BÖLÜM 2: TEKĠRDAĞ ĠLĠ HALK OYUNLARI
2.2. Tekirdağ Yöresi Halk Oyunlarına Genel BakıĢ
2.2.2. Tekirdağ Yöresi Halk Oyunları Kıyafetleri
Meu primeiro passo em campo foi procurar conhecer mais de perto as profissionais responsáveis pelo programa HORA DA LEITURA. Inicialmente, encontrei-me, na sala dos professores, com a professora Mônica, que já conhecia, pois assistia a quase todas Orientações Técnicas e Videoconferências do programa na Diretoria de Ensino. Nessa ocasião, forneci informações sucintas sobre minha pesquisa e qual seria o meu papel no decorrer daqueles meses em que estaria na escola. A professora mostrou-se receptiva e até entusiasmada. De acordo com seu ponto de vista, eu poderia ajudá-la no trabalho que vinha sendo realizado, já que estava enfrentando algumas dificuldades. Essa observação deixou-me bastante inquieta, pois, apesar do contato direto que tinha com Programa, não me sentia suficientemente segura para indicar caminhos e, além disso, meu objetivo como pesquisadora não era explicitamente interferir na prática pedagógica das profissionais com as quais
começava a me relacionar, mas sim observar os alunos em suas práticas de leitura dos textos literários.
Naquele momento percebi de forma clara o que afirma Rockwell (1986, p.21) : “no hay entrada neutral” em campo. Estava vinculada a uma instituição específica, uma Diretoria de Ensino da Secretaria de Estado da Educação que representava, dentro de uma escala de hierarquias, uma instância superior que tinha como principais funções coordenar e acompanhar o planejamento, a execução e a avaliação das atividades pedagógicas e, além disso, sabia que, na concepção de muitos, o apoio técnico significava vigilância. Preocupava- me, nesse sentido, a posição que passaria a ocupar na visão das educadoras responsáveis pela HORA DA LEITURA, que, em grande medida, iam contribuir para o andamento da pesquisa. Apesar das explicações dadas, teriam compreendido quais eram meus reais objetivos? Receava comprometer meu trabalho pela criação de vínculos inadequados.
Sempre muito amável, a Vice-Diretora Aquico acompanhou-me à Biblioteca e apresentou-me à professora Mara, uma das responsáveis pelo local, dizendo que eu era da Diretoria de Ensino. Em seguida, deixou-nos a sós e retornou aos seus afazeres. Como em nenhum momento falou-lhe de meu papel enquanto pesquisadora achei por bem lhe explicar sobre minha pesquisa, meus objetivos e, ao mesmo tempo, requisitar sua ajuda para melhor conhecer o funcionamento da biblioteca. Desse modo, naquela oportunidade já pude observar, de forma mais detida, o principal local onde pretendia realizar as observações, examinando o espaço disponível, o mobiliário, a disposição das estantes e mesas, os recursos disponíveis, a iluminação etc. Não imaginava, porém, que o encontro com as outras duas professores que lecionavam a HORA DA LEITURA seria decisivo na mudança de foco da pesquisa.
Na semana seguinte, conheci as professoras Lúcia e Fernanda e iniciei um diálogo que determinou o andamento do trabalho em campo. Senti-as imensamente inseguras. A professora Fernanda chegou a afirmar “estou desesperada... tenho quinze aulas da Hora da Leitura e, às vezes, não sei o que fazer com dois ou três livros na mão e quarenta “carinhas” me olhando...”, “...eles não gostam de ler literatura...”, “...acho o projeto maravilhoso, mas estou pensando em abandoná-lo no ano que vem”. Indaguei-as se não estavam tendo acesso às orientações do programa. Disseram-me que sim, mas não na sua totalidade, pois não era sempre que conseguiam assistir às atividades promovidas na Diretoria de Ensino. Os professores da HORA DA LEITURA revezavam suas idas às reuniões de capacitação e, sempre
que possível, compartilhavam com os colegas o que havia sido discutido e sugerido. Às vezes, acessavam o site do Centro de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) e imprimiam alguma sugestão. Nesse momento, foram inevitáveis os questionamentos que surgiram. Como professoras de Língua Portuguesa experientes, uma com mais de dez anos ministrando aulas de língua materna, conforme haviam me relatado, sentiam tanta dificuldade em ler com e para os alunos? Por que a requisição para tratar o texto literário de forma diferenciada, mais lúdica e prazerosa, causava tamanha ansiedade? Seria uma inquietação advinda da falta de formação que dificultava a escolha de obras adequadas, a utilização de estratégias apropriadas, as formas de sensibilização mais eficazes e a criação de um ambiente propício à leitura? Não estaria a própria estrutura escolar e/ou do Programa HORA DA LEITURA impossibilitando uma prática de leitura de cunho lúdico-artístico?
