BÖLÜM 2: TATM N N KAVRAMSAL ÇERÇEVES
2.7. Tatmini ve Ki ilik Aras•ndaki li ki
O Programa de Atuação Responsável pode ser tido como um dos primeiros sistemas padronizados de gerenciamento ambiental utilizado pelas empresas. Criado no Canadá, em 1984, para as indústrias químicas, consiste em um código voluntário de desempenho onde a performance é medida em termos de melhorias contínuas. Caracteriza-se pelo comprometimento formal à integração da visão de melhoria contínua na política geral da empresa, quanto aos aspectos de seu desempenho ambiental, segurança das instalações, processos e produtos e preservação da saúde ocupacional dos trabalhadores. A adesão aos seus princípios e objetivos é condição para que a indústria se torne membro da Associação de Indústrias Químicas. Todos os trabalhadores da empresa devem estar conscientes dos princípios do programa, que tem como linhas principais: conformidade com a legislação; adoção das melhores práticas industriais; avaliação dos atuais e potenciais impactos de suas atividades e produtos sobre a saúde, segurança e meio ambiente; trabalhar próximo das autoridades e da comunidade para alcançar os níveis de desempenho exigidos; estar aberto a atividades diversas e fornecer informações relevantes para as partes interessadas (WELFORD, 1995).
Conforme Welford, o princípio-chave do programa consiste na auto- avaliação, sendo as empresas encorajadas a submeterem seis indicadores de desempenho à Associação: 1) gastos com proteção ambiental; 2) segurança e saúde (perda de tempo, acidentes de trabalhadores); 3) resíduos e emissões: a) descargas de substâncias da “lista vermelha”; b) disposição de resíduos; c) um índice ambiental de cinco lançamentos-chave da planta; 4) distribuição de todos os incidentes; 5) consumo total de energia; e 6) todas as reclamações.
No Brasil, o Programa de Atuação Responsável foi adotado oficialmente pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), em 1992, e está baseado em seis componentes: princípios diretivos, códigos de práticas gerenciais, comissões de lideranças empresariais, conselhos comunitários consultivos, avaliação de progresso e difusão da cadeia produtiva. A adesão era voluntária até 1998, quando passou a ser obrigatória para todos os associados da ABIQUIM, como ocorre em outros países que o adotaram.
Os princípios diretivos fundamentam-se na prevenção da poluição, melhoria contínua e diálogo permanente com órgãos governamentais, funcionários, fornecedores, consumidores, comunidade e público em geral. Os códigos gerenciais, em número de seis, consistem nos seguintes: a) segurança de processos; b) saúde e segurança do trabalhador; c) proteção ambiental; d) transporte e distribuição; e) diálogo com a comunidade e preparação e atendimento a emergências; e f) gerenciamento do produto. As Comissões de Lideranças Empresariais têm por objetivo debater e trocar experiências entre profissionais e dirigentes de empresas associadas, enquanto os Conselhos Comunitários Consultivos visam estreitar o diálogo das indústrias com as comunidades vizinhas e com o público em geral, na busca de respostas e soluções para os problemas levantados. A avaliação de progresso procura acompanhar a implantação do programa visando seu aperfeiçoamento. O último componente consiste na difusão dos valores e práticas do programa para toda a cadeia produtiva, por meio de parcerias com transportadores e distribuidores de produtos químicos e com tratadores de resíduos químicos (ABIQUIM, 2006).
Conforme BARBIERI (2006), o Atuação Responsável é um programa de auto-regulamentação, no qual as empresas vão além do cumprimento das exigências legais, por exemplo, compartilhando experiências e ouvindo as preocupações da comunidade.
Outro sistema de gerenciamento ambiental bastante difundido é o Total
Quality Environmental Management (TQEM) [Administração da Qualidade
Ambiental Total], o qual consiste em uma ampliação dos conceitos de Administração da Qualidade Total (TQM) [Total Quality Management], porém voltado para as questões ambientais, cuja criação é atribuída ao Global Environmental Management Initiative (GEMI) [Iniciativa de Gerenciamento Ambiental Global]. O TQM é uma abordagem de gerenciamento baseada no envolvimento de todos os membros de uma organização e seus fornecedores, num esforço contínuo para produzir e comercializar bens e serviços que atendam às expectativas de seus clientes ou usuários.
O TQEM, conforme BARBIERI (2006), apresenta os mesmos elementos básicos do TQM, quais sejam: “foco no cliente, qualidade como uma dimensão estratégica, processos como unidade de análise, participação de todos, trabalho em
equipe, parcerias com os clientes e fornecedores e melhoria contínua” (p. 118). O TQEM consiste em um processo de planejamento ambiental de longo prazo, por meio da melhoria contínua de todas as atividades da empresa, mediante o envolvimento de todos os seus integrantes e colaboradores, tendo como meta a poluição zero e como objetivo final a satisfação de todas as partes interessadas.
