A EE “Mário Lago” está situada na Zona Leste da capital de São Paulo, em um bairro eminentemente comercial, próximo a duas favelas e a uma COHAB-SP12. Apesar da região dispor de Posto de Saúde, Hospital Público, ainda que em situação precária, EMEIs, Igrejas, inúmeros bancos, além de escolas particulares e públicas, chamou-me a atenção a inexistência de um local de lazer. Há uma carência de cultura, de espaços que promovam a livre expressão da comunidade como um todo. Crianças perambulam pelas ruas, expostas não só a violência como aos perigos do intenso tráfego da região.
A escola, tendo sido criada em 1932 e estabelecida num prédio de três pavimentos - um piso térreo e dois andares -, possui instalações relativamente antigas. Logo ao entrar, no andar térreo, nos deparamos com nove salas utilizadas para fins administrativos: uma pequena sala em que ficam os inspetores, sala dos professores, sala da direção, sala do vice-diretor, secretaria, sala da coordenação, sala de arquivos e banheiros administrativos, feminino e masculino. No mesmo andar, ao lado do pátio, há o laboratório de matemática, sala com instrumentos de fanfarra, sala de artes (com duas lousas danificadas, seis mesas compridas, treze bancos, cinco estantes de metal, palco para marionetes e dois filtros de água), biblioteca (com um acervo de mais de 10.000 exemplares, sete mesas redondas com 35 cadeiras, uma TV de 21” e um computador que no momento não está funcionando), quadra coberta, espaço para pingue-pongue, anfiteatro com capacidade para 250 pessoas (com palco com piso de cimento, paredes danificadas, janelas com vidraças quebradas, entrada não-adaptada para pessoas com deficiência física e ausência de saída de emergência) e dois camarins. No mesmo corredor em que está a biblioteca, há vários espaços utilizados para fins gerais – depósito de equipamentos, dois vestuários (feminino e masculino), dois banheiros para alunos, cozinha, depósito de merenda anexo à cozinha, depósito de material de limpeza, cantina ao lado da biblioteca e refeitório.
No primeiro andar, a escola conta com 22 salas da aula. No segundo andar, subindo dois lances de escada, há sala de informática (com 10 microcomputadores AMD – K6 conectados a Rede, 02 impressoras sem cartucho, 1 skanner e duas caixas com vários programas educacionais), sala de vídeo (com dois episcópios, dois retroprojetores, uma TV 29” e uma TV 21”) e laboratório de ciências físicas e biológicas.
A maioria das salas de aula é ampla, assim como as escadarias e os corredores. O mobiliário é antigo e insuficiente para o número de alunos – aproximadamente 2100, distribuídos em 52 classes (22 salas do Ensino Médio pela manhã, 22 do Ensino Fundamental - Ciclo II à tarde e 8 do Ensino Médio no período noturno). Em muitas salas, há somente 37 carteiras e 37 cadeiras, para uma média de 40 alunos por classe. Nota-se também que o número de cortinas é insuficiente, o que confere às salas um aspecto pouco aconchegante. Além disso, há infiltrações e goteiras que parecem já estar comprometendo a integridade do forro de gesso.
Ainda que existam muitos espaços disponíveis, circular na escola é muito difícil. Há inúmeras grades com cadeados que dividem os ambientes. Os professores e alunos, por exemplo, para ter acesso à cantina ou à biblioteca passam por um grande portão de ferro que permanece fechado a maior parte do tempo. Para chegar a esses locais, portanto, a intervenção das inspetoras, que estão sempre com um molho de chaves no bolso dos aventais, é imprescindível. Além disso, as câmaras instaladas nos corredores como forma de segurança parecem restringir ainda mais os movimentos. Assim que, nos primeiros dias em que visitei a escola, ainda que muito bem recebida pela vice-diretora e pelos professores do programa, senti-me tolhida, sem liberdade e até certo ponto incomodada. Sempre que chegava, precisava pedir a alguém que abrisse o cadeado do portão de entrada, se me dirigia à biblioteca também, se à cantina, da mesma forma. Comecei a me indagar de que forma se sentiriam os alunos.
Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas pela escola no que se refere ao espaço físico, que carece de manutenção, conservação e ajustes, à adequação do mobiliário, que é insuficiente não só para os alunos, mas também para os professores e demais funcionários, e à vigilância que impede a livre circulação a EE. Mário Lago desenvolve inúmeros projetos que contam com a participação ativa dos alunos. Dentre eles, o Projeto Teatro que tem oito anos de existência, é formado por três grupos - TA & PÁ, Teatro Juvenil ou Adulto, UNI - DUNI -
TÊ, Teatro Infantil e TAL & PÁ JR., teatro Infanto-Juvenil - e já recebeu inúmeras premiações e o Projeto Revista GALA, que foi fundada em 2001, nos moldes dos movimentos literários, e reúne alunos poetas e escritores do Ensino Médio da manhã.
A fim de atender a demanda da região, a escola organiza-se em três períodos da seguinte forma:
Cursos
Período ENSINO MÉDIO (da 1ª à 3ª série) ENSINO FUNDAMENTAL Ciclo II (da 5ª à 8ª série) MANHÃ
(das 7 às 12h) Mais de 900 alunos distribuídos em 22 salas. TARDE
(das 13 às 18h) Mais de 800 alunos distribuídos em 22 salas. NOITE
(das 19 às 23h) Mais de 400 alunos distribuídos em 8 salas.
Figura 21 – Número de alunos por Curso e Período
A clientela atendida pela escola é formada, na sua grande maioria, de crianças e jovens com nível cultural e econômico baixo. Muitos possuem problemas de saúde - raquitismo, subnutrição, higiene, odontológico... - e na estrutura familiar que, de acordo com a vice- diretora e professores da escola, interferem na aprendizagem. É interessante frisar que, segundo pesquisa realizada pela escola, a maioria dos estudantes tem uma expectativa positiva quanto ao local em que estudam e buscam, na escola, além de formação cultural e educativa, um ponto de lazer e convívio.