• Sonuç bulunamadı

A percepção do vocabulário técnico pelos professores e alunos tem como principal característica o reconhecimento de que há uma falta de padronização, isto é, uma grande variação vocabular, com muitos sinônimos para um único conceito. Ela tem diversas causas, assim como várias conseqüências para a formação, a comunicação profissional e, em última análise, para o desempenho das empresas.

a) Falta de padronização

A falta de padronização é particularmente evidente para os professores, que ministram cursos em várias regiões:

[...] a gente trabalha no Brasil inteiro, e em cada região que a gente chega vê um termo diferente para a mesma coisa. Isso, às vezes, causa constrangimento, e tudo por conta dessa falta de padronização. Por isso, é de suma importância que exista a normalização desses termos. (P1, GF1).

Defendendo a padronização do vocabulário, no contexto da transferência de tecnologia escola-empresa, um dos professores do grupo argumentou: “é importante que você tenha o conhecimento desses termos técnicos, para poder passar para as pessoas, e todo mundo falar a mesma linguagem” (P2, GF1).

Vários outros depoimentos, focalizando a falta de padronização em diversos ambientes – na escola, na universidade, na empresa – reforçaram essas observações:

[...] realmente há necessidade de você ter um padrão, principalmente dentro das escolas, ou seja, é necessário padronizar o vocabulário do vestuário, já que hoje em dia, em muitas áreas, tudo que existe é padronizado. (P3, GF1).

Eu acho que seria importante a padronização de um vocabulário técnico não só para área profissional, mas também para a área acadêmica, uma vez que não há padronização, pois encontramos muitas divergências em diferentes literaturas. (P3, GF4).

E com a padronização dos termos, o diálogo fica muito mais fácil dentro de uma empresa ou em qualquer outro setor que a gente possa estar, como por exemplo, na faculdade... e até na vida da gente. (P5, GF4).

Essa padronização seria importante tanto para os profissionais atuantes, inseridos no mercado de trabalho, quanto para os estudantes, pois tanta diversidade dificulta o aprendizado. (P1, GF1).

As conseqüências negativas da falta de padronização são reconhecidas por todos, tanto no que se refere à formação como ao desempenho profissional, como veremos a seguir.

b) Causas da falta de padronização

As causas dessa variação vocabular foram bastante discutidas entre os componentes dos grupos. Para os participantes, haveria várias razões que justificariam sua ocorrência. Entre as principais: regionalismos, analogias, estrangeirismos e baixa escolaridade. Freqüentemente, essas razões estão associadas numa explicação, sobretudo analogia/baixa escolaridade.

A primeira motivação seria o uso de linguagem regional, coloquial ou proveniente das empresas. Somos habitantes de um país imenso, que sofre a influência de muitas culturas. Sua dimensão geográfica acaba por se transformar num elemento que dificulta essa padronização do vocabulário, tanto referente aos termos comuns, como aos especializados. A busca incessante por melhoria das suas condições socioeconômica, promove a migração dos profissionais, que levam consigo uma carga vocabular muito rica e cheia de diferentes influências que será partilhada com outros indivíduos na próxima empresa em que atuará. Nessa empresa, também, assimilará o vocabulário de uso corrente, gerando uma significativa riqueza de termos, conforme o argumento de um dos professores:

[...] a gente que trabalha na instituição e de vez em quando está em outras regiões diferentes, encontra algumas palavras diferentes com mesmo significado. Então é importante a padronização, para facilitar a comunicação, não só dentro da empresa, como de empresa para empresa, que, às vezes, a primeira quer uma coisa, e a segunda entende outra [...]. (P2, GF1).

Uma outra razão da variação seria o mecanismo da analogia. As pessoas vão nomeando os objetos ao seu redor através de associações por semelhança, afirmou um aluno:

[...] eu acho que vai por analogia, cada um que não sabe o nome associa àquela determinada peça, ou aquele determinado produto, com uma coisa que ele conhece, e cada um tem sua maneira de associar, de denominar, de dar um nome para aquela peça. (P2, GF6).

