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TEMALAR AMAÇLAR HEDEFLER TEMA 1: KENTSEL

Belgede PERFORMANS PROGRAMI 2021 (sayfa 25-29)

TEMALAR BAZINDA STRATEJİK AMAÇLAR VE HEDEFLER Tablo 9: Tema, Amaç ve Hedefler

TEMALAR AMAÇLAR HEDEFLER TEMA 1: KENTSEL

Outro aspecto importante que precisamos considerar ao tratarmos da Teoria das Representações Sociais refere-se à noção de “conhecimento”. Tal conceito torna-se fundamental para entendermos como se formam e se naturalizam as representações sociais, uma vez que, conforme postula Jodelet (2001, p. 22), as representações sociais podem ser definida como “uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada”, nesse sentido o conhecimento se manifesta como um elemento cognitivo (imagens, conceitos, teorias), orientado para a comunicação e para a compreensão do contexto social e histórico em que vivem os indivíduos e os grupos sociais.

Segundo assinala Duveen (2009), no capítulo de Introdução do livro

Representações Sociais: investigações em Psicologia Social, de Sèrge Moscovici

do contexto de uma psicologia social do conhecimento. Deve-se ter claro que dessa perspectiva, o conhecimento, isto é, o saber sobre, não se reduz a uma mera descrição ou uma cópia do estado de coisas existente. É, ao contrário, produzido por meio da interação e da comunicação, visando sempre expressar os interesses humanos. Mas de onde emerge o conhecimento? Em resposta a essa pergunta, Duveen (2009, p. 9) dá a seguinte explicação:

O conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo onde os interesses humanos, necessidades e desejos encontram expressão, satisfação ou frustração. Em síntese, o conhecimento surge das paixões humanas e, como tal, nunca é desinteressado; ao contrário, ele é sempre produto dum grupo específico de pessoas que se encontram em circunstâncias específicas, nas quais elas estão engajadas em projetos definidos [...] Uma psicologia social do conhecimento está interessada nos processos através dos quais o conhecimento é gerado, transformado e projetado no mundo social.

Além de Duveen (2009), citamos Álvaro e Garrido (2006) para quem a TRS proposta por Moscovici propõe uma mudança na unidade de análise da psicologia social cognitiva, cuja atenção até então estava focada nos processos cognitivos individuais, para centrar-se nas formas de conhecimento grupais, socialmente compartilhadas e resultantes das conversações cotidianas de onde vem a sua dimensão simbólica e cognitiva. Os autores argumentam que “a Teoria das Representações Sociais pretende ser uma recuperação da dimensão social e simbólica do conhecimento como objeto de estudo da Psicologia Social”, devendo ser entendida como “explicações de senso comum, formas de entender e comunicar as teorias científicas” (ÁLVARO e GARRIDO, 2006, p. 288).7

7 Vale esclarecer que entre as pesquisas que enfocam questões relacionadas ao senso comum podemos

colocar as que se dedicam ao estudo das crenças. No Brasil trata-se já de linha consolidada de estudo dentro da Linguística Aplicada. Conforme Barcelos (2004), o estudo de crenças começou a ser investigado em meados dos anos 90 no Brasil. No presente trabalho nos fundamentamos na TRS por considerarmos que as representações sociais incluem em sua formulação teórica os pressupostos de crenças. De acordo com Abric (2001, p. 156), “Uma representação é um conjunto organizado de opiniões, de atitudes, de crenças e de informações referentes a um objeto ou a uma situação”, enquanto as crenças podem ser definidas, segundo Barcelos (2006, p. 18), como “Uma forma de pensamento, como construções da realidade, maneiras de ver e perceber o mundo e seus fenômenos, co-construídas em nossas experiências e resultantes de um processo interativo de interpretação e (re)significação. Como tal, crenças são sociais (mas também individuais), dinâmicas, contextuais e paradoxais”. Nessa perspectiva, entendemos que os componentes envolvidos no estudo de crenças são igualmente constitutivos das representações e, dessa forma, não se trata de conceitos excludentes, podendo mesmo ser complementares quando se trata de explicar os discursos e práticas que os sujeitos adotam em suas interações cotidianas.

Além disso, também chamam a atenção para o fato de que, segundo Moscovici (1976), as representações estariam na linha divisória entre o conhecimento científico ou

reificado e o conhecimento dito popular, de senso comum ou consensuado.

Já Nóbrega (2001, p. 62), ao tratar da epistemologia das representações sociais, argumenta que essa divisão entre saberes, colocados em polos simetricamente opostos, foi produzida pela cultura moderna caracterizada por uma profunda cisão do pensamento que se produziu pela divisão social do trabalho. De um lado, tem-se uma forma de pensamento considerada standard (a ciência), e, de outro, o pensamento não

standard (o senso comum). Diante da dicotomia colocada, a autora assinala que as

representações sociais aparecem como um conhecimento que não se define por uma contraposição ao saber científico. Antes, trata-se de uma forma de saber que se diferencia dos demais saberes (mitologia, teologia, filosofia, entre outros) pela especificidade em seu modo de elaboração e pelas funções que cumpre. Não se trata, pois, de uma hierarquia entre os saberes, mas sim, de uma diferenciação entre saberes historicamente construídos para fins específicos. Como forma de ilustração, a autora cita o trabalho pioneiro realizado por Moscovici,

Em A psicanálise, sua imagem e seu público, Moscovici elabora uma sociologia do conhecimento enquanto teoria do senso comum, para reconhecer nessa “epistemologia popular” o sentido inverso à sua histórica designação. Ele descobre a estruturação e a natureza particulares a esse saber, restituindo, desse modo, o status legítimo à produção do conhecimento das massas, com a criação da teoria das representações sociais. Através da teoria das representações sociais, Moscovici define os parâmetros de uma análise científica do que se chama o senso comum, atribuindo uma lógica a esse conhecimento que tem uma “organização psicológica autônoma” – não mais correspondendo ao que se interpretava como bizarro, caótico e fragmentário. (NÓBREGA, 2001, p. 63)

Além do exposto por Álvaro e Garrido (2006) e Nóbrega (2001) sobre a TRS enquanto conhecimento do senso comum, consideramos esclarecedores os argumentos de Spink (1993) para quem as representações sociais, sendo definidas como formas de conhecimento prático, colocam-se entre as correntes que estudam o “senso comum”, o que pressupõe uma ruptura com as vertentes clássicas das teorias do conhecimento que abordam o tema entendendo-o como um saber formalizado.

Conforme a supracitada autora, a corrente clássica mantém um nítido contraste com aquelas que se voltam para os saberes, sejam esses formalizados ou não, procurando superar a clivagem existente entre o conhecimento científico e o do senso comum, de forma que ambos sejam tratados como construções sociais sujeitas às

determinações socio-históricas de épocas específicas. Tal diferenciação na forma de abordar a noção de conhecimento implica num modo diferente de olhar para o senso comum, passando-se a considerá-lo “não mais como um cidadão de segunda classe, mas como conhecimento legítimo e motor das transformações sociais” (SPINK, 1993, p. 3).

Em síntese, retomando a definição proposta por Jodelet (2001) de que as representações sociais são uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, vemos que esse saber consiste naquele do universo consensuado. É nessa perspectiva que as representações são consideradas por Oliveira e Werba (2007, p. 105) como “teorias sobre saberes populares e do senso comum, elaboradas e partilhadas coletivamente com a finalidade de construir e interpretar o real”. Oliveira e Werba (2007) fazem a seguinte consideração acerca do processo de transformação porque passa o conhecimento dito do “senso comum”:

Poderíamos dizer que existem, na sociedade, dois tipos diferentes de universos de pensamento: os Universos Consensuais (UC) e os Universos Reificados (UR). Nos UR, que são mundos restritos, circulam as ciências, a objetividade, ou as teorizações abstratas. Nos UC, que são as teorias do senso comum, encontram-se as práticas interativas do dia-a-dia e a produção de RS. No UC a sociedade é vista como um grupo de pessoas que são iguais e livres, cada uma com possibilidade de falar em nome do grupo. Nenhum membro possui competência exclusiva. Já no UR, a sociedade é percebida como um sistema de diferentes papéis e classes, cujos membros são desiguais. O não familiar situa-se, e é gerado, muitas vezes, dentro do UR das ciências e deve ser transferido ao UC do dia-a-dia. Essa tarefa é, geralmente, realizada pelos divulgadores científicos de todos os tipos, como jornalistas, comentaristas econômicos e políticos, professores, propagandistas, que têm nos meios de comunicação de massa um recurso fantástico. (OLIVEIRA & WERBA, 2007, p.108)

No texto transcrito, Oliveira e Werba (2007) apontam para aspectos que dizem respeito ao processo de formação das representações sociais e à relação com os universos de pensamento. Conforme as autoras, para que os conhecimentos que surgem dentro do UR, isto é, pertencentes ao âmbito da ciência, tornem-se familiares e sejam acomodados pelas pessoas em geral, esses precisam passar por um processo de transformação mediado por diferentes tipos de “divulgadores científicos”. Os profissionais que têm acesso ao conhecimento científico e assumem a responsabilidade de passá-lo adiante de uma maneira familiar, em outras palavras, compreensível para as pessoas em geral, o fazem por meio da linguagem, seja por intermédio de produções discursivas orais ou por escritas.

Vemos assim que tais profissionais contribuem constantemente para o surgimento e/ou manutenção das representações. Referindo-nos especificamente aos professores, podemos dizer que o papel que assume este profissional não é de pouca monta, já que ele ocupa a posição de formador de opiniões, principalmente quando pensamos nos docentes que atuam nos Cursos de formação de professores. Os docentes formadores precisam sempre ter em mente que práticas, atitude e discursos tendem a ser reproduzidos e naturalizados. Por essa razão, consideramos crucial cultivar em nossos alunos um pensamento crítico e autônomo, de forma que suas representações, independente da esfera enfocada, estejam amiúde sendo reconsideradas, atualizadas e criticadas. Esse é, pois, um conhecimento salutar e que deve ocupar um espaço destacado no processo de formação dos sujeitos.

Belgede PERFORMANS PROGRAMI 2021 (sayfa 25-29)