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Tek Frekanslı ve Çoklu frekanslı AKM ile Elde Edilen Sonuçlar

5. SONUÇLAR

5.2 Tek Frekanslı ve Çoklu frekanslı AKM ile Elde Edilen Sonuçlar

Outro uso das maldições por Israel no AT é como pedido de castigo divino contra os inimigos. Aqui serão apresentados alguns exemplos.

Em Jeremias 18,18-23 encontra-se uma passagem que tem preocupado a muitos. Nela é possível perceber que Jeremias, sentindo-se ameaçado pelos líderes de seu povo, em um ato

extremo, não tendo outra maneira de atingir inimigos muito mais poderosos do que ele, lança mão de uma terrível maldição, com a intenção de aniquilar os seus adversários. O texto diz assim:

18 Eles disseram: "Vinde! Maquinemos planos contra Jeremias, pois o

ensinamento não faltará ao sacerdote, nem o conselho ao sábio, nem a palavra ao profeta. Vinde! Firamo-lo com a língua e não atendamos a nenhuma de suas palavras."

19 Atende-me, Iahweh, e escuta o grito de meus adversários.

20 Acaso se retribui o bem com o mal? Porque eles cavaram uma cova para

mim. Lembra-te que eu estava diante de ti para falar bem em favor deles e para afastar deles a tua cólera.

21 Por isso entrega os seus filhos à fome e dá-os ao fio da espada! Que sua s

mulheres sejam estéreis e viúvas, seus maridos sejam mortos pela peste e seus jovens sejam feridos pela espada no combate!

22 Que se ouçam gritos de suas casas, quando trouxeres, de repente, contra eles

um bando de ladrões. Porque eles abriram uma cova para me pegar e esconderam armadilhas para os meus pés.

23 Mas tu, Iahweh, conheces todos os seus planos de morte contra mim. Não

perdoes a sua falta, não apagues o seu pecado de diante de ti. Que eles sejam derrubados diante de ti, no tempo de tua ira contra eles!

Roland K. Harrison afirma que muitos intérpretes pensam ser este texto um acréscimo ao Livro de Jeremias, pois é muito diferente dos escritos normais do profeta. Contudo, para Harrison, Jeremias estava pedindo realmente que seus inimigos fossem castigados de forma bastante dura e, ainda que isto venha a destoar da prática normal do profeta, combina muito bem com outras maldições proferidas em nome de Iahweh, como, por exemplo, a do Salmo

137,9 que é bastante semelhante com as palavras de Jeremias em 18,21: “Por isso entrega os seus filhos à fome e dá-os ao fio da espada ...”.268

O rei Davi tinha um conselheiro muito sábio chamado Aquitofel. Sua resposta a uma consulta era considerada como se fosse a do próprio Deus, (2Sm 16,22) tamanha a credibilidade que havia em seus conselhos. Quando da rebelião de Absalão, contra seu pai Davi, Aquitofel traiu a Davi e passou para o lado do revoltoso. Davi ao receber esta notícia, sabendo da grande qualidade dos conselhos deste homem, agora seu inimigo declarado, passa a amaldiçoá-lo imediatamente, com a intenção de destruir a capacidade do conselheiro. Suas palavras foram: “Ó Iahweh! Faze que sejam insensatos os conselhos de Aquitofel!” (2Sm 15,31b). Aquitofel não estava ao alcance de Davi, mas do pedido de castigo divino ele não poderia escapar.

Neemias ao ser ridicularizado por seus inimigos Sambalate e Tobias, claramente mais poderosos do que ele, não tendo outra forma de reagir, usou a maldição como pedido de castigo divino contra seus inimigos. Estas são as suas palavras: “Ouve, ó Senhor Deus, pois somos tão desprezados; faze recair o opróbrio deles sobre as suas cabeças, e faze com que eles sejam um despojo numa terra de cativeiro. Não cubras a sua iniqüidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois que te provocaram à ira na presença dos edificadores (Ne 4,4.5).

