No capítulo 4, apontamos os instrumentais indicados pela política de enfrentamento à violência contra as mulheres. Trouxemos, brevemente, a realidade do estado do Ceará, buscando dar uma visão de conjunto com a realidade nacional. Agora seguiremos trazendo alguns aspectos da rede de serviços de gestão pública do município de Maracanaú para o enfrentamento à violência contra as mulheres. Cabe destacar que nossa finalidade aqui é apontar as ações identificadas, suas principais atribuições e seus desdobramentos.
Maracanaú, como já abordado, é um município novo e, por isso, dentre outros fatores, não acompanhou todo o histórico de lutas e avanços nacionais dos movimentos de mulheres e feministas, como visualizamos por meio da linha do tempo proposta abaixo. Dentre a história do município, os movimentos sociais que aparecem estão ligados, exclusivamente, a busca pela emancipação da cidade e, na pouca historiografia encontrada, não são registrados nomes de mulheres - talvez, por seguirem a tradicional “cegueira” de gênero brasileira120 ou por serem heroínas
anônimas, como nos diz Certeau (1994) - nem mesmo a luta por direitos sociais.
120Para maior detalhamento acerca dessa discussão ver: AZEVEDO, Lidiany Alexandre. A Formação Social do Brasil e suas “cegueiras” de Gênero. Anais...VIII Jornada Internacional de Políticas
Assim, um município que não apresenta uma sociedade civil forte terá a construção de políticas públicas, como veremos, sendo guiada pelo poder estatal, realidade distinta da perspectiva nacional.
Figura 4 - Cronologia de Criação das Organizações que compõe a Rede de Enfrentamento à Violência contra a mulher em Maracanaú
A primeira instituição ligada aos direitos da mulher surge apenas no ano 2000, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), fundado por meio da lei municipal nº 705/2000, 17 anos depois da criação do município e 15 anos depois da criação do CNDM. O relato de uma conselheira aponta que o Conselho foi criado por um grupo de mulheres, dentre elas uma vereadora, que se reunia na sede da Secretaria de Educação aos finais de semana com o intuito de discutir temáticas relacionadas às mulheres, mas sem nenhuma intervenção social ou bandeira de luta, e que foram até o prefeito com a ideia de criar o Conselho. Contudo, não podemos deixar de considerar que o CCDM tinha como um de seus objetivos o incentivo à criação de Conselhos Municipais em Defesa dos Direitos da Mulher, portanto, o estabelecimento do Conselho não se deu apenas pela iniciativa dessas mulheres, tendo, provavelmente, forte influência do contexto estadual, nacional e internacional.
A lei de sua criação coloca como finalidade a promoção de “[...] medidas e ações que possibilitem o exercício dos direitos da mulher e a sua participação no desenvolvimento social, político, econômico e cultural no município” (MARACANAÚ, 2000). Todavia, não estabelece a qual instância do executivo municipal o Conselho estaria vinculado, elemento que, em nossa compreensão, pode ter enfraquecido suas ações iniciais, tendo em vista que não estar ligado a algum órgão dificulta o seu estabelecimento em um espaço institucional e o apoio (recursos humanos e financeiros) necessário para o seu funcionamento. Além disso, estabelece que compusessem o Conselho seis conselheiras, com mandato de quatro anos, indicadas apenas pela sociedade civil. A ausência de representantes do governo no Conselho é outro fator o qual dificultou uma ação articulada no município, restringindo-lhe a si mesmo.
A lei de criação do Conselho é alterada por meio da lei nº 1081/2006, com o objetivo de vincular o Conselho à Secretaria de Assistência Social e Cidadania e ampliar o número de conselheiras para doze, originadas de órgãos governamentais (Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, Secretaria de Assistência Social e Cidadania, Câmara Municipal de Maracanaú, Delegacia da Mulher de Maracanaú e Defensoria Pública de Maracanaú) e da sociedade civil, de forma paritária. Vale destacar que a sociedade civil elegeria suas representantes por meio de um fórum próprio, as quais deveriam estar engajadas em ações de interesse da mulher no município. O regimento interno do Conselho, elaborado após a lei 1081/2006, coloca
que o mesmo tem a finalidade de
[…] elaborar e implementar, em todas as esferas da Administração pública no âmbito municipal, políticas públicas sob a ótica de gênero, destinadas a garantir a igualdade de oportunidades e de direitos entre homens e mulheres, de forma a assegurar à população feminina o pleno exercício de sua cidadania (MARACANAÚ, 2009).
