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C- Temsil Yetkisinin Kapsamının KiĢi Bakımından Sınırlanması

5. Alt Temsil Yetkisi

O desemprego e a precarização das relações de trabalho no capitalismo tem relação direta com as históricas determinações estruturais desse sistema e assume novos contornos a partir das reconfigurações produtivas postas em movimento para recuperação de suas crises.

Desde a década de 1980 acompanhamos um movimento contínuo do capital de reestruturação para o enfrentamento da crise de acumulação. Desdobram-se desse movimento uma série de processos econômicos e políticos que refletem na totalidade da vida social. A crise estrutural do capital que vem se revelando longeva, profunda e que não caracteriza as crises cíclicas inerentes a esse modo de produção, vem espraiando consequências para todas as dimensões da vida e denota a instabilidade desse sistema.

Percebemos um conjunto de mudanças que afetam o cenário internacional e nacional e que para o “mundo do trabalho” refuncionaliza a relação social99 entre capital e trabalho.

A reestruturação produtiva que se iniciou em meados dos anos 1980, implicou para as relações de trabalho um processo de flexibilização que transformou e/ou redimensionou os problemas sociais enfrentados pela classe trabalhadora. A considerada Terceira Revolução

99 Conforme discutimos no capitulo 2.

Industrial marcada pela tecnologia, dada pela mundialização do capital, tem um grande peso na determinação dessa realidade.

O que chamamos de reestruturação produtiva engloba todos os processos de mudanças na relação capital x trabalho geridas para resgatar o capital de suas crises e que tem consequências para todo “mundo do trabalho” (STAMPA, 2012).

Ou seja, a reestruturação produtiva significa um processo amplo, político e econômico que supõe o desenvolvimento de estratégias para recriação da valorização do capital e sua dominação ideológica. As mudanças daí decorrentes vão caracterizar um capitalismo contemporâneo cuja análise de seus fundamentos nos desafia pelas consequências complexas que faz imperar. No entanto, de antemão podemos afirmar que o elo entre a conjuntura de reestruturação produtiva e a crise contemporânea do capital com o desemprego estrutural é fundamental (STAMPA, 2012).

Esse período passou a ser atravessado por privatizações e fusões de empresas, novas formas de produzir mercadorias, por exigências de produtividade e rentabilidade, vem reduzindo os postos de trabalho e ao mesmo tempo implicando um controle mais rígido do desempenho do trabalhador. Assim, as terceirizações, precarização e flexibilização das relações de trabalho, estão sintonizadas com esse movimento mais amplo da economia mundial, onde as estratégias empresariais se redirecionam à criação de uma cultura do trabalho adequada a produtividade, competitividade e maior lucratividade (AMARAL & CESAR, 2009).

A ideologia do progresso, da capacidade do capital de resolver os problemas que gerou, sejam eles de ordem econômica, social e/ou ambiental, parece sinalizar o objetivo de reificar, universalizar as relações do capital e torná-las perenes, ainda que diante das contradições que elas expressam. Ou seja, defender o capital como um modo de produção e de relações sociais insuperáveis. Embora esse movimento de busca incessante por autovalorização, superação de crise com o resgate a estabilidade na acumulação o capital, tenha significado cada vez menos a recorrência à força de trabalho vivo, que ainda continua sendo base para o processo de acumulação (AMARAL, 2012).

Confere ao capital a necessidade de articulação da ideologia que o sustenta para dar materialidade às transformações pretendidas por suas elites para manutenção do status quo. Ou seja, de estratégias de conformação que obscureçam suas relações.

Em relação às mudanças que vem ocorrendo em razão da reestruturação do capital, para o “mundo do trabalho”, entram em cena, “modernas” formas de gestão que se apoiam num discurso participativo e integrador, colaborativo da classe trabalhadora em relação ao

capital que em verdade obscurece a realidade de exploração do trabalho ao difundir uma ideia de parceria entre ambos. Mas, sobretudo, a ideia de cuidado com a classe trabalhadora e respeito por suas demandas, quando a conjuntura demonstra o inverso disso ao tornar ainda mais evidente a flexibilização e precarização das relações de trabalho (AMARAL, 2012)

Assim o capital passa a exigir um novo perfil de trabalhador. Aos trabalhadores é transferida a responsabilidade por estarem atentos a essas transformações e responder a contento. Isso significa total disponibilidade do trabalhador para o capital usufruir a seu estilo de sua força de trabalho, cedendo a uma dinâmica de máxima exploração (AMARAL, 2012).

