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Em sentido restrito, a tecnologia é entendida como o know-how necessário para desenvolver e aplicar processos técnicos, estando incorporado em máquinas ou documentação técnica (FIGUEIREDO, 1994). É nessa mesma perspectiva que Fleury (1987) define a tecnologia na empresa como um pacote de informações de diferentes tipos (científicas, empíricas), provenientes de fontes diversas e organizadas segundo diferentes métodos (pesquisa, desenvolvimento, adaptação, espionagem) que viabilizam a produção de bens e serviços. De maneira semelhante, SÁBATO15, citado por Figueiredo (1993), afirma que a tecnologia deve ser entendida sob a perspectiva organizacional como o conjunto ordenado, organizado e articulado dos conhecimentos científicos – oriundos das várias ciências – e empíricos – resultantes da observação, experiência, atitudes e tradição – empregados na produção e comercialização de bens e serviços.

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O conceito de tecnologia deve, ainda, incorporar a inserção da tecnologia no contexto organizacional e a qualificação das pessoas. Assim, a tecnologia assume um significado mais abrangente, englobando quatro elementos igualmente importantes, interdependentes e co- determinantes (FIGUEIREDO, 1994):

(1) hardware técnico: máquinas, equipamentos, instalações, processos produtivos;

(2) conhecimento (brainware): conhecimento científico e tecnológico, habilidades técnicas, talento, criatividade, valores, cultura, educação formal, treinamento profissional, experiência acumulada, know-how, know-what e know-why da tecnologia;

(3) organização: arranjo institucional através dos quais o hardware técnico e o conhecimento são administrados – organização da produção, controle de qualidade, manutenção, desenvolvimento de produtos, canais comunicação, gestão do conhecimento; e

(4) produtos: bens e serviços produzidos pela ação conjunta dos três outros componentes.

Segundo Capon e Glazer (1987), no contexto da empresa, a tecnologia pode ser separada em três componentes: (1) a tecnologia de produto – referente ao acervo de conhecimentos diretamente embutidas no produto; (2) a tecnologia de processo – relacionada ao conjunto de idéias utilizadas na fabricação do produto (ou na prestação do serviço); e (3) a tecnologia gerencial – que inclui os procedimentos relacionados a marketing, produção, finanças, recursos humanos e outras funções administrativas.

Sendo assim, a tecnologia não pode ser reduzida aos bens de capital e o desenvolvimento tecnológico não deve ser confundido com a mera introdução de meios de produção mais avançados – ainda que estes carreguem em seu bojo inovações importantes. O progresso técnico, num sentido mais amplo, abrange aspectos menos tangíveis como treinamento, aprendizado, novas estruturas organizacionais e mudanças comportamentais (SILVEIRA, 1999).

Zawislak (1996a), analisando o ciclo de vida da tecnologia, distingue, basicamente, três estágios com características particulares que exigem diferentes ações para a sua administração. Segundo o autor, existe a tecnologia nascente que desponta como uma solução potencial e inédita. A sua gestão normalmente exige grande esforço de P&D e prospecção tecnológica e tem como objetivo principal garantir a utilização dessa tecnologia e a sua efetiva difusão. Segundo Utterback (1994), esse estágio é fluido e se caracteriza pela mais alta taxa de inovação do produto. Nessa fase, todos – consumidores e fabricantes – estão aprendendo enquanto caminham.

A tecnologia pode ser ainda paradigmática. Nessa fase, a tecnologia está em amplo processo de difusão e a sua utilização se generaliza. Tecnologias desse tipo exigem um grande esforço de assistência técnica, produção, testes e engenharia de projeto. As elevadas taxas de inovações do produto começam a ceder espaço para a introdução de importantes inovações de processos. O objetivo principal é a melhoria contínua ou inovação incremental do conjunto de detalhes técnicos que poderão fazer diferença no mercado. Nesse ponto, a diversidade de produtos diminui e surgem projetos padronizados que demonstraram ser soluções bem- sucedidas na satisfação das necessidades dos usuários (ZAWISLAK, 1996a; UTTERBACK, 1994).

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Por último, tem-se, ainda, a chamada tecnologia estabilizada, cujo conteúdo é amplamente conhecido e dominado. Transformada em tecnologia de “domínio público”, poucos são os seus segredos. São estabelecidos nesse período o que Utterback (1994) chama de projeto dominante. A gestão desse tipo de tecnologia dirige seus esforços para a descoberta de caminhos que garantam a sua sobrevivência e evitem a obsolescência. As empresas voltam o foco para os custos, volumes e capacidade de produção com as inovações de produto e processo aparecendo em pequenas etapas incrementais.

As tecnologias podem, ainda, ser classificadas de acordo com seu impacto na estratégia da empresa. Sob esta perspectiva, tem-se as tecnologias-chave (ou determinantes) que permitem à empresa manter sua vantagem competitiva fundamental e, em geral, precisam ser internalizadas; as tecnologias básicas (ou necessárias) que são dominadas por todos os competidores do setor, que se tornam obrigatórias e às quais é preciso ter acesso; as tecnologias incipientes (ou emergentes), que se encontram no início do seu ciclo de vida e que têm potencial para modificar as bases da competição no futuro (PRICE, 1996; ESCORSA, 1991; MARCOVITCH,1991).

De forma semelhante, as aptidões fundadas em tecnologia também podem ser classificadas em suplementares, habilitadoras ou estratégicas (LEONARD-BARTON, 1998). As aptidões tecnológicas suplementares – como o próprio nome indica – contribuem, mas não são essenciais para o desempenho da empresa. Normalmente adicionam valor às aptidões estratégicas, mas podem ser facilmente imitadas/emuladas.

As aptidões tecnológicas habilitadoras são importantes e necessárias para a organização, como pré-requisito para entrar no mercado, mas não suficientes para conferir vantagem competitiva. Segundo Lall (1992), essas aptidões envolvem as competências tecnológicas

rotineiras que dizem respeito a atividades tecnológicas num dado patamar de eficiência. São necessárias para usar a tecnologia, os conhecimentos e os mecanismos organizacionais.

As aptidões tecnológicas estratégicas são aquelas que diferenciam a empresa dos demais concorrentes e que proporcionam – pelo menos potencialmente – uma vantagem competitiva. Incluem-se aqui as competências tecnológicas inovadoras que permitem criar, modificar ou aperfeiçoar produtos e processos. São aptidões necessárias para modificar a tecnologia, os conhecimentos e os mecanismos organizacionais (LALL, 1992).

Entendendo a tecnologia no seu sentido mais amplo, uma aptidão tecnológica estratégica – como é tratada neste trabalho – deve envolver, então, mais do que aspectos técnicos, e incluir uma combinação de: (a) conhecimentos e habilidades acumuladas dos funcionários; (b) conhecimento embutido nos sistemas técnicos, incluindo instalações, equipamentos, softwares, bancos de dados e procedimentos formais; (c) sistemas gerenciais que existem para criar os canais por onde o conhecimento tecnológico flui e é gerenciado; e (d) valores e normas que determinam que tipo de conhecimento deve ser buscado e cultivado (DAY, 1999; LEONARD-BARTON, 1998).

Benzer Belgeler