Consideramos que essa definição confunde-se com as atribuições de uma assessoria, coordenadoria ou secretaria de políticas para as mulheres, dificultando a compreensão acerca das reais funções do Conselho e possibilitando um conflito de atribuições com as da Assessoria de Políticas Públicas para a Mulher, criada em 2007. O referido documento apresenta ainda algumas inconsistências das quais destacamos o § 1º do art. 4, que fala que a lei de criação do Conselho estabelece os moldes para a realização do Fórum de Mulheres, critérios os quais não se encontram definidos em documento algum e atrelado ao desconhecimento dos movimentos de mulheres e feministas existentes no município, bem como com a pouca articulação com as unidades de serviço público, tem gerado um esvaziamento desse espaço, o que nos faz questionar a real representatividade da sociedade civil nessa instituição.
A eleição para o conselho das mulheres é (...) o município é dividido em ADL, ai atualmente como (...) na verdade o conselho ainda não tem o levantamento das entidades de mulheres. Tinha um pouco de expectativa de quando eu entrei no conselho, de conhecer as outras entidades de mulheres, mas não conseguimos na gestão passada fazer esse levantamento. E é uma das propostas que eu tenho agora é fazer esse levantamento, porque, na verdade, acaba não representando muito a sociedade civil. Ai fica assim, representante de ADL e nesse fórum de ADL (...) então aquelas mulheres não são representantes de entidades, embora tenham algumas que sejam; mas, em outros locais, não são. Tem pessoas ali que o CRAS chamou para reunião, ai foi lá. Aquelas pessoas não estão representando uma organização de mulheres, ta representando a sociedade, mas não vinha de uma associação ou organização, entendeu? De um movimento organizado (Senhora das Águas do Marajó).
O segundo instrumento local referente à violência contra a mulher é estabelecido em 2003, a notificação compulsória da violência contra a mulher atendida em serviços de urgência e emergência públicos e privados, bem como na rede básica de atendimento e nos Programas de Saúde da Família, e a criação do sistema de monitoramento da violência contra a mulher no município de Maracanaú, por meio da lei nº 949/2003. Esse procedimento é estabelecido, provavelmente em decorrência da lei federal nº 10778, estabelecida no mesmo ano. Naquele momento, o município já contava com Unidades Básicas de Saúde e com o Hospital Municipal
João Elísio de Holanda.
Após a LMP e a PNEVCM, a participação dessas unidades no que concerne a mulher em situação de violência vai além do atendimento à saúde, pois essas também funcionam como “porta de entrada” para essas mulheres, assim, além de realizar a notificação compulsória de casos de violência121, abordam a temática da violência contra a mulher nos grupos realizados nas Unidades Básicas de Saúde, durante as atividades do outubro rosa e as consultas de prevenção ginecológica, planejamento reprodutivo e pré-natal. No caso de identificação de violência é estabelecido contato com o agente comunitário de saúde do território, realizada uma visita domiciliar e consulta compartilhada com outros profissionais, inclusive da equipe do NASF.
Os dados do SINAN (anexo B) nos permitem ver que há um perfil das mulheres em situação de violência que chegam até as unidades de saúde local: há um predomínio da violência física, sendo a ocorrência maior em mulheres jovens e adultas com até o Ensino Fundamental completo e o agressor comumente não é identificado, elemento que pode ocorrer pela não expressão da mulher, mas que também pode se dar pela pouca importância dada ao instrumental de registro e, consequentemente, a falta de cuidado no seu preenchimento. As mulheres com deficiência praticamente não aparecem, o que nos faz pensar se realmente não acontecem atos de violência contra elas ou se não têm acesso a essa política, realidade comum às pessoas com deficiência. Dois outros elementos nos chamam a atenção. O primeiro é o baixo número de notificações no período de dez anos, 151 casos, em contrapartida a realidade encontrada no judiciário, de 1800 processos de violência contra a mulher durante os nove primeiros meses do ano de 2017, que nos faz refletir sobre a possibilidade de subnotificação ou do não acesso a esses serviços pelas mulheres, bem como a existência de uma violência institucional e/ou da naturalização da violência nos procedimentos médicos, pois, apesar de todas as conquistas dos movimentos feministas ao longo dos anos, as mulheres continuam a ser tratadas pelos médicos apenas como corpos. Bandeira e Almeida (2008, p. 126) ao tratarem dessa discussão ressaltam que
121A notificação compulsória das violências foi implementada pelo Ministério da Saúde em 2011, a partir da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências em 2006, com prioridade para as ações de prevenção de violências e acidentes e de promoção da saúde e cultura de paz através da Política Nacional de Promoção da Saúde, que culminou no sistema de registro obrigatório de casos de violência contra as mulheres.
