3. MODÜLER PANO MODELİNİ ŞEKİLLENDİRME
3.5 Tekniğe Uygun Şekillendirme
No ano de 1973, na cidade de São Paulo, um projeto experimental de Saúde Mental na Atenção Básica passa a ser gestado pelo então coordenador de Saúde Mental do Estado, prof. Luiz Cerqueira, e o professor da Medicina Preventiva da USP, Guilherme Rodrigues da Silva. Essa perspectiva de atenção, que foi responsável pela formação de pessoas e por influenciar a política pública, inicialmente foi implementada no Distrito de Pinheiros e se estendeu, posteriormente, para o Butantã, na zona oeste da cidade.
Durante a gestão do governador André Franco Montoro (PMDB), nos anos de 1982 a1986, ocorreu a ampliação da rede de assistência extra-hospitalar, com a criação de ações em saúde mental nas Unidades Básicas de Saúde e novos ambulatórios, tendo como referência o projeto de saúde mental implantado em 1973 por Luiz Cerqueira. Na cidade de São Paulo, na gestão de Mário Covas (PMDB),
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nos anos de 1983 a1985, foi executado o Plano Metropolitano de Saúde, envolvendo a Secretaria de Higiene e Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo. Esse período é reconhecido como responsável por trazer várias contribuições na organização dos serviços de saúde mental, isso porque ocorreu um processo de discussão e de reflexão crítica a respeito das ações no âmbito das políticas públicas de saúde mental.
A criação do CAPS Prof. Luiz da Rocha Cerqueira em 1987 foi significativa para a cidade, pois possibilitou pensar o atendimento para além do espaço institucionalizado do hospital, configurando-se como uma estrutura intermediária entre este e a comunidade. Organizado de forma mais flexível, destinava-se ao atendimento dos usuários considerados psicóticos e neuróticos graves.
Segundo Luzio:
[...] o projeto original previa a criação, pela SES-SP, de uma rede de CAPS, em que privilegiasse a construção de uma prática clínica na qual a fala do doente seria tomada “não pelo reconhecimento do sintoma, mas como produção de um sujeito social dentro dos limites, certamente problemáticos, que a loucura impõe”. (LUZIO, 2006, apud GOLDBERG,1986, p.21)
A proposta clínica do CAPS buscava privilegiar uma prática centrada na vida cotidiana da instituição e do usuário e que fosse capaz de possibilitar a instância terapêutica por meio do reconhecimento da importância da fala e da escuta como meio de desvelamento dos sentidos.
As intervenções deveriam ativar várias práticas terapêuticas (medicação, psicoterapia, grupos, reuniões de usuários, atividades expressivas) na abordagem global do usuário, ancoradas nas concepções contemporâneas da psiquiatria, em outras áreas do conhecimento e, principalmente, em toda uma bagagem de experiências práticas. (LUZIO, 2006, p. 285 apud GOLDBERG,1986)
Tendo em vista a proposta de rompimento com o modelo anterior que o serviço trazia em sua origem, algumas dificuldades se apresentaram para a equipe, sendo relevante sinalizar o distanciamento entre os profissionais e os usuários, devido à inexperiência dos primeiros e, também, ao preconceito em relação às pessoas com sofrimento psíquico intenso, e à dificuldade no rompimento com o modelo médico, centrado no medicamento como forma de tratamento. Um dispositivo importante criado na época foi a Associação Franco Basaglia, que
contava com a participação de profissionais, usuários, familiares e demais interessados. Essa associação, em conjunto com o CAPS, foi responsável por desenvolver projetos especiais que buscavam a promoção da autonomia dos pacientes, e para isso foi essencial a presença da família e da sociedade, como forma de viabilizar a gestão extraclínica da vida dos usuários, com o objetivo de possibilitar o exercício pleno da cidadania e difundir novos valores, noções, conceitos e modos de perceber a loucura e de efetivar sua assistência.
A proposta de ampliação desse tipo de serviço não foi levada a cabo, devido aos retrocessos ocorridos nos governos estaduais Quércia e Fleury (1987 a 1994), além da implementação do processo de municipalização da saúde, responsável em parte pela retração do investimento do governo Estadual na criação de novos serviços de saúde.
No governo Municipal de Luiza Erundina (PT), mais precisamente no ano de 1989, foi implantado um programa de saúde mental com base em duas premissas fundamentais: a primeira dizia respeito ao reconhecimento de que o sofrimento psíquico era parte integrante e indissociável do sofrimento dos indivíduos submetidos a desigualdades sociais, e a segunda com o entendimento de que uma política de saúde mental precisava romper com o modelo hegemônico centrado nas internações psiquiátricas e em outras práticas manicomiais.
Em síntese, a experiência desenvolvida pelo gestor municipal no início da década de 1990 reproduziu, de maneira geral, a lógica do modelo hierarquizado implantado na década de 1980. Porém, deve-se destacar que a criação dos CECCOs representou uma significativa contribuição para a construção de novos modelos assistenciais em saúde mental.
Durante os governos de Maluf e Pitta (1992 a 2000), esse projeto foi desativado. Implantou-se o Plano de Assistência à Saúde (PAS), pelo qual toda a assistência em saúde e em saúde mental foi terceirizada, ficando sob a responsabilidade das cooperativas médicas profissionais. Uma parte dos funcionários municipais da saúde, em especial da saúde mental, não aderiu ao PAS, e as cooperativas contrataram novos e inexperientes profissionais. Com isso, as ações voltaram a ser restritas às consultas e aos exames, centradas no modelo
médico-curativo tradicional. Na realidade, o PAS produziu desassistência e caos na saúde.
A partir do ano 2000, os prefeitos Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) realizaram a gestão da saúde no município buscando implantar a política de saúde mental, tendo como maior desafio a criação e a manutenção da rede de atenção psicossocial capaz de atender às necessidades da população.
O que é possível concluir, contrastando os dados apresentados com a realidade, é que os avanços ocorreram, porém não ainda suficientes para dar conta de uma demanda que requer resposta em curto prazo, pois envolve o sofrimento humano e social, repercutindo diretamente nas relações e nos espaços de vida dos que estão envolvidos com esta questão.
Tabela 4
Centros de Atenção Psicossocial
Cobertura – nº de unidades por 100.000 habitantes estado de São Paulo
Mai/06
SM1 Jul/06 SM2 Dez/06 SM3 Ago/07 SM4 Out/08 SM05 Jun/09 SM06 Mai/10 SM7 Jul/11 SM9
População 40.442.795. 40.442.795 40.442.795 40.442.795 41.011.635 41.011.635 41.011.635 41.252.160 CAPS I 36 37 37 43 48 53 55 61 CAPS II 50 51 53 57 64 72 75 76 CAPS III 14 15 15 15 17 17 19 22 CAPSi 18 20 20 21 22 24 27 30 CAPS ad 35 35 40 42 45 49 59 62 CAPS ad III Total 153 158 165 178 196 215 253 251 Indicador CAPS/100.000hab 0,35 0,36 0,38 0,41 0,44 0,48 0,53 0,56
Elaboração do autor com base nos Boletins “Saúde Mental em dados” do Ministério da Saúde.
CAPÍTULO II – SAÚDE E SAÚDE MENTAL NO ESTADO DE SÃO PAULO: