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O projeto institucional de criação da Unidade de Referência, denominado Siass-Ufal, que visa integrar e sistematizar os procedimentos de implementação da Pass, foi encaminhado, em 2010, ao MPOG, para assinatura e aprovação. Com sede no campus da Ufal, em Maceió, até a presente data a unidade não foi homologada.

Em Alagoas, vem se desenhando, até o momento, com duas unidades: Siass- Ufal, para servidores da Universidade regidos pelo RJU, e Siass-Ministério da Saúde de Alagoas (MS-AL), composta pelo pessoal do extinto Inamps, e estão sendo negociadas outras instituições, que queiram fazer parte dessa unidade, a exemplo do INSS, da Polícia Federal, etc.

A Ufal, por si só, comporta uma unidade, devido ao número de servidores, pois quase a metade dos servidores públicos federais do Poder Executivo trabalham na universidade. Segundo informações da gestora da unidade do MS-AL, o estado possui aproximadamente sete mil servidores.

Outras instituições demonstraram interesse em participar da unidade Siass- Ufal, mas alguns fatores, como a distância do campus, que dificulta o deslocamento do centro da cidade, onde se encontra a maioria das instituições públicas federais, fez com que não participassem, entre outros fatores, da organização burocrática, na criação e homologação da unidade.

A unidade Siass-Ufal, do ponto de vista organizacional, está subordinada à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho (PROGEPT), que coordena a implantação da unidade Siass e a implementação da Pass com ações integradas de saúde do trabalhador.

Atualmente, quem responde pela coordenação da unidade Siass-Ufal é uma assistente social, que também participa do Grupo de Trabalho (GT), no qual assume

a vice-coordenação dos trabalhos de implantação das unidades de referência no estado de Alagoas.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conforme estudos de Andrade (2009), a Pró-reitoria de Pessoal, à qual está subordinada a coordenação de Recursos Humanos (RH), facilita a prática da saúde do trabalhador na sua integralidade, relacionando-a com a política de promoção de saúde e profissional.

A Siass-Ufal, na prática, tem problemas de espaço físico para o devido funcionamento. A coordenação situa-se no prédio da administração central, na Reitoria, e os serviços de saúde, no Hospital Universitário, o que dificulta a comunicação mais rápida e os encaminhamentos de processos e decisões operativo-administrativas.

A unidade Siass-Ufal visa articular a prestação do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho aos servidores; a Perícia Médica Oficial da Ufal, redesenhando esse modelo. As diretrizes preconizadas pelo Siass, além de propor ações de intervenção mais amplas para o servidor, de forma integral, contemplam aquelas que promovam à saúde, especialmente as de prevenção.

Uma das características da coordenação do Siass-Ufal é a polissemia dos papéis e atribuições. Além de cuidar das ações, da articulação com os setores e instituições para efetivar a Pass, assume funções administrativas de prover recursos humanos e materiais para o funcionamento dos serviços de saúde, e executa atividades técnicas, como reuniões, encaminhamento, entre outras, o que dificulta a dedicação às atividades da coordenação. Por outro lado, facilita a comunicação da universidade como um todo, ou seja, entre os três campi da Ufal

Outro objetivo da proposta será desenvolver ações de saúde do servidor nos eixos de vigilância, promoção à saúde, assistência, previstos tanto na PNSST como na Pass, exceto a organização da perícia médica voltada aos servidores públicos.

Para viabilizar a proposta Siass-Ufal, na integralidade, é necessário construir um espaço físico no campus A. C. Simões-Maceió-AL. Atualmente, a unidade que presta serviços de saúde à Ufal funciona de forma precária e fragmentada.

Compete à Ufal nomear o gestor responsável pelo funcionamento da unidade Siass-Ufal, que tem as seguintes atribuições:

 Coordenar as ações desenvolvidas pela Perícia Oficial e pela Equipe Multiprofissional;

 Articular a captação de recursos financeiros para construção da sede da unidade;

 Viabilizar os meios e recursos necessários para o funcionamento das atividades propostas pela equipe;

 Articular a participação da Comissão Interinstitucional no processo de gestão da unidade, servindo como elo com a equipe de trabalho;

 Acompanhar a legislação relacionada à Pass, a fim de que as atividades desenvolvidas estejam em consonância.

