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2.1.1. Kocanın Karısı Üzerindeki Bazı Hakları

2.1.3.3. Te’dip Yöntemleri

As discussões do item anterior apontam para uma crise na profissão docente, sendo que a condição atual do magistério configurada por essa situação, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, tornou-se uma temática muito explorada tanto pela mídia televisiva como pela produção acadêmica.

Neste sentido, este item tem por objetivo apresentar questões sobre o tornar-se professor nos dias de hoje, considerando o contexto acelerado de mudanças sociais, políticas e educacionais. Busca-se caracterizar esse profissional na realidade atual e compreender os processos de formação e aprendizagem da docência, com vistas a esclarecer a complexidade da atuação docente e sugerir meios para sua superação. Para tanto, faz-se uso das contribuições teóricas de diversos autores que sinalizam a necessidade de considerar o conhecimento dos professores como fonte indispensável para compreensão dos processos constitutivos da docência e superação dos dilemas advindos da prática.

De um modo geral, pode-se afirmar que as inúmeras transformações da sociedade contribuíram para que a docência fizesse parte de uma situação muito delicada. Assim como foi discutido anteriormente, o desenvolvimento acelerado da sociedade e a democratização do acesso à escola trouxeram inúmeras transformações ao contexto escolar e à profissão docente. Dessa forma, essa nova realidade configurada pelos aspectos supracitados revela a complexidade da docência, pois os professores precisam acompanhar essas mudanças que diversificam o cenário social e educacional constantemente, exigindo uma multiplicidade de conhecimentos e saberes necessários para o seu exercício.

Essas considerações evidenciam que ser professor tornou-se uma profissão desafiante, além disso, o processo de aprendizagem e desenvolvimento profissional da docência envolve um misto de situações oriundas das experiências pessoais, da formação básica e das vivências proporcionadas pela inserção no contexto de trabalho. Neste sentido, antes de propiciar uma discussão acerca do professor face aos saberes e conhecimentos construídos ao longo do percurso de constituição da docência, voltamo-nos a esclarecer questões sobre o ser professor nos dias de hoje.

Mello (1998) considera que o professor é o profissional responsável por uma atividade complexa e sobre a qual tem que refletir constantemente, sua formação têm início muito antes da preparação formal, sendo que esse processo não se finda, já que a constituição da docência implica construir conhecimento sobre seu trabalho, estar em constante transformação e interação. Ressalta-se, inclusive, que a atividade docente caracteriza-se como uma função social específica, especializada e dotada de peculiaridades que fazem desse profissional um sujeito social. A referida autora afirma que o ser professor faz parte de um processo que se delineia por diferentes estados e condições e, ainda que a condição inicial para ser professor seja a formação básica (o acesso a um corpo de saber, saber-fazer e normas e valores da atividade docente), essa etapa é apenas o início de uma trajetória que implica “um esforço constante para atualização dos conhecimentos, a adaptação a novas demandas, o reconhecimento público do trabalho e a valorização da atividade” (MELLO, 1998, p. 17).

Para Reali e Reyes (2009) a atuação docente não se limita às atividades realizadas dentro de uma sala de aula, pois engloba as responsabilidades sociais e políticas que o seu papel profissional implica e a participação do mesmo em uma escola, na comunidade e em outros espaços. Dessa forma, “abrange as características do ensinar, mas vai além, pois envolve ainda sua participação na instituição escolar, numa comunidade profissional com características, normas e culturas próprias” (REALI e REYES, 2009, p.13).

Tancredi (2009) assinala outras situações que envolvem o ser professor, considerando que aprender a ensinar é diferente de tornar-se professor; ser professor não cessa com o término das aulas; o trabalho docente caracteriza-se pela incerteza dos cotidianos da prática, exigindo decisões rápidas e acertadas e não há conhecimento pronto disponível para todas as ações inerentes ao exercício do professor.

A partir das colocações acerca do ser professor, pode-se afirmar a natureza complexa da docência, característica explicitada, segundo Mello (1998), pelo confronto com as diferenças que o professor tem que conviver em sala de aula e aprender a lidar, pela individualidade dos alunos, a maneira de transpor os conteúdos pedagogicamente e também pela angústia gerada caso não se efetive a aprendizagem dos alunos. Para a autora, essas considerações acerca da complexidade da docência revelam a importância de se refletir sobre essas características dessa profissão desde os primeiros anos de preparação formal, pois muitas pessoas constroem uma imagem idealizada do que é ser professor e essa visão se acaba ao ingressar em um curso de formação básica ou quando começam a lecionar.

Todavia, ainda que seja consensual o reconhecimento de que a formação inicial não se constitui como o único espaço de aprendizagem da profissão, não se pode reduzir a importância dos cursos de formação para tornar-se professor, pois essa etapa representa um momento essencial de aprendizado profissional, oportunizando a vivência de questões preliminares do exercício docente. Ao considerar esses aspectos da preparação formal da docência, pode-se pensar em avanços com vistas à superação de propostas formativas focadas na racionalidade instrumental ou tecnocrática e também da dicotomia entre teoria e prática.