Em meio a tantas inquietações, ponderava sobre as leituras que já vinha realizando sobre o tema, buscando refletir sobre alguns conceitos que pudessem direcionar meu olhar.
É fato que as relações entre as criações literárias e a instituição escolar sempre foram problemáticas. Usados para fins pragmáticos os textos literários têm sido considerados, no âmbito das instituições escolares, um meio para atingir objetivos didático-pedagógicos. De um lado, imprimir comportamentos, criar valores e manipular emoções. De outro, ensinar questões relativas à língua, pretexto para abordar gramática. Tais concepções refletem-se nas práticas pedagógicas, permeadas de exercícios mecânicos, cópias, interpretações textuais, elaboração de fichas de leitura e avaliações. Desconsideram a especificidade da obra literária, enquanto objeto artístico por excelência, cuja abordagem precisa estar vinculada ao prazer e à motivação, a fim de que seja criado um ambiente significativo de leitura. (BAMBERGER, 1987; RODARI, 1982)
A partir das reflexões acima, e considerando o motivo pelo qual as professoras responsáveis pelo programa HORA DA LEITURA sentiam tanta dificuldade em realizar uma prática de leitura de textos literários sob uma perspectiva mais lúdica e prazerosa, propiciando um ambiente adequado à constituição de sujeitos leitores, optei por acompanhar as atividades realizadas durante a Hora da Leitura, levantando a escolha das obras trabalhadas, as formas de sensibilização utilizadas, o uso de instrumentos, as estratégias para estimular a leitura e a utilização ou não de espaços privilegiados para leitura, em especial, a biblioteca escolar. Para isso, propus-me a acompanhar, de forma mais direta, uma das professoras, Fernanda,
responsável pela maioria das aulas do programa – quinze aulas – durante uma tarde por semana, em aulas ministradas a uma 5ª série. Além disso, continuaria dialogando com as professoras Lúcia e Mônica, tanto na unidade escolar como nas orientações técnicas realizadas na Diretoria de Ensino.
As hipóteses que norteavam a questão de pesquisa, como já citadas na introdução, eram: por um lado, acreditava que, habituado a cultivar crenças já arraigadas em nossa sociedade, segundo as quais as crianças não gostam de ler, especialmente os clássicos, e limitado por uma formação inicial e contínua deficiente, por uma vivência insuficiente com a leitura, o educador demonstra, em sua prática pedagógica, as implicações metodológicas das suas concepções, por meio do ambiente criado para leitura e da abordagem realizada que não possibilitam à criança criar uma intimidade maior com os livros e a leitura. Por outro lado, considerava que um entrave encontrado no interior das escolas é já endêmico em nosso país: a falta de recursos físicos e humanos, principalmente nos espaços propícios para a leitura, como a biblioteca escolar, dificulta, sobremaneira, um trabalho diferenciado com o texto literário.
Cabe ressaltar que a escolha por uma quinta série deve-se ao fato de que, segundo pesquisas, ser essa uma fase de transição em que a criança vai, paulatinamente, diminuindo o interesse pela leitura. Acreditamos que, pela observação participativa, podemos perceber de que forma as práticas pedagógicas podem ou não contribuir para esse afastamento.
Dessa forma, a pesquisa ficou assim organizada: observação sistemática das aulas de leitura ministradas pela professora Fernanda na 5ª série C, na sala de aula e na biblioteca escolar, que ocorriam uma vez por semana durante 50 minutos; conversas e entrevistas formais e informais com os diferentes atores diretamente envolvidos neste processo - alunos da 5ª série C e funcionárias da biblioteca - e aplicação de questionário que procura levantar as concepções relativas à abordagem dos textos literários e, além disso, as características formativas dos professores do programa que participavam das videoconferências e das orientações técnicas, na Diretoria de Ensino, dentre os quais a professora Fernanda estava incluída. Assim, acompanhamos a professora Fernanda, principal sujeito da pesquisa, tanto inserida em um contexto maior de formação continuada, no caso o programa HORA DA LEITURA, bem como em sua prática cotidiana na sala de aula e na biblioteca escolar. Paralelamente, foram sendo realizadas pesquisas em documentos relacionados ao programa e pesquisa bibliográfica sobre a prática de leitura de textos literários.
Ao ser realizado, esse trabalho de campo teve a duração de 9 meses – de abril a dezembro de 2006. Durante esse período, foram realizadas 25 visitas à escola, totalizando cerca de 30 horas de observação e 10 horas de conversas formais e informais e entrevistas. Paralelamente, durante mais de 60 horas, foram elaborados registros ampliados das anotações que eram feitas no campo.