Apoiamo-nos em duas abordagens distintas para a realização dessa pesquisa. A quantitativa ligada às ciências exatas, que orienta alguns resultados e sustenta verificações e a qualitativa, ao focar o caráter processual, abrangendo as ciências sociais.
A investigação com enfoque quantitativo comumente é utilizada pelas ciências exatas. Por um período considerável foi garantia de credibilidade entre os
cientistas modernos. No entanto, com a necessidade de observar o fenômeno social e humano, valorizando os métodos aplicados, a pesquisa qualitativa conquistou seu lugar na área das ciências humanas e despontou-se, mostrando o seu valor e, ainda mais, enriquecendo a investigação científica. Esta vem, de certa forma, preencher algumas lacunas em relação à investigação quantitativa, como por exemplo, o fato de se considerar questões subjetivas que envolvem os participantes de pesquisa.
Com esse procedimento, entendemos tornar mais eficiente a observação do indivíduo ao considerá-lo como um todo. Em referência à pesquisa experimental, Laville e Dionne (1999) notam que:
...a mais séria pesquisa não é necessariamente a que mais se aproxima dos modos das ciências naturais, mas sim aquela cujo método é o mais adaptado ao seu objeto, por mais difícil que seja delimitá-lo. (LAVILLE; DIONNE,1999, p.139)
Em Ruddell e Unrau (2004), os autores afirmam que a pesquisa quantitativa tem o seu valor para as ciências humanas em virtude da probabilidade de exatidão e tradição na interpretação dos dados. A maioria delas tem sido circunscrita nessa abordagem, pois os pesquisadores fazem uso de indicadores para avaliar a atitude do leitor. Muitas avaliações têm usado testes de múltipla escolha e/ou protocolo de variáveis, administrados e controlados. Esse procedimento colaborou para que o significado dos efeitos de atitude na memória, tivessem grande repercussão quando testados através de programas de estatística. As vantagens da tradicional metodologia quantitativa é a segurança em manipular dados fixos, propiciando assim conhecimento mais preciso da metodologia e convenções científicas para interpretar resultados (LAVILLE; DIONNE,1999).
Por conseguinte, há de se levar em consideração a importância da pesquisa com enfoque qualitativo, principalmente em consideração ao envolvimento direto com seres humanos. Adotando essa postura temos a oportunidade de verificar a realidade sem cometer muitos cortes e desconsiderar variáveis importantes. Torna-se possível, no campo da lingüística e/ou lingüística aplicada, verificar
representações, conjugar as abordagens da pesquisa qualitativa de acordo com a exigência do objeto a ser investigado.
Kuhn (1987) reflete sobre a importância da pesquisa científica ao definir com propriedade a noção de paradigma:
Considero ‘paradigmas’ as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência. (KUHN,1987, p. 13)
Para que a evolução e, em alguns momentos a revolução científica aconteçam, em alguma medida há de se forçar a comunidade a rejeitar uma teoria em favor de outra, incompatível parcial ou totalmente com aquela em vigor. Isso pode ser interpretado como uma controvérsia no trabalho científico, mas é um movimento que contribui substancialmente para a evolução das ciências. Teoria e fato científicos não são separáveis, descobertas inesperadas transformam o mundo científico qualitativa e quantitativamente.
A área da leitura, interdisciplinar por excelência, estabelece seus paradigmas fazendo uso de diversos campos do conhecimento, abrangendo as ciências humanas e biológicas. O pesquisador dispõe de liberdade ao definir o seu foco e sua filiação, desde que esteja de acordo com o enfoque que pretende dar à sua pesquisa. Aqui fazemos essa afirmação para a pesquisa em leitura à luz de Kuhn (1987). De acordo com nossas possibilidades, procuramos conciliar o referencial teórico da lingüística aplicada, psicologia, ciências cognitivas e neurobiologia, a qual se insere no campo das neurociências.
No que se refere ao processo da leitura, pretendemos compreendê-lo de acordo com uma visão contemporânea, buscando nas ciências humanas como: o lingüístico, o psicológico, o biológico e o social. Sabe-se, em decorrência de outras pesquisas, da probabilidade de se encontrar pontos de interseção entre as linhas teóricas acima citadas, corroborando assim a reflexão de Leffa (1996) em torno do conceito de leitura. O autor redefine o conceito de leitura considerando as inúmeras possibilidades de se recortar estudos nessa área, devido à complexidade do assunto. Dessa forma, adotamos uma perspectiva cognitiva, ao focar a motivação.
O modelo de leitura proposto por Mathewson (2004) vem contribuir com o desenvolvimento dessa metodologia, denominado “Modelo de influência de atitude ao ler e aprender a ler”, o qual prioriza a investigação de uma das variáveis que envolvem a motivação humana, a “atitude”. Retomando fatores subjetivos, como por exemplo, a intenção, o autor sugere que há necessidade entre os cientistas de recuperar as investigações no campo da motivação. Isso se justifica, pois, na década de 90, as pesquisas estavam quase que exclusivamente voltadas somente para as variáveis cognitivas que tratavam de estratégias para explorar o texto.
A formatação da coleta de dados para realizar essa investigação foi motivada pela inter-relação entre as teorias que subsidiaram o referencial teórico adotado. Para elaboração dos instrumentos consideramos Mathewson (2004) e o Diagrama do Centro de Ciência Cognitiva da Universidade Alert Ludwig de Freigurg (2006) – Figura I – cito capítulo 1. Nesse entendimento, a pesquisa aqui apresentada configura-se como pesquisa para a sala de aula, não uma pesquisa em sala de aula. Ao submeter os colaboradores da pesquisa às verificações atendemos a um procedimento que se faz necessário por constituir um fator relevante para a pesquisa de cunho quantitativo.