Essas tendências de alienação do trabalhador e máxima exploração são identificadas nos dados que problematizamos sobre a realidade do Itaú Unibanco e se reiteram quando da análise que trazemos sobre o setor bancário brasileiro e a relação com o desemprego estrutural, que estabelece nexos com as transformações e mudanças econômicas e políticas oriundas da reestruturação do capital.

Antes de tudo, é importante destacar as especificidades do setor financeiro no capitalismo contemporâneo. Isto porque, o setor financeiro no capitalismo contemporâneo assumiu a partir da reestruturação produtiva um papel de destaque quanto ao comando e a distribuição da riqueza social. Estamos, portanto, diante de um novo patamar de acumulação (SEGNINI, 1999).

Nesse sentido, o sistema financeiro passa por um processo de reordenamento constante que implica na busca “pela proliferação, descentralização das atividades financeiras, criação de novos instrumentos e mercados” (SEGNINI, 1999, p. 185). Segundo a autora, o sistema financeiro vive um duplo papel, visto que, concomitante contribui para o processo de reestruturação do capital, atravessa por transformações para se adequar a lógica neoliberal (SEGNINI, 1999). Tornar-se competitivo e fazer parte do sistema financeiro internacional movimenta os bancos para uma corrida desenfreada pela eficiência na gestão, que se traduza em máxima produtividade e lucratividade. Entra em cena o papel das “inovações” onde a tecnologia é parte constitutiva do processo, reordenando a relação capital e trabalho para o setor.

Podemos considerar que a questão do desemprego no setor bancário está imbricada pelo contexto de busca pela estabilização monetária, ampla concorrência interbancos e pela informatização, sobretudo nessa conjuntura de crise estrutural do capital.

Acerca do emprego bancário no Brasil em 2011 a pesquisa feita em parceria entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF/CUT) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos socioeconômicos – DIEESE, baseada em

números do Cadastro Geral de Empregados (CAGED), constatava que de setembro a janeiro de 2011 foram criados 18.167 postos de trabalho no setor bancário em todo o país. No entanto, a geração desses empregos tem relação com a análise das 46.064 admissões e 27.897 desligamentos.

O setor bancário tem demitido seus funcionários mais antigos e com remunerações mais altas e apostado na alta rotatividade e empregabilidade de jovens, minando a possibilidade da carreira bancária e apostando nas contratações temporárias em detrimento de concursos. Segundo essa pesquisa o CAGED registrou que o maior saldo registrado de empregos gerados foi verificado entre os mais jovens totalizando, em 2011, 16.731 postos de trabalho nas faixas entre 24 anos em relação a 6. 789 entre as faixas etárias de 25 a 39 anos (CONTRAF/CUT: DIEESE, 2011).

A remuneração média de admitidos foi de R$ 2.487, 74 enquanto a dos desligados foi de 4.041,64, resultado numa diferença média de remuneração entre admitidos e desligados de 38,45% (CONTRAF/CUT: DIEESE, 2011). Ou seja, os bancários de maior salário são demitidos e novos trabalhadores assumem postos via contratações com remuneração inferior.

Na faixa etária que compreende a partir de 40 anos, registrou-se um saldo negativo com o fechamento de 5. 311 postos de trabalho. Assim, à movimentação de pessoal no setor bancário por faixa etária percebe-se que 20. 755 ou 45,06% dos admitidos tinham até 24 anos. Entre os 46.064 bancários admitidos em 2011, 33. 832 que representa 73,45% tem até 29 anos o que demonstra a preferência dos bancos pela admissão de trabalhadores jovens vislumbrando o produtivismo, cortes de salários e a lucratividade (CONTRAF/CUT: DIEESE, 2011).

No que diz respeito a faixa de remuneração entre janeiro de setembro de 2011 tiveram saldo positivo as que circundavam em torno de até 3 salários mínimos e todas as faixas acima disso tiveram saldo negativo de geração de empregos (CONTRAF/CUT; DIEESE, 2011).

No que concerne ao tempo de permanência no emprego em 2011, segundo o CAGED, observou-se que 59,22% dos trabalhadores bancários eram demitidos antes de completarem 5 anos no emprego, acentuando ainda mais a percepção da alta rotatividade para o setor (CONTRAF/CUT; DIEESE, 2011).

