2. GENEL BİLGİLER
2.8. KOAH’ın Evreleri
A tecnosfera pensada por Logan enquanto uma estrutura presente na simbolosfera refere-se aos mecanismos e dispositivos tecnológicos que integram o modo como os materiais são organizados no intuito de alcançar uma determinada funcionalidade. Ao reconhecer que a técnica parece ser um destino inexorável da humanidade, a respeito dessa esfera, subtende-se que a tecnologia, com toda sua complexidade, ocupa um lugar de destaque na cultura contemporânea.
A tecnologia é, portanto, uma forma de propagação da organização que também evolui, como os organismos vivos, através de sua descendência, da modificação e seleção. Todas as tecnologias são derivadas ou descendem de alguma ferramenta anterior. As primeiras ferramentas humanas foram derivadas de objetos encontrados, como comprovam os primatas, que ainda hoje fazem objetos a partir de objetos encontrados. As ferramentas descendem de geração em geração. O (A) inventor (a) ou designer de uma nova tecnologia é fonte da modificação de alguma ferramenta mais antiga ou da combinação de ferramentas. Finalmente, os (as) usuários (as) que optam por usar a tecnologia completam o círculo evolutivo da evolução. As ferramentas que provam ser funcionais e facilmente implantadas são selecionadas.58
Nos estudos de Logan acerca da propagação da informação, encontramos aquilo que pode ser considerado novel para entendermos os processos que envolvem as tecnologias e seus variados produtos e serviços. A novidade está na semelhança dos elementos que compõem a tecnosfera com os organismos vivos.
Se compararmos estas duas instâncias de propagação da organização, a saber, sistemas bióticos e tecnologias, notaremos que as duas são capazes de se sustentarem por meio de círculos termodinâmicos, pois ambas são simbiontes obrigatórios que dependem de seus hospedeiros, responsáveis por sua manutenção e sobrevivência. É sob essa estreita relação com seus hospedeiros que os organismos obtêm a energia necessária ao seu constante funcionamento, para efetuarem ações sobre o ambiente e também sobre seus próprios hospedeiros humanos. Da interação entre o sujeito e o objeto, ou seja, entre o homem e a máquina, eis que surge o seguinte questionamento: seriam as tecnologias dotadas de agência?
A palavra “agente”, encontrada nos dicionários remete a tudo aquilo que age ou que tem a capacidade de fazer com que as coisas aconteçam. “Esta é uma característica óbvia de
um organismo vivo que atua em seu ambiente, explorando os seus recursos em busca de matérias-primas e de energia livre para propagar a sua organização”.59
No caso das tecnologias informacionais, a agência é pensada no intercâmbio do homem com os objetos técnicos. Sobre esse ponto, tomemos, como exemplo, o caso específico do martelo por ser uma ferramenta de fácil análise. Podemos dizer que, em toda a sua singularidade, o objeto em questão é inerte e, por si só, incapaz de empregar uma ação eficiente sobre outra superfície. Trata-se de uma tecnologia que não cumpre sua funcionalidade sem a intervenção humana. Por certo, o ato final de pôr um prego no assento de uma cadeira resulta da intenção humana projetada no objeto (martelo), o qual passa a ser dotado de certa “corporeidade”, ao tornar-se a extensão de seu usuário. Uma vez acoplado ao seu hospedeiro humano, o martelo se serve de sua agência.
Nesse exemplo elucidativo, o que constitui a agência do objeto é a interface que ele estabelece com o seu usuário. Por serem estritamente simbiontes, as tecnologias (incluindo seus diferentes tipos de objetos) são também possuidoras de agência, tal como os organismos presentes na biosfera. Assim, no contexto da afirmação de que a agência dentro da tecnosfera reside na interface do usuário com o seu objeto, emerge outra questão: o que podemos compreender acerca do termo interface?
Na sua tese de doutorado, referente a sistemas de permeabilidade entre o homem e as máquinas, Sandro de Abreu60 explora o conceito de interface conforme fora preconizado por Siegfried Zielinski, apresentando uma concepção de interface que permite pensar a relação estabelecida entre os aparelhos técnicos com os seus usuários. A interface é, pois, um conceito-chave que integra a análise dos elementos que compõem a tecnosfera, o qual se mostra sobremodo mais evidente na relação dos usuários com as tecnologias digitais disponíveis em curso.
De acordo com os autores mencionados acima, a formulação do termo “interface” apresenta um caráter ambivalente, já que ele implica, por um lado, a separação e, por outro, a conexão entre duas instâncias distintas. Destarte, “aquilo que a interface tanto separa como conecta é, em um sentido mais geral o ‘Um’ do ‘Outro’”.61
59 LOGAN, 2012, p. 177.
60 ABREU, S. C. Interfaces em arquitetura: permeabilidades entre o humano e o digital. 2011. 349 f. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, São Carlos, 2011.
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Não obstante, Abreu capta a essência desse “UM do Outro” da interface nos escritos de Flusser62, ao tratar da natureza das imagens inscritas na matéria. Segundo ele, dentro das concepções do filósofo tcheco-brasileiro, as imagens pré-históricas, projetadas nas superfícies das cavernas pelos homens da época, a partir dos recursos materiais disponíveis, possuem uma característica única: elas foram uma das primeiras maneiras que esses homens encontraram de se organizar no intuito de compreender o mundo que os envolvia.
O autor reitera que as representações imagéticas instanciadas nas superfícies, por estas mesmas imagens, não serviam a propósitos linguísticos, mas que seu teor, na verdade, era ritualístico e de magia, o que propiciava aos homens que habitavam tais cavernas, assim, uma interferência e conexão com o mundo. Em decorrência dessa passagem, entende-se:
“Um do Outro”: utilizam-se ou criam-se interfaces para a conexão com o desconhecido, com o Outro. Esse “Outro” pode ter diversas conotações: pode ser o outro ser social, pode ser a natureza, pode ser a realidade última/objetiva, pode ser um objeto construído. Agrupamos esses diversos “Outros” não para afirmar que eles pertencem a uma mesma categoria, mas para mostrar que a ideia de Outro compõe diversas leituras sobre como estamos no mundo e nos relacionamos com esse Outro.63
Concordante com a citação acima, esse ”Um do Outro” pode ser estendido aos demais objetos técnicos, à medida que estes têm assumido novas formas e outras finalidades. Na sociedade pós-industrial, caracteristicamente tecnológica, o elo entre o homem e os objetos técnicos tem se estreitado cada dia mais. Por isso, analisar o comportamento dos indivíduos diante das tecnologias tornou-se um dos problemas enfrentados por alguns filósofos contemporâneos e alguns adeptos da teoria das mídias.
Nesse século em que a sociedade se encontra seduzida pelos atraentes e sofisticados
softwares, o conceito de interface passa a ser relevante para o entendimento acerca do funcionamento dos aparelhos dotados de complexos programas e códigos, os quais, em grande medida, mostram-se obscuros aos seus usuários. Sobre a interface, conclui-se:
É na interface que se opera uma tradução, uma modelagem. Eu modelo o Outro para me comunicar e me modelo para que possa ser compreensível para o Outro. Conota-se aqui que, embora o Outro seja desconhecido, ao
62 O tópico acerca das imagens e formas, a que faz menção o estudo de Abreu (2011), está explicitado na seguinte referência: Flusser, V. O mundo codificado', por uma filosofia do design e da comunicação. Organizado por Rafael Cardoso e Tradução de Raquel Abi-Sâmara. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
modelá-lo eu sou capaz de estabelecer uma conexão que possibilita uma atuação/interferência ou comunicação com esse Outro.64