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Temin Edilmesi Düşünülen Fiziki Kaynaklar

C- Fiziksel Kaynaklar

2- Temin Edilmesi Düşünülen Fiziki Kaynaklar

Os recursos hídricos têm sido reconhecidos pelos poderes públicos como um bem mineral e, dessa forma, têm sido amparados por um arcabouço legal e constitucional, abrangendo os níveis Federal, Estadual e Municipal. Em função das características peculiares, tais como as diferenças entre as fronteiras aquíferas e as geopolíticas e a importância relativa desses recursos frente aos superficiais, as águas subterrâneas necessitam de um tratamento diferenciado dentro do campo das legislações (MATTA, 2002, p.198).

Segundo Studart e Vieira (1996), no Brasil, até a década de 1980, existia uma série de leis federais que traziam em seu corpo artigos que tratavam da água subterrânea, mas não uma que tratasse exclusivamente da mesma. A seguir são apresentados alguns trechos extraídos de Studart e Vieira (op. cit.) considerados importantes para o entendimento da legislação sobre as águas subterrâneas.

A primeira referência sobre o assunto está contida no Código Civil de 1916, que no seu Artigo 586 diz “que não é permitido fazer escavações que tirem ao poço ou à fonte de outrem a água necessária. É, porém, permitido fazê-las, se apenas diminuírem o suprimento do poço ou da fonte do vizinho, e não forem mais profundas que as deste, em relação ao nível do lençol de água”. Observa-se, claramente, que a lei dá como ilícito somente o dano produzido pelo indivíduo ao indivíduo, sem qualquer preocupação com o meio ambiente.

Em 1934 entra em vigor o Código de Águas que, embora disponha vir a ser a legislação básica sobre a matéria, o faz dando bastante ênfase ao aproveitamento hidrelétrico, reflexo da conjuntura econômica dos anos 1930. As águas subterrâneas são contempladas no Título IV (Capítulo único, Artigos 96 a 101) que determina que “as mesmas podem ser livremente apropriadas pelos donos do terreno desde que não prejudique aproveitamentos existentes, nem derive ou desvie de seus cursos naturais águas públicas dominicais, públicas de usos comuns ou particulares”; no caso do poço se situar em terrenos de domínio público, há a necessidade de concessão administrativa. São, ainda, expressamente proibidas as construções capazes de poluir ou inutilizar a água do poço ou nascente alheia, a ela preexistentes.

O Código de Minas de 1940 incluía como jazidas as águas minerais, termais e gasosas. O Código de Mineração, que entrou em vigor em 1967, acrescentou a esta lista também as águas subterrâneas, as quais deveriam ser disciplinadas por lei especial, o que não aconteceu até a década de 1980 (BARTH, 1987).

A Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei n° 6.938 de 31/08/81 (BRASIL, 1981), também dispõe sobre o assunto, tendo como um de seus princípios básicos “a racionalização do solo, da água e do ar”.

A Constituição Federal, promulgada em 05/10/1988, mantém a divisão de responsabilidades entre os governos federal e estadual na administração dos recursos hídricos do Brasil. Entretanto, as águas subterrâneas passam a serbens exclusivos dos Estados.

A Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, estabelecida pela Lei nº 9.433 de 1997 (BRASIL, 1997), tem como um de seus princípios “A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos”.

O Estado de São Paulo foi à primeira unidade federativa brasileira a aprovar uma lei estadual de águas subterrâneas – Lei nº 6.134 /1988, com posterior regulamentação através do Decreto Lei nº 32.955/1991. O Estado de Pernambuco foi o segundo estado que passou a ter uma lei devidamente regulamentada - Lei nº 11.427/1997 e Decreto nº 20.423/1998. Depois foram os estados do Pará (Lei nº 6.105/1998), Minas Gerais (Lei nº 13.771/2000), Goiás (Lei nº 13.583/2000) e Ceará (Lei nº 14.844/2010) (Tabela 5.1.1).

Tabela 5.1.1 - Estados brasileiros que possuem legislação específica de águas subterrâneas (até o ano de 2012)

Na década de 1990, Studart e Vieira (1996) ressaltam tópicos considerados essenciais propostos na formulação da legislação estadual, descritos a seguir:

 Princípios básicos - As águas existentes no subsolo do Ceará constituem um bem público estadual; a água subterrânea, indissociável das demais ocorrências, é um recurso

Estado Lei No. Decreto Normativo No.

