Alternadas, entrecortadas, superpostas, incompatíveis: vivenciar a sociabilidade e as obras e ambientes (conjuntos de obras, sonoridades, visualidades, acolhimentos, cenografias) são as experiências múltiplas, em combinações infinitas, observadas pelo pesquisador e relatadas pelos visitantes de exposições de arte, muitas vezes organizadas na memória quando lembrando de exposições passadas - muito embora as atenções voltadas para a obra quase sempre se imponham como as que devem ser relatadas para a entrevistadora, mesmo quando, depois de uma visita, já tenhamos constatado que alguém mais namorou ou conversou sobre a vida que observou ou leu textos e etiquetas sobre as obras expostas, ou que crianças mais brincaram que se concentraram na observação das obras expostas ou no que a monitora falava a respeito delas. Há práticas relacionadas com a observação das obras que acompanham as interações entre os indivíduos, em movimentos e operações concatenadas, quando, por exemplo, fitar o acompanhante alterna- se ao fitar a obra, e o ritmo estabelecido pelo andar e parar em frente à obra é intercalado de maneira harmoniosa com as interrupções causadas pela derivação do assunto que já não mais se refere à obra que ainda pode ser alcançada com os olhos, e que acabaram de ver. Uma visita guiada / monitorada também conduz e mobiliza visitantes, que nem por isso deixam de interagir ao longo delas. Observar em uma visita de modo meticuloso cada obra apresentada na exposição pode consistir muitas vezes em procedimento levado a cabo em consonância com atos amorosos, interações entre amigos, colegas, familiares etc.
Em uma exposição de gravuras promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, uma lupa podia ser usada para exame pormenorizado das obras expostas. Um casal prolongava em carícias comentários sobre características dos trabalhos que via com detalhes, estudiosos conversavam sobre o que tinham observado, meninos desistiam do exame minucioso para correr pelo salão da exposição, iluminado apenas naquelas áreas das paredes onde pendia cada gravura exposta, correspondendo àquela cenografia do “cubo
branco”, supostamente adequada à contemplação, à qual nos referimos no Capítulo 1. Dada a multiplicidade de combinações possíveis de atenções tão distintas, dirigidas às interações sociais ou às obras, faz-se necessário estabelecer estratégia de análise por meio da qual seja possível dar conta tanto da diversidade de comportamentos do público quanto para o foco de sua atenção.
Pensando nessa estratégia analítica, estamos aqui concebendo atenção tal como definida por A. Schutz (1979: 311), enquanto atenção ativa: “A atenção ativa é o estado de ‘alerta total’ e agudeza de percepção no voltar-se conscientemente para um objeto, fato, etc., combinados com mais outras considerações, antecipações, etc., de suas características e usos. Um ato de
atenção é um ‘ato livre’ do voltar-se para, voluntária e seletivamente, ou prestar
atenção a, alertadamente, em certos traços, objetos, etc., de um dado ambiente real num momento específico”. Para nossos interesses nesta pesquisa, cabe localizar o objeto da atenção dos visitantes nas diferentes situações sociais configuradas durante sua presença nas exposições de arte, e ter como referência as categorias, plásticas, não excludentes, mas fundamentais, de se
divertir e aprender, para divisar as práticas a que se referem, e descrevê-las e
analisá-las.
Na realidade, seria possível organizar a apresentação de algumas práticas observadas localizando-as em um eixo de proximidade com a situação “clássica” de recepção individual, mas presumindo que neste pólo o indivíduo encontra-se contemplando as obras expostas, uma por uma. No outro pólo estariam indivíduos agrupados que não se detêm em obra alguma, passando rapidamente, “para ver”, talvez, a exposição, enquanto interagem sobretudo por razões outras que não a observação das obras expostas. Tomando assim interações, na sua intensidade e nas suas formas, e os comportamentos dos indivíduos e grupos durante a exposição, nem sempre voltados atentamente para as obras expostas, já poderíamos chegar a um espectro de práticas com inúmeras situações intermediárias, como as dos indivíduos que, agrupados, colocam-se deliberadamente “fora” da área ocupada pelo grupo para observar as obras comentadas74, ou exatamente no centro dela.