As atribuições do gestor da unidade no processo de intersetorialidade e interinstitucionalidade na PNSST e Pass vêm acontecendo, como diz Vasconcellos (2007), com dificuldades burocráticas e a necessidade de demarcação de poder. Nessa relação do poder, existe o poder técnico dos profissionais de saúde, principalmente dos médicos da perícia, dos médicos do trabalho, no poder do gestor institucional local, e dos Ministérios de Educação e Planejamento.

A implantação do Siass, desde 2009, vem acontecendo em nível nacional por meio de encontros e treinamentos em perícia, nos quais se apresentam os instrumentos legais e técnicos para operacionalizar as perícias online, mas essas mudanças vêm acontecendo a passos lentos e com baixo envolvimento da equipe técnica, conforme declaram os gestores das unidades de referência em Alagoas: “Há uma resistência enorme dos servidores do setor em trabalhar com o sistema online. Entretanto, apesar de toda resistência, o trabalho está caminhando”.

Quanto aos recursos humanos, apesar da solicitação para ampliar a equipe de saúde, segundo o gestor: “A unidade Siass-Ufal é a mais completa, em termos de

diversidade de cargos”. O MPOG, nos encontros e seminários, divulga que: não há

necessidade de ampliação, considerando o número de profissionais de saúde do trabalhador referindo-se ao conjunto das unidades no território brasileiro.

O descompasso das falas entre o Ministério e os serviços de saúde existe, mas o Ministério não descarta a possibilidade de liberar vagas e concursos para suprir carências de pessoal, muito embora a três anos da implantação do Siass, ainda não apontou nenhuma medida concreta, quanto à liberação de verba para a construção de espaço físico, contratação de pessoal, etc.

Em outras unidades, sabe-se que será realizada licitação para contratar os serviços terceirizados, a exemplo do IBGE-RJ, como nos mostra Andrade (2009).

Como o plano de carreira do IBGE não tem mais o cargo de médico, a instituição optou por realizar um processo de licitação para contratação de médicos e técnicos de enfermagem, numa tentativa de recompor seu quadro na área da saúde e retomar os trabalhos nos programas de prevenção (p. 68).

A Pass está sendo desenvolvida no território nacional na tentativa de uniformizar as ações e os instrumentos legais, proporcionando o tratamento equânime, respeitadas as peculiaridades institucionais, locais e regionais.

As unidades Siass que possuem recursos podem avançar em algumas ações e medidas preventivas em saúde do trabalhador, enquanto outras ficam à mercê da disponibilidade do MPOG e das iniciativas e arranjos institucionais, quando houver interesse e envolvimento dos gestores em sua instância superior, e da pressão dos servidores organizados.

A terceirização dos serviços de saúde do trabalhador faz parte da política privada e é mantida pela pública, como é o caso do IBGE-RJ, entre outros. Outro fator é a falta de articulação com a rede de saúde do trabalhador (Cerest, Renast), instalada no País, o que contribui para o esfacelamento e a fragmentação das políticas de saúde do trabalhador, assim como a instalação de serviços precarizados.

Mas todas as instituições têm solicitado a realização de concurso público, concomitante com a contratação terceirizada para a manutenção dos serviços assistenciais, a exemplo dos exames ocupacionais, entre outros.

O MPOG necessita estabelecer parâmetros para dimensionar o número de profissionais da saúde para cada equipe, nas unidades de referência do Siass, pois, sem o estudo que possibilite o desenho das equipes multiprofissionais, pode-se cometer abusos e superdimensionamentos, assim como inviabilizar a proposta.

O IBGE-RJ, até 1990, assim como no serviço público em geral, trabalhava com um quadro de CLT, que definia o quantitativo dos profissionais médicos, engenheiros do trabalho, enfermeiro, etc., com base nos critérios estabelecidos e registrados no Ministério do Trabalho. A partir de 1990, com o RJU, deixa de existir a obrigatoriedade dos serviços de medicina ocupacional no serviço público.

No caso da Ufal, até os anos 1990, havia dois quadros de pessoal: um estatutário, outro celetista, regido pela CLT. Mas nunca existiu uma equipe de saúde do trabalhador e, consequentemente, os critérios da CLT nunca foram adotados para a formação da equipe de saúde do trabalhador.