São Paulo 6.134 de 02/06/1988 32.955 de 07/02/1991 Pernambuco 11.427 de 17/01/1997 20.423 de 26/03/1998 Pará 6.105 de 14/01/1998 - Minas Gerais 13.771 de 11/12/2000 - Goiás 13.583 de 11/01/2000 - Ceará 14.844 de 28/12/2010 31.077 de 12/12/2012

natural limitado, dotado de valor econômico; os usos prioritários dos recursos hídricos subterrâneos são representados pelos consumos humanos e a dessedentação de animais domésticos; a cobrança pelo uso da água subterrânea é entendida como fundamental para a racionalização de seu uso e conservação.

 Órgão Gestor - A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará - COGERH, vinculada à SRH, deverá gerenciar a oferta dos recursos hídricos tanto superficiais quanto subterrâneos de domínio do Estado e deverão ser incluídos entre seus objetivos os seguintes pontos: desenvolver estudos visando quantificar as disponibilidades e demandas de águas subterrâneas, bem como planejar seu aproveitamento racional; implantar um sistema de informações sobre os recursos hídricos subterrâneos, através de coletas de dados, estatísticas, cadastro de usos de água e de todas as obras de captação de água subterrânea no Estado do Ceará, mantendo-o atualizado; conceder a outorga para uso de águas subterrâneas; fiscalizar as obras de captação de água subterrânea; monitorar a exploração e controle dos recursos hídricos subterrâneos.

 Defesa da qualidade e da quantidade - As águas subterrâneas deverão ter programa permanente de preservação e conservação, visando seu melhor aproveitamento, o que implica em uso racional, aplicação de medidas contra a sua poluição e manutenção do seu equilíbrio físico, químico e biológico em relação aos demais recursos naturais; nenhuma atividade desenvolvida poderá poluir, de forma intencional ou não, as águas subterrâneas; as obras de pesquisa, lavra mineral ou outros fins, devem conter descrição detalhada da caracterização hidrogeológica de sua área de localização; os poços abandonados deverão ser selados a fim de evitar a contaminação do aqüífero; a descarga de poluentes que possam degradar a qualidade das águas subterrâneas será punida na forma prevista em Lei e em normas dela decorrentes, sem prejuízo das sanções penais cabíveis; os resíduos sólidos, líquidos ou gasosos provenientes de quaisquer atividades, só poderão ser transportados ou lançados de forma a não poluírem as águas subterrâneas; deverão ser regulamentados projeto/ construção/operação das seguintes fontes poluidoras: Fontes projetadas para descarregar substâncias poluidoras - fossas/sumidouros, poços de injeção, sistemas de irrigação com esgoto, despejo de lodo de esgoto no solo; Fontes projetadas para armazenar/tratar - aterros sanitários, depósitos de lixo, cemitérios, e; Fontes projetadas para reter substâncias - tanques subterrâneos para estocagem de combustíveis e de produtos químicos; as normas técnicas e especificações da ABNT no que se refere a projeto e construção de poços para captação de água subterrânea deverão ser atendidas; caso seja necessário restringir a captação e o uso da água, poderão ser delimitadas áreas destinadas ao seu controle, sem implicar na

desapropriação da terra; os poços jorrantes deverão ser dotados de dispositivos apropriados a conter o desperdício.

Outorga - Deverá ser exigida a outorga para a implantação de qualquer empreendimento que consuma recursos hídricos subterrâneos ou a realização de obras de serviços que alterem a quantidade e a qualidade dos mesmos; sua base quantitativa deverá ser considerada a partir de 2.000 L/h; a outorga deverá ser precedida por licença prévia; será obrigatória a comunicação prévia para fins de cadastro, mesmo nas captações consideradas insignificantes; a outorga não implica na alienação das águas subterrâneas, mas no simples direito de seu uso e também não confere delegação do poder público ao seu titular; a outorga tem caráter singular, personalíssimo e intransferível e não será concedida para lançamento de poluentes nas águas subterrâneas.

Benzer Belgeler