Em 2012, em relação ao período que compreende o mês de janeiro a setembro, quanto ao perfil dos admitidos, o CAGED também registra a supervalorização da contratação de trabalhadores mais jovens no setor bancário. Os dados reafirmam essa preferência nas faixas etárias que se estendem até os 29 anos, onde ganham maior expressão pessoas entre 18 e 24 anos tendo como resultado para estes últimos um saldo de 9.022 empregos gerados. Para

trabalhadores a partir de 30 anos o saldo seguiu negativo quanto à geração de novos empregos. No entanto esses novos empregos referem-se à contratação de novos bancários pela Caixa Econômica Federal que abriu 4.407 postos de trabalho, em detrimento dos demais bancos (CONTRAF/CUT; DIEESE, 2012).

Outro dado que sem dúvida nos demonstra uma preocupação dos bancos quanto aos cortes dos custos com a contratação de mão de obra mais qualificada é a ampla recorrência aos trabalhadores com ensino médio completo e superior incompleto. Sendo que para os trabalhadores com Ensino Superior Completo foram fechados 6.101 postos de trabalho (CONTRAF/CUT; DIEESE, 2012). Isso não é um dado qualquer. O desemprego no passado na realidade brasileira estava associado à desqualificação da mão de obra. Ou seja, em decorrência da reestruturação produtiva e seus impactos para o setor bancário e demais setores do capitalismo, conferiu-se uma nova dimensão aos problemas sociais no Brasil. Se trata do desemprego que também atinge a mão de obra qualificada e especializada.

O neoliberalismo viabilizou uma análise que lhe é funcional em torno da relação entre qualificação demandada pelo mercado capitalista pautado na tecnologia e o desemprego. Transfere-se o peso para o trabalhador pelo não ingresso ao mercado de trabalho por despreparo e desqualificação, na lógica neoliberal da meritocracia. O mercado capitalista, supostamente, exige um trabalhador cada vez mais qualificado.

Em verdade, a tecnologia promoveu o processo inverso, ou seja, acirrou a desqualificação dos profissionais. Em nossa análise, o mercado capitalista contemporâneo desqualifica os trabalhadores ao submetê-los meramente a gerir e conferir o trabalho das máquinas, ao demandar qualificações muito específicas em resposta às demandas tecnológicas do mercado, pressionando um tipo de formação cada vez mais empobrecida para os Estados. Além disso, percebe-se que o trabalho passou a ser rotineiro, explorador e não muito provocativo do desenvolvimento da capacidade teleológica do trabalhador.

Existe um ponto nodal na problematização dessa questão que é consideração da crise financeira de 2008. Havia um discurso anunciado por empresas e Estados de que o capital conseguiria restaurar o equilíbrio monetário sem que isso implicasse em demissões em massa. Os Estados demonstraram-se solícitos quanto a isso ao destinar recursos do fundo público para cumprir esse objetivo e/ou ao implantar uma política fiscal diferenciada, reduzindo impostos sobre os produtos industriais para fomentar o consumo, garantindo a circulação de mercadoras. No entanto, nem isso foi capaz de evitar as tais demissões e o acirramento da precarização das relações de trabalho, de perda de direitos do trabalho a duras penas conquistados.

Apesar de os Estados, em escala mundial, terem gasto cerca de 34 trilhões para salvar grandes empresas e bancos, tentando recompor a economia quando as grandes corporações financeiras, comerciais e industriais receberam um valor correspondente a três vezes o PIB da América Latina em 2008, as condições de vida dos trabalhadores ao redor do globo não melhoraram na mesma relação, nem se retirou do horizonte da grande maioria dos trabalhadores dos países pobres as ameaças de desemprego e miséria, que persistem e se agravam (STAMPA: 2012).

Assim a manutenção dessas relações precárias, com as “modernas formas de gestão” oriundas da reestruturação do capital, os trabalhadores são ludibriados com um discurso ideológico “participativo”, “colaborativo” que tende a naturalizar sua exploração.

As empresas com um discurso de Responsabilidade Coorporativa quando afirmam preocupar-se com o bem estar do trabalhador, dentro e fora do seu ambiente de trabalho, assim como, ter um compromisso com criação de um ambiente de trabalho menos estressante, que prime pela saúde do trabalhador, seja no que concerne à infraestrutura ou as relações, o que chamam de “clima organizacional”, em verdade, tentam viabilizar a fluidez do trabalho para máxima produtividade direcionada a lucratividade que objetivam.

