A segunda etapa do curso foi delineada em uma reunião de replanejamento no dia 27 de setembro de 2005, da qual participaram a professora-pesquisadora e as outras duas facilitadoras. Discutimos sobre os pontos positivos e aqueles a serem melhorados até aquele ponto do curso. Planejamos um roteiro de atividades intitulado How to integrate the computer
and the Internet into ELT (APÊNDICE H) que seria desenvolvido nos dois próximos encontros já agendados. Como não conseguimos cumprir o roteiro no tempo contratado, renegociamos com as professoras-alunas e agendamos um terceiro encontro nesta etapa. Como tal encontro não havia sido agendado com antecedência, para atender a disponibilidade de tempo de todas as participantes, dividimos o grupo em dois subgrupos que se reuniriam em datas diferentes.
O local era a sala de informática de um colégio público municipal. Nessa sala, dezoito computadores, sendo um deles o servidor da rede, conectados à Internet banda larga, foram disponibilizados. A sala fechada possibilitava mais privacidade às participantes. Para uma melhor visualização das tarefas, utilizamos um aparelho de datashow e as imagens eram projetadas na parede frontal. Como a disposição dos computadores era no formato U, as
participantes ficavam de costas para a projeção enquanto estivessem de frente aos seus computadores. Fez-se necessário, assim, que elas alternassem suas posições para ora observar as instruções, e ora trabalhar em seus computadores.
No dia 7 de outubro de 2005, tivemos o encontro 4, com a participação de 23 professoras-alunas. Desenvolvemos as atividades 1) Excel, 2) Word e 3) Powerpoint, do roteiro How to integrate the computer and the Internet into ELT (APÊNDICE H), e ainda delineamos a apresentação das duplas para o encontro seguinte.
Como as máquinas foram previamente inicializadas, a professora-pesquisadora pediu que todas as participantes abrissem o editor de planilhas Excel. A atividade 1 executada tinha como objetivo explorar as possibilidades de aplicação deste programa para o cotidiano profissional das professoras-alunas. Para contextualizar este uso, simulamos o controle de notas de uma turma. Abordamos questões de confecção e formatação da planilha, e o recurso Auto Soma. As participantes poderiam usar nossa sugestão no controle de notas de seus alunos.
Na segunda parte do encontro, uma das facilitadoras conduziu a atividade 2 embasada no editor de textos Word. As participantes se agruparam em pares e receberam disquetes que continham um texto (apresentação pessoal) escrito por um aluno de inglês de nível elementar. A facilitadora demonstrou como modificar o texto: fonte, espaçamento, posição do texto, dentre outras funções exploradas. Ela ainda mostrou como interferir no texto sem modificá-lo, por meio da função “inserir comentários”. Apontou que a interferência poderia ser feita de várias maneiras: correção dos erros cometidos pelo aprendiz, indicação do tipo de erro que havia sido cometido ou sugestão de melhoria para que o aprendiz pudesse refletir, e comentários de opinião mesmo quando não havia erros, como troca de idéias e elogios.
Após a demonstração, as professoras-alunas completaram a atividade 2 apresentada no roteiro. Elas abriram o arquivo salvo no disquete distribuído. Selecionaram todo o texto, copiaram e colaram em um novo arquivo. Mudaram o estilo da fonte, o espaçamento e a posição do texto. Acrescentaram os comentários que julgaram pertinentes. Salvaram esse novo arquivo no disquete. Algo interessante a ser observado na postura da facilitadora foi que, como a base lingüística dos computadores era o português, ela usava a pergunta How do you say X in English? para rever o vocabulário relacionado ao computador que já havia sido explorado com as professoras-alunas.
Na terceira parte do encontro, outra facilitadora executou a atividade 3 relacionada ao editor de apresentações PowerPoint. A facilitadora seguiu o roteiro que previa a construção de uma apresentação para rever os conceitos trabalhados durante o curso. Vários tipos de slides foram utilizados: título, texto, texto e figura, dentre outros. Ela mostrou como inserir figuras e criar hyperlinks, como previsto pelo roteiro. Adicionalmente, ela abordou funções como print screen, aplicação de modelo de estrutura, mudança de fontes, e, ainda, como deletar slides, personalizar animação, e programar a transição de slides. A facilitadora argumentou que aquele mesmo programa poderia ter sido instalado em versões diferentes em outras máquinas, o que não significaria que as professoras-alunas não conseguiriam utilizar estas outras versões. Seria necessário apenas experimentar essas outras versões, pois acreditávamos que elas já haviam entendido o funcionamento básico desse tipo de programa de edição de apresentações.
