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TDR Cihazı ve TDR Ölçümlerini Etkileyen Faktörler

3. TDR YÖNTEMİ VE KULLANIM ALANLARI

3.3. TDR Cihazı ve TDR Ölçümlerini Etkileyen Faktörler

Detecção de Talento: compete à escola

Diante do perfil de formação dos professores-técnicos analisados, 31 professores acreditam que a escola seja o local ideal para detectar talentos.

Para Bhöme (2000; 2007) a definição de talento esportivo depende do nível competitivo, exemplificando que há diferenças de níveis, sendo que um jovem pode ser considerado talento na competição escolar (municipal, estadual ou federal), não sendo necessariamente considerado um talento na competição federada. Assim, um talento esportivo é caracterizado como uma pessoa que possui uma aptidão volitiva e especial que dependem de potencialidades como idade biológica, constituição corporal, técnica e coordenação acima da média da população nos diferentes níveis de desenvolvimento do treinamento a longo prazo, conforme as condições contextuais de desempenho.

De forma semelhante ao que os professores-técnicos afirmam, Peres e Lovisolo (2006) constataram em seus estudos, que a iniciação esportiva dos atletas tradicionalmente é propiciada no espaço escolar, embora haja precariedade de infraestrutura, materiais esportivos e baixa carga horária em relação à prática, indicando ser complexa a avaliação da relação entre a iniciação esportiva e a escola. Outro destaque é a influência da família como suporte cultural, emocional e financeiro, fato evidenciado na trajetória de atletas de elite.

A consideração da escola na condição de detectar talentos não foi justificada por seis professores, indicando um pensamento sem argumento. Enquanto oito professores-técnicos acreditam que é competência do professor de Educação Física escolar detectar talentos através do desenvolvimento das capacidades físicas, das habilidades motoras e de avaliações físicas, técnicas e táticas. Além disso, atribuem à escola como facilitadora para detectar talentos, devido proporcionar maior contato com as crianças em idades ideais para a iniciação da prática esportiva.

Na literatura, a detecção de talentos para ciência, envolve certa complexidade entre os experts e os procedimentos empírico-analíticos objetivos. Pesquisadores como Matsudo (1999) sugere a utilização de escores Z75; Bhöme (2000; 2007) apresenta os aspectos teóricos

75 Matsudo se refere aos estudos de Kovar (1981), Malinowiski (1986) e Maia (1993). O Escore Z é um escore padrão de média zero e o desvio padrão 1. É uma medida relacionada ao desvio padrão que permite numericamente situar em que espaço da curva de Gauss situa-se determinado indivíduo. Considerando este padrão de análise numa distribuição normal o atleta de desempenho superior está localizado acima de dois desvios padrão ou 2Z o que corresponde aproximadamente ao percentil 98 de uma população com distribuição normal.

referentes sobre a detecção, seleção e promoção de talento esportivo através do treinamento a longo prazo (2007); Gaya (2005) propõe a identificação de desempenho motor.

Para 19 professores, a detecção de talentos poderia ser realizada na escola, desde que houvesse investimentos do Poder Público para construir, reformar e melhorar as estruturas76 (espaços físicos), criando polos esportivos em diversas regiões da cidade para receber os alunos revelados nas escolas. Nos polos esportivos, outros técnicos seriam os responsáveis por encaminhar os atletas que se destacam aos clubes esportivos.

A maioria dos professores afirmou que a criação de um sistema de esporte integrado para entrar em funcionamento, necessita de equipes multiprofissionais (professores, técnicos, fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, psicólogos e assistentes sociais) para dar suporte à formação esportiva de forma integral. A outra barreira está relacionada à desvalorização dos professores e a falta de medidas que estimulem e auxiliem os alunos a continuarem praticando esporte, como ajuda de custo, reforço alimentar, vale transporte e bolsas de estudos em universidades.

A formação esportiva: compete ao clube

Quanto à formação esportiva para o esporte de rendimento, 33 professores afirmam que compete aos clubes esportivos. A formação esportiva, segundo Böhme (2000), compreende um período médio de seis a dez anos de treinamento sistematizado a longo prazo, conforme a modalidade esportiva considerada. A formação esportiva77 se divide em três níveis: formação básica geral e treinamento básico (6 a 14 anos)78, formação específica (14 a 17 anos)79 e treinamento de alto nível (acima de 17 anos)80. Para Weineck (1999), o treinamento de crianças e jovens deve considerar as alterações físicas, psíquicas e sociais, por isso, pauta-se em um processo sistemático de longo prazo. A falta de estímulo motor influencia o desenvolvimento das conexões sinápticas e das estruturas plásticas do cérebro, consequentemente, uma escassa maturação funcional.

A formação esportiva para crianças e jovens, segundo Greco et al. (1998), considera a divisão do treinamento em quatro fases: 1ª) universal (4/6 até 11/12 anos) desenvolvimento

76 Como: quadra, campo, pista de atletismo, piscina, vestiário etc. As esturras devem estar equipadas com materiais esportivos de qualidade e em quantidade suficiente para desenvolver as diferentes modalidades esportivas.

77 Outros autores dividem as fases, níveis ou etapas com outras terminologias, porém são equivalentes.

78 Desenvolvimento das capacidades coordenativas, melhoria geral do desempenho esportivo, conhecimento da modalidade escolhida e orientação de treinos e competições.

79 Melhoria planejada a longo prazo do desempenho esportivo específico da modalidade, até um nível que possibilite o início do treinamento de alto nível.

80 Alcance do alto desempenho individual, aplicação de métodos e conteúdos específicos de treinamento, perfeição, estabilização da técnica esportiva e manutenção de alto desempenho pelo maior período possível.

gradativo de todas as capacidades motoras e coordenativas de forma geral, ressaltando o aspecto lúdico; 2ª) orientação (11/12 até 13/14 anos) automatização dos movimentos e percepção de outros estímulos que ocorrem simultâneos a ação realizada, iniciação técnica global do gesto motor e estimulação das capacidades táticas gerais dos esportes; 3ª) direção (13/14 até os 15/16 anos) início do aperfeiçoamento e especialização técnica em uma modalidade esportiva com variações de atividades/exercícios que exigem técnicas variadas, almejando ações técnicas e táticas esportivas; 4ª) especialização (15/16 até 17/18 anos) da modalidade escolhida, aperfeiçoamento dos potenciais técnicos e táticos integrados ao alto nível competitivo e diminuição de erros por meio de modelos metodológicos que se baseiam na construção hierárquica para a tomada de decisão.

Em relação às estruturas que contribuem para o processo de formação esportiva, as informações destacadas pelos professores-técnicos se assemelham ao estudo de Peres e Lovisolo (2006), apontando que o clube é a principal instituição de especialização esportiva, representando o tradicional binômio escola-clube, sendo o professor de Educação Física o principal agente intermediador identificado pelos atletas de elite no contexto brasileiro, e no caso desta pesquisa, identificado pelos próprios professores-técnicos.

Na perspectiva dos professores-técnicos, a Educação Física tem a responsabilidade de realizar uma preparação inicial, fazendo da escola um elo com os centros e clubes esportivos. Este entendimento corrobora com a recente ação do ME iniciada a partir de 2013 por meio da construção de Centros de Iniciação Esportiva (CIE)81, objetivando ampliar a oferta de infraestrutura de equipamentos públicos esportivos qualificados e direcionados a iniciação esportiva em áreas de vulnerabilidade social das grandes cidades brasileiras, voltado à formação esportiva de alto rendimento.