Essa situação vivenciada pela classe trabalhadora brasileira e de outros países termina por fragilizar as formas históricas de organização coletiva para reivindicação de suas demandas.

Conforme discutiu Stampa (2012),

Retomando a questão das condições de vida e trabalho na sociedade brasileira atual, observa-se que esse quadro afeta, gravemente, as consequências subjetivas dos trabalhadores e se reflete na fragilização dos laços sociais, rompendo com formas elementares de solidariedade social e de ação coletiva. Diante de tal contexto, pode-se falar na construção de uma nova sociabilidade. Contudo, tudo parece indicar que, não obstante as dificuldades enfrentadas, os trabalhadores e suas organizações – no caso desta análise, os sindicatos – continuam atuantes, trazendo para o centro de suas lutas e do debate novas pautas e formas de atuação (STAMPA, 2012, p. 39).

É nesse contexto que o processo de flexibilização das relações de trabalho, marcada por desemprego, subcontratação e terceirizações, tem tido um peso importante no processo de desmobilização das formas organizativas da classe trabalhadora, a exemplo do sindicalismo.

Elementos como desemprego estrutural e diversidade de situações de trabalho têm modificado as bases da solidariedade sindical, trazendo graves consequências para a organização da classe trabalhadora (STAMPA, 2012, p. 38).

Todavia, embora o contexto acarretado pela crise do capital tenha corroborado para esse processo, podemos perceber que os sindicatos tem se desdobrado em meio a um contexto adverso para unir forças ao enfrentamento das demandas da classe trabalhadora.

A luta principal tem sido pela própria permanência no mercado de trabalho em face da forte política de demissões e rotatividade, sem obviamente relegar ao esquecimento a luta por melhores condições de trabalho e de direitos a ele concernentes.

O fato é que os sindicatos tem buscado estabelecer alianças com movimentos sociais e unido forças intercategorias, um exemplo muito concreto é a associação que vimos no tópico anterior entre CONTRAF/CUT e a busca por alianças que transcendem as formas organizativas do território nacional, uma vez que as instituições financeiras em virtude da mundialização do capital são transnacionalizadas.

O que se observa é que os sindicatos se mantêm atuantes, e a novidade recai na criação dessa articulação com os movimentos sociais, que se dá de forma diferenciada. A esse despeito Rodrigues (2004, p.3) chama a atenção para o fato de que há uma nova pauta sindical, onde um dos temas cruciais é a manutenção do emprego, e outro, “a capacidade de transitar com desenvoltura do interior da empresa à comunidade, da sociedade civil às instituições políticas, enfim, do local e/ou regional ao nacional e/ou global” (STAMPA, 2012, p.48). Desse modo, tornou-se importante e estratégico a busca pela aliança da categoria e o confronto da análise das demandas em comum, do resgate da solidariedade de classe que a política neoliberal subsumiu ao individualismo. De forma alguma podemos assumir uma postura acusativa, no sentido de analisar ser esse um processo de mero desinteresse da classe trabalhadora, visto que não se pode perder de vista que a mesma tem atravessado tempos difíceis quanto à questão das condições de vida e de trabalho. Mas a luta principal das formas organizativas da classe trabalhadora não pode secundarizar o horizonte da construção de uma nova sociabilidade.

A luta por melhores condições de trabalho, pela superação da crise ambiental e social, deve ter como direção outra sociedade que se paute por valores e práticas emancipatórias, efetivamente sustentável e anticapitalista.

Em suma, vimos ao longo desse capítulo as contradições que o Desenvolvimento Sustentável na lógica do capital representa, mantendo estrategicamente um discurso ideológico que tem sido recorrente, com o objetivo de garantir a manutenção da hegemonia do capital. Assim, o conceito Desenvolvimento Sustentável e da Economia Verde que dele deriva, não significam alternativas efetivas para superação da crise ambiental e das

desigualdades sociais, uma vez que o sistema do capital é mantenedor da insustentabilidade ambiental.

5. CONCLUSÃO

Ao longo do nosso trabalho, nos esforçamos para cumprir o objetivo central da nossa pesquisa de apreender as dimensões ideológicas e políticas do “Capitalismo Verde”, enfatizando o paradoxo desse discurso, dadas as contradições estruturais do capital e refletindo que a crise ambiental é consequente da ordem burguesa.