As professoras-alunas aplicaram o que havia sido demonstrado pela facilitadora para montarem suas versões da revisão dos conceitos abordados durante o curso. Utilizaram o disquete distribuído anteriormente para salvar o seu trabalho, colaram a etiqueta com seus nomes e devolveram à facilitadora.
Para finalizar o encontro, a professora-pesquisadora utilizou a apresentação montada pela facilitadora como auxílio visual para discorrer sobre os pontos importantes da revisão. Enfatizou que slides poderiam enriquecer muito possíveis apresentações em eventos acadêmicos, que são vantajosos para o currículo e o percurso acadêmico de profissionais do ensino. Em seguida, fez a leitura da introdução do artigo Personality Factors de Brown (2000, p. 142-173) e dividiu o restante do texto em 13 partes para apresentação oral das professoras- alunas no encontro seguinte. O texto para a leitura estava em inglês, mas as participantes se apresentariam em português. Todas deveriam usar o editor de apresentações PowerPoint como recurso visual.
As participantes apresentaram-se no encontro 5, que aconteceu em 4 de novembro de 2005 e contou com 22 professoras-alunas presentes. Dos treze excertos agendados, doze foram apresentados. Prevíamos 10 minutos para cada apresentação e um total de 2 horas e 30 minutos para esta parte do encontro. Utilizamos as 4 horas do encontro para conseguir cumprir essa tarefa e tivemos que renegociar com as participantes uma nova data para finalizar o roteiro.
De qualquer forma, o momento foi muito rico, com muita interação e demonstração de apropriação da ferramenta PowerPoint. Os assuntos abordados foram: domínio afetivo, auto-estima, inibição, arriscar-se, ansiedade, empatia, extroversão, motivação, orientações instrumental e integrativa, motivação intrínseca e extrínseca, a neurobiologia do afeto e medindo fatores afetivos. Foi uma oportunidade de observar os recursos do computador e Internet como auxiliares à construção de conhecimento. As discussões acerca de ensino e aprendizagem tomaram o papel principal, e ao computador foi dada uma função secundária.
Com o grupo dividido em 2 subgrupos, as participantes puderam escolher entre os dias 11 e 16 de novembro para sua participação. As 16 professoras-alunas presentes, 8 em
cada uma dessas datas, completaram o roteiro proposto no encontro 4. A atividade 4 do roteiro (APÊNDICE H), que consistia em uma atividade prática de confecção de um teste somativo, foi explicada e exemplificada através da produção de uma das professoras-alunas que já havia completado esta tarefa. Já as atividades 5 e 6, inscrição e navegação no
Yahoogroups e confecção de página Filamentality, respectivamente, foram explicadas, exemplificadas e demonstradas pela professora-pesquisadora, e, ainda, praticadas pelas demais participantes.
Para que a ferramenta Yahoogroups pudesse ser usada com sucesso, a professora- pesquisadora discorreu sobre seu uso. Conceitos como thread, reply, post, dentre outros, foram abordados, enquanto ela explicava como se inscrever e navegar naquele ambiente. Logo em seguida, as professoras alunas inscreveram-se e responderam a uma linha de discussão relacionada aos gêneros sociais e o ciberespaço, que havia sido iniciada pela professora-pesquisadora. Essa ferramenta foi usada, posteriormente, para a socialização de tarefas a distância e interação coletiva.
