TAKİYETTİN MENGÜŞOĞLU ‘İNSANIN VARLIK ŞARTLARI VE NİTELİKLERİ’
1.2. TARİHSEL BİR VARLIK OLARAK İNSAN
A nível familiar, analisou-se, com informações descritas no Plano Anual de Turma ([PAT] 2013, p.21) e de acordo com a matriz de construção do Índice Socioprofissional Familiar (Costa, 1999) e a Classificação Portuguesa das Profissões (2011), que a maioria das famílias encontrava-se nas situações de trabalho de profissionais, técnicos e de enquadramento, e empregados executantes. Vejam-se os seguintes gráficos 4 