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A metodologia de coleta de dados visou atuar de maneira a possibilitar o entendimento da estrutura de funcionamento da área de Recursos Humanos inserida

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na lógica da gestão de cada hospital estudado, bem como a sua relação com as atividades assistenciais.

Os estudos de caso foram realizados mantendo-se os mesmos critérios em todas as instituições selecionadas, sendo colhidos dados por meio de: entrevistas, observação direta e análise de documentos institucionais disponibilizados. A utilização de diferentes fontes de dados pretende aumentar a confiabilidade das informações colhidas, uma vez que permite a confrontação de dados contrastantes.

As entrevistas foram conduzidas de forma semiestruturada, tendo como norteador o roteiro elaborado a partir das categorias de análise relevantes para a investigação dos fenômenos e das relações de interesse. O detalhamento da construção do roteiro a partir das categorias de análise se encontra na próxima seção. O roteiro foi utilizado em todas as ocasiões. Mas, assim como proposto por Treinõs (2007), existiu a abertura, por se tratarem de entrevistas semiestruturadas, para que surgissem novas interrogativas à medida que as respostas dos informantes foram sendo recebidas. Devido a essa abertura, foi possível o surgimento de questões importantes relacionadas com o tema que inicialmente não haviam sido levantadas na pesquisa bibliográfica.

A estratégia da entrevista se mostrou adequada por permitir uma amostragem satisfatória dos sujeitos respondentes, buscando os atores importantes na compreensão do fenômeno a ser estudado. Outra vantagem está no contato pessoal estabelecido, que garantiu a possibilidade de esclarecimento de eventuais mal- entendidos no roteiro. Por fim, a entrevista apresentou grande potencial de esclarecer relações entre causa e efeito, e articular informações que são complexas, as quais, por essa razão, dificilmente seriam entendidas a partir de outro método de pesquisa (SELLTIZ, WRIGHTRMAN e COOK, 1978).

Com a intenção de colher informações e percepções tanto de profissionais ligados à área de Recursos Humanos quanto da área da Assistência, as entrevistas foram realizadas em todos os casos com representantes dos dois grupos: profissionais de recursos humanos e gestores assistenciais.

Na área de Recursos Humanos, foi priorizada a coleta de dados com o responsável geral, sendo que a entrevista com analistas e ou outros profissionais da área teve por objetivo complementar as informações recebidas. Foram colhidos dados a respeito das políticas e das práticas de recursos humanos, buscando informações sobre a estruturação formal de políticas, bem como das ações de gerenciamento de pessoal correntes na organização. Também foi investigada a percepção da relação das políticas e das práticas de recursos humanos com as atividades assistenciais.

A entrevista com os gestores das áreas assistenciais apoiaram-se em roteiro similar, enfocando as mesmas questões de gestão de recursos humanos. Foram também colhidos dados a respeito da percepção destes gestores acerca da adequação das práticas e das políticas de recursos humanos desenvolvidas às necessidades diárias da assistência, explorando-se as contribuições ou entraves causados pelas políticas e pelas práticas tal como estruturadas. Para tanto, foram entrevistados os responsáveis pela gestão de trabalhadores na área assistencial, dando-se especial ênfase a gestores das áreas médicas e de enfermagem, por se tratar do maior contingente de trabalhadores na área hospitalar.

Além das entrevistas, a observação direta tornou-se um importante método de coleta de dados, na medida em que, segundo Seltiz et al. (2002), possibilita o registro do comportamento na ocasião em que ele ocorre. Esse registro direto dos acontecimentos pode ser utilizado em certas situações como forma de verificação das informações colhidas nas entrevistas.

A análise de documentos pertencentes às organizações estudadas completou a coleta de dados. Documentos impressos e informações disponibilizadas nos veículos institucionais são fontes ricas de dados a respeito de características organizacionais, desde que considerados os possíveis vieses presentes nos registros produzidos por cada um dos hospitais (YIN, 2005).

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No HBH12 foram realizadas quatro entrevistas, em dias diferentes. Por ser responsável especificamente pela área de treinamentos, a analista de recursos humanos entrevistada não se sentiu apta a responder às questões que fugissem do seu trabalho diário, afirmando que apenas a gerente de recursos humanos tem uma visão global das atividades do setor.

No HBH2, foram realizadas as quatro entrevistas inicialmente propostas. Os entrevistados demonstraram diferentes graus de interesse sobre a organização e as questões institucionais. Todos eles possuem vínculo público e estão no quadro do hospital há mais de 25 anos, demonstrando conhecer bem a realidade institucional.

A diretoria do HBH3 concordou em participar deste estudo prontamente. No entanto, foram necessárias algumas semanas até que fosse possível a marcação da coleta de dados. Os dados aqui analisados foram colhidos a partir de uma visita à instituição. Anteriormente à visita, havia sido informado que não seria possível a entrevista com o coordenador médico, uma vez que todos os médicos são contratados como autônomos.

No HBH4, os dados foram obtidos em três visitas. Os profissionais se mostraram muito disponíveis em colaborar com a pesquisa.

O Quadro 6 resume os entrevistados por hospital, bem como o cargo ocupado na organização.

2 O nome dos hospitais foi omitido para preservar a identidade das instituições, assegurar a

privacidade dos entrevistados e garantir uma coleta de dados o mais imparcial possível. Neste sentido, as instituições foram denominadas HBH1, HBH2, HBH3 e HBH4.

RH Gestores Hospital Gerente de RH Analista de RH

Coordenador de

Enfermagem Coordenador médico

HBH1 Gerente de RH Analista de RH Coordenadora de especialidade e ensino em enfermagem Gerente da Unidade de Emergência HBH2 Vice-diretor de RH Analista de RH Vice-diretora técnica de enfermagem Coordenador da Clínica Médica HBH3 Gerente de RH Analista de RH Gerente técnico- assistencial

Não foi possível a entrevista HBH4 Assessora de RH Analista de RH Coordenadora de enfermagem da linha de cuidado clínico Coordenadora médica do pronto-socorro Quadro 6 - Cargo dos profissionais entrevistados em cada hospital

Fonte: Elaborado pela autora.

Foram realizadas, portanto, quinze entrevistas nos quatro hospitais. Como definido anteriormente, as entrevistas com os profissionais que ocupam os cargos explicitados no Quadro 6 são essenciais para fornecer as informações necessárias ao estudo, pela posição em que se encontram nas organizações e pelo volume de conteúdo e informações que detêm.

Benzer Belgeler