Em um segundo momento, a professora-pesquisadora acessou o Roteiro
Filamentality (ANEXO 5) para discorrer sobre e exemplificar a ferramenta de autoria que foi utilizada para a construção de páginas virtuais individualizadas. As professoras-alunas, em seguida, praticaram construindo páginas seguindo o roteiro proposto no encontro 4, nos cinco formatos diferentes oferecidos pelo site Filamentality (hotlist/pesquisa de informação,
multimedia scrapbook/pesquisa de exploração, treasure hunt/questionário de informação,
subject sampler/questionário de opinião e webquest/desenvolvimento argumentativo). Foi importante ressaltar a necessidade de memorização de senhas e o fato de ser possível construir uma página sem um conhecimento de html, apenas lendo e executando o que está no roteiro
Ao final do encontro, foi feita a revisão de todas as vinte tarefas propostas durante o curso, o que se fez necessário devido às mudanças efetuadas durante a pesquisa- ação. Como o grupo era pequeno, foi possível discutir informalmente sobre a situação tecnológica que estávamos vivenciando, os sucessos e os obstáculos. Acreditamos que momentos como este, que não aconteceram tão freqüentemente durante o curso, foram ricos em críticas construtivas, promessas de maior comprometimento e dizeres coletivos que objetivavam maior motivação.
Em relação às tarefas a distância (APÊNDICE E), além daquelas presenciais aqui relatadas, nessa fase, desenvolvemos as mesmas micro-competências que apontamos na fase inicial. Além dessas, buscamos praticar outras micro-competências nas Tarefas 13 a 20:
- manejar periféricos (impressora, drives)
- usar softwares – produção (editor de texto, editor de apresentação, planilhas) - criar com ajuda de técnicas digitais um trabalho autêntico integrando informações
independentes existentes no meio digital
- construção de páginas, inserção de imagem, áudio e vídeo - usar ferramentas de comunicação assíncrona
- participar de listas de discussão e fóruns
Nessa fase intermediária, que também foi a fase final do curso, houve mais casos de não cumprimento de Tarefas. Apenas as Tarefas 13, 15 e 19 foram executadas por todas as participantes. O que estas Tarefas tiveram em comum foi o fato de que todas foram parcialmente executadas durante os encontros presenciais e posteriormente finalizadas a distância. Indagamos se este fato não reforça a idéia do contexto do curso ter propiciado uma visão mais avaliativa que formativa, para algumas professoras-alunas.
Fazendo um balanço ao final dessa segunda etapa, algumas reflexões devem ser assinaladas. Algumas mudanças efetuadas da primeira para a segunda fase surtiram um
resultado positivo. Houve mais alternância entre o inglês e o português, o que permitiu que as professoras-alunas se sentissem mais a vontade para expressar suas dúvidas e opiniões. Parece-nos que, por mais que elas compreendessem os dizeres em inglês das facilitadoras, elas mostravam-se inseguras ao produzir suas falas na língua inglesa. Como essa língua foi utilizada na maior parte das interações na primeira parte, isso as inibia a tomar o turno da fala. Outra mudança, relativa ao espaço físico e à formatação dos encontros presenciais, possibilitou uma atenção mais individualizada. Observamos que quando o número de participantes variou de 16 a 23 professoras-alunas (uma participante desistiu nessa fase devido a problemas de saúde), foi necessária a presença de duas facilitadoras para atender às demandas individuais. Quando o número foi de apenas 8 participantes, a professora- pesquisadora conseguiu atender a essa demanda.
Em relação aos encontros presenciais nessa fase, entendemos que nem todas as dificuldades podem ser previstas em um curso para letramento digital. Uma forma de selecionar possíveis obstáculos foi a observação das falhas das participantes para posterior socialização. Por exemplo, quando trabalhávamos a atividade utilizando o editor de planilhas
Excel, observamos que a separação entre unidade e decimal não poderia ser um ponto (.); ao contrário, deveria ser, obrigatoriamente, uma vírgula (,) ou o recurso Auto Soma não funcionaria. Para garantir maior sucesso na execução de tarefas, foi interessante mostrar formas diferentes de executar a mesma ação no computador.
Em relação ao papel das facilitadoras nessa fase, argumentamos que houve uma tendência de transferir a nossa concepção de letramento digital para as aprendizes. Às vezes, o que considerávamos “difícil”, por não fazer parte do nosso cotidiano de uso do computador e da Internet, era repassado às professoras-alunas como sendo algo “difícil”. Outro ponto observado refere-se à postura adotada pelas duas facilitadoras de não fazerem as tarefas no lugar das participantes. O mesmo não aconteceu com a professora-pesquisadora, que, quando
notava que as professoras-alunas se complicavam demais, resolvia o problema delas para dar continuidade às tarefas. Acreditamos que essa última postura relatada não seja a ideal para contribuir para o processo de letramento digital.