[…] mesmo na especificidade da Medicina voltada à mulher – a Ginecologia –, há uma grande lacuna em relação às problematizações das condições históricas e políticas. O conservadorismo com que a saúde da mulher vem sendo abordado está em consonância com as construções sociais do patriarcalismo, ainda muito presente.
O segundo ponto trata-se do maior número de encaminhamentos dos casos (36,46%) pelos serviços de saúde para as delegacias, o que nos leva a questionar se esses profissionais permanecem com uma perspectiva unicamente criminal da violência contra a mulher, esquecendo-se o apoio necessário à mulher ofertado por essa política e pelas outras políticas setoriais. Isso nos faz cair na problemática do conhecimento das relações de gênero que, de acordo com Saffioti (2004, p. 90), não “é detido por nenhuma categoria ocupacional. Profissionais da saúde, da educação, da magistratura, do ministério público, etc. necessitam igualmente, e com urgência, desta qualificação”.
Até 2005, o município ainda apresentava poucas e precárias políticas sociais. A partir desse ano, com o início do mandato de um novo representante no executivo municipal, que promove uma reestruturação administrativa, em consonância com a perspectiva nacional de investimento nos direitos sociais advinda com o primeiro mandato de Lula, os rumos locais mudam. A estrutura administrativa do município passa a contar com a Secretaria de Assistência Social e Cidadania, ocorrendo a implantação das seguintes unidades: CRAS Alto Alegre (2004), CRAS Indígena (2006), CRAS Jereissati (2006), CRAS Antônio Justa (2006), CREAS (2006), CRAS Pajuçara (2008), CRAS Mucunã (2008), CRAS Parque São João (2010), CRAS Acaracuzinho (2011), CRAS Jardim Bandeirantes (2012), CRAS Piratininga (2012), Centro POP (2012) e CRAS Timbó (2015).
Assim como a saúde, a assistência social também passa a participar do atendimento às mulheres em situação de violência por meio do CREAS, unidade de atendimento responsável pelo atendimento a casos de violação de direitos, que realiza acompanhamento individual e coletivo às mulheres em situação de violência, atendimentos pontuais aos agressores e atividades de prevenção à violência, e dos CRAS que funcionam também como uma das portas de entrada dessas mulheres, tendo em vista serem unidades mais capilarizadas e responsáveis pela articulação dos serviços socioassistenciais nos municípios, trabalhando com a temática da violência contra as mulheres nos grupos de acompanhamento familiar e no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, principalmente, no período do 8 de
março e 25 de novembro.
Ressaltamos a importância do trabalho com as famílias já que a incorporação de traços patriarcais nas relações sociais inicia-se na infância, em especial, no ambiente doméstico, tendo em vista ser esse o espaço no qual ocorre as primeiras interações sociais de gênero. Destacamos ainda que essa educação pode se dar por homens ou mulheres (pai/ mãe, avó/avô, irmão/irmã, tio/tia, dentre outros), pois ambos podem acessar a máquina patriarcal (SAFFIOTI, 2004), violentando meninos e meninas, de formas e em aspectos distintos.
