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Temerrüde Engel Olan Sebeplerden Birinin Bulunmaması

No Brasil, nas últimas décadas, a historiografia vem se renovando incessantemente. A História hoje é pouco menos esquematizada e escrita em linguagem ousada e menos presa a convencionalismos ditos científicos. (PAIVA, 2002, pp. 11-15). As alterações ocorridas no âmbito da Historia datam da década de 1970, com a crise de maio de 1968 na França, e a derrocada dos sonhos de paz do mundo do pós-guerra, quando ocorreu a tão propalada crise dos paradigmas explicativos da realidade, provocando rupturas epistemológicas profundas que puseram em xeque as marcas conceituais dominantes na História. (PESAVENTO, 2003, p. 8)

A dinâmica social tornou-se complexa e os modelos correntes de analise não davam mais conta diante da diversidade do social. Sistemas globais explicativos passaram a ser denunciados, pois a realidade parecia mesmo escapar. É o que nos fala Pesavento, ao expor seu pensamento sobre a complexificacão do real quando diz que:

a realidade parecia mesmo escapar a enquadramento redutores sobretudo da aparentemente escapada de determinadas instâncias da realidade, como a cultura ou os meios de comunicação de massa. (2003, p. 09).

acerca do mundo a aventura da descoberta, desta forma, as indagações suscitadas sobre as fontes iconográficas no ensino de Historia, isto é, o que é representado em sala de aula e que se evidencia no que é construído, ou que desconstruído, aparece aos olhos do pesquisador como corpus documental, que também pode revelar aspectos do próprio fazer cotidiano do professor, assim como seu lugar social entre os textos trabalhados em sala de aula, isto é, a importância que adquire enquanto materialidade cultural a ser explorada, indagada, interpretada.

Assim como a produção musical, as pinturas, ou fotografias são tratadas hoje como um documento, não apenas na área da arte mas da história e especificamente, da nova historia cultural. As imagens entre elas as representações humorísticas, possibilitam um novo olhar ao historiador e o capacita a indagar e dar novas resignificações aos contextos históricos, como um conjunto de representações que por um certo tempo constituiu-se tarefa somente do cartunista, permanecendo, desse modo, relegado ao silêncio enquanto fonte de pesquisa historiográfica ou fonte de pesquisa do contexto escolar.

Não se trata de descobrirmos as intenções dos cronistas do traço, ou de estabelecer identificações entre os políticos e as representações através das caricaturas ou das temáticas, mas, sobretudo discutir as possibilidades de uso das iconografias, enquanto fonte histórica, indagar as leituras possíveis de um conjunto de representações e das formas de consumo, ou seja, das resignificações que através das representações cômicas dão conta dos contextos históricos e sociais.

Desse modo, as iconografias humorísticas, introduzidas no campo das pesquisas educacionais e historiográficas como uma alternativa no ensino de História, possibilitam aos professores desvendar mundos desconhecidos. Estas passam a contribuir para um novo olhar do historiador, compreendendo temas

históricos que do ponto de vista tradicional eram desprezados, uma vez que apenas os temas ligados à história política eram privilegiados. De certa forma, isso acontecia “porque as temáticas associadas ao sentimento, as paixões, ao subjetivo, e ao cotidiano, se identificavam com o indivíduo e sua vida privada, mas não eram considerados objetos relevantes para História” (NEVES, 2003, p.70).

As produções ligadas à arte soavam como distorção ininteligível, não sendo ainda utilizada como fonte, numa época em que os jornais não eram utilizados enquanto suporte empírico como aporte metodológico. Atualmente, as iconografias humorísticas publicadas em jornais e livros didáticos, já aparecem como possibilidade de discutir através dos traços e do cômico a própria história, seus métodos e temáticas.

Neves (2003), quando evidencia as novas temáticas, aponta o campo da música para os futuros pesquisadores, como uma alternativa, da qual também inseríamos as iconografias humorísticas. No caso especifico das iconografias, especialmente do humorismo gráfico, surge como possibilidade de politização dos temas históricos pela via do cômico, do irônico, da sátira, como registro social que exige do professor de História, um olhar critico e um saber contextualizado.

Apesar de ainda pouco explorada no contexto da cultura escolar e, principalmente, nas salas de aula, as apropriações desse tipo de fonte, são experiências desenvolvidas dentro e fora da sala de aula e incorporadas ao trabalho cotidiano do professor de História, que no ato de se envolver lhe dá crédito. Sua prática se constitui em objeto de análise dos pesquisadores que buscam no seu próprio cotidiano alternativas para compreender a história no espaço cultural próprio, ou seja a sala de aula.

criticamente com esse tipo de fonte e:

sim tem que evocar sempre o desenvolvimento de um olhar critico com as fontes, sejam elas as mais distintas, insisto nesse ponto, pois não tenho qualquer duvida de que um bom professor de História tem que ser também um bom historiador, e não significa que tenha que trocar a sala de aula pelo arquivo. (PAIVA, 2002, p. 11).

Neste caminhar temos de nos preocupar com o fato de tentar alternativas para os métodos monótonos dos pedagogos e dos historiadores e além, dos debates teóricos e metodológicos que trazem certa inquietação em relação ao fazer pedagógico dos professores.

As iconografias humorísticas, portanto, por sua capacidade de representar o cotidiano, fazendo uso da linguagem não verbal, transcreve através das imagens o poder da fala de quem socialmente não tem o direito à voz. Esta produção social legitima-se representando estados de espírito de um povo e de uma época. Como linguagem iconográfica, identifica-se como elemento humorístico de uma cultura, caracterizando enquanto símbolo gráfico, a intimidação, o ridículo e o prazer de satirizar, tornando-se instrumento eficaz nas mãos do cronista do traço.

Buscamos compreender os desenhos humorísticos como produção cultural e histórica, visto que não é apenas um registro iconográfico, mas, sobretudo, trabalho de um sujeito que potencializa os instantes-tipo da sociedade, imprimindo nela os fatos históricos e sociais. Essa possibilidade de construção é explicada por Bourdieu (1989), quando diz não exceder objetos importantes em si mesmo, tudo dependendo da tarefa laboriosa de pôr no jogo “coisas teóricas” muito importantes a respeito de objetos ditos “empíricos”. Dessa forma, a iconografia humorística se contextualiza, na medida em que ela se torna representação e mediação entre as

práticas culturais e a própria sociedade em que as produz.