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Tavlama fırını

Belgede Cam şekillendirme teknikleri (sayfa 27-42)

1. ÖN ŞEKİLLENDİREBİLME

1.5. Tavlama fırını

Sabe-se que a ciência jurídica no Brasil é carente de dados estatísticos que a auxiliem no contato mais próximo e mais eficiente com a sociedade, em última análise, destinatária final de suas ações.

Caso houvesse estudos mais completos a respeito da quantidade de demandas e considerações acerca da natureza das matérias discutidas, bem como das partes envolvidas, de um lado e, de outro, um exame sobre a quantidade de recursos providos em segundo grau jurisdicional ou, na instância superior, admitidos e providos, poderia a sociedade melhor organizar-se na consecução de seus propósitos – tanto coletivos como individuais.

Por hipótese, soubesse o advogado que determinada matéria, em determinado Tribunal, já fora julgada “n” vezes e em dado sentido, melhor poderia orientar seu cliente na propositura ou continuidade da ação.

Soubessem as empresas dados semelhantes, melhor poderiam direcionar seus investimentos ou modificar seus comportamentos para uma adequação à lei, aos olhos do Judiciário80.

Por fim, soubessem nossos legisladores apontamentos daquela natureza, também eles poderiam legislar81 para ratificar determinados posicionamentos jurisprudenciais ou solucionar conflitos que porventura haja.

Qualquer que seja o ângulo do observador, é verdadeiro que a existência de dados estatísticos mais completos como os acima mencionados – ou seja, tratados como Ciência, inclusive –, no seio da distribuição da tutela jurisdicional, seria muito bem vinda.

E neste contexto podemos observar, para o propósito das presentes reflexões, que a existência de alguns dados estatísticos, ainda que incompletos82, remetem

80 Pedro da Silva DINAMARCO teve a oportunidade de participar de Congresso realizado em Roma,

entre os dias 20 e 22 de maio de 2004. Segundo ele, esse tema foi bastante debatido, sob a denominação de ‘a função atual da jurisprudência e os métodos de uniformização’. Destacou-se exatamente a idéia da função da súmula como forma de pacificação social, na medida em que os cidadãos podem agir sabendo como será a interpretação do Judiciário, em caso de litígio. Isso inclusive evita que as pessoas violem a lei ou tenham necessidade de ir ao Judiciário. Ou seja, o número de demandas judiciais reduzirá.

81 Mais adiante, quando, adianta-se, contestaremos o argumento da afronta à separação de Poderes usados

por aqueles que rejeitam a adoção da “súmula vinculante”, perceberemos que, exatamente em razão da possibilidade do legislativo criar uma lei contrária à determinada súmula – posto atribuição de sua competência constitucional – não há o risco de afronta a este princípio que dá embasamento à forma de governo do nosso país.

82 A necessidade do tratamento profissional deste assunto foi muito bem demonstrada por Moniz de

ARAGÃO (Estatística Judiciária, in: Revista de Processo – REPRO, n.º 110, São Paulo, Revista dos Tribunais). Segundo ele, “o levantamento puro e simples dos feitos distribuídos e julgados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça permite uma diversidade muito grande de conclusões e significam quase nada.” Todavia, reconhece que “(...) esse volume inacreditável de julgamentos efetivamente aconteceu, quanto a isso não há a menor dúvida; pelo contrário, é absolutamente certo.” Concordamos com a crítica que faz à inadequação científica do mero levantamento de dados, porque também acreditamos necessário fazer-se “(...) indagação estatística a sério, concebida, realizada e dissecada por técnicos.” No mais, concordamos com a sua conclusão sobre esta necessidade: “(...) somente com investigação estatística profissionalmente planejada e conduzida, abrangente de todos os níveis do Poder Judiciário e de todos os órgãos que contribuem para o ‘acesso à justiça’, poder-se-á chegar a resultado satisfatório.” Seja como for, se ainda não alcançamos esta situação considerada ideal (tratamento científico-profissional da ciência estatística do Judiciário brasileiro), não podemos ignorar a escandalosa (e progressiva) existência de processos na justiça brasileira: mesmo estes meros dados, mesmo havendo questionamentos diversos sobre eles – entre os quais, por exemplo, um levantado por Moniz Aragão, referente aos julgados de gabinete –, enfim, mesmo o exame amador já é suficiente para nos apontar que a quantidade de processos em andamento e para julgamento, inclusive per capita em nossa

pelo menos para um estudo mais sério acerca da necessidade da introdução, em nosso país, da “súmula vinculante” – para nós, diga-se de passagem, mais do que evidente.

A quantidade de processos em tramitação no Brasil é assustadora – proporcional, decerto, à quantidade de habitantes e intrínseca à cultura litigiosa de nossa sociedade83 –, e cresce em regime de progressão geométrica, induzindo-nos a pensar com grande probabilidade de acerto que, em (muito) pouco tempo já não haverá mais nem as mínimas condições de trabalho à cada vez menos adequada estrutura do Poder Judiciário: quantidade insuficiente de magistrados, de um lado, dificuldades operacionais decorrentes da tão criticada Lei de Responsabilidade Fiscal84, de outro, e tantos outros fatores levam-nos a vislumbrar um horizonte pouco ou nada animador.

O Supremo Tribunal Federal, composto por 11 (onze) Ministros, tem percebido de perto este crescimento do contingente processual. No ano 1950, julgou mais de 3.500 (três mil e quinhentos) processos. Em 1960, foram mais de 7.000 (sete mil) causas. Décadas depois, já em 1994, foram outros 18.000 (dezoito mil) julgamentos, número significativamente menor do que aquele encontrado no ano seguinte, em 1995, quando houve o exame de mais de 35.000 (trinta e cinco mil) processos, perfazendo um total superior a

magistratura – às vezes, por isto, sobrenatural – é um indicativo de que as coisas não vão bem e que assim não podem ficar, não pelo menos aos olhos de quem precisa e busca condições de vida um pouco mais dignas.

83 Paralelamente ao famigerado “jeitinho brasileiro” decorrente da famosa e tão bem aplicável Lei de

Gérson, a sociedade brasileira é acostumada ao litígio. Situações que facilmente poderiam se resolver de forma amigável e consensual, não raro, são levadas ao exame do Poder Judiciário. No particular da advocacia, percebemos que o graduando é muito mais treinado para o litígio do que para a composição. Segundo pensamos, começaria pela reformulação do ensino jurídico no Brasil, no particular, um processo de modificação cultural – de que resultaria, entre outros, um novo conceito de cidadania em nossa sociedade.

84 Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal no contexto da reforma do Código de Processo Civil havida por

ocasião das Leis Federais n.º 10.352/01, 10.358/01 e 10.444/02, André Almeida GARCIA escreveu que “fica, portanto, evidente a existência de um enorme contra-senso, pois, ao mesmo tempo em que as reformas aumentam o acesso à Justiça, a Lei de Responsabilidade Fiscal veda a possibilidade de crescimento do Poder Judiciário e, consequentemente, não lhe dá condições para que novas demandas sejam atendidas, com uma prestação jurisdicional célere e efetiva.” Depois, o citado conclui nos seguintes termos: “enfim, o que se percebe é que são necessárias mudanças estruturais no Poder Judiciário, o que passa por profundas alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal. Caso contrário, de nada adiantarão os esforços da comunidade jurídica para que sejam realizadas mudanças na sistemática processual vigente (...)” (A reforma processual civil e a Lei de Responsabilidade Fiscal, in: Hélio Rubens Batista Ribeiro COSTA, José Horácio Halfeld Rezende RIBEIRO e Pedro da Silva DINAMARCO (Coords.), A nova etapa...cit., pp. 420-421).

3.000 (três mil processos) por Ministro. Percebamos – e lamentemos – que em 1995, cada Ministro julgou o mesmo número de processos que o Tribunal houvera julgado durante todo o ano de 1950.

Mas a angústia continuou. Em 1997, o Supremo Tribunal Federal recebeu outros 33.000 (trinta e três mil) processos, além daqueles outros 40.000 (quarenta mil) que houvera julgado – dos quais, saliente-se, 80% (oitenta por cento) eram repetidos. No ano 1998, os Ministros (leia-se: verdadeiros heróis), julgaram, cada um deles, 480 (quatrocentos e oitenta processos): seria uma notícia muito boa, se depois dela não viesse o esclarecimento: por mês! Naquele ano, cada Ministro julgou perto de 4.700 (quatro mil e setecentos) processos, totalizando, portanto, mais de 50.000 (cinqüenta mil) julgamentos85. O quadro completo de movimentação processual dos anos 1940 a 2007 demonstra o que falamos86:

85 Interessante e oportuno o levantamento feito pelo Banco Nacional de Dados do Poder Judiciário, do

Supremo Tribunal Federal, sobre o número de processo recebidos e julgados pelo referido Tribunal, utilizado pelo Ministro Celso de MELLO (Algumas reflexões sobre a questão judiciária, in: Revista do Advogado, nº 105, São Paulo, AASP):

1 989 990 1 991 1 92 19 93 19 94 19 95 19 996 1 Proce ssos Rece bidos 1 4.721 1 8.564 1 8.438 27 .447 24 .377 24 .295 27 .743 2 8.134 Julga mentos Profe ridos 1 7.432 6.449 1 4.366 1 .236 18 .737 21 .221 28 .125 34 0.829 3 1 997 998 1 999 1 00 20 01 20 02 20 03 20 004* 2 Proce ssos Rece bidos 3 6.490 2.636 5 8.369 6 5.307 10 0.771 11 0.453 16 .186 87 5.211 1 Julga mentos Profe ridos 3 9.944 1.307 5 6.307 5 .138 86 9.743 10 7.484 11 8.785 15 3.851 1

*: O ano 2004 contém dados até 07 de março.

STF

A situação dos 33 (trinta e três) Ministros que atualmente compõem o Superior Tribunal de Justiça é tão desanimadora quando aquela outra. No ano 1990, recém criado, o Tribunal já contava com 15.000 (quinze mil) casos recebidos, número que cresceu para mais de 50.000 (cinqüenta mil) em 1996 e que provocou, no ano 1998, o exame de mais de 100.000 (cem mil) casos, numa média de 300 processos por Ministro por mês, que se analisam, então, em 8 (oito) por dia com sentença individual em intervalo inferior a 1 (uma) hora.

Nos Estados Unidos da América do Norte, a Suprema Corte recebeu 4.000 (quatro mil) processos em 1995, admitiu 300 (trezentos) e julgou 180. Na Alemanha,

dos 5.000 (cinco mil) processos recebidos naquele ano, sua Corte maior julgou apenas 100 (cem).

Esta pequena amostragem87 numérica88 não tem pretensão outra senão estimular o estudo e o debate a respeito da introdução da súmula de eficácia vinculante no Brasil, notadamente se observarmos que grande parte deste assustador contingente de demandas refere-se a causas já julgadas – e exaustivamente julgadas, diga-se de passagem – e que, em grande parte também, refere-se ao protagonista das ações judiciais neste país: o próprio Estado.

A afirmação de JOSÉ ROGÉRIO CRUZ E TUCCI a respeito da efetividade do processo, analisando o tempo a obter a prestação jurisdicional plena, deve ser objeto de nossas maiores reflexões:

“Cumpre ao ordenamento processual atender, do modo mais completo e eficiente possível, ao pleito daquele que exerceu o seu direito à jurisdição, bem como daquele que resistiu, apresentando defesa”89.

Vale dizer que a plenitude da prestação jurisdicional não pode sucumbir ao fator tempo para a efetiva entrega ao jurisdicionado.

Ainda segundo o citado autor:

87 Que devemos creditar a Candido Rangel DINAMARCO, a quem ouvimos em Salvador por ocasião da

III Jornada de Direito Processual Civil, promovida pelo IDDP, Instituto de Direito Processual. Esta palestra foi publicada sob o título “Decisões vinculantes” (In: Revista de Processo – REPRO, n.º 110, São Paulo, Revista dos Tribunais). Não procedemos a levantamentos porque, para a compreensão de nossa idéia, revelavam-se suficientes aqueles. Mas é fato incontroverso, público ou notório, como queiram, que este volume de feitos tem aumentado consideravelmente ano a ano (mês a mês, dia a dia e daí em diante).

88 Sálvio de Figueiredo TEIXEIRA relatou que, pelos idos de 1999, havia a confirmação dos seguintes

dados: “(...) 1 (um) juiz para cada 25 a 29 mil habitantes (a média, na Europa, é de 1 para 7000), quando o Supremo Tribunal Federal julga mais de 40.000 (quarenta mil) processos por ano (enquanto a Suprema Corte dos Estados Unidos julga menos de 100 (cem) causas em igual período) e o Superior Tribunal de Justiça mais de 100.000 (cem mil), números de longe sem similar no plano internacional, sendo de acrescentar que igualmente supercongestionadas estão as instâncias ordinárias.” (Op. et loc. cit.).

“Sem embargo da impossibilidade de precisar em que medida atuam os males da demora da tutela jurisdicional, sabe-se que o prejuízo é sempre enorme: a) aos protagonistas do processo; e, até mesmo, b) à economia do país”90.

Nossa melhor doutrina é unânime no tratamento que se deva dar ao processo, seja em sua função, seja em relação ao que de fato dele espera a sociedade.

BARBOSA MOREIRA adverte que:

“(...) toma-se consciência cada vez mais clara da função instrumental do processo e da necessidade de fazê-lo desempenhar de maneira efetiva o papel que lhe toca”91.

CANDIDO RANGEL DINAMARCO estabelece que o processo não pode ser considerado uma:

“(...) fonte perene de decepções”92.

Daí comentar, com espeque em BIELSA e GRAÑA93 que:

“(...) um julgamento tardio irá perdendo progressivamente seu sentido reparador, na medida em que postergue o momento do reconhecimento judicial dos direitos; e, transcorrido tempo razoável para resolver a causa, qualquer solução será, de modo inexorável, injusta, por maior que seja o mérito científico do conteúdo da decisão”94.

O processualista latino EDUARDO JOSE COUTURE caminha na mesma direção ao estabelecer que:

“(...) en el processo el tiempo Estado algo más que oro: es justicia”95.

90 Idem, ibidem.

91 Temas de direito processual: tendências contemporâneas do direito processual civil, São Paulo,

Saraiva, 1984, p. 3.

92 A instrumentalidade do processo, 5ª ed., São Paulo, Malheiros, 1996, p. 271. 93 El tiempo y el proceso, p. 189, apud Cândido Rangel DINAMARCO, op. cit. 94 A instrumentalidade...cit., p. 271.

JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA conceitua, entre outros, a efetividade do processo como:

“(a) em toda a extensão da possibilidade prática, o resultado do processo há de ser tal que assegure à parte vitoriosa o gozo pleno da específica utilidade a que faz jus segundo o ordenamento e (b) cumpre que se possa atingir semelhante resultado com o mínimo dispêndio de tempo e energias”96.

BARBOSA MOREIRA, citando CHIOVENDA no que concerne ao fundamento (a) supra, deve-se ter em mente que:

(...) il processo deve dare per quanto è possibile praticamente a chi há

un diritto tutto quello e proprio quello ch’egli há diritto di conseguire97.

No que atine ao fundamento (b) explicitado, BARBOSA MOREIRA conclui que:

(...) enfim, o tópico traz à mente, de imediato, o coro universal das lamentações acerca da excessiva complexidade e duração dos processos, com todo o cortejo de suas nefastas conseqüências98.

É deste processo que versam as presentes linhas.

96 Notas sobre o problema da ‘efetividade’ do processo, in: José Carlos Barbosa MOREIRA (Coord.),

Estudos de Direito Processual em Homenagem a José Frederico Marques, São Paulo, Saraiva, 1982, p. 204.

97 Saggi di Diritto Processuale Civile, v. 1, Roma, Editora, 1930, p. 110. 98 Op. et. loc. cit., p. 205.

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Benzer Belgeler