O sistema da gestão ambiental ISO 14001, bastante conhecido e utilizado pelas empresas brasileiras, foi criado pela International Organization for
Standardization (ISO) [Organização Internacional de Padronização], organização
internacional não governamental, sem fins lucrativos, composta por mais de cem países membros, sediada em Genebra, Suíça, tendo como finalidade desenvolver normas de fabricação, comércio e comunicações, por meio de acordos técnicos internacionais, respaldados na ciência, tecnologia e experiência. Por se tratar de uma organização de caráter privado, todas as suas normas são de adesão voluntária (D’LSEP, 2004).
O modelo de sistema de gestão ambiental da ISO 14001 é baseado no ciclo PDCA, o qual é composto por quatro grandes passos: Plan [planejar], Do [realizar];
Check [verificar]; e Act [atuar para corrigir], recomeçando o ciclo. A fase de
planejamento envolve o diagnóstico ambiental da empresa e a elaboração do plano de implementação do Sistema de Gestão Ambiental, com a identificação dos aspectos e impactos ambientais, dos requisitos legais e corporativos, estabelecimento de objetivos e metas e de um plano de ação e programa de gestão ambiental. A segunda fase consiste na implementação e operacionalização do sistema, com a alocação dos recursos necessários, definição de estrutura e responsabilidades, conscientização e treinamento de todos os membros da organização, comunicação interna e externa, documentação, controle operacional, programas de gestão e preparação e resposta a emergências. A avaliação periódica, por meio de monitoramento e medições, permite verificar desconformidades e adotar ações corretivas e preventivas, além de avaliar o atendimento a requisitos legais, dentre outros. O controle de registros e a realização de auditorias internas do sistema de gestão também estão incluídos nesta fase. O sistema de gestão ambiental deve ser periodicamente analisado pela alta administração da empresa, a fim de se verificar
sua adequação, pertinência e eficácia, permitindo a melhoria contínua do desempenho ambiental da empresa.
O ponto de partida para a adoção do sistema de gestão ambiental ISO 14001 é a formulação da política ambiental da empresa e o comprometimento da alta administração com a política estabelecida que, conforme a norma NBR ISO 14001:2004, dentro do escopo do sistema de gestão ambiental definido, deve ser apropriada aos impactos ambientais das atividades, produtos e serviços da empresa e incluir obrigatoriamente comprometimento com a melhoria contínua, prevenção da poluição e o atendimento aos requisitos legais aplicáveis. Essa política deve, ainda, fornecer a estrutura para o estabelecimento e análise dos objetivos e metas ambientais, ser documentada, implementada, mantida, comunicada a todos os membros da organização e estar disponível para o público (MOREIRA, 2006).
A ISO 14001 não versa sobre normas técnicas ou relativas a produto, mas sobre um conjunto abrangente de normas e instrumentos para os diferentes aspectos de uma gestão ambiental, visando viabilizar a certificação da empresa, que será feita por entidades credenciadas. Obtida a certificação, são requisitos absolutos para sua manutenção o atendimento à legislação e regulamentos aplicáveis e a promoção da melhoria contínua, contribuindo este último requisito para que o sistema de gestão ambiental se mantenha vivo, não se tornando obsoleto. A normalização cria uma linguagem comum e, no caso das normas de gestão ambiental, a exemplo da ISO 14001, “gera um instrumento a mais da política nacional e internacional de proteção do meio ambiente, além de auxiliar na concretização da função socioambiental- econômica da pessoa jurídica ao adotá-la e do exercício da cidadania ambiental da pessoa física ao privilegiar tais iniciativas” (D’LSEP, 2004, p. 152).
AGUIAR (2004), em trabalho que analisa o desempenho de sistemas de gestão ambiental na indústria química, aponta quatro oportunidades de melhoria da norma ISO 14001: melhor comunicação com partes interessadas; controle efetivo de produtos e serviços adquiridos, com maior envolvimento de empresas de médio e pequeno porte; uso de indicadores para monitoramento do desempenho e comunicação destes; e gerenciamento da responsabilidade do produto.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a entidade que representa oficialmente o Brasil na ISO e vice-versa. Trata-se de entidade civil, sem
fins lucrativos e de utilidade pública, que integra o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, do qual também fazem parte o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO), nos termos da Lei Federal 5.966/73. A ABNT foi reconhecida como único Fórum Nacional de Normalização pela Resolução n° 07 do CONMETRO, de 24/08/1992.
Sem ingressar na avaliação da eficiência de cada um dos sistemas, que foge ao âmbito deste trabalho, importante é que, qualquer que seja o sistema de gestão ambiental adotado, o gerenciamento do setor industrial seja feito com a inserção da dimensão ambiental em todas as fases do processo produtivo, sem esquecer, ainda, da dimensão social, visto que no desenvolvimento sustentável esses aspectos devem estar em harmonia com os objetivos econômicos.
Questão fundamental para a avaliação do progresso na direção do desenvolvimento sustentável, reiteradamente apontada pelos diversos autores citados neste trabalho, diz respeito à existência de informação adequada para orientar esse processo, na forma de indicadores, assunto que será tratado no tópico seguinte.