O Sistema Único de Assistência Social trabalha com pessoas em situação de risco e vulnerabilidades e no intuito de elaborar um diagnóstico acerca da realidade da população em riscos pessoal e social, foi criado, em 2009, o Censo e Mapa de Riscos Pessoal e Social – Cemaris122, o qual nos possibilita ver os casos
de violência contra a mulher atendidos nessa política, no qual observamos um predomínio da violência doméstica psicológica, por negligência e física, incidindo, principalmente, na mulher idosa. Convém lembrar, como afirma Osterne (2008) que as modalidades de violência nem sempre ocorrem de forma isolada, podendo aparecer entrelaçadas.
Esses dados (ver anexo B) divergem dos encontrados na saúde, o que pode acontecer em decorrência do olhar de quem faz a notificação, devido à capacitação ou à sensibilização dos profissionais que atendem a esses casos. Além disso, a assistência social no período de 4 anos, e com um número menor de unidades, conseguiu notificar mais casos (351) que a saúde (151 casos em 10 anos).
Visualizamos pelos dados do Cemaris (2013; 2015) que, como em pesquisas nacionais já apontadas, o espaço doméstico configura-se como extremamente violento para as mulheres. Assim, a estrutura familiar tem assegurado a manutenção dos privilégios para os homens.
Se os homens cometem e sofrem violências no espaço público, reinam soberanos no espaço privado, como detentores do monopólio do uso ‘legítimo’ da força física. [...] Desta sorte as quatro paredes de uma casa guardam os segredos de sevícias, humilhações e atos libidinosos/estupros graças à posição subalterna da mulher e da criança face ao homem e da ampla legitimação social desta supremacia masculina (SAFFIOTI; ALMEIDA, 1995, p.33).
122A Comissão Intergestora Bipartite (CIB), por meio da Resolução nº 17, de 18/12/2009, pactuou a elaboração do Censo para construção do Mapa de Riscos Pessoal e Social do Estado do Ceará – CEMARIS.
Nesse movimento que o município, assim como o país, vinha de um maior investimento nas políticas sociais, em 2006, é inaugurada a Delegacia da Mulher de Maracanaú, ligada à Secretaria de Segurança Pública do governo do Estado, tendo como principais atribuições: o atendimento primário, a escuta da vítima, o registro das ocorrências, a investigação e apuração dos crimes de violência contra a mulher, o encaminhamento jurídico, para casa abrigo e para exames no Instituto Médico Legal (IML), e o registro de dados estatísticos.
Destacamos aqui que os dados de violência contra as mulheres os quais a SSPDS apresenta (anexo B) também divergem dos apontados pela Secretaria de Saúde e pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania, além de possuírem uma qualidade de registro inferior às outras instituições, sendo a opção “não informada” predominante em todas as informações solicitadas, como podemos ver a seguir: vítimas de violência do gênero feminino por raça (71,51% em 2016 e 71,92% em 2017); relacionamento dos indiciados com a vítima do gênero feminino (84,8% em 2016 e 91,6% em 2017); gênero dos indiciados na Lei Maria da Penha (78,1% em 2016 e 80,5% em 2017). O único quesito em que o campo “não informado” não aparece é na tipicidade da violência, na qual há um predomínio de ameaças (55,9% em 2016 e 45,5% em 2017)123.
Em 2007, é instituída a Assessoria de Políticas Públicas para a Mulher, vinculada ao gabinete do prefeito. O ano de sua criação coincide com o ano em que foi criada a PNEVCM e o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, porém não podemos afirmar que há alguma ligação entre esses fatos, pois, mesmo contactando a SPM e a Assessoria não foi possível saber se o município aderiu ao pacto124. Em visita realizada a referida instituição, a ex-assessora nos falou das atividades realizadas, o que nos possibilitou perceber que no início havia a concepção de que seria sua responsabilidade realizar ações direcionadas às mulheres, quando na realidade seu papel deveria ser o de gerenciar e articular essas ações dentro do município, o que provavelmente a despontencializou, bem
123 Para maiores detalhes dos dados apresentados pela SSPDS, ver Anexo B.
124 Foi realizado o pedido de informação à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no dia 27 de janeiro de 2017, por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (E-SIC), perguntando se o município de Maracanaú teria aderido a algum dos Planos/Pactos de Políticas para as Mulheres. A referida secretaria afirmou não poder responder com segurança, devido a não ter encontrado registros referentes a um programa de adesão dos municípios, e sugeriu que encaminhasse o requerimento à Prefeitura, “que possui em sua estrutura administrativa um órgão específico que trata de políticas para as mulheres”.
como enfraqueceu o diálogo com os serviços, além de não ter levado a discussão de gênero para as outras secretarias. Atualmente, a Assessoria está mais voltada para a gestão, porém, ainda sem uma grande articulação com os serviços, tendo como atividades mais frequentes a participação em eventos de ação social desenvolvidos pelo gabinete do prefeito, por meio de orientações sobre a violência contra a mulher. Após esse período de ampliação de políticas públicas e unidades de atendimento no município, tivemos um período de implementação e organização. Assim, apenas a partir de 2012, vamos ter novas ações, com a inauguração do Hospital da Mulher e da Criança Eneida Soares Pessoa.
No âmbito do judiciário, Maracanaú possui o Projeto Paz no Lar, vinculado à terceira vara criminal do município, que iniciou suas atividades em 2014, funcionando no fórum125. O projeto é a instituição ligada ao serviço público que oferece o maior número de atividades relacionadas ao enfrentamento à violência contra a mulher, ofertando serviços de:
a) atendimento às mulheres vítimas de violência, por meio de visitas constantes126 aos casos compreendidos como mais graves e que estão
sob medida protetiva realizadas por uma equipe formada por funcionários do fórum, guarda municipal, Ronda da Família e o Juiz da Terceira Vara Criminal da comarca de Maracanaú127, a fim de
acompanhar a mulher em situação de violência.
b) serviço de atendimento a agressores, por meio da oferta de um curso128, que é estabelecido como uma pena aos homens, baseado no método ESPERE129, em que se busca trabalhar no agressor uma mudança significativa, fazendo com que ele analise sua história, seus valores referentes às questões de gênero e proporcionar uma aprendizagem acerca de uma comunicação não violenta.
Essa atividade faz-se relevante, pois, não é possível atuar na violência
125 Contudo, em dezembro de 2017, passou a funcionar em um prédio cedido pela prefeitura na Avenida VI, 80. Mas mantém algumas atividades no Fórum.
126As visitas acontecem semanalmente as quartas e as sextas-feiras. Contudo, o juiz acompanha as visitas somente na segunda quarta-feira e na última sexta-feira do mês.
127O projeto e todo o acompanhamento de ações referentes à violência contra as mulheres ocorrem nessa vara devido ao município não possui um Juizado de Violência contra a Mulher.
128O curso é composto por dez encontros que acontecem semanalmente.
129 O método ESPERE (Escola de Perdão e Reconciliação) tem como objetivo restaurar danos e reparar relações, bem como oferecer uma base de reflexão e vivência sobre como se dão os processos de desenvolvimento humanos.
contra a mulher, e em suas implicações, sem envolver os homens.
As pessoas envolvidas na relação violenta devem ter o desejo de mudar. É por esta razão que não se acredita numa mudança radical de uma relação violenta, quando se trabalha exclusivamente com a vítima. Sofrendo esta algumas mudanças, enquanto a outra parte permanece o que sempre foi, mantendo seus habitus, a relação pode inclusive, tornar-se ainda mais violenta. Todos percebem que a vítima precisa de ajuda, mas poucos veem esta necessidade no agressor. As duas partes precisam de auxílio para promover uma verdadeira transformação da relação violenta (SAFFIOTI, 2004, p. 53).
Acreditamos que o curso funcione também como uma ação de prevenção, de forma a evitar a reincidência de casos de violência, tendo tanto, ou mais força, que a punição, funcionando como um ato “[...] crítico e ético de construção de masculinidades e feminilidades menos rígidos” (SAFFIOTI, 2004, p.83).
c) ações de prevenção com homens e mulheres, por meio de palestras sobre violência doméstica nas escolas municipais e nas UBS.
Observamos aqui uma busca pelo rompimento da transgeracionalidade da violência contra a mulher que, segundo Maria Amélia Teles e Mônica Melo (2002), é a primeira forma de violência a qual o ser humano é exposto, devido a estar imerso em uma sociedade machista que desqualifica a mulher, pautada em valores como a inferioridade feminina, delimitando, inclusive, os espaços nos quais podemos estar.