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Tarihsel Süreçte Yüksek Yapılarda ve Tasarım Yaklaşımlarındaki Değişimler

4. YÜKSEK YAPI TASARIMI VE ÜRETKEN YAKLAŞIMLAR

4.1. Tarihsel Süreçte Yüksek Yapılarda ve Tasarım Yaklaşımlarındaki Değişimler

A Igreja Batista Maranata foi fundada em 14 de agosto de 1982, com trinta e

cinco membros. Sua igreja-mãe foi Igreja Batista Betânia. Josias Francisco Neto foi

nomeado presidente da assembléia de organização e pastor da Igreja

82

. Seu primeiro

endereço foi no bairro Vila Panorama, quando ainda era uma pequena congregação, e

suas reuniões aconteciam na casa do membro fundador. Essas reuniões ocorriam uma vez

por semana e reuniam um número aproximado de seis pessoas. Posteriormente, já como

igreja organizada oficialmente, e devido ao aumento de participantes, ela deslocou-se para

a Rua Francisco Bartolozzi, nº. 721, Jardim Icaraí, onde permanece atualmente. Abaixo

mostramos uma foto da construção do templo.

80 A celebração do individuo: A formação do pensamento batista brasileiro. Piracicaba: Unimep, São

Paulo: Exodus, 1996. p. 321-322.

81 REILY, Duncan Alexander. História documental do protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 2003, p.

42.

82 Dados oficiais sobre o surgimento da Igreja Batista Maranata encontram registrados no Livro de Atas da

A Igreja Batista Betânia se localiza na Zona Leste da cidade de São Paulo. Mas

os membros senhor Túlio da Silva

83

e sua esposa Maria da Silva, por necessidades

pessoais, no final da década de 1970, resolveram mudar de residência, indo morar no

bairro Vila Panorama, distrito Grajaú. Uma vez que no bairro e em seu entorno não havia

nenhuma igreja batista, o casal sugeriu que fosse aberto um ponto de pregação

84

em sua

residência. Para isso, recebeu apoio da igreja Betânia, que enviou um pregador para

iniciar o trabalho batista na região.

Atualmente, a igreja batista Maranata conta com 200 membros associados e um

ritmo constante de atividades dominicais e semanais, noturnas e matutinas, como: Escola

Bíblica Dominical, reuniões matinais onde se estuda a bíblia em departamentos divididos

por idade (crianças, adolescentes, jovens e adultos); União de treinamento, em que os

membros se reúnem para encontros de treinamentos bíblico e missionário, também se

dividem por idade (crianças, adolescentes e jovens), e os adultos por sexo: União

missionária masculina e União missionária feminina; Cultos, em que acontece a pregação

da Bíblia, com a participação de todos os membros, sem qualquer divisão; além dos

Encontros Dominicais, uma vez por semana os membros se reúnem para oração, e outra

83 Senhor Túlio da Silva é o membro fundador da comunidade batista Maranata. Deu inicio ao trabalho da

igreja em sua própria casa, vindo a falecer três anos após a organização da igreja (01-09-1986).

84 Ponto de pregação é a designação utilizada pelos batistas para as reuniões que acontecem, em grande

maioria, na casa de algum membro, e que se localiza longe de uma igreja batista. As reuniões recebem apoio da igreja cujo fundador é membro, e quando atingem um número mínimo de batizados, estabelecido pela Convenção, o ponto de pregação pode ser organizado ganhando o título de igreja.

para o estudo bíblico. E há ainda reuniões especiais durante os sábados. Abaixo

mostramos uma foto do inicio da década de oitenta, que ilustra as primeiras reuniões de

‘culto nos lares’ realizado pela comunidade batista.

Israel Belo de Azevedo define a igreja local, no pensamento batista, como sendo um microcosmo do reino espiritual de Cristo. Ela é autônoma e plena em liberdade, podendo decidir sobre todos os assuntos sem dependência de qualquer outro corpo eclesiástico, ou seja, a igreja é uma congregação de fiéis, fraternas umas com as outras e com Cristo, que concordam com uma disciplina segundo as regras do evangelho. De acordo com a filosofia da Convenção Batista Brasileira, uma igreja batista é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após confissão de fé. Ser membro de uma igreja batista é um direito dado exclusivamente a pessoas regeneradas que voluntariamente aceitam o batismo e se entregam ao discipulado fiel, segundo o preceito cristão.

