 37 países industrializados para redução de gases estufa, foi adotado em 1997. Em 2002, houve a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Johanesburgo (na África do Sul) com o objetivo de avaliar os possíveis avanços e os retrocessos desde a Cúpula da Terra em 1992.
Entretanto, o protocolo de Kyoto, lançado em 1997, em muito contribuiu para a mercantilização da natureza. Os “créditos de carbono” que dele são decorrentes se constituíram em instrumentos de negociação no próprio mercado financeiro. As empresas que conseguissem reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), adquiria o direito de emitir créditos de carbono e esses últimos passaram a ser precificados negociados no mercado (KLIASS, 2012).
Os créditos de carbono tinham como um objetivo fomentar a substituição dos processos produtivos considerados “sujos” por novos processos “limpos”. No entanto, o volume alto dos títulos e sua negociação massiva criou um mercado, tendo vários tipos de produtos financeiros a ele associado. Tais créditos passaram a ter cotação nas Bolsas de Mercadorias, com análise das tendências de alta, das expectativas de queda, operações de mercado futuro, dentre outras questões (KLIASS, 2012). Ou seja, o mercado vê vantagens econômicas nos “serviços ambientais”.
Desse movimento podemos apreender que está implícita a perspectiva do capital de universalizar as suas relações. Desse modo passou-se a incorporar a dimensão do meio ambiente como mais um instrumento de acumulação e dinamização do mercado. Assim, a problemática ambiental vai assumindo um caráter mercantil. Ao analisar essa questão, Silva reflete que,
De fato, a propagação da temática ambiental em pleno processo de expansão do ideário neoliberal lhe confere um caráter cada
32 Os princípios do desenvolvimento sustentável estão implícitos em muitas das conferências da ONU, incluindo: A Segunda Conferência da ONU sobre Assentamentos Humanos (Istambul,1999); a Sessão Especial da Assembleia Geral sobre Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (Nova York, 1999); a Cúpula do Milênio (Nova York, 2000) e seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (cujo sétimo objetivo procura “Garantir a sustentabilidade ambiental”) e a Reunião Mundial de 2005.”Fonte: http://www.onu.org.br/a-onu-em- acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/. “
vez mais mercantil, revestindo o seu conteúdo de uma tendência à homogeneização das pautas de consumo e de produção, impondo normas e regulamentos pretensamente capazes de responder aos contundentes desafios do nosso tempo, mas que têm revelado sua incapacidade de reverter os ritmos de destruição da natureza (2010, p.216).
Nesse contexto, para Leff:
O discurso do desenvolvimento sustentável inscreve-se assim numa “política da representação” (Escobar, 1995), que simplifica a complexidade dos processos naturais e destrói as identidades culturais para assimilá-las a uma lógica, a uma razão, a uma estratégia de poder para a apropriação da natureza como meio de produção e fonte de riqueza. Neste sentido, as estratégias de sedução e simulação do discurso da sustentabilidade constituem o mecanismo extra- econômico por excelência da pós-modernidade para a reintegração do ser humano e da natureza à racionalidade do capital (O’Connor, 1993), gerando formas mais sofisticadas, sutis e eficazes para a exploração do trabalho e a apropriação dos recursos naturais que a aplicação da violência direta e a lógica pura do mercado (2001, p.25- 26).
No Brasil, a configuração de um movimento ambientalista tem suas primeiras expressões na década de 1970 tendo como principais atores o Estado e a sociedade civil. Este foi um movimento antagônico, em que a sociedade civil pressionava o Estado alertando quantos as preocupações ambientais e a importância do debate. O Estado a priori limitava-se a aprimorar a legislação, demorando a perceber e reconhecer a importância da problemática ambiental. Todavia, na década de 1980, pelo agravamento dos problemas ambientais e a disseminação das preocupações ambientais no mundo, o movimento ambietalista no Brasil, gradativamente se torna multissetorial, ainda que com os mesmos processos e setores envolvidos da década anterior. É importante chamar a atenção que até então, não se vinculava a temática ambiental ao desenvolvimento socioeconômico.
Na década seguinte, especificamente no final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990 o movimento ambientalista no Brasil vai se reconfigurando.
Nesse sentido, segundo Filho:
A fase final dos anos 80 e o ano de 1990 são marcantes no ambientalismo brasileiro. Registram a mudança de um movimento que se interessava pelos problemas ecológicos mas não os vinculava ao tema do desenvolvimento socioeconômico: economia e ecologia eram percebidas como realidades antagônicas. A acentuação da crise econômica, a discussão e aceitação do conceito de desenvolvimento sustentável expresso no Relatório de Brundtland, de 1988 (...), pela maioria dos integrantes do movimento, e outras razões, fizeram com que se passasse a considerar mais exclusivamente a perspectiva da
proteção ambiental, mas sim esta em relação ao desenvolvimento (2001, p.38).
Em 1990, o ambientalismo brasileiro passa a articular ao discurso ambiental à dimensão do desenvolvimento socioeconômico, frente à conjuntura de crise econômica a nível mundial. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como Rio-92, é cristalização da acepção ao paradigma do desenvolvimento sustentável, conforme já assinalamos.
No século XXI, as discussões sobre Desenvolvimento Sustentável no panorama mundial e no Brasil, assumiram novos contornos diante da complexa dinâmica econômico- produtiva do capitalismo contemporâneo e a conjuntura de crise instaurada onde se situa a crise ecológica.
Após vinte anos da Rio 92, a Rio + 20, com o lema “crescer, incluir e proteger”, novamente liderada pela Organização das Nações Unidas ocorreu em 2012 no mês de Junho na mesma cidade, e mobilizou a grande cúpula da burguesia mundial e a sociedade, apadrinhada pelos Estados-Nação, ONG’s, grandes empresas, para discutir, propostas e agendas que terão de cumprir ao alcance do desenvolvimento sustentável que defendem dentre outras questões, a “economia verde” e “limpa”, 33.
A “Economia Verde” foi um debate central na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), conhecida como Rio+20, que ocorreu no Brasil – simultânea a Cúpula dos Povos – cujo objetivo anunciado era o de “renovar os compromissos políticos para o Desenvolvimento Sustentável”34. Esse termo Economia Verde surgiu no contexto da Rio 92, mas foi resgatado nessa Conferência. De acordo com Relatório Rumo à Economia Verde: caminhos para o desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Síntese para tomadores de decisão, é conceituada como:
(...) uma economia que resulta em melhoria do bem-estar
dahumanidade e igualdade social, ao mesmo tempoem que reduz