Essa afirmação foi também compartilhada por outro aluno que falou:

Já indo pro lado profissional, quando a gente se depara com empregados, com funcionários de determinada fábrica, eles são em grande maioria de formação educacional muito baixa, a maioria só tem o ensino fundamental e às vezes incompleto, e uns poucos o ensino médio completo. Então tudo que eles acham dentro da empresa, material, produto, processo etc., como não tem uma base técnica sobre isso, eles denominam com qualquer nome popular que vem na cabeça deles. Pode botar o nome de um objeto comum, do seu cotidiano, como p.ex. uma tesoura especial usada para determinada operação em um processo técnico, com o nome de algo semelhante, que ele viu, com aquela tesoura, [...]. (P1, GF6).

Na opinião dos participantes, é a falta de escolaridade e/ou educação profissional, que leva os indivíduos a criar termos para os objetos através de analogias, conforme sua experiência do mundo. Trata-se de um campo interessante para o estudo das designações metafóricas, que mereceria um estudo por si só.

Os estrangeirismos também contribuem para a variação vocabular. Devido às influências da moda no vestuário, uma grande parte dos temos utilizados vem do francês. Outra parte, determinada pelas tecnologias avançadas dos sistemas e processos de produção, é influenciada pelo inglês. Isso se soma à influência tradicional do inglês, pelo fato de a Inglaterra ser considerada o berço da indústria têxtil.

Assim, um professor atribui a diversidade no vocabulário do vestuário, entre outras causas, aos estrangeirismos:

Eu penso que essas mudanças de termos, essa diversidade de nomenclaturas que existem, primeiro é porque não tem uma unificação, uma padronização. Depois é a questão, às vezes até de falta de conhecimento mesmo, como é o caso de p.ex. ‘zíper’, ‘fecho-ecler’, ‘ri-ri’. Aí vem a questão da predominância da língua estrangeira, em especial o idioma inglês, no nosso vocabulário, onde por exemplo, a camiseta

decote careca, no caso, é ‘T-shirt’, a camiseta regata, é ‘A-shirt’, até o próprio ‘short’ que hoje já está aportuguesado mesmo, e já consta até nos principais dicionários da língua portuguesa, como o Aurélio ou o Houaiss, como uma palavra normal da nossa língua. (P1, GF1).

Em relação à escolaridade como fator da falta de padronização, segundo o entendimento de um dos alunos, nas pequenas e microempresas do vestuário, o vocabulário adotado é o coloquial e isso se deve ao baixo nível de escolaridade, falta de conhecimento formal, maior valorização da prática em relação à teoria etc.: “[...] dependendo da função, seja o operário, seja o diretor, muitas vezes, o termo usado é coloquial, e até gíria, também é usada, isso porque a linguagem não é padronizada” (P6, GF4).

Conforme a opinião de um outro aluno, também as razões de baixa escolaridade e analogia influenciam na questão vocabular: “Eu acho que a linguagem dessas costureiras, por elas possuírem baixo nível de escolaridade, é que acarreta isso... pelo que elas acham mais parecido, é que elas começam a nomear as coisas” (P2, GF4).

Outro integrante do grupo, um aluno, com vasta experiência na indústria, observou que a falta de conhecimento técnico explica o uso de um vocabulário informal ou comum, ao dizer:

O problema é que nas fábricas do setor têxtil, geralmente, o pessoal de chão-de-fábrica tem pouca escolaridade, e também muitos deles nunca receberam nenhum treinamento ou fizeram algum curso de capacitação para poder assumir aquela função. Eles vão aprendendo com os funcionários mais antigos, que também não tiveram nenhuma base técnica, e aí é que está o ‘nó’ do problema, eles usam um vocabulário que não é técnico, ou seja, usam palavras comuns. Os erros se repetem, tanto no vocabulário que usam, como até, também, no jeito de fazer as suas tarefas. (P3, GF6).

Nesse caso, a justificativa estaria no fato de que a maioria dos empregados não passou por escolas profissionalizantes, cursos de Formação ou Capacitação profissional, o que lhes proporcionaria a aquisição de conhecimentos técnicos teóricos e práticos da área do vestuário e conseqüentemente do seu vocabulário técnico.