Durante seus vinte e cinco anos de existência, vários líderes participaram de sua

formação, ajudando em sua consolidação:

v

Josias Fransisco Neto (03/10/1982 - 1984)

v

Ananias Luiz Santos (18/08/1984 - 1990)

v

Paulo Guedes de Oliveira (18/02/1990 - 1991)

v

Edevaldo Varela (11/05/1991 - 2002)

v

Danilo Waldow (23/11/2003 -)

Dos entrevistados, 53%, são migrantes do nordeste, principalmente do estado da

Bahia. Grande parte desses migrantes veio para São Paulo, diretamente para moradias em

terrenos da prefeitura (favela). De acordo com as falas dos colaboradores, o processo de

migração faz parte de um projeto familiar. A saída do lugar de origem se deve ao desejo

de uma melhoria no padrão de vida, em grande maioria, se estende aos familiares e

parentes próximos.

Nasci na Bahia em uma cidade chamada Piau. Eu vim em 1989, meu

irmão mandou um dinheiro para eu vir e fui morar no Guarujá.

Trabalhei um tempo em Itaquera e depois voltei para Bahia de novo. Em

1991, eu retornei para São Paulo. Na segunda vez eu vim para tentar a

vida, conseguir uma vida melhor, na Bahia não dava, meu pai veio de

uma família humilde e não tinha condições financeiras para dar aquilo

que a gente precisava. Então vim para tentar a vida. Eu já namorava a

minha esposa, mas quando vim para São Paulo, era solteiro, na segunda

vez eu vim e ela veio depois, nós moramos juntos e depois casamos.

85

.

Essa é uma idéia de que a cidade grande pode oferecer melhores oportunidades

de ascensão social, principalmente para os mais jovens, que não vêem alternativa no

nordeste. Por isso, é com freqüência que eles vêm para São Paulo, iniciando, assim, o

processo de migração. Estabelecendo-se, trazem a família. No momento da chegada é de

vital importância a rede de relações familiares, para dar um mínimo de suporte até as

pessoas ‘arranjarem’. A igreja pode entrar nessa rede de relações sendo apoio para quem

está chegando, como veremos no capítulo 3 desse trabalho.

A comunidade Batista Maranata não vive uma realidade de apartheid. Embora o

atual pastor (líder espiritual) seja branco e descendente de alemão, não se distingue uma

liderança branca em contraste com liderados negros. Pelo contrário, há presença de

negros em sua liderança e em todos os seus setores, como: corpo diaconal, professor da

escola dominical, líder missionário, grupo de música, grupo de dança, grupo de oração,

etc. Não se nota, de forma visível nem aberta, a presença da discriminação racial.

Todavia, nos detalhes se observa a reprodução de um ideário preconceituoso e racista, não

diferente ao difundido na sociedade brasileira em geral. Por exemplo, a razão pelo qual a

igreja Maranata se silencia em relação à temática do preconceito racial, a forma como

nega sua presença no seio da igreja batista, ou a forma como os membros evitam tocar no

tema do racismo e preconceito racial, por achá-lo irrelevante para sua comunidade de fé.

Tudo isso pode ser indício de um preconceito racial que se esconde e se camufla entre

falas, atitudes e pensamentos.

Na primeira, fizemos uma discussão em torno da cidade de São Paulo, local de

nascimento da comunidade batista Maranata, com o objetivo de mostrar São Paulo como

uma cidade portadora de significados que vão além das simples noções de uma unidade

geográfica, ecológica, política e econômica, pois como nos alertou o professor Leonildo

Silveira Campos, em seu artigo, Indicadores sociais e afiliação religiosa no grande ABC

paulista, (publicada na revista de Religião da universidade Metodista, n.31 2° semestre de

2006), de que os seres humanos criam, para si, universos simbólicos, em que a linguagem,

mito, arte, valores e religião fazem parte, ou seja, a cultura simbólica também faz parte da

construção do mundo urbano. Considerando essa realidade, o pesquisador ou a

pesquisadora conseguem olhar para a cidade de forma diferenciada, pois entendem que o

mundo do símbolo pode ser uma chave relevante para compreensão de como vivem os

seres humanos de uma cidade.

Após realizarmos uma descrição demográfica, econômica e social da região

metropolitana de São Paulo, adentramos à realidade do subdistritos Grajaú, por este

apresentar dados sociais relevantes à análise da realidade econômica e social da

comunidade Maranata. Finalmente falamos sobre o surgimento, formação e a estrutura da

comunidade Maranata.

Na primeira, fizemos uma discussão em torno da cidade de São Paulo, local de

nascimento da comunidade batista Maranata, com o objetivo de mostrar São Paulo como

uma cidade portadora de significados que vão além das simples noções de uma unidade

geográfica, ecológica, política e econômica, pois como nos alertou o professor Leonildo

Silveira Campos, em seu artigo, Indicadores sociais e afiliação religiosa no grande ABC

paulista, (publicada na revista de Religião da universidade Metodista, n.31 2° semestre de

2006), de que os seres humanos criam, para si, universos simbólicos, em que a linguagem,

mito, arte, valores e religião fazem parte, ou seja, a cultura simbólica também faz parte da

construção do mundo urbano. Considerando essa realidade, o pesquisador ou a

pesquisadora conseguem olhar para a cidade de forma diferenciada, pois entendem que o

mundo do símbolo pode ser uma chave relevante para compreensão de como vivem os

seres humanos de uma cidade.

Encerramos esta primeira parte, após faze rmos uma discussão em torno da cidade

de São Paulo, local de nascimento da comunidade batista maranata, com o objetivo de

mostrar São Paulo como uma cidade portadora de significados que vão além das simples

noções de uma unidade geográfica, ecológica, política e econômica, pois como nos

alertou o professor Leonildo Silveira Campos, em seu artigo, Indicadores sociais e

afiliação religiosa no grande ABC paulista, (publicada na revista de Religião da

universidade Metodista, n.31 2° semestre de 2006), de que os seres humanos criam, para

si, universos simbólicos, em que a linguagem, mito, arte, valores e religião fazem parte,

ou seja, a cultura simbólica também faz parte da construção do mundo urbano.

Considerando essa realidade, o pesquisador ou a pesquisadora conseguem olhar para a

cidade de forma diferenciada, pois entendem que o mundo do símbolo pode ser uma

chave relevante para compreensão de como vivem os seres humanos de uma cidade.

Após realizarmos uma descrição demográfica, econômica e social da região

metropolitana de São Paulo, e adentramos à realidade do subdistritos Grajaú, por este

apresentar dados sociais relevantes à análise da realidade econômica e social da

comunidade Maranata. Descrevemos um breve histórico sobre os Batistas Brasileiros para

melhor compreensão do leitor. A descrição que fizemos da comunidade Maranata

facilitará nossa compreensão do terceiro capítulo quando desempenharmos as análises das

entrevistas.

CAPÍTULO 2

A construção da negritude brasileira e suas metamorfoses

O propósito deste capítulo é explorar a temática da negritude na perspectiva do campo da História Cultural. Temos o intuito de aproveitar a vasta produção historiográfica, clássica e contemporânea, sobre a negritude brasileira, tanto em relação à escravidão quanto em relação às teorias raciais articuladas por intelectuais no Brasil. Cientes de que o campo cultural não pertence exclusivamente ao estudo histórico, almejamos traçar um diálogo interdisciplinar com as ciências sociais, principalmente com a antropologia social e com a sociologia. O diálogo com a antropologia social se justifica, uma vez que esta se ocupa com tudo o que constitui uma sociedade, como seu modo de produção econômica, técnicas, organização política e legal, sistema de parentesco, de conhecimento e elaboração de ideologias, crenças religiosas, e criação artística, e etc. Do diálogo com a sociologia, temos a finalidade de mostrar as transformações ocorridas no processo de construção/criação do negro brasileiro.

Desde a chegada dos primeiros negros ao Brasil, a visão sobre a negritude foi sofrendo metamorfoses. “O negro brasileiro é uma invenção”, assim Gislene Aparecida dos Santos tentou definir a negritude em sua obra A invenção do ser negro. Para esta obra, a autora baseou-se em uma análise detalhada e minuciosa das discussões surgidas na Europa do século XV, que pretendiam explicar a origem da humanidade e classificar a natureza dos recém descobertos ameríndios e alguns grupos de negros da África. Essas discussões ganharam difusão nos séculos seguintes em inúmeras teses científicas. A autora mostra como essas idéias e discussões chegaram ao solo brasileiro, influenciando a intelectualidade na criação de uma ideologia responsável pela invenção do “ser negro” no Brasil, o que foi inevitavelmente aderido pelo senso comum.

O antropólogo Clifford Geertz, em sua obra A interpretação das culturas, define o ser humano como produto de sua cultura. De forma sucinta, define: “o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu”. Geertz nos chama a atenção para o conceito de cultura, que seria essas teias de significados, e qual é o seu impacto sobre o ser humano. Ele refuta a teoria dos iluministas e da antropologia clássica que desenvolvem a idéia de homem ideal. Descreve a cultura como um mecanismo de controle social (plano, receita, regras, instruções)86 que governa e molda nosso comportamento e que deve ser entendida como um ingrediente essencial na produção do ser humano. Isto é, “Os homens sem cultura não seriam os selvagens inteligentes (...) eles seriam monstruosidades incontroláveis, com poucos instintos úteis, menos sentimentos reconhecíveis e nenhum intelecto”. E continua, “sem os homens certamente não haveria cultura, mas de forma semelhante e muito significativamente, sem cultura não haveria homens”. Nossas idéias, nossos pensamentos, nossos atos, nossos valores, nossas emoções e nossos preconceitos, de forma geral, podem ser entendidos como produto social, político e econômico de nossa cultura. Grosso modo, estudar a cultura seria desvendar um código de símbolos partilhados pelas pessoas nela inseridas. Logo, a negritude e o que pensamos a respeito dela também podem ser compreendidos como um produto de nossa cultura, que exprime aspectos fundamentais de nossa vida social e coletiva.

O ser negro no Brasil é resultado de uma construção social impregnada por ideologias87 racistas, sem consistência biológica. Os homens pensantes da sociedade, fazendo uso da ciência e da produção acadêmica – sempre dinâmica e que tem como desígnio acompanhar as mudanças e transformações da sociedade na busca por atender as necessidades sociais, políticas e econômicas de seu tempo – são os responsáveis pela produção ideológica e por sua manutenção. Como nos explica Geertz, a ideologia também é uma resposta às tensões criadas em nossas sociedades.

Para entendermos as transformações e o processo de criação do negro brasileiro,

temos que nos transportar para a Europa do século XVII e entender como os negros da

África foram percebidos e interpretados pelos brancos europeus, pois esse contato foi

fundamental para a criação de teorias que fundamentam o conceito de ‘raça’. A criação do

conceito de raças, ou seja, de uma humanidade dividida por raças distintas, nasceu na

Europa Ocidental, ganhando força científica já no século XVIII. Os cientistas procuraram

criar teorias que sustentassem a idéia de uma humanidade dividida hierarquicamente por

raças. A partir de algumas características físicas, era possível detectar a superioridade ou

a inferioridade de uma raça em relação à outra. Segundo o critério adotado para essa

análise, os estereótipos brancos eram o modelo que definiam o padrão de superioridade.

Foi a partir desse critério que se estabeleceram as comparações entre os brancos europeus

e os negros africanos, criando uma dicotomia branco/preto. Essa dicotomia ganhou vida e

marcou seriamente a sociedade, fazendo uso de uma arma eficaz que é o poder simbólico,

como mostra o manual de Montabert, feito para os artistas que tematizavam os

simbolismos branco e preto.

O branco é o símbolo da divindade ou de Deus.

O negro é o símbolo do espírito do mal e do demônio.

O branco é o símbolo da luz....

O negro é o símbolo das trevas, e as trevas exprimem simbolicamente o

mal.

O branco é o emblema da harmonia.

O negro, o emblema do caos.

O branco significa a beleza suprema.

O negro, a feiúra.

87 Tomaremos emprestado de Marilena Chauí a definição do conceito de ideologia que pretendemos utilizar

em nosso trabalho. A ideologia é entendida como um fato social produzido pelas relações sociais, possuindo razões determinadas para surgir e se conservar. Faz parte da produção de idéias de uma sociedade, ou seja, das formas históricas determinadas pelas relações sociais.

O branco significa a perfeição.

O negro significa o vício

O branco é o símbolo da inocência.

O negro, da culpabilidade, do pecado ou da degradação moral.

O branco, cor sublime, indica a felic idade.

O negro, cor nefasta, indica a tristeza.

O combate do bem contra o mal é indicado simbolicamente pela

oposição do negro colocado perto do branco

88

.

Logo, não causou surpresa a cientificidade da comprovação biológica de que os

povos brancos eram superiores aos negros, como propôs Gabineau

89

, quando definiu que

as marcas do negro são a imaginação, sensibilidade e sensualidade, e as do branco são a

inteligência, praticidade, ética e moral. A áfrica era contemplada como uma terra de

“pecado e imoralidade, gerando homens corrompidos; povos de clima tórrido com sangue

quente e paixões anormais que só sabem fornicar e beber

90

.”