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KAVRAMSAL ÇERÇEVE

5. TARTIŞMA VE YORUM

A segunda fase da pesquisa foi o refinamento recursivo, apoiado na concordância intercodificadores, dos códigos existentes no Livro-de-códigos de Marcas Textuais. Os seguintes procedimentos foram realizados:

A-Treinamento dos codificadores ou juízes (pesquisadores)

Para o procedimento de codificação pelos dois juízes (dois pesquisadores) foi necessário prepará-los e treiná-los para utilização do Livro-de-códigos construído. Para o treinamento, a primeira versão do Livro-de-códigos foi apresentada com vários fragmentos semânticos já codificados como exemplo (Anexo 1: Relatório de Pesquisa 1: O Livro-de- códigos Inicial).

A partir da discussão dos exemplos de fragmentos codificados, foi realizado um pequeno exercício com fragmentos não codificados, de modo a permitir um treinamento com o Livro-de-códigos construído.

Essa preparação permitiu aos juízes compreenderem a dimensão da codificação, bem como, suas sutilezas. Com os exemplos utilizados, os juízes aprendem as tipologias de fragmentos bem como a relação desses fragmentos com os descritores presentes no Livro- de-códigos.

B- Avaliação da confiabilidade do Livro-de-códigos

Nesta fase, o Livro-de-códigos foi submetido à validação entre codificadores. Ou seja, verificamos o grau de concordância entre os codificadores. Um bom livro-de-códigos deve possibilitar alta concordância entre codificadores. Se queremos construir uma ferramenta de pesquisa que tenha confiabilidade, esta ferramenta deve possibilitar alta concordância na identificação da orientação epistemológica dos fragmentos analisados.

Para isso, consideramos uma amostra aleatória, constituída de 20% do total de fragmentos. Os fragmentos da amostra foram submetidas à análise dos dois codificadores já treinados.

A confiabilidade intercodificadores foi avaliada por uma das estatísticas utilizadas para verificar o grau de concordância entre os dois codificadores, o coeficiente kappa (k), proposto por Cohen (1960). O coeficiente kappa avalia a concordância e a discrepância entre as observações de dois codificadores ou juízes, em uma mesma unidade amostral. O teste de concordância, no entanto, não se apóia apenas na concordância observada absoluta ou percentual, ele permite determinar a concordância intercodificadores extraindo as concordâncias aleatórias, isto é, determina se a concordância entre os intercodificadores tem ou não caráter casual. O valor de kappa varia de +1 (concordância total entre os juízes) até -1 (discordância completa entre os juízes). O valor 0 significa que a concordância existente não se distingue da concordância ocorrida aleatoriamente.

Em estudos quantitativos na área de saúde, Landis & Koch (1977) sugerem que valores de kappa acima de 0,75 já representariam concordância excelente, valores abaixo de 0,40 uma concordância pobre e os valores entre 0,40 e 0,75 representariam uma concordância de suficiente a boa (1975). No entanto, em nosso caso, escolhemos valores de kappa maiores do que +0,9 por considerarmos que este valor indica alta confiabilidade intercodificadores, possibilitando um rigor significativo para o refinamento do Livro-de- códigos.

Enquanto o valor de kappa não atingia um valor ótimo (valores acima de 0,9), o Livro-de-códigos era rediscutido e modificado e o processo reiniciava com o sorteio de nova amostra e uma nova intercodificação dos fragmentos.

Assim, os valores encontrados para kappa foram os balizadores no refinamento das marcas textuais associadas às diferentes concepções epistemológicas de ciência.

Para compreender como foi calculado o valor de kappa utilizaremos um pequeno espaço para descrever características e procedimentos para determinação do coeficiente K (kappa).

Cálculo de Kappa

Tem-se admitido que o dado percentual represente um valor ilusoriamente otimista, isto porque se o codificador segue examinando aleatoriamente, de acordo com as probabilidades das categorias do índice, algum nível de concordância pode se dar devido ao acaso. Com o propósito de ajustar o percentual de concordância descontando esta concordância do acaso, utilizam-se as freqüências para calcular a faixa de concordância que seria, em média, uma ocorrência do acaso, “corrigindo” assim a estatística de concordância percentual. É o que se chama de coeficiente Kappa e é definido como:

A concordância observada é o número absoluto de fragmentos em que houve concordância entre os codificadores.

O “N” representa o número total de fragmentos da amostra.

A concordância esperada é calculada a partir do resultado da codificação de cada um dos juízes conforme apresentado na Tabela 1. Observe que cada célula da tabela apresenta o número de fragmentos que foi classificado por cada juiz em cada uma das categorias: 0 – sem marca textual; 1 – marca do perfil epistemológico 1; 2 – marca do perfil epistemológico 2. Na tabela, a coluna (i) indicam a classificação do juíz 1 e a linha (j) a classificação do juiz 2.

Coeficiente kappa =

Concordância Observada (CO) – Concordância Esperada (CE) Nº fragmentos da Amostra (N) – Concordância Esperada (CE)

Tabela 1 – Matriz de concordância entre dois juízes. Códigos do Pesquisador 1 0 1 2 N Fragmentos codificados ∑coluna 0 ∑coluna1 ∑coluna2 0 ∑ linh a0 C00 C10 C20 1 ∑ linh a1 C01 C11 C21 Códigos do Pesquisador 2 2 ∑ linh a2 C02 C12 C22

CONCORDÂNCIA OBSERVADA Cij para i=j

PERCENTUAL DE CONCORDÂNCIA ( Cij)*100/N para i=j

CONCORDÂNCIA ESPERADA

(∑

((∑linhai*∑colunaj)/ N) para i=j)

KAPPA (CO – CE) (N – CE)

Data

Juiz 1 : (Pesquisador 1) Juiz 2: (Pesquisador 2)

As células sombreadas indicam concordância entre os dois juízes para uma dada categoria. Essa matriz é o modelo que foi utilizado para os cálculos de kappa durante a intercodificação, como consta do Relatório de Pesquisa 2: O refinamento do Livro-de- códigos pela concordância intercodificadores (Anexo 2).

A concordância observada (CO) é dada pela somatória dos resultados indicados nas células sombreadas na tabela matriz (∑ Cij para i=j). Nestas células, o valor da coluna

(i) é igual ao valor da linha (j), indicando, portanto, que os dois intercodificadores fizeram a mesma codificação do fragmento analisado.

A concordância esperada (CE) é dada pela somatória do resultado da multiplicação do total de cada coluna com o total de cada linha dividido pelo total da amostra de cada uma das células sombreadas (∑( (∑colunai*∑linhaj)/N) para i=j). Assim, essa somatória leva em conta a freqüência e a dispersão das codificações apresentadas por ambos os juízes.

A vantagem usualmente reconhecida no coeficiente Kappa é sua capacidade de remover da concordância percentual aquelas concordâncias que, provavelmente, foram devidas ao acaso, trazendo uma distribuição mais global das condições dentro dos fragmentos codificados.

A confiabilidade intercodificadores com os respectivos refinamentos encontra-se descritas no Anexo 2 (Relatório de Pesquisa 2: O refinamento do Livro-de-códigos pela concordância intercodificadores), onde aparecem todos os valores de kappa calculados durante a intercodificação até atingir kappa superior a 0,9.

3. A VALIDAÇÃO DO LIVRO-DE-CÓDIGOS POR ESPECIALISTA EM