Garcia (1999, p.27), alerta que “[...] não se pode pretender que a formação inicial ofereça „produtos acabados‟, mas sim compreender que é a primeira fase de um longo e diferenciado processo de desenvolvimento profissional”. Discutir sobre essa questão pode contribuir com a superação de propostas formativas centradas na racionalidade técnica e também da dicotomia entre teoria e prática, ainda muito presente nas concepções de professores em exercício.

Todavia, deve-se considerar que a aprendizagem da docência tem início muito antes da preparação formal e continua para a vida toda (TANCREDI, 2009). Por esse motivo, Tancredi (2009) assevera que os conhecimentos prévios podem interferir os conhecimentos profissionais construídos, revelando uma forte influência das concepções e valores dos professores em seu desenvolvimento profissional. Dessa forma, a reflexão trata-se de uma importante ferramenta para que os docentes possam compreender melhor os seus conhecimentos.

Assim, considerando que a aprendizagem docente ocorre ao longo da vida e que em qualquer fase da carreira os professores precisam aprender, Tancredi (2009) sugere a adoção do termo desenvolvimento profissional para esse processo de construção do ser

professor, pois a aprendizagem da docência é contínua e não sofre essa dicotomia entre

formação inicial e continuada. Dessa forma, aprender a ser professor é um continuum que tem início muito antes da preparação formal, se estende ao longo da vida em contínuo desenvolvimento, permeia a prática profissional e se fundamenta nos modos de conhecimento pessoal e profissional do professor (MIZUKAMI, 2002).

Ao longo dessa trajetória de formação, os professores aprendem a partir de diversas fontes: com as teorias, com as práticas, com as pessoas (alunos, pais, comunidade, com seus pares, etc.) e com os contextos de trabalho, confirmando a ideia de que esses profissionais constroem seu próprio conhecimento. Ainda há de se considerar que nesse percurso de constituição da docência, o professor passa por diferentes etapas e situações, com necessidades formativas específicas para cada fase (HUBERMAN, 1992, GONÇALVES, 1992), destacando, assim, a importância de dar continuidade ao processo de formação do profissional em exercício buscando melhorias para possíveis avanços na compreensão da complexidade da atividade docente.

Portanto, Tancredi (2009) alerta que, no exercício docente, abrir-se para aprender ao longo da vida profissional é condição essencial para lidar com essa situação desafiadora, já que a docência passa por etapas durante as quais os professores têm características e necessidades formativas diferentes. Neste sentido, as discussões sobre a constituição da docência e os aspectos formativos ao longo das suas diferentes fases e com vistas às necessidades formativas dos professores podem contribuir com a superação dos dilemas cotidianos resultantes da prática docente.

Mizukami (1996) assinala que a produção sistemática de pesquisas voltadas ao conhecimento do professor é recente, se desenvolvendo principalmente a partir dos anos 80. Para a autora, as pesquisas dessa natureza colaboraram em diversos aspectos que abrangem o

ser professor, desde a sua formação inicial até a inserção no contexto de trabalho.

Estudos sobre o pensamento do professor, sobre ensino reflexivo, sobre a base de conhecimento para o ensino, apesar de diversidade teórica e metodológica que os caracterizam, têm apontado para o caráter de construção do conhecimento profissional, para o desenvolvimento profissional ao longo do próprio exercício da docência e para a construção pessoal desse tipo de conhecimento. (MIZUKAMI, 1996, p. 60).

Mizukami (1996) ainda afirma que os estudos que se referem a processos de socialização profissional, processos de autodesenvolvimento profissional e de identidade profissional contribuíram igualmente, pois apontam para “[...] a importância da experiência

pessoal da aprendizagem profissional, da significação pessoal de tal experiência e da consideração da prática profissional como fonte básica (embora não única) de tal aprendizagem” (MIZUKAMI, 1996, p. 60).

Todavia, considerando esses estudos, a complexidade configurada na docência enquanto profissão e às duras críticas voltadas aos professores e ao seu trabalho, propõe-se uma reflexão, já que

não basta que o professor acredite que a criança deva construir e ser sujeito do conhecimento. Há que considerar que também o professor precisa ser reconhecido como sujeito de seu fazer cotidiano. É preciso que o próprio professor tenha condições para que ele próprio construa o seu conhecimento sobre seu próprio trabalho. (DIAS – DA – SILVA, 1994b, p. 46).

No entanto, o reconhecimento do professor como um profissional que produz conhecimentos e saberes sobre o seu trabalho é relativamente recente, surge em âmbito internacional nas décadas de 1980 e 1990, sendo que no Brasil, essas pesquisas se apresentam mais enfaticamente a partir da década de 1990.

Considerando esses aspectos, busca-se apresentar no próximo item contribuições relevantes de algumas pesquisas que sugerem esse direcionamento a respeito dos aspectos formativos da docência e a atuação do professor, com vistas a sinalizar possibilidades para compreensão da complexidade do trabalho docente.