• Sonuç bulunamadı

EDİRNE’DE KURULAN KÜTÜPHANELER VE EĞİTİM FAALİYETLERİ

2. Teknolojik Kaynaklar

Como visto no capítulo anterior, muitas foram as tentativas, ao longo da história da educação no Brasil, de se erradicar o analfabetismo da população do país e de reinserir o público jovem e adulto ao ambiente escolar, porém, sabe-se que a questão do analfabetismo ainda se encontra presente entre a população, nos dias de hoje (século XXI) porém, de acordo com Freire (2008):

É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pós- alfabetização, a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o povo, tomando mais e mais a sua História nas mãos, se refaça na feitura da História. Fazer a História é estar presente e não simplesmente nela estar representado. (p.24).

Fora visto também que nos últimos anos houve um importante aumento no que tange ao número de oferta de vagas dentro das escolas brasileiras. Por que, então, ainda há alunos (as) fora do ambiente escolar? Algumas considerações sobre essas razões serão tratadas ao longo desse trabalho, tendo em visto o público da EJA.

De acordo com dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras em Domicílio) em estudo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há ainda no Brasil, 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais e, em relação aos analfabetos funcionais, o Brasil ainda possui 30 milhões de pessoas com mais de 15 anos e menos de quatro anos de estudo3.

Fica ressaltada, então, a importância que a EJA possui no que tange à questão do analfabetismo da população jovem e adulto do Brasil, especialmente por ser

[...] uma modalidade de ensino, amparada por lei e voltada para pessoas que não tiveram acesso, por algum motivo, ao ensino regular na idade apropriada. Porém são pessoas que têm cultura própria. Sabe-se que o papel docente é de fundamental importância no processo de reingresso do aluno às turmas de EJA. Por isso, o professor da EJA deve, também,

2 Sobre o título: a inspiração do nome do capítulo veio a partir da leitura de Fonseca (2002), que entende

que o grande traço definidor da EJA não é a faixa etária a qual atende e sim as questões socioculturais.

3 Dados extraídos do site:

ser um professor especial, capaz de identificar o potencial de cada aluno. O perfil do professor da EJA é muito importante para o sucesso da aprendizagem do aluno adulto que vê seu professor como um modelo a seguir. (LOPES & SOUZA, 2005, p. 2)

A citação acima exemplifica o que é a EJA ressaltando a questão da cultua que engloba esses educandos, além da importância do papel do docente perante essa modalidade de ensino, visto que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p.22).

Dessa forma, devemos nos atentar que, quando falamos em EJA, “estamos falando de uma ação educativa dirigida a um sujeito de escolarização básica incompleta, ou jamais iniciada e que corre aos bancos escolares na idade adulta ou na juventude” (FONSECA, 2002, p.14) e que por isso, deve possuir características próprias, pois muitas vezes, a sociedade do nosso País considera o jovem ou adulto analfabeto “como uma criança que cessou de desenvolver-se culturalmente. Por isso, procura aplicar-lhe os mesmos métodos de ensino [...] que servem para a infância.” (PINTO, 1994, p.87), sendo que esse pensamento

[...] conduz aos mais graves erros pedagógicos pela aplicação ao adulto de métodos impróprios e pela recusa em aceitar os métodos de educação integradores do homem em sua comunidade, quer dizer, aqueles que lhe fazem compreendê-la e modificá-la, nos quais o conhecimento da leitura e da escrita se faz pelo alargamento e aprofundamento da consciência crítica do homem frente à sua realidade. (PINTO, 1994, p.88)

Assim, devemos nos atentar que, quando falamos em Educação de Jovens e Adultos estamos falando de um público que foi excluído socialmente, privado de seus direitos, e que por essas razões se sente diminuído perante a sociedade e muitas vezes, sofre preconceito, mas que nem por isso deve ser considerado como um ser sem cultura, pois como nos diz Freire (1974) “não há homem no vazio” (p.35) e mesmo

[...] que a designação “Educação de Jovens e Adultos” nos remeta a uma caracterização da modalidade pela idade dos alunos a que atende, o grande traço definidor da EJA é a caracterização sociocultural de seu público, no seio da qual se

deve entender esse corte etário que se representa na expressão que a nomeia. (FONSECA, 2002, p.15)

Sabe-se também que essa modalidade de ensino não recebe a devida atenção, assim como nos diz Pinto (1994):

O menosprezo pela educação dos adultos, a atitude de condená-los definitivamente ao analfabetismo (de parte de sua profunda imoralidade) incide no erro sociológico de supor que o adulto é culpado de sua própria “ignorância”. Não reconhece que o adulto não é voluntariamente analfabeto, não se faz analfabeto, senão que é feito como tal pela sociedade, com fundamento nas condições de sua existência. (p.82, aspas minhas).

As aspas na citação acima se devem ao fato de se entender que a palavra/definição “ignorância” não possui um caráter muito apropriado ao público, visto que se sabe que não é porque uma pessoa não teve acesso à educação escolarizada que ela não possui nenhum tipo de conhecimento ou mesmo educação. Entende-se então nesse contexto então, a palavra “ignorância” perante os conhecimentos escolares e de seus direitos quanto à educação escolarizada.

A caracterização sociocultural dos alunos da EJA é necessária para que se entendam muitas das questões que norteiam essa modalidade de ensino, pois os jovens e adultos que a frequentam, já possuem uma cultura própria, um modo próprio de lidar com as suas dificuldades e de entender o mundo, pois já tiveram a oportunidade de viver anos em sociedade e, muitas vezes sem saber ao menos ler e escrever; não sendo obrigados a frequentar a escola, fica a reinserção escolar à escolha deles. Assim, de acordo com Fonseca (2002) a opção pela volta à escola é uma opção adulta, mas também uma luta pessoal, muitas vezes penosa e quase sempre árdua, por isso carece se justificar a cada dificuldade, a cada dúvida, a cada esforço e a cada conquista. Essa condição deve ter algum significado. Além disso, é

Na relação do aluno da EJA, tomado como sujeito sociocultural, com a instituição e a cultura escolar, que se forjarão os princípios de seleção do que é lembrado e do que é esquecido; das vivências que se há de considerar relevantes pelo sujeito e pelo grupo e daquelas para as quais ainda não se atribuíram significados socializáveis; do que se diz sobre

elas e do que se silencia, e dos modos de dizer e do não-dizer (FONSECA, 2002, p.26)

Assim, fica evidente que somente na relação com o educando da EJA, questionando-os, buscando seus pontos de vista, é que realmente conseguiremos levantar os pontos cruciais para se ter uma educação realmente de qualidade e com significado para essa modalidade, onde os educandos sintam a necessidade e o gosto por aprender, visto que:

O adulto se torna analfabeto porque as condições materiais de sua existência lhe permitem sobreviver dessa forma com um mínimo de conhecimentos, o mínimo aprendido pela aprendizagem oral, que se identifica com a própria convivência social. Daí que não há para ele a necessidade de escola. (PINTO, 1994, p.102)

O analfabeto então, não vê na escola uma condição essencial que o faz continuar sobrevivendo, pois seus conhecimentos (aqueles que a aprendizagem oral lhe proporcionou), já o são suficiente para mantê-los no mundo, assim como nos diz Pinto (1994):

[...] o analfabeto, em sua essência, não é aquele que não sabe ler, sim aquele que, por suas condições concretas de existência não necessita ler. Esta é uma definição real. É a exposição de sua essência, porque não apresenta o fato de ser iletrado como um acidente, mas como algo original, essencial, que tem que ser assim, dada sua condição de vida, fundamentalmente de trabalho. Porque se assim não fosse, se necessitasse saber ler para sobreviver, ou bem saberia (e então não haveria o problema) ou então simplesmente não existiria. (p.92)

Dessa forma, fica evidente que a necessidade de saber ler e escrever precisa existir no sujeito para que o mesmo busque a escola. E essa necessidade muitas vezes só surge tardiamente, quando, por exemplo, migrantes de regiões rurais do país, chegam às cidades, onde a escrita e a leitura são utilizadas para tudo, principalmente na busca por um emprego, e quem não possui o conhecimento das mesmas, se torna excluído:

A leitura e a escrita são primordialmente dois dos recursos a que o indivíduo recorre para a execução de um trabalho que

não pode ser feito sem esse conhecimento. Por conseguinte, o conhecimento da leitura e da escrita é uma característica do trabalho. Sua valoração só pode ser feita tomando em consideração o nível de trabalho que cada indivíduo executa na sociedade. (PINTO, 1994, p.93)

Nota-se nessa citação a importância que se atribui ao conhecimento da escrita e da leitura no que diz respeito às questões de trabalho.

Ainda mais que, no caso do educando da Educação de Jovens e Adultos,

[...] a interrupção ou o impedimento de sua trajetória escolar não lhe ocorre, porém, apenas como um episódio isolado de não-acesso a um serviço, mas num contexto mais amplo de exclusão social e cultural, o que, em grande medida condicionará também as possibilidades de re-inclusão que se forjarão nessa nova (ou primeira) oportunidade de escolarização. (FONSECA, 2002, p.14)

Observa-se então, a importância de se haver oportunidades de reinserção escolar a esse público, para que a privação cultural e social possa deixar de existir e o acesso negado a esses alunos à escolarização na idade correta visto que

[...] os que abandonam a escola o fazem por diversos fatores, de ordem social e econômica principalmente, e que, em geral, extrapolam as paredes da sala de aula e ultrapassam os muros da escola.

Deixam a escola para trabalhar, deixam a escola porque as condições de acesso ou de segurança são precárias, deixam a escola porque os horários e as exigências são incompatíveis com as responsabilidades que se viram obrigados a assumir. Deixam a escola, sobretudo, porque não consideram que a formação escolar seja assim tão relevante que justifique enfrentar toda essa gama de obstáculos à sua permanência ali (FONSECA, 2002, p.32;33).

Analisando as razões pelas quais os alunos da EJA deixam a escola na citação acima, fica evidente a importância de pesquisá-los, para que se possam criar as condições de um ensino efetivo, que faça com que a formação escolar seja relevante para esses alunos, de forma que os motivem a enfrentar os obstáculos existentes, para que permaneçam na escola.

[...] houve um importante movimento de ampliação da oferta de vagas de ensino público no nível fundamental que transformou a escola pública brasileira em uma instituição aberta a amplas camadas da população, superando em parte o caráter elitista que a caracterizava no início do século, quando apenas alguns poucos privilegiados tinham acesso aos estudos. [...], porém, essa oferta de vagas ainda se mostra insuficiente [...] (HADDAD, & DI PIERRO, 2000, p. 125).

Além da importância de se pesquisar os motivos pelos quais os alunos deixam de estudar, ou retomam seus estudos ainda que tardiamente,

[...] o que surpreende e requer investigação não é a “evasão” que esvazia as salas de aula ao longo do ano, mas justamente as razões da permanência daqueles alunos e alunas que prosseguem seus estudos. (FONSECA, 2002, p.1-2, grifo do autor).

Sabe-se que mesmo que se fale em evasão escolar na modalidade da Educação de Jovens e Adultos, deve-se entender que esse “fenômeno” não ocorre como um fato isolado de outras questões, tais como: trabalho, família, entre outras. Porém, esse fato não deve ser desconsiderado, como poderá ser visto no capítulo seguinte.

A importância em pesquisas nesse âmbito se dá ao fato de que, de acordo com Naiff & Naiff (2008), a escola possui dificuldades para compreender as características dessa modalidade de educação (EJA), como por exemplo o entendimento dos motivos que os levam à evasão (exclusão escolar), e as motivações que envolvem sua volta à escola (reinserção escolar) e que são informações de grande importância para quem lida com a questão.