Isso sugere que é essa carência de conhecimento formal que faz com que os termos comuns, usados no dia-a-dia, sejam empregados nessas empresas. Nesse caso, a terminologia técnica, ao invés de facilitar a comunicação, poderia

dificultá-la ainda mais, uma vez que a maioria das pessoas, devido à falta de conhecimentos, não entenderá o que se está querendo comunicar (conferir infra).

De forma muito pragmática, um dos alunos resume a situação da seguinte maneira: “[...] a variação de termos ocorre devido à falta de padronização, e a falta de padronização só existe porque nunca ninguém parou e se preocupou com essa padronização” (P2, GF4).

Por oposição à falta de padronização do vocabulário, atribuída à baixa escolaridade, é importante salientar o papel inverso que desempenha o domínio do vocabulário técnico entre os profissionais qualificados. Na esfera profissional, em muitas empresas, o vocabulário técnico funciona como termômetro da competência do indivíduo, sendo necessário que o profissional domine o vocabulário técnico, e também conheça o vocabulário não-técnico, que se utiliza nesse universo. Mas, de forma geral, o domínio do vocabulário técnico impõe respeito, mostra competência e nível cultural, além de facilitar a compreensão dos procedimentos necessários à efetivação das tarefas na empresa, agilizando-as, e proporcionando maior tempo de permanência dos profissionais no mercado de trabalho.

Essa questão foi relatada pelos participantes, para indicar que um profissional, ao dominar os termos técnicos mostra que possui cultura, referente aos aspectos profissionais, ou seja, uma educação sólida, conforme a declaração de um dos alunos: “Teoricamente sim, é importante ter domínio do vocabulário técnico, pois como se tinha falado antes, mostra até o nível cultural da pessoa” (P6, GF4).

O fator competência foi abordado pelos participantes para indicar capacidade de atuar profissionalmente. Referiram que a falta de domínio do vocabulário técnico pode refletir falta de preparo para aquela atividade profissional, e poderia levar ao descrédito perante subordinados e superiores, como nos declarou um docente: “[...] se eu sou um profissional qualificado, que vou exercer uma função de liderança dentro de uma empresa, e não uso os termos corretos que já existem, eu não vou estar com a competência necessária para assumir aquela função” (P2, GF1).

Posição também assumida por um dos alunos ao afirmar:

Claro que sim, é importante dominar o vocabulário técnico, pois dá uma péssima impressão um profissional não conhecer os termos técnicos de sua própria profissão. Ele pode perder a confiança dos seus superiores

e subordinados, vão achar que ele não tem competência para função que está exercendo ou vai exercer. (P3, GF6).

c) Os benefícios da padronização

Os participantes têm plena consciência de que a padronização é necessária e benéfica e que é preciso tentar implantá-la: o uso do vocabulário técnico durante as atividades profissionais é um elemento facilitador, quando ele é dominado pelos indivíduos, superiores e subordinados, ou em posições equivalentes de hierarquia, uma vez que todos possuem a mesma compreensão do que está sendo dito.

Exemplifica essa constatação, uma aluna ao afirmar: “Com a padronização dos termos, o diálogo fica muito mais fácil dentro de uma empresa ou em qualquer outro setor que a gente possa estar, como por exemplo, na faculdade... e até na vida da gente” (P5, GF4).

Conforme o relato de um professor, profissional experiente da área técnica e que também exerce atividades de prestação de serviços às empresas, é preciso tentar uniformizar os termos para permitir a comunicação:

[...] trabalhamos com prestação de serviço, consultoria, em todo Brasil, tanto na área de ensino, como de consultoria mesmo, nas empresas e em todas as regiões do Brasil. E é muito importante que nós falemos termos técnicos, corretos. Existem muitas divergências por esse Brasil afora, mas é importante no trabalho da gente, que se utilize e domine estes termos técnicos para uniformizá-los, [...] para facilitar a comunicação das empresas, dentro das empresas, de uma empresa para outra, dentro dos setores, e que possam facilitar essa comunicação com todas as pessoas que trabalham no mesmo setor, envolvidos com o trabalho. (P1, GF1).

Alguns alunos com experiência empresarial no setor produtivo explicitaram, também, a importância da padronização dos termos, facilitando, assim, a comunicação dentro dos diferentes setores da empresa, que atuam de maneira integrada e a comunicação é um fator primordial, que concorre para que as metas empresariais almejadas sejam alcançadas com êxito.