Problematizamos o entendimento hegemônico sobre o desenvolvimento sustentável que atualmente se ampliou dando origem à “Economia Verde”. Ao analisa-los criticamente, discutimos que ambos partem da premissa de que é possível, através de alguns ajustamentos, perpetuar o mesmo sistema produtivo, comercial, financeiro e de consumo e, concomitante, assegurar o bem estar dos seres humanos e promover a igualdade social, com redução dos riscos ambientais de modo a evitar a escassez ecológica. Entretanto, sem considerar a dimensão estrutural desses problemas, qual seja a relação histórica do capital com a natureza e o ser humano, de exploração e exclusão.

A “Economia Verde” acirrou o processo de mercantilização e financeirização da natureza, embora o conceito de Desenvolvimento Sustentável também o tenha feito, porque apesar de incorporar debates importantes, surgiu em um contexto histórico que refletiu na subsunção das políticas ambientais aos ajustes da economia neoliberal. Ou seja, os debates sobre a política ambiental gravitam na lógica da racionalidade econômica.

Assim, a natureza passou a ser considerada um “ativo”, um investimento, fonte de lucro. Criou-se um mercado “verde” ou “econegócio”, lucrativo e alvo de muito interesse empresarial que retoma a propriedade do capital de mercantilizar a todas as coisas. Ou seja, o capital articula uma visão de ecologização à sua “imagem e semelhança”. Trata-se de negociar com preservação ambiental, ao quantifica-la, atribuir-lhe “preço”.

Nesse sentido, os investimentos são direcionados a natureza. Portanto, a Economia Verde e financeirização se complementam, uma vez que correm na mesma direção, a especulação sobre os bens da natureza com o fim último lucrativo.

No novo tempo no capital em que o mercado financeiro se fez centro no processo de acumulação por apropriação da mais-valia, onde são sucessivas, longevas e ininterruptas suas crises (agora de acumulação), a busca por possibilidades de investimentos para suprir os interesses especulativos, diante da crise ambiental, suscitou às elites a perspectiva da financeirização dos bens ambientais, da própria natureza. Trata-se de conferir “preço” e

comercializar a natureza para lucrar, lucrar e lucrar. Portanto, de um processo de financeirização dos bens ambientais.

As soluções técnicas empreendidas pelo capital e denominadas “verdes”, onde se situam a criação das tecnologias consideradas “limpas”, significam mais apropriação mercantil dos territórios e desdobram impactos ambientais e sociais destrutivos.

Nestes termos, o Desenvolvimento Sustentável, como expressão da tentativa de estabelecer mecanismos de controle da relação sociometabólica – via superação dos limites físicos e ideopolíticos à sua reprodução – apresenta-se bastante restrito. A natureza técnica das respostas empreendidas, ao não questionarem os fundamentos da dilapidação ambiental, parecem reiterar a incapacidade de o sistema do capital reconhecer fronteiras à sua expansão. Em outras palavras: o Desenvolvimento Sustentável como alternativa ante a incontrolabilidade do capital não se constitui em efetivo enfrentamento da “questão ambiental”, apesar de que alguns avanços tenham sido obtidos neste campo (SILVA, 2010, p. 227).

O discurso de compromisso sustentável esbarra com o objetivo central da máquina capitalista, o lucro. O que se percebe sobremaneira é um esforço de indicar a incorporação de princípios sustentáveis, ainda que submetidos na lógica mercantil, para o controle do ordenamento social e legitimação da ordem vigente.

Apreendemos que as principais alternativas discutidas nesse sistema não dão materialidade a soluções concretas à crise ambiental porque não vislumbram a ruptura necessária com os fundamentos dessa sociabilidade. Não se opera uma fratura com os fundamentos estruturais do capital de modo à efetivamente construir um projeto societário em que a emancipação humana seja viável.

Dizemos isso, ao constatar que os níveis de degradação seguem se aprofundando, a despeito dessas discussões e soluções técnicas, expressando a incapacidade de superação da crise ambiental reforçando uma dinâmica mercantil e financeira insustentável, hora posta pelo capital mundializado.

Convencionou-se difundir ideologicamente a posição de um “capitalismo verde” por uma dinâmica de crise ambiental que dificulta ao capital “varrer a sujeira para debaixo do tapete”, ou seja, ignorar suas expressões latentes.