74
Na exposição Rembrandt e a arte da gravura, apresentada no CCBB de março a maio de 2003, havia bancos no centro de uma das salas. Neles, indivíduos descansam, muitas vezes
Mas partindo do que derivamos da análise das situações de liminaridade, parece-nos mais interessante, tomando o espectro de práticas do público em exposições, colocar em um pólo práticas que suponham a atenção total dirigida para a obra; e noutro pólo, localizar aquelas que supõem a atenção do visitante estar voltada para seus acompanhantes ou para outras interações que ocorrem no local da exposição. De alguma maneira, uma atenção muito grande na obra ou obras expostas poderia ser associada a visitas e práticas individuais, enquanto a “dispersão ”, isto é, na verdade uma atenção dirigida para as interações, poderia estar ligada a visitas e práticas coletivas. Estaríamos, assim, acompanhando o espectro apresentado como significativo por muitos atores sociais implicados nas exposições de arte, como monitores e os próprios visitantes.
Como tendência, essas correlações puderam de fato ser observadas, comprovando alguma pertinência, ou correspondência, das ações, ao “modelo” declarado por muitos dos visitantes ao se referirem a aprender e a divertir-se. Mas essas correlações, na realidade, não dão conta de toda a variedade de contornos assumidos pelas práticas observadas (individuais ou coletivas, voltadas para as obras ou voltadas para as interações). Isso porque a atenção nas obras pode ser constituída coletivamente, do mesmo modo que um indivíduo que vá à exposição sozinho, como veremos, pode concentrar sua atenção no conjunto das pessoas, desconhecidas para ele, que o cercam no momento em que percorre a exposição. Por essa razão, nas nossas descrições, as práticas podem ou não ser individuais, mas acompanham, são confrontadas ou analisadas em boa medida tendo-se em mente as categorias aprender e
divertir-se, que nos remetem, por sua vez, a esquemas, tradicionais e
difundidos, dos quais tratamos acima, da presença dos visitantes nas exposições de arte ser concebida e valorizada.
A entrada em campo para a coleta de dados empíricos foi decisiva para que essas formulações teórico-metodológicas pudessem ser feitas. Na realidade, essas formulações foram surgindo no decorrer do longo caminho da observação direta, inclusive das entrevistas. De certa maneira, “a vida como ela
interrompendo visitas agrupadas, colocando-se completamente indiferentes e distanciados da atividade de observar ou contemplar de alguma maneira as obras expostas. Adiante vamos nos referir a um jovem, de um grupo de uma escola de ensino médio, que se sentou nesses bancos e conversou demoradamente ao celular.
é” pode balançar nossos esquemas bem montados, mas sempre, ao constatarmos esse fato, ela torna bem mais interessante e fecunda a atividade de pesquisa. Há uma energia imensa fluindo nas situações pesquisadas, que as abstrações podem reduzir a itens de uma linguagem científica sem vida e sem dono. A descrição etnográfica é um convite para que a conversa com conceitos, o próprio trabalho científico então, esteja aceitando essas pulsações que compartilhamos com aqueles cujos comportamentos e pensamentos observamos por tanto tempo. Não sabemos se com o trabalho que fizemos e com as descrições que vamos continuar a fazer nesta tese, conseguimos chegar a essa aproximação do objeto. Mas a tentativa foi e é essa.
Queríamos ressaltar mais uma vez a dificuldade que sentimos ao tratar de nosso objeto, plástico (em muitos sentidos, e com muitos sentidos) e ao mesmo tempo tão “resolvido”, isto é, com tantas teorias explicativas e supostos assentados a seu respeito. Algo que constituiu a estratégia de pesquisa, isto é, algo que em determinado momento tornou-se procedimento deliberado e a respeito do qual refletimos bastante, foi a tentativa de “inversão” das prioridades da observação que de início estabelecemos. Tanto pela proximidade tão vivida com nosso objeto empírico, como pelos referenciais teóricos com os quais dialogamos ao longo da pesquisa, enfocamos em muitas situações com muito mais ênfase, as interações focadas, e então, a partir disso, tentamos ponderar o grau e a natureza da atenção às obras. O foco nas obras foi analisado, assim, por meio de práticas e atos interativos, as obras consistindo em objetos importantes mas, nem sempre, o fundamental para a configuração da presença dos visitantes nas exposições como fenômeno social.