Entre os professores-técnicos que apontam os clubes como formadores esportivos, 17 não justificaram suas respostas, representando o senso comum. Enquanto seis professores acreditam que o trabalho desenvolvido pelo professor de Educação Física propicia o contato com diferentes modalidades esportivas e possibilita que as crianças cheguem a condições ideais de treinamento aos clubes, que por sua vez, são mais estruturados, possuem equipes

81 Está previsto o investimento de mais de R$ 967 milhões para à construção de 269 unidades em 254 municípios, em todas as 27 unidades da federação. São três modelos para atender 13 modalidades olímpicas (atletismo, basquete, boxe, handebol, judô, lutas, taekwondo, vôlei, esgrima, levantamento de peso, ginástica rítmica, badminton, levantamento de peso e tênis de mesa) 6 paralímpicas (esgrima de cadeira de rodas, judô, halterofilismo, tênis de mesa, vôlei sentado e goalball) e 1 não olímpica (futsal). Modelo I ginásio poliesportivo e áreas de apoio; Modelo II ginásio poliesportivo, áreas de apoio e quadra externa; Modelo III ginásio poliesportivo, áreas de apoio, quadra descoberta e estruturas de atletismo.

multiprofissionais qualificadas, treinam com elevada frequência, participam de várias competições, planejam e periodizam os ciclos de treinamento esportivo.

Os outros 10 professores afirmam que os clubes esportivos precisam de investimentos financeiros liberados pelo Poder Público para garantir qualidade na formação esportiva. Um dos problemas apontados está relacionado com as dificuldades que os atletas das categorias de base enfrentam como a falta de recursos financeiros para se deslocarem de suas residências aos locais de treinamento, a ausência de alojamentos, a carência de reforço alimentar e a dificuldade dos atletas conseguirem a bolsa-atleta. Ainda que estes problemas fossem superados, os professores entendem que os clubes esportivos ou centros de treinamentos são insuficientes, apontando para a necessidade de aumentar a quantidade de clubes esportivos em locais descentralizados. Outra dificuldade percebida é a ausência de convênios entre as escolas e os clubes esportivos que diferenciem os níveis de formação básica, inicial e de maestria esportiva.

Detecção de Talento e Formação Esportiva: competem a todos

Para um dos professores, tanto a detecção quanto a formação esportiva compete a todos os participantes do processo, generalizando a todos os profissionais da Educação Física esta responsabilidade associada ao atleta, família, dirigente esportivo e as instituições como escola, escolinhas de esporte e clubes esportivos. Enquanto o outro professor acredita que a detecção e a formação esportiva estão centradas no indivíduo e que depende do interesse, persistência e da combinação entre sorte, talento e características genéticas, devido o Brasil não ter um sistema esportivo efetivo para este fim.

Detecção de Talento e Formação Esportiva: competem aos clubes

Apenas dois professores concordam que a detecção de talentos e a formação esportiva não competem à escola e aos professores de Educação Física. Para estes professores, o objetivo principal da escola é formar para a cidadania e que a detecção ou a formação esportiva não devem ser consideradas como proposta final, elucidando que as interações sociais entre os alunos durante o treinamento esportivo nos projetos de contraturno ou nas competições escolares podem ser ferramentas pedagógicas de inserção dos valores esportivos universais constituintes da formação cidadã. Esta concepção está de acordo com os documentos (DCNs, PCNs e LDB) e a revisão de literatura consultada.

Contudo, observam-se no contexto brasileiro, através da literatura sobre ciências do esporte, evidências que dificultam o processo de formação esportiva do atleta para o (alto) rendimento como: precariedade de investimentos de infraestrutura e de recursos humanos (equipes multiprofissionais), baixa integração familiar no contexto esportivo, ausência de

convênios entre escola, clube e universidade (lacuna da iniciação esportiva à especialização, da especialização esportiva à formação profissional e da fragmentação do conhecimento científico em relação à gestão esportiva e precariedade na formação e capacitação esportiva de técnicos brasileiros)82; utilização de procedimentos de prevalência empírica em relação aos científicos na aplicação de testes e avaliações83, ausência de ações planejadas associadas ao treinamento a longo prazo84 para identificar e formar futuros atletas para o (alto) rendimento. Não se descarta a ideia de que em um futuro próximo, parte das dificuldades apontadas pela literatura, sejam supridas pelas ações do ME.

Benzer Belgeler