Na minha opinião, essa padronização do vocabulário só vem a melhorar o trabalho que nós desenvolvemos nas fábricas, pois o que encontramos quando nós chegamos nas fábricas são pessoas que na

maioria das vezes não têm nem o ensino médio completo, e encontramos muitas dificuldades em traduzir as informações que nós colhemos nas fábricas [sobre produtos, processos, etc.] para poder depois repassar com linguagem técnica. (P4, GF4).

Essa realidade é vivida pela maioria das empresas, independente do seu porte (grande a micro empresa) e segmento que opera (vestuário, artigos para o lar etc.), em especial, quando se trata de interpretar os termos contidos nas fichas técnicas dos produtos, de acordo com o ponto de vista de um dos professores: “Considero também importante que haja uma padronização, porque facilita a comunicação profissional, que é um dos grandes problemas dentro das empresas” (P4, GF1).

As empresas não estimulam o suficiente o uso de vocabulário técnico, que é o meio de garantir que não haja falhas na comunicação. Dependendo do tipo de atividade que está sendo realizada, o sucesso da comunicação se refletirá em benefícios para a própria empresa, afirmou um aluno:

[...] a maior importância desse vocabulário é na comunicação com os funcionários da empresa. Para podermos ter uma comunicação certa, uma comunicação direta, que faça, que agilize todo o processo de produção é necessário a gente ter o domínio desse vocabulário técnico, um vocabulário padronizado. (P3, GF4).

O processo comunicativo não ocorre, apenas, dentro da empresa, ele ultrapassa seus limites e atinge clientes, fornecedores, concorrentes etc. Para comprovar essa importância, que vai além dos limites físicos da indústria, um dos alunos afirma:

Eu acho que essa padronização é importante tanto para nosso vocabulário direto com nossos colaboradores, com os funcionários da empresa, como também com os nossos clientes, que algumas vezes, como eu tive exemplo, eles têm um vocabulário e a gente tem outro, e dificulta, às vezes, até a negociação. Então, se tornaria bem importante essa padronização. (P2, GF4).

Diversos participantes salientaram que uma boa comunicação entre os profissionais tem como resultado a otimização dos processos produtivos. Um aluno considerou que o processo produtivo, quando apoiado por uma boa comunicação, tende a ser ágil e livre de entraves desnecessários: “[...] esses termos também

devem ser levados em consideração para que todos falem a mesma linguagem, dentro de qualquer que seja a empresa, para não ocorrer nenhum problema de atraso ou perda de produção” (P5, GF4).

Para outro aluno, “é importante a questão de padronização e utilização do vocabulário técnico pelos profissionais da área do vestuário. Também na questão produtiva aceleraria muita coisa” (P6, GF4).

Enfatizando a importância de conhecer os termos da sua área, até como forma de preservar a sua permanência no mercado de trabalho, um dos alunos informou:

[...] quando a gente chega nas fábricas se depara com muitos nomes para as mesmas coisas. A gente fica meio perdido... são nomes, às vezes, bem diferentes daqueles que a gente aprendeu na universidade. Por isso é muito importante que o engenheiro conheça e use os termos corretos da sua área, porque isso vai influenciar diretamente na produção, evitando erros. E todo mundo sabe que erro gera prejuízo, que é ruim para empresa, e também para gente, pois pode até botar em risco o emprego da gente, com uma demissão [...]. (P3, GF6, grifo nosso).

Um outro aluno relacionou a padronização de procedimentos e a padronização terminológica:

[...] a padronização de todo processo produtivo é muito importante. E para se fazer a padronização dos processos, é muito válido fazer também, a padronização da linguagem desse processo, porque as pessoas que vão entrar posteriormente nesse processo, terão que fazer uso do vocabulário técnico, e vão repassar para os outros operários também. (P1, GF4, grifo nosso).

Essa posição também foi assumida por outro aluno que disse:

[...] se a gente tiver o domínio desse vocabulário, pode ajudar aos nossos subordinados a falar da forma correta, e podemos também, montar um manual de procedimentos, mas é claro, sempre usando o vocabulário técnico, fazendo treinamento, para que os nossos colaboradores aprendam a fazer suas tarefas corretamente. (P3, GF6, grifo nosso).

A padronização agiliza a produção, uniformiza os procedimentos e evita erros, que têm conseqüências indesejáveis como prejuízos, atrasos, aborrecimentos, e até, como observado por (P3, GF3), demissão.

d) Quando o vocabulário técnico prejudica a produção

Contrariamente às opiniões acima, para um dos alunos participantes que atua no setor produtivo, numa pequena empresa, o uso do vocabulário técnico poderá prejudicar a produção, dependendo do nível de instrução das pessoas envolvidas no processo produtivo. É o que expõe (P6, GF4):

[...] eu trabalhei numa empresa de Confecção de pequeno porte e em muitos momentos, a produção da gente atrasava por este problema: a diversidade de termos. Muitas vezes, era pedida uma coisa, uma simples substituição de material, e a pessoa voltava com outra Por exemplo eu pedia ‘galão’ e a pessoa trazia ‘sianinha’ [...]. Justamente por não existir a padronização, você ter conhecimento do termo técnico hoje, e espero que isso seja mudado, não influencia porque as pessoas que vão estar operando diretamente [no processo produtivo], não vão saber do que se trata.

[...] o que eu sofria era isso: eu sabia da terminologia e as pessoas que trabalhavam comigo não, e isso causava sérios problemas na hora da produção. [...] Até porque muitas vezes, nem explicar adiantava nada, devido ao baixo nível de escolaridade deles. Confundia mais ainda, então, no caso, eu que tinha que me adaptar à realidade local, usar o termo coloquial.

[...] quando você está no comando de uma linha de produção, e ela está atrasada, é aquela cobrança, aquela pressão, a produção podendo até parar. Então, você se vê diante de uma produção que pode ir para frente ou não, por causa de uma palavra que seu subordinado não está entendendo, e você vai ter que parar tudo para explicar as coisas para ele?

[...] Isso é complicado, pois você sabe que nem todo mundo é aberto a aceitar informações novas, ou mudanças. Eu posso chegar pra pessoa ‘A’ e falar para ela que o termo é esse tal, e com o tempo ela entender e adotar aquela terminologia, mas também vai ter aquela pessoa ‘B’, que não vai, e não entra na cabeça dela, e aí vai atrasar a minha produção todinha, por quê? Porque eu vou ter que parar pra explicar tal, e tal, e tal... Eu não tenho esse tempo à minha disposição, eu tenho é que correr com meu tempo, pra poder botar minha produção pra frente [...].

Essa constatação foi reforçada por um aluno, embora sustentando a necessidade da padronização:

[...] se os profissionais não souberem, não tiverem o domínio do vocabulário técnico, eles não vão ter como se comunicar com os operários, com as pessoas que trabalham na fábrica, e assim os processos vão ficar atrasados por falta de entendimento. Não vão ter uma comunicação, não vão ter como passar ordens, não vão ter como receber ordens, ter um feed-back desse pessoal. Por isso que é importante a padronização do vocabulário têxtil. (P3, GF4).

É necessário, por questões práticas, que o profissional, mesmo qualificado, tenha também um bom conhecimento dos diferentes termos não- técnicos utilizados pelas empresas. Mas esse profissional deve conscientizar gradativamente seus colaboradores da existência dos termos técnicos, e da importância do seu uso para evitar mal entendidos, e aproveitar para, oportunamente, incorporar esses termos ao vocabulário da empresa.

Fazer uso de uma mesma linguagem nos processos produtivos ainda é a forma mais eficiente de se fazer entender pelos outros. Porém, dependendo do tipo de empresa, muitas vezes teremos de recorrer ao vocabulário comum para poder repassar as determinações, atribuições etc., necessárias nas etapas dos processos produtivos, que estão sob nossa responsabilidade, nesse mercado de trabalho tão competitivo conforme relatou um aluno: “temos que ter o conhecimento sim, padronizado, certo, técnico, mas também temos que saber, pelo menos na realidade de hoje, a forma usada na empresa, senão não iremos conseguir nos comunicar” (P6, GF4).

Benzer Belgeler