Derek Kidner lembra que esta oração de Neemias não é coisa nova no AT, ela é semelhante a muitas outras no Livro de Salmos e em Jeremias, funcionando como uma reação ao desprezo por parte dos inimigos.269

268 Roland K. Harrison, Jeremias e Lamentações: introdução e comentário, São Paulo, Edições Vida Nova, 1980, p.87, 88.

Em Lamentações 3,1-66, Jerusalém destruída pelo inimigo, pouco ou quase nada podia fazer, mas lhe restava ainda o pedido de castigo divino contra o inimigo, a maldição, a qual não deixou de ser usada (59-66).

Na ocasião em que Israel enfrentou Amaleque (Ex. 17,8-16) também pode ter sido usada a maldição como pedido de castigo divino contra o inimigo. O texto não é claro, mas Roy L. Honeycutt comenta que levando em consideração os padrões de pensamento antigo, para o escritor de Êxodo, o ato simbólico de Moisés ao levantar os braços devia liberar forças poderosas vindas de Deus para desbaratar o inimigo.270

Alan Cole, na mesma linha de pensamento, sem fechar questão, diz que, embora o levantar e abaixar das mãos possa ter sido um sinal para as tropas de Israel avançar, ou recuar, também há a possibilidade, neste caso, de Moisés estar colocando Amaleque sob maldição.271

Se for assim, Moisés estava usando a maldição como pedido de castigo divino. Ele buscava a destruição de Amaleque, o inimigo de Israel naquela batalha.

Aage Bentzen referindo-se ao capítulo quatorze do Livro de Isaías que trata do cântico sobre a Babilônia, diz que esta Canção de Lamentação é na verdade um encantamento com a finalidade de matar o inimigo.272 Em última análise então, era uma maldição sendo usada

como pedido de castigo divino contra um país mais poderoso.

No Livro de Juízes, também, pode ser encontrado o uso de maldição como pedido de castigo divino contra inimigos. Jotão não podendo combater o usurpador Abimeleque, o povo de Siquém e Bete-Milo, amaldiçoou-os e fugiu temendo ser morto. A maldição foi nestes termos: “Se não, que saia fogo de Abimelec e devore os homens notáveis de Siquém e de Bet- Melo, e que saia fogo dos homens notáveis de Siquém e de Bet-Melo para devorar

270 Roy L. Honeycutt, Jr., Êxodo, em Allen Clifton (ed.), Comentário bíblico Brtoadman: Velho Testamento, 2. ed., Rio de Janeiro, JUERP, 1986, p.475. v.1.

271 Alan Cole, Êxodo: introdução e comentário, São Paulo, Edições Vida Nova, s/d, p.132. 272 Aage Bentzen, Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo, ASTE, 1968, p.154. v.1.

Abimelec!” (Jz 9,20). Logo mais, no mesmo capítulo, Abimelec foi morto, e o escritor bíblico concluiu que isto foi castigo de Deus e resultado da maldição de Jotão contra o povo de Siquém (Jz 9,56.57).273 Assim, nota-se que a maldição era usada como pedido de castigo divino para destruir, ou castigar, o inimigo. Havia a crença, inclusive, de que ela realmente funcionava e causava os danos esperados.

Nesta divisão do capítulo foi apresentado um panorama geral de como são usadas as maldições, no AT, fora do Livro de Salmos. Provavelmente, com esta base assentada, ficará mais fácil de compreender o uso delas também no Saltério, que será o próximo assunto.

Conhecer como é que os vizinhos de Israel usavam as maldições pode ser um fator importante para se entender melhor o uso delas pelo próprio povo de Israel e, conhecer a maneira como Israel as usava em outras partes do AT deve ajudar a esclarecer o seu uso também no Livro de Salmos como um todo e no Salmo 137, em particular.

Benzer Belgeler