A CLT tem um modelo de equipe de saúde do trabalhador nos moldes da medicina ocupacional, que considera os graus de risco, o número de empregados regidos por suas normas regulamentadoras. Mas isso não impede de estabelecer análise comparativa que considere a saúde do trabalhador, além dos riscos e ocupação projetando a definição e o parâmetro para formação de uma equipe, qualitativa e quantitativamente, interdisciplinar, para que aconteça a integralidade de ações de saúde do trabalhador.

A Constituição de 88 consolida a saúde do trabalhador nos textos legais e da Lei Orgânica da Saúde (8.080/1990), que estrutura o sistema de saúde nos diversos níveis: federal, estadual, municipal, configurando a diretriz de uma Política Nacional de Saúde do Trabalhador.

Com isso, as relações entre saúde e trabalho são asseguradas por lei, mas, quanto à política pública de saúde, ainda há um longo caminho a ser percorrido e construído coletivamente com a equipe de saúde dos trabalhadores, e representantes sindicais. A Política de Saúde do Trabalhador no serviço público está apenas começando.

Na proposta Siass-Ufal, a composição da equipe multiprofissional de saúde e dos técnicos administrativos para atender à forte demanda das ações implantadas, e a implementação na integralidade dos eixos prevenção, promoção e assistência, e a ampliação dessa equipe, são determinantes administrativos para o funcionamento da unidade, conforme o Quadro 8.

Profissional Disponível Solicitado (ideal)

Assistente social 3 5

Enfermeiro do trabalho 1 3

Técnico de enfermagem do trabalho 1 3

Médico do trabalho 2 3

Médico perito 5 5

Administrador 0 1

Odontólogos 4 4

Atendente de consultório odontológico 1 2

Psicólogo 1 2 Fisioterapeuta 1 2 Engenheiro do trabalho 1 2 Técnico em segurança 1 4 Assistente em administração 1 6 Terapeuta ocupacional 0 1 Educador 0 1 Nutricionista 0 1

Quadro 8: Servidores para a unidade Siass-Ufal Fonte: Projeto de ação da unidade Siass/Ufal

Pela formação indicada no Quadro 8, percebe-se uma preocupação em garantir equipe multiprofissional com vista à integralidade da saúde do trabalhador e a interdisciplinaridade das ações, não centralizando a equipe em cima da hierarquia médico–engenheiro–enfermeiro do trabalho, conforme os tradicionais serviços de medicina ocupacional e segurança do trabalho; mas a definição dos critérios adotados pode ser contestada. Não há parâmetros estabelecidos que dimensionem o número de assistentes sociais, terapeutas, psicólogos, médicos, etc. Ou, por exemplo, o número de odontólogos, uma vez que não se trata de programa de assistência odontológica, etc. Enfim, todos os números e especialidades profissionais podem ser contestados ou aceitos.

A estrutura organizacional da unidade Siass-Ufal foi construída pela equipe da gestão que propõe o organograma contido na Figura 3.

Figura 3: Organograma da Unidade Siass-Ufal Fonte: Projeto da Unidade Siass-Ufal, 2011

Verifica-se, no organograma, que a direção nacional, todas as unidades de referência Siass, independentemente da instituição, estão subordinadas ao MPOG- SRH. Outro traço comum entre PNSST e a Pass é a transversalidade com os Ministérios de Planejamento, Saúde e Educação, entre outros, que vem sendo construído e nem sempre tem relação harmônica, mas uma verdadeira arena e luta pelo poder decisório. É um processo em construção, e o MPOG tem a seu favor o poder do orçamento, enquanto todos os demais ministérios dependem de sua aprovação.

Na Ufal, assim como no IBGE-RJ e UFRJ, os setores de recursos humanos e das pró-reitorias de pessoal centralizam as decisões das ações, normatização, publicação e divulgação, ou seja, a gestão da unidade Siass, assim como na Ufal, está por sua vez subordinada à PROGEPT.

Em relação à comissão interinstitucional, só será instalada quando estabelecido o acordo de cooperação para compor a unidade Siass-Ufal. A comissão é composta por, no mínimo, dois servidores efetivos de cada órgão participante, com o objetivo de supervisionar as atividades desenvolvidas pela unidade de referência e propor ao gestor responsável melhorias no processo de gestão e condução das atividades realizadas.

Quanto às atividades estabelecidas na proposta do Siass-Ufal, estão em consonância com as diretrizes do Pass, e o que tem sido o carro-chefe para os demais eixos é o trabalho da Perícia Oficial em Saúde (POS), que consiste na avaliação técnica de profissionais relacionados à saúde e à capacidade laboral, realizada na presença do servidor por médico ou cirurgião-dentista formalmente designado pelo responsável da instituição onde está instalada a unidade de saúde. Assim, a perícia oficial de saúde na Ufal é oficialmente designada por portaria assinada e homologada pelo(a) reitor(a) em exercício.

Há reivindicações ao MPOG, por parte das equipes de saúde, para que se crie a carreira de peritos, com salários iguais aos de peritos do INSS, proporcionando a isonomia salarial entre aqueles profissionais. Aliás, essa reivindicação de isonomia salarial é um dos nós não resolvidos na área do SUS. Não há tempo determinado para a permanência dos membros de perícia oficial que têm autonomia em seus atos e avaliações.

Os profissionais da área de saúde podem contribuir para a avaliação pericial com pareceres técnicos específicos de cada área de atuação, promovendo, assim, uma ação multiprofissional na prática da Perícia Oficial de Saúde.

Para isso, a equipe da perícia em saúde é composta por médicos, odontólogos, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, e conta ainda com o apoio de técnico de enfermagem e/ou de saúde bucal.

A atividade de perícia oficial em saúde é inerente ao médico e ao odontólogo, designados peritos, cabendo aos demais profissionais da área da saúde e de segurança no trabalho subsidiá-la por meio de parecer específico.

No I Encontro Nacional da Saúde do Servidor Público Federal (ENASSPF), em 2008, os profissionais que atuam na referida área de saúde, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, reivindicaram seu espaço e o reconhecimento dos pareceres técnicos e periciais legalmente. Legitimamente reconhecidos por aqueles trabalhadores que deles necessitam, depende da solicitação médico-odontólogica, se assim julgar necessário. Reivindicam ampliar o olhar pericial além da área médica retirando-a do isolamento homologatório e inseri-la em uma análise técnica humanitária, com a integração das atividades periciais, assistenciais, promoção e vigilância.

Nesse encontro de 2008, em Brasília, foi também questionada a ênfase dada nas ações de perícia e saúde suplementar em detrimento das ações de promoção e vigilância. Os próprios peritos reconheceram que estão mais preocupados, o governo e a gestão ministerial, com os gastos financeiros, em decorrência dos afastamentos por motivo de adoecimento do servidor, do que com a promoção e vigilância na sua totalidade. É sempre bom lembrar que os gastos com a previdência do servidor vêm da contribuição do próprio servidor e de todos os cidadãos brasileiros que contribuem com taxas, empréstimos e serviços públicos.

Vejamos o que diz este profissional da saúde do trabalhador que atua na Siass-Ufal sobre a Pass-Siass:

No papel é uma beleza, mas na realidade têm muito a avançar, sendo muito importante esse controle dos afastamentos por parte do governo, já que tais afastamentos e aposentadorias precoces configuram-se como um enorme gasto aos cofres públicos, observa-se que a grande preocupação do governo é com o controle das licenças, assim, tem investido mais na área pericial, ficando muito a desejar as áreas de prevenção, promoção e assistência (Entrevista com Profissional de Saúde do Siass-Ufal).

Todos os profissionais envolvidos na implantação do Siass reconhecem o maior interesse, da política do governo, na minimização de custos e pouca ênfase nas ações que atendam às necessidades dos servidores públicos na promoção do bem-estar físico, do mental e em melhorias nas relações e condições de trabalho.

A implementação da Pass, na integralidade das ações, só avançará se houver mais pressão do trabalhador e engajamento nas discussões, encontros por investimentos na saúde, e construção dos espaços democráticos. Enfim, em todos os espaços coletivos promovidos pelo MPOG, no engajamento dos sindicatos, das associações, dos grupos de trabalho que priorizem a agenda de saúde do servidor. No momento atual, o movimento sindical está ausente na construção das ações de saúde promovidas pela instituição em estudo.

3.2.3. Atribuições da equipe multiprofissional da perícia de saúde da unidade de

Benzer Belgeler