3. CİHAT BURAK’IN RESİMLERİ VE HİKÂYELERİ
3.2. Cihat Burak’ın hikâyeleri
3.2.2. Cihat Burak hikâyelerinde konu
3.2.2.6. Tarihi konulu hikâyeler
O presente estudo apresenta a caracterização da amostra, os critérios de inclusão, os instrumentos utilizados, os procedimentos éticos e estatísticos, bem como os resultados obtidos com a aplicação da escala RSA em idosos. Partiu-se da hipótese que as seis dimensões encontradas nos estudos que utilizaram anteriormente a escala com adultos se repliquem nesta amostra de idosos.
4.1.Objetivos específicos
Analisar as dimensões da Resiliência em uma amostra de idosos de Cuiabá. Estudar as propriedades psicométricas da escala - RSA em uma amostra de idosos
de Cuiabá.
Para atingir os objetivos deste estudo elaborou-se a seguinte hipótese: Hipótese I:
Espera-se que as 6 (seis) dimensões da RSA encontradas nos estudos com adultos se repitam na amostra de idosos analisada.
4.2. Caracterização da amostra:
A amostra foi do tipo não probabilístico de conveniência composta por 200 idosos dos sexos masculino (27%) e feminino (73%), com idade entre 60 e 83 anos (Média - M = 67,23; Desvio Padrão - DP = 5,9), frequentadores de um grupo de convivência do município de Cuiabá - MT, Igrejas e Atividades diversas (aulas de pinturas, aulas de ginástica, aulas de bordado, viagens em grupos, reunião de idosos e outros) em Cuiabá e Várzea Grande.
4.3. Critérios de inclusão:
Idade acima de 60 anos, pois se segue o critério estabelecido pela Organização Mundial de Saúde – OMS que definiu como idoso o participante com 65 anos ou mais de idade para os países desenvolvidos e 60 anos ou mais de idade para indivíduos de países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
4.4. Instrumento da pesquisa:
Os participantes responderam ao questionário sociodemográfico e ao instrumento Escala de Resiliência para Adultos - RSA (Hjemdal, et al.,2003), no qual todos os itens avaliaram a resiliência, conforme foi proposto pelos autores e validado no Brasil por Hjemdal, et al., em 2009 em um estudo com 222 estudantes do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco. Os resultados mostraram que, apesar de ter sido validada no Brasil, outros estudos que usassem a referida escala se faziam necessários. Assim, para este estudo, entrou-se em contato com um dos autores da escala para utilizá-la com um grupo de idosos no Brasil. O autor enviou a escala que já havia sido validada no Brasil juntamente com a orientação para a aplicação da mesma.
4.4.1. Questionário sociodemográfico
Para caracterização e visando a identificação sociodemográfica dos participantes foi anexada uma ficha estruturada para coletar informações relativas a: data de nascimento; sexo; estado civil ou situação conjugal; escolaridade (anos de estudo formal); renda familiar; habitação e atividades profissionais. Os itens eram objetivos, de múltipla escolha e, além destes, foram selecionados outros – através dos dados da literatura – que se destacam como variáveis importantes para a pesquisa com idosos, como: se foram feitos exames de saúde nos últimos meses e outras variáveis relacionadas ao lazer, ao trabalho e às atividades diárias, a fim de caracterizar melhor a amostra (Anexo 4).
4.4.2. Escala de resiliência para adultos – RSA Hjemdal et al. (2003). Foi originalmente desenvolvida por Odin Hjemdal et al. (2003) para mensurar a Resiliência em adultos com uma proposta nova de envolver todos os recursos protetores que promovem a resiliência e contempla tanto os recursos de proteção representados
pelos atributos psicológicos e disposicionais através das dimensões: competência social, competência pessoal, estrutura pessoal, quanto os representados pelos sistemas de suporte externo (recursos sociais) e coerência familiar (coesão familiar) (Hjemdal, et al., 2005). A escala RSA foi adaptada para o Brasil por Hjemdal, et al. (2009) sendo que a versão utilizada foi a RSA que contém 33 itens, em uma escala Likert de sete pontos em formato de diferencial semântico, na qual cada item é organizado como um continuum, cujos opostos apresentam alternativas de resposta com conteúdo positivo e negativo. Foi aplicada em 222 estudantes da Universidade Federal de Pernambuco. Após o processo de adaptação e validação, a estrutura fatorial foi confirmada, mostrando-se capaz de mensurar seis fatores, cujos Alfas de Cronbach variam de 0,56 a 0,79 (Hjemdal, et al., 2009).
Carvalho (2009) utilizou para seu estudo seis fatores que foram encontrados após o processo de adaptação e validação no Brasil:
1) Percepção de si mesmo (α=0,75) – mede a confiança nas suas capacidades, autoeficácia e visão positiva e realista de si mesmo (itens 01, 07, 13, 19, 25, 29). 2) Futuro planejado (α=0,67) – mede a visão otimista do próprio futuro, a habilidade de planejamento e de estabelecimento de metas (itens 02, 08, 14, 20).
3) Competência social (α=0,68) – mede a habilidade em iniciar relações verbais, flexibilidade em interações sociais e criação de novas amizades. Estilo de interação pró-social (itens 03, 09, 15, 21, 26, 30).
4) Estilo estruturado (α=0,56) – mede a capacidade de organização do próprio tempo. Tem a tendência ao estabelecimento de objetivos e prazos e à manutenção de regras e rotinas (itens 06, 12, 18, 24).
5) Coesão familiar (α=0,79) – mede a comunhão de valores e visão de futuro, união, lealdade e simpatia mútua entre os familiares (itens 04, 10, 16, 22, 27, 31).
6) Recursos sociais (α=0,77) – mede o suporte social oferecido por amigos e colegas, propiciando sentimento de coesão, simpatia, encorajamento e apoio em situações difíceis (itens 05, 11, 17, 23, 28, 32, 33) (Carvalho, 2009).
4.5. Procedimento ético
Para a realização da pesquisa foram seguidos todos os preceitos éticos recomendados pela Resolução 196/96 (1996, 10 de outubro). Todos os documentos necessários foram encaminhados para o Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, protocolados com o número 106/CEP – HUJM/2011 e a coleta dos dados foi realizada em 2011 após parecer favorável (Anexo 1).
4.6. Procedimento de coleta dos dados
Após aprovação do projeto no comitê de ética do HUJM foi realizado um contato com a secretária da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Humano da Prefeitura - SMASDH em que foi apresentado o projeto. Posteriormente à aprovação do projeto foi conseguido o agendamento com os responsáveis por um dos centros de convivência existentes em Cuiabá. Após aceitação pela direção do Centro de Convivência, os idosos foram convidados informalmente, para participar da pesquisa. O mesmo procedimento foi realizado na academia de ginástica, ou seja, primeiro foi apresentado o projeto ao dirigente e após a aprovação realizou-se o convite para aqueles que tinham mais de 60 anos e fossem frequentadores da academia. Também se seguiu o mesmo procedimento – apresentação do projeto de pesquisa e aprovação da direção em um grupo de artesanato.
Os idosos foram convidados a participar da pesquisa nos locais em que frequentavam, para isso foi utilizada a estratégia de agendamento prévio com os responsáveis pelos lugares onde ocorriam os encontros semanais ou diários de pessoas que aceitaram participar da pesquisa. Destacou-se o caráter voluntário da pesquisa e os
participantes foram informados a respeito dos objetivos, dos procedimentos da pesquisa, da confiabilidade dos dados e do anonimato da sua colaboração. Foi solicitado que assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com as normas da Resolução 196/96 sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, (1996, 10 de outubro).
4.7. Análise Estatística
Os dados foram tabulados e analisados com o programa Statistical Package for Social Science for Windows (versão 21).
Nesta pesquisa, foram realizados dois tipos de análise estatística: a descritiva que se relaciona com medidas de tendência central e dispersão (média, frequência, desvio padrão) e, também, a análise multivariada (análise fatorial exploratória, Alfa de Cronbach (α) e correlação de Pearson(r)).
A opção de efetuar estes tipos de análise deveu-se ao fato de serem convencionais, o que possibilita retratar de forma confiável o tratamento dos dados. No caso da análise fatorial exploratória, verificou-se previamente a adequação de dois indicadores KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) e Teste de Esfericidade de Bartlett que levam em conta se a matriz de correlação entre os itens é ou não fatorializável.
KMO é um índice utilizado para comparar a magnitude dos coeficientes de correlação simples observados em relação às magnitudes dos coeficientes de correlação parcial. Já o teste de esfericidade de Bartlett é uma estatística de verificação usada para examinar a hipótese de que as variáveis não estejam correlacionadas na população Portanto, considera-se o KMO inferior a 0,50 inaceitável, sendo valores desejáveis os que se aproximem de 1. Por outro lado, o Teste de Bartlett precisa apresentar um valor de qui-quadrado (χ²) que seja significativo, isto é, p < 0,05 (Bisquerra, 1989).
Na análise fatorial exploratória foram utilizados três critérios para a definição/extração do número de componentes, nomeadamente: Kaiser, Cattell e análise paralela. O critério Kaiser deve apresentar valor próprio igual ou superior a 1, já o critério de Cattell apresenta os valores próprios em um gráfico, isto é, scree plot (gráfico dos autovalores versus número de fatores por ordem de extração), enquanto que a análise paralela indica a necessidade ou não de realizar o desdobramento.
4.8. Resultados
Com a finalidade de verificar a possibilidade de fatorializar a matriz de correlação dos itens que representa o construto Resiliência, foram observados dois indicadores que dão suporte a este tipo de análise, além de utilizar a rotação varimax. Os resultados obtidos foram: KMO (0,89) e Teste de Esfericidade de Bartlett [χ² (465) = 3107,20 p < 0,001]. De acordo com a Tabela 2, encontraram-se cinco valores próprios superiores a 1, especificamente, 9,77, 5,46, 1,44, 1,36, e 1,18 sugerindo a existência de um construto multidimensional, entretanto, nas outras análises Scree Plot e Análise Paralela emergiram dois fatores.
TABELA 2
Valores próprios observados e simulados para a escala de resiliência de adultos – RSA
Análise de Componentes Análise Paralela
(observado) (simulação) M Percentil 9,77 1,40 1,50 5,46 1,29 1,36 1,44 1,20 1,26 1,36 1,14 1,19 1,18 1,07 1,12
Este teste também foi realizado para verificar a solução analisada, comparando-a com a obtida com a distribuição gráfica dos valores próprios (critério de Cattell). Neste caso, observa-se na Figura 6 que dois componentes representam os fatores para o
em conta a linha tracejada que foi desenhada, aproximadamente paralela ao eixo horizontal. Nela observa-se uma “quebra” (cotovelo) que ressalta a presença dos dois componentes desta característica.
FIGURA 6
____________________________________________________________________________________ Distribuição Gráfica dos Valores Próprios (scree plot) para a escala de Resiliência de Adultos - RSA
Componentes que se sobressaem indicando a
bidimensionalidade
Portanto, parece aceitável falar de dois fatores para a Escala Resiliência de Adultos RSA, denominados “coesão familiar” e “otimismo”, respectivamente. Os resultados da análise de Componentes Principais do conjunto de seus itens e os índices de consistência interna (Alfa de Cronbach) e homogeneidade (correlação item-item corrigida, ri.i), são mostrados na Tabela 3, a seguir, para o fator coesão familiar.
TABELA 3
Estrutura fatorial do fator coesão familiar
Item Conteúdo Carga
11 Aqueles que me encorajam são amigos e familiares. 0,85*
10 Eu me sinto muito bem com a minha família. 0,83*
22 Em momentos difíceis a minha família mantém uma visão positiva do futuro. 0,83*
28 Eu tenho apoio de amigos e familiares. 0,83*
19 A crença em mim me ajuda em períodos difíceis. 0,81*
07 Os meus problemas pessoais eu sei como solucioná-los. 0,81*
33 Os meus amigos e familiares próximos valorizam as minhas qualidades. 0,80*
18 Eu tenho facilidade para organizar o meu tempo. 0,76*
14 Os meus objetivos eu sei como atingi-los. 0,72*
26 Quando estou na presença de outras pessoas tenho facilidade de rir 0,72*
08 Eu sinto que o meu futuro é promissor 0,72*
15 Novas amizades tenho facilidade de vincular 0,68*
23 Quando algum membro da minha família entra em crise eu fico rapidamente sabendo da situação. 0,65*
03 Eu gosto de estar com outras pessoas 0,65*
29 Acontecimentos na minha vida que para mim são difíceis eu consigo lidar com eles 0,60*
Número de Itens 15
Valor Próprio 9,55
% Variância 31%
Alfa de Cronbach 0,95
Homogeneidade (ri.t corrigida) 2,58
Nota: * Carga fatorial considerada satisfatória para interpretação do componente, |0,30|;
Conforme esta Tabela, todos os quinze itens desta característica se mostraram relevantes, com saturação superior a 0,30 (p < 0,001). Este componente apresentou valor próprio de 9,55 explicando cerca de 31% da variância total. A sua consistência interna situou-se em 0,95, com homogeneidade de 2,58 (amplitude de 2,16 a 2,82). Portanto, o conjunto destes resultados faz pensar na adequação de se considerar o conjunto de quinze itens para medir a resiliência frente à Coesão familiar.
Desse modo, pretendeu-se averiguar em que medida e direção os itens desse fator se correlacionam entre si, sendo indispensável calcular a pontuação total média para cada um deles e correlacioná-los. Os resultados são mostrados a seguir.
TABELA 4
Média e Desvio padrão e correlação dos itens do fator Coesão familiar
ITEM M 7 8 10 11 14 15 18 19 22 23 26 28 29 33 3 4,48 2,23 0,45** 0,40** 0,46** 0,51** 0,45** 0,51** 0,50** 0,46** 0,41** 0.38** 0,49** 0.49** 0,33** 0,45** 7 4,78 2,12 0,58** 0,66** 0,71** 0,57** 0,49** 0,62** 0,63** 0,64** 0,40** 0,52** 0,63** 0,45** 0,65** 8 4,39 2,28 0,58** 0,60** 0,50** 0,43** 0,49** 0,51** 0,50** 0,47** 0,58** 0,60** 0,43** 0,57** 10 4,96 2,34 0,76** 0,57** 0,47** 0,60** 0,65** 0,69** 0,47** 0,48** 0,63** 0,39** 0,65** 11 4,97 2,34 0,60** 0,46** 0,66** 0,69** 0,69** 0,41** 0,52** 0,67** 0,40** 0,65** 14 4,50 2,09 0,57** 0,62** 0,53** 0,60** 0,41** 0,39** 0,52** 0,39** 0,48** 15 4,71 2,19 0,49** 0,59** 0,50** 0,49** 0,50** 0,47** 0,43** 0,42** 18 4,71 2,14 0,58** 0,64** 0,44** 0,44** 0,60** 0,40** 0,52** 19 5,05 2,22 0,67** 0.52** 0,56** 0,62** 037** 0,62** 22 4,85 2,12 0,57** 0,57** 0,65** 0,45** 0,68** 23 4,51 2,27 0,53** 0,54** 0,42** 0,52** 26 4,88 2,11 0,65** 0,43** 0,63** 28 4,99 2,25 0,49** 0,73** 29 4,02 2,14 0,46** 33 5,09 2,06 Nota: valor de p= 0,01
Segundo se observa na Tabela 4, todos os itens do fator Coesão Familiar obtiveram uma correlação positiva moderada para alta. Tal resultado indica que os itens estão em situação de convergência, portanto tais itens podem ser considerados conjuntamente.
O conjunto dos itens do Fator denominado Otimismo pode ser observado na Tabela 5, assim como os resultados da análise dos componentes principais, com os respectivos índices de consistência interna (Alfa de Cronbach) e homogeneidade (correlação item-total corrigida, ri.t).
TABELA 5
Estrutura fatorial da característica fator Otimismo
Item Conteúdo Carga
20 Os meus objetivos para o futuro são bem pensados 0,75*
25 Em adversidades eu tenho tendência a ver de um modo bom para que eu possa crescer. 0,71* 32 Quando eu preciso tenho sempre alguém que pode me ajudar. 0,65* 27 Em relação a outras pessoas na nossa família nós somos leais. 0,63*
02 Os meus planos para o futuro são concretizáveis. 0,60*
01 Quando algo imprevisto acontece, eu sempre encontro uma solução. 0.60* 31 Na minha família nós gostamos de fazer as coisas em conjunto. 0,60*
21 Fazer contato com novas pessoas tenho facilidade. 0,59*
12 Quando eu vou fazer algo prefiro ter um plano. 0,59*
16 A minha família caracteriza-se por boa união. 0,58*
17 A solidariedade entre meus amigos é boa. 0,57*
05 Assuntos pessoais eu posso falar com amigos e familiares. 0,57* 04 Na minha família a concepção do que é importante na vida é a mesma. 0,55*
24 Regras e rotinas fixas facilitam o meu dia-a-dia. 0,55*
09 Ser flexível em relações sociais é importante para mim. 0,52* 13 Nos meus julgamentos e decisões acredito firmemente 0,52*
Número de Itens 16
Valor Próprio 5,20
% Variância 17%
Alfa de Cronbach 0,88
Homogeneidade (ri.t corrigida) 2,22
Nota: * carga fatorial considerada satisfatória para interpretação do componente, |0,40|
Observando a Tabela 05, parece evidente que a característica otimismo pode ser adequadamente representada como unidimensional. Todos os dezesseis itens
componente apresentou valor próprio de 5,20, explicando cerca de 17% da variância total. A sua consistência interna situou-se em 0,88, com homogeneidade de 2,22 (amplitude de 2,08 a 2,38). Portanto, o conjunto destes resultados faz pensar na adequação de se considerar o conjunto de 16 itens para medir a resiliência frente ao otimismo. Desta forma, busca-se conhecer em que medida e direção esses itens estão correlacionados entre si, sendo necessário calcular uma pontuação total média para cada um e correlacioná-las. Os resultados são apresentados a seguir na Tabela 06.
Em resumo, emergiram dois fatores ou componentes principais para descrever a avaliação da Resiliência em Idosos de Cuiabá.
Dois itens da Escala RSA atingiram a saturação de 0,58 (ao começar uma conversa interessante eu acho fácil) e 0,35 (eu funciono melhor quando, tenho um objetivo a alcançar) tendo sido, por este motivo, excluídos, uma vez que não configuraram uma dimensão. Tal exclusão não se tornou em problema, pois eram apenas dois componentes, um número bem menor se comparado com as outras dimensões, sendo que a primeira dimensão agrupou 15 itens e, a segunda, 16 itens. Deste modo, para que a Escala de Resiliência para Adultos pudesse ser utilizada em idosos adquiriu uma nova forma, com dois fatores Coesão Familiar (15 itens, alfa= 0.95) e Otimismo (16 itens, alfa = 0,88) – e com RSA com 31 itens (alfa= 0,91) divididos entre ambos.
TABELA 6
Média e Desvio padrão e correlações dos itens do fator Otimismo
ITEM M DP 02 04 05 09 12 13 16 17 20 21 24 25 27 31 32 01 5,41 1.69 0,41* 0,33* 0,38* 0,31* 0,27* 0,25* 0,29* 0,33* 0,34* 0,37* 0,25* 0,43* 0,22* 0,21* 0,36* 02 5,33 1,70 0,29* 0,30* 0,31* 0,29* 0,23* 0,31* 0,25* 0,44* 0,33* 0,23* 0,38* 0,22* 0,26* 0,42* 04 4,64 2,04 0,30* 0,21* 0,27* 0,24* 0,35* 0,26* 0,34* 0,35* 0,23* 0,30* 0,33* 0,31* 0,31* 05 5,57 1,77 0,34* 0,33* 0,29* 0,26* 0,46* 0,46* 0,35* 0,29* 0,31* 0,32* 0,33* 0,31* 09 5,21 1,89 0,27 ¨0,20* 0,24* 0,26* 0,31* 0,27* 0,25* 0,32* 0,28* 0,30* 0,34* 12 5,71 1,74 0,35* 0,20* 0,38* 0,48* 0,33* 0,43* 0,34* 0,32* 0,21* 0,28* 13 5,34 1,76 0,21* 0,28* 0,40* 0,19* 0,32* 0,41* 0,26* 0,36* 0,29* 16 5,87 1,57 0.44* 0,36* 0,31* 0,31* 0,48* 0,50* 0,46* 0,40* 17 5,88 1,40 0,41* 0,26* 0,31* 0,38* 0,32* 0,31* 0,40* 20 5,55 1,83 0,39* 0,37* 0,51* 0,50* 0,44* 0,37* 21 5,64 1,75 0,32* 0,39* 0,27* 0,26* 0,33* 24 5,41 1,87 0,29* 0,37* 0,24* 0,37* 25 5,58 1,64 0,50* 0,39* 0,48* 27 5,41 1,83 0,49* 0,39* 31 4,98 2,03 0,54* 32 5,71 1,67 Nota: N=200 p>0,01
Em seguida, buscou-se conhecer em que medida e direção essas dimensões estão relacionadas entre si, sendo necessário calcular uma pontuação total média para cada uma e correlacioná-las. Os resultados estão apresentados a seguir na Tabela 7.
TABELA 7
Estatística descritiva e correlação das dimensões da escala RSA
Item Dimensão M DP 02 02
01 Coesão Familiar 71,38 24,84 0,31* 0,86*
02 Otimismo 87,26 17,04 0,87*
03 RSA Total – 31 itens
Nota: n=200 , * p< 0,01
De acordo com os resultados apresentados na Tabela 07, verifica-se que, como era esperado, a correlação entre a RSA com 31 e a dimensão Coesão Familiar foi alta (0,86) e foi moderada positivamente com a dimensão Otimismo (r= 0,31; p <0,01) e, evidenciando que mesmo que uma dimensão tenha correlação positiva com outra, não significa que haja uma correlação forte entre ambas, o que quer dizer que uma não depende de outra. Com relação à correlação entre a RSA com 31 itens e o fator Otimismo pode-se afirmar que a correlação foi alta (r=87; p<0,01) e positiva.
4.9. Discussão
Os objetivos deste estudo consistiram em estudar as propriedades psicométricas da escala – RSA em uma amostra de idosos de Cuiabá e analisar as dimensões da Resiliência nessa amostra.
Para atingir os objetivos deste estudo partiu-se da hipótese que as dimensões – Percepção de si mesmo (itens 01, 07, 13, 19, 25, 29), Futuro planejado (itens 02, 08, 14, 20),Competência social (itens 03, 09, 15, 21, 26, 30), Estilo estruturado (itens 06, 12, 18, 24), Coesão familiar (itens 04, 10, 16, 22, 27, 31) e Recursos sociais ( itens 05, 11, 17, 23, 28, 32, 33), seriam replicadas na amostra de idosos, entretanto, como apontaram os resultados, a hipótese não foi confirmada.
A Escala RSA foi aplicada em 200 idosos e esperava-se que os resultados da confiabilidade fossem satisfatórios, entretanto, os valores do Alfa de Cronbach encontrados nas dimensões Coesão familiar e Estilo estruturado apresentaram baixas pontuações, sendo respectivamente 0,29 e 0,45, portanto abaixo do recomendado pela literatura. Isso pode denotar que os conteúdos destas sub-escalas não apresentam o mesmo sentido no contexto brasileiro, e mais ainda, podem ser medidas de forma diferente em uma população de idosos, assim, há a necessidade de maiores pesquisas.
Logo foi realizada uma pesquisa enfocando os resultados que emergiram em outros estudos realizados com a escala RSA. Verificou-se que na pesquisa de validação da escala RSA no Brasil (Hjemdal, et al., 2009) o Alfa de Cronbach do fator Coesão familiar ficou em 0.79, o que indicava um resultado satisfatório. Em outra pesquisa de validação em uma cultura diferente daquela em que foi desenvolvida a escala RSA com 33 itens foi feita a aplicação da escala em estudantes universitários em diferentes instituições do Irã, (Jowkar, et al., 2010), a escala apresentou uma estrutura de cinco fatores – diferente do original, mas o Alfa de Cronbach do fator Coesão familiar foi de 0,84, um resultado considerado como bom. Também em uma pesquisa realizada pelo Hjemdal e col., cujos resultados foram publicados em 2012, os valores do Alfa de Cronbach do fator Coesão familiar ficaram em 0.79 (Hjemdal et al., 2012). Destaca-se que, em todas as pesquisas, a escala RSA foi aplicada em adultos estudantes universitários.
Outra pontuação do Alfa de Cronbach que não foi satisfatório neste estudo foi o fator denominado Estilo estruturado. Diferentemente da dimensão Coesão familiar, cujos resultados foram bons, o mesmo não ocorreu com o fator Estilo estruturado, porquanto no estudo de validação realizado por Hjemdal et al. (2009) da RSA no Brasil, o índice alcançado na dimensão foi de 0,56, o que pode ser satisfatório, mas está
próximo do limite do recomendado pela literatura. Também foi o menor dos índices de confiabilidade entre os seis fatores existentes e que foram considerados na pesquisa realizada em 2011 com estudantes noruegueses que foi de 0,67. Estes resultados podem indicar que esta dimensão não está sendo muito coerente na medição do que ela se propõe medir, o que indica que outros estudos devem ser feitos, de preferência em amostras de várias faixas etárias e diferentes culturas, para que essa medida possa ser melhor analisada.
Também cabe ressaltar que a média de idade nas outras pesquisas que aplicaram a RSA estava sempre variando em torno de 20 a 23 anos, ou seja, a RSA foi uma escala desenvolvida para ser aplicada em adultos, mas adultos jovens foram os que tiveram maior participação nas pesquisas. Já a participação de pessoas com idade mais avançada foi quase que inexistente, principalmente por serem estudos realizados com estudantes universitários. Os participantes se caracterizavam, em sua maioria, como jovens adultos, como exemplo, a própria pesquisa de validação da escala no Brasil que foi de 23,23 (DP=5,3), a pesquisa de validação no Irã foi mais baixa ainda M= 20, 6 (DP= 1,4) e o estudo realizado em 2011 na Noruega foi de 22 anos (DP=3.3), enquanto que a média de idade da amostra deste estudo ficou em 67,23 (DP= 5,9), o que pode ser um indicador que a Coesão familiar e o Estilo estruturado devem ser medidos de maneira diferente para os idosos. Outros argumentos podem ser encontrados na literatura (Junqueira & Deslandes, 2003; Masten, 2001; Minello, 2010), pois acredita-se que a resiliência é construída ao longo do tempo, não sendo um estado fixo, acabado, mas é antes de tudo um processo, que pode ser desencadeada ou pode se dissipar em determinados momentos da vida.
A resiliência envolve uma trajetória, que pode ser pessoal, familiar e pode ser a chave para explicar como as pessoas conseguem lidar com os vários desafios que se
apresentam durante toda a vida (Aldwin, et al., 2007; Bauer, et al., 2005; Bonanno, 2004; Ong, et al., 2009) , assim pode ser que os recursos utilizados pelos adultos mais jovens sejam diferentes dos recursos adotados pelos mais velhos, o que torna diferentes