Como já enfatizado, essa atenção costuma ser o suposto inabalável da grande maioria das análises que tratam da presença do público em exposições de arte, em boa medida porque vazadas pelas formulações e interesses de determinados estudos voltados para a recepção. Aqui, estamos tentando efetuar um exercício de tomar como relevantes sociabilidades e atos dos visitantes durante as exposições, que não correspondem, e nem sempre decorrem ou desdobram-se em atenção às obras que encontram expostas.
As práticas e interações que observamos, e que estamos descrevendo neste trabalho, são consideravelmente difundidas, perpassando os mais diferentes grupos (de amigos, turma escolar, grupo de excursão, família, casais
etc.), faixas etárias, gêneros e categorias sociais. Outras que observamos, e que não abordamos tão detidamente, parecem ser próprias de alguns grupos ou de parcelas deles, ou ter suas modalidades sendo efetuadas muito mais por um segmento ou grupo de visitantes que por outros. Portar equipamento como bancos próprios para se sentar em exposições enquanto um guia ou professor apresenta uma obra, para assistir essa apresentação com conforto, por exemplo, é prática que encontramos apenas junto a turistas que com freqüência fazem viagens dirigidas para a visita a museus e junto a grupos de estudantes de artes plásticas de escolas de pintura que também viajam para percorrer museus de arte com monitores altamente qualificados. Nesses casos, utilizamos a descrição dessas práticas com intenções demonstrativas, para especificar ou contrastar com práticas mais difundidas, ou ainda para situá-las no limite de algum leque de práticas tratadas neste trabalho.
4.1 – Estudar
Ao serem questionados a respeito do que faziam durante a exposição, a categoria estudo foi encontrada com muita freqüência no discurso de visitantes, inclusive dos alunos do ensino fundamental conduzidos pela exposição em grupos monitorados. Constituem, esses alunos, a maioria das crianças em quase todas as exposições de museus de arte e centros culturais onde fizemos observações para esta pesquisa. Nesses casos, estudo e estudar tendiam a ser substitutos para aprendizagem e aprender. Na verdade, apesar de ser comum seu uso com o significado genérico de aprender, a categoria estudo e estudar foi utilizada mais que tudo, inclusive pelas crianças entrevistadas, como atividade que vai resultar, necessariamente, em algum produto a ser entregue ou apresentado e avaliado por professores.
Quando perguntei a uma mulher de cerca de 40 anos por que estavam, ela, o marido, e a filha adolescente, visitando uma exposição de fotos no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, ela afirmou que era “para estudo”. E explicou: “A professora de artes dela [da filha] passou um trabalho para a turma dela sobre essa exposição. Fez algumas perguntas e eles têm que responder.
Umas até um pouco complicadas, difíceis até pra gente [ela e o marido]. A gente aproveitou e veio com ela, dar uma ajudinha.” E a filha acrescentou: “Pesa na avaliação. Todo mundo [da turma] já veio.” (Exposição de fotografia - Instituto Moreira Salles. Rio de Janeiro)
Esse tipo atividade, ou de estudo, é a efetuada pela maioria dos alunos que realiza a visita fazendo anotações. Por vezes, em visitas guiadas de escolas, alunos, sobretudo do segundo grau, levam pranchetas ou cadernos e tentam registrar o que está sendo dito pelo monitor. Ocorre que, na maior parte das vezes, o próprio movimento do grupo, estabelecido pelo monitor, a falta de claridade em pontos da exposição, e a maneira do monitor falar, não voltada para o registro escrito do que está dizendo, fazem com que freqüentemente as anotações sejam abandonadas por esses visitantes já no começo da visita. Essa situação em alguns casos gera preocupações nos alunos: “Não vou lembrar de tudo. É impossível lembrar de tudo. É impossível. Não dá. Ela [a professora] disse que ia ter atividade disso, que ia valer nota. Como é que eu vou anotar naquele escuro?” (Aluna 6ª série, escola pública. Exposição Arte da
África).
É bem mais comum verificar a presença de estudantes anotando efetivamente quando eles estão fazendo a visita sem monitores e sem professores por perto. Há assim, indicações de que quanto maior a autonomia dos alunos durante a visita, mais fácil estarem fazendo anotações no seu decorrer. Pudemos observar que essas anotações são em boa parte dos casos cópias, da totalidade ou de partes, do escrito nas etiquetas ou placas informativas afixadas perto das obras expostas e, ainda, algumas vezes, nos textos de apresentação e descrição localizados nas paredes das salas e na área de abertura da exposição. Numa exposição na Casa França-Brasil, estudantes do segundo grau de uma escola pública copiavam o conteúdo das etiquetas, e muitos não olhavam sequer para os trabalhos que estavam sendo expostos, ou olhavam muito rapidamente. Já no começo da visita, um perguntava para o outro o que devia ser copiado das etiquetas, tarefa individual. Chegaram à conclusão de que deviam “copiar tudo”. Ao final, questionados sobre as razões de terem abandonado a tarefa de anotar no meio da exposição, afirmaram que o que estavam escrevendo ia ser entregue ao professor mas era só para provar para ele que estiveram ali. E que tinham avaliado que o conjunto
de anotações / cópias das etiquetas que já haviam feito era o bastante para isso.
Nessa mesma exposição, noutro dia, cerca de dez alunos do segundo grau de uma escola pública “anotavam tudo” em meio a diversas brincadeiras. Informaram que deveriam apresentar um relatório para a professora de história, que seria avaliado e receberia uma nota. Como no caso dos alunos do primeiro grau, declararam estar estudando, ou fazendo trabalho, e que se tratava de empreitada individual. De fato, cada um, de certo modo, fazia anotações de um jeito, a cópia das etiquetas sendo mais ou menos completas, dependendo do aluno. Mas em muitas situações, como também entre aqueles alunos do ensino fundamental, um copiava a cópia feita pelo colega, lendo diretamente no caderno ou papel fixado na prancheta: “Colei sim. Mas está com a minha letra, não está?”.
É bem diferente a situação de estudo dos alunos que, efetuando ou não anotações, fazem a visita monitorados, os professores acompanhando-os. Diversas vezes presenciamos professores se referirem a futuras cobranças a respeito do conteúdo do que estava sendo dito pelos monitores, como forma de exigir atenção e conter a agitação de seus alunos durante o seu percurso pela exposição. Pudemos mesmo assistir a situações – relativamente poucas - em que, durante a visita, pedindo a palavra aos monitores, professores introduziram comentários que remetiam os alunos a atividades já feitas em sala de aula, como preparação ou que supunham algum tipo de continuidade com aquela visita à exposição. Nesses casos, parece que essa cobrança servia não somente para conter a excitação e canalizar a atenção dos alunos para o que estava sendo dito e mostrado pelos monitores, mas também para prestar contas aos monitores do efetivo investimento prévio deles, professores, de
preparação, junto à turma.
Não chegamos a observar casos em que interpretações ou reflexões produzidas pelos alunos sobre o significado do que estava sendo exposto constituíssem a matéria direta do trabalho que entregariam a seus professores. Normalmente, como vimos, a tarefa escolar, seja para a comprovação da presença do aluno na exposição ou não, consiste no registro (com muita freqüência por escrito) de um discurso já produzido pela instituição que
organizou a exposição - o escrito e fixado nas etiquetas e murais explicativos e ilustrativos, e o veiculado nas falas dos monitores.
Uma modalidade interessante e algo difundida de tarefa escolar, é o estudo da própria exposição, tomada pelos visitantes como modalidade de atividade educativa em associação a treinamento e a passeio, ambas concebidas como atividades escolares. A visita é vista como estudo porque consistiria em treino de uma prática profissional para a qual alunos estão em formação. Inclui-se nesse caso a visita de sete normalistas de uma escola situada em bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, que deveriam apresentar trabalho para a professora de Didática, no qual tratariam daquela visita à exposição ao lado de visitas a outros locais para os quais potencialmente poderiam levar seus futuros alunos, como o Jardim Zoológico, o Planetário ou a Feira de São Cristóvão. Tratava-se de descrever o que eventualmente “passariam” da exposição e do centro cultural para seus alunos. Essa modalidade de estudo, associado a treinamento mas também a passeio, isto é, dar aula e passear com os alunos, tem a ver com a proximidade que uma professora entrevistada noutra ocasião estabeleceu entre a visita a exposições e a ida a aeroporto, ao Jardim Botânico ou a um clube de funcionários públicos na Baixada Fluminense com seus alunos, o que veremos mais adiante.
Nesse grupo de normalistas, as anotações eram feitas individualmente, mas boa parte do que seria registrado por cada uma era discutido antes entre elas, à medida que iam percorrendo a exposição, em duplas, trios, ou mesmo com alguma se destacando do grupo, e voltando depois a ele para comentar algo que viu ou alguma anotação que pretendia fazer. Era muito em função desse estudo que percorriam a exposição. Além das informações sobre a exposição, tinham também que apresentar aquelas relativas ao centro cultural, mas, nos dois casos, enfocando o que poderia ser incluído em atividades escolares levadas a cabo por elas próprias. Foi provavelmente por essa razão que não inseriram em seus trabalhos informações sobre o setor educativo do centro cultural, que desconheciam. Na verdade, essas estudantes não sabiam que poderiam requisitar uma visita guiada.
Quando os alunos se consideram “profissionais do ramo”, também podem conceber a visita guiada como estudo. Uma aluna da Escola das Artes
Técnicas Luís Carlos Ripper, unidade da FAETEC75, declarou que ela e seus colegas estavam na exposição Carnaval 76 estudando. Estudar, dessa vez, em primeiro lugar diferencia os alunos que estão “estudando” do visitante comum, que, mesmo monitorado como eles, não teria como objetivo o estudo, ou não “processariam” a visita como estudo. Estavam, de fato, uniformizados, com camisetas que os identificavam como estudantes da FAETEC, e acompanhados de professores e em horário “de aula”. De outro lado, “estudo” consiste neste caso também em aprofundamento, para além do aprender, que pode envolver uma eventual extensão, alargamento do campo de conhecimento do visitante. Uma aluna explica: “Esse é um assunto que a gente está aprofundando. Desde que começou o curso. É um estudo nosso, é do próprio curso. A gente não veio se divertir, olhar só. A gente também vai a teatro pra estudar.”
Esses alunos, cerca de dezesseis, de diferentes turmas daquela unidade da FAETEC, também “estudam” quando vão ao teatro acompanhados de seus professores, como nessa visita à exposição “Carnaval”. Os professores, contudo, mantinham-se calados, seguindo os seus alunos que, eles sim, por vezes perguntavam ou comentavam algo, ou respondiam a alguma questão colocada pelo monitor. Segundo o que declararam, a partir da convivência no dia-a-dia do curso naturalmente passaram a freqüentar exposições e ir ao teatro juntos. Mas já existiria o hábito de cada um ir ao teatro e a exposições mesmo antes de serem alunos da FAETEC. Essa exposição, contudo, segundo o que declararam, interessava na verdade, pelo tema: “A gente trabalha com isso”.
Esses alunos não leram etiquetas nem murais. Mas aquela interação com os monitores e os comentários que faziam das peças e trabalhos sobre o carnaval distinguiam-nos dos outros grupos de visitantes. “Somos já profissionais, ou meio profissionais”, afirmava uma aluna referindo-se ao