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TEMİNİNDE GÜÇLÜK ÇEKİLEN MESLEKLER

A pesquisa foi realizada com 25 aprendentes de uma turma do 2º ano do Ensino Médio de um colégio da rede particular de ensino. São 13 meninos e 12 meninas e a faixa etária dos aprendentes é de 16 a 18 anos. Trata-se, de modo geral, de aprendentes advindo de classe média, habituados a lidar com a tecnologia, acostumados a transmitir e receber informações mais rapidamente e a relacionar-se com elas por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação.

3.4.2. A ensinante

Nossa formação é Graduação em Letras com Licenciatura plena em Língua Portuguesa e Língua Inglesa (1999), Mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (2004) e estamos desenvolvendo este estudo como requisito parcial à obtenção do título de Doutora em Língua Portuguesa, todos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atuamos como ensinante de Língua Portuguesa, no período de 2001 a 2007, em uma Universidade particular de São Paulo e, a partir de 2008, passamos a atuar, no colégio que é contexto dessa pesquisa, como ensinante de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e de Leitura e Letramento no Ensino Médio a partir de 2012. Além da experiência docente, atuamos como analista de gestão acadêmica no setor de Consultoria Técnica de Apoio à Gestão Acadêmica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

3.5. A coleta de dados

Para a coleta dos dados, partimos da descrição das etapas do desenvolvimento de um projeto de letramento realizado com os aprendentes no período de fevereiro a abril de 2014, cujo tema é O jovem no mercado de trabalho. É importante mencionar que, para desenvolver o trabalho com projetos de letramento, valemo-nos dos princípios e natureza da metodologia ativa, por

meio da qual a aprendizagem acontece quando o aprendente interage com o conteúdo ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando, ou seja, sendo estimulado à construção do conhecimento ao invés de recebê-lo do ensinante de modo passivo. Nesse tipo de metodologia, o ensinante assume um papel de mediador, cujo objetivo é orientar, supervisionar ou facilitar o processo de aprendizagem, não sendo o único detentor do conhecimento.

Na metodologia ativa, é essencial que o aprendente faça uso de funções mentais como pensar, raciocinar, observar, refletir, entender, combinar entre outras que o possibilitem a construção do conhecimento. Ao adotar essa metodologia, o ensinante deve assumir uma posição ativa de ensinar, tendo em vista que tem de recorrer a seus estudos, selecionar informações, explicar um conhecimento de diferentes maneiras, relacionar, comparar informações, etc.

Segundo Ribeiro (2005), a aprendizagem se torna mais significativa quando o ensinante utiliza metodologias ativas de aprendizagem, pois, além de o aprendente vivenciar esse método, ele adquire outros benefícios, como ser mais confiante em suas decisões, melhorar o relacionamento com os colegas, aprender a se expressar melhor oralmente e por escrito, além de ser estimulado a resolver problemas e a agir de modo autônomo em situações diversas na sociedade.

As metodologias ativas levam a um repensar sobre o conceito de educação e de aprendizagem, indicando a necessidade de se abandonar o que Ausubel (1982) chama de aprendizagem mecânica, ou seja, quando as novas informações são aprendidas sem interagir com conceitos relevantes existentes na estrutura cognitiva do aprendente. Assim, ele decora fórmulas, leis, textos, mas esquece após a avaliação. A aprendizagem é muito mais significativa à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas de conhecimento de um aprendente e adquire significado para ele por meio da relação com seu conhecimento prévio, considerado fundamental para a aprendizagem significativa.

Em nosso entendimento, a utilização de metodologia ativa pode propiciar mais motivação de aprendizagem ao aprendente, uma vez que o ensinante pode

propor aulas no laboratório, oficinas, tarefas em grupo, trabalhos em equipe dentro e fora do ambiente escolar, abordagem de temas transversais, desenvolvimento de projetos, ou seja, atividades que promovem o envolvimento do aprendente no processo de aprendizagem. É importante mencionar que as metodologias ativas não excluem a aula expositiva, porém é imprescindível que nela haja possibilidade para o diálogo e para a interação em sala de aula.

As metodologias ativas têm o potencial de despertar a curiosidade do aprendente na medida em que eles se envolvem com o conteúdo que estão aprendendo e trazem elementos novos, ainda não considerados nas aulas ou na própria perspectiva do ensinante. Dentre as diversas estratégias que podem ser usadas para a utilização da metodologia ativa, podemos citar o trabalho em equipe com tarefas que exigem a colaboração de todos, debates sobre temas da atualidade e brainstorming para busca de solução de problemas.

A abordagem pedagógica de projetos chegou ao Brasil no final do século XIX, início do século XX, foi marcada por um movimento contrário aos princípios e métodos utilizados na escola tradicional, que se fundamentava no ensino pelo ensinante, aprendente passivo, e que privilegiava as camadas mais abastadas. Na década de 1930, iniciou-se um novo movimento de mudanças nas tendências do ensino no Brasil. Era o início da Escola Nova, em que o ensinante não era mais o protagonista nas atividades educativas, rompendo-se o ensino individualizado e os aprendentes, que estavam acostumados a repetir e a decorar os conteúdos, eram incentivados a participar do processo de aprendizagem.

A partir dessa época, a pedagogia de projetos foi se tornando muito

comum. As escolas que a adotam entendem que ela colabora significativamente

com a aprendizagem, tornando os aprendentes críticos, criativos, autônomos, reflexivos e capazes de resolver problemas, uma vez que encontram sentido na tarefa que estão desempenhando, dado que é possível estabelecer conexão entre o que está sendo aprendido na escola e o que está acontecendo na sociedade.

Na aprendizagem baseada em projetos, cabe ao ensinante o papel de mediador que, juntamente com os aprendentes, cria situações, oportunidades

para que eles resolvam problemas. Sobre o papel do ensinante, Teixeira (1978)

esclarece que

O educador moderno não acredita que o pensamento ou a ação se gerem num vácuo, ou que a criança não precise de ser guiada e orientada no processo do seu crescimento mental ou social. Se o próprio crescimento físico, o mais automático deles, precisa de ser observado, corrigido e acompanhado, o que não diremos do seu crescimento mental e social, onde as possibilidades de desvios e de erros são mil vezes maiores. (p. 24)

Para que as metodologias ativas possam causar um efeito na direção da intencionalidade pela qual são definidas ou eleitas, será necessário que os participantes do processo as assimilem, no sentido de compreendê-las, acreditem em seu potencial pedagógico e incluam uma boa dose de disponibilidade intelectual e afetiva (valorização) para trabalharem conforme a proposta, já que são muitas as condições do próprio ensinante, dos aprendentes e do cotidiano escolar que podem dificultar ou mesmo impedir esse intento.

Segundo Hernández (1998, p. 83), trabalhar com projetos é uma inovação que pode ser aplicada em todas as áreas de conhecimento, mas basicamente foram colocados em prática nas áreas de Ciências Naturais e Ciências Sociais. Nesse sentido, entendemos que os projetos de letramento vêm cumprir essa lacuna, na medida em que apresentam uma particularidade: focaliza a leitura e a escrita a partir de uma ancoragem que permite vislumbrar os usos sociais da leitura e da escrita tanto na escola como fora dela.

Nessa perspectiva, defendemos que projetos de letramento podem ser considerados um modelo didático promissor para o ensino de leitura, pois favorecem a aprendizagem por meio de colaboração mútua, da negociação de responsabilidades e do reposicionamento ideológico de aprendentes e ensinantes participantes do processo. Segundo Kleiman (2005, p. 238), um projeto de letramento representa

(...) um conjunto de atividades que se origina de um interesse real na vida dos alunos e cuja realização envolve o uso da escrita, isto é, a leitura de textos que, de fato, circulam na sociedade e a

produção de textos que serão realmente lidos, em um trabalho coletivo de alunos e professor, cada um segundo sua capacidade.

Do ponto de vista didático-pedagógico, os projetos de letramento estão de acordo com os pressupostos dos PCN (1998), dado que possibilitam tanto a elaboração de um currículo articulador envolvendo diferentes áreas de conhecimento quanto a vinculação de saberes de interesse da comunidade escolar e do entorno.

Sendo assim, consideramos os projetos de letramento por meio de gêneros textuais um modelo alternativo às propostas tradicionais de ensino. Entendemos que as propostas baseadas em projetos de letramento possibilitam a concretização de uma educação significativa para a vida, porque tem como objetivo o desenvolvimento das competências linguístico-discursivas do aprendente por meio de leitura em diferentes esferas de atividades.

3.6. Os procedimentos de análise

Considerando que vamos focar nossos estudos nas atividades propostas para o desenvolvimento do projeto de letramento com o tema O jovem no mercado de trabalho e verificar em que medida a utilização de gêneros textuais pode propiciar que os aprendentes se tornem competentes e críticos para interagir nas diversas demandas sociais, os procedimentos de análise iniciaram- se quando realizamos uma sondagem inicial para descobrir o conhecimento prévio dos aprendentes. Para fazermos isso, colocamos na lousa cinco questões relacionadas ao tema do nosso projeto e colhemos as respostas para a nossa análise. Com base nelas, dividimos o projeto em quatro subtemas a serem aprofundados ao longo do trimestre, tempo de duração desse projeto.

Consideramos necessário realizar essa sondagem, de teor quantitativo e qualitativo, pois ela foi um instrumento muito importante para descobrirmos quais eram os conhecimentos prévios dos aprendentes a respeito de cada um dos temas. Para essa sondagem, recorremos à concepção de metodologias ativas,

dado que o ponto de partida para o nosso projeto de letramento é o conhecimento do aprendente sobre o tema em discussão.

No capítulo de análise, mostramos os resultados dessa sondagem. As questões constantes dessa sondagem envolvendo os subtemas foram as seguintes:

1) Vocês conhecem as características e tipo de formação de cursos de Bacharelado, Licenciatura e Tecnológico?

2) Vocês já acessaram homepages de programas de instituições públicas ou privadas que oferecem oportunidade de trabalho aos jovens?

3) Vocês sabem elaborar um Curriculum Vitae? Em quais situações ele pode ser utilizado?

4) Vocês já viram ou sabem do que se trata uma entrevista de emprego? Quais são suas características?

Cada uma dessas questões gerou posteriormente um tema de pesquisa, ou seja, o projeto se desdobrou em quatro subtemas do tema O jovem no mercado de trabalho. Considerando tratar-se de subtemas diferenciados, bem como o fato de as metodologias ativas terem o potencial de despertar a curiosidade do aprendente, propiciando que eles construam seu próprio aprendizado ao longo do desenvolvimento do projeto, ocorrendo a inserção de elementos novos no decorrer do desenvolvimento do projeto, cada um deles nos conduziu para descrição e procedimento de análises diferenciadas para essa pesquisa. Sendo assim, consideramos, na medida do possível, os seguintes critérios de análise:

a) Descrever quais gêneros textuais foram propostos pela ensinante e quais foram introduzidos pelos aprendentes na realização das atividades.

b) Qual(is) concepção(ões) de leitura os aprendentes realizaram neste projeto?

c) Como os recursos tecnológicos colaboraram na construção de conhecimentos e ajudaram a tornar os aprendentes mais críticos? d) Qual foi o papel da ensinante como mediadora nesse projeto? e) Como a transposição didática ocorreu na realização desse projeto? f) Em que esse projeto atendeu aos pressupostos do projeto

pedagógico do colégio?

g) Dentre os objetivos propostos para a disciplina, quais foram alcançados pelo aprendente para que ele se tornasse um leitor crítico por meio desse projeto de letramento?

Neste capítulo, explicitamos a metodologia adotada na pesquisa, descrevemos o contexto dela, apresentamos o perfil dos participantes, o modo de coleta de dados e os procedimentos de análise. No próximo capítulo, apresentamos a análise dos dados e a discussão dos resultados obtidos.

P

ROJETO DE LETRAMENTO

:

A

NÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar vais alimentá-lo toda a vida.

Provérbio Chinês

Neste capítulo apresentamos os dados e discutimos os resultados do desenvolvimento de um projeto de letramento sobre O jovem no mercado de trabalho, realizado com 25 aprendentes do 2º ano do Ensino Médio, tendo como ponto de partida a leitura de gêneros textuais. Consideramos importante retomar que partimos da hipótese de que as práticas de leitura e letramento por meio de gêneros textuais podem contribuir para a formação crítica do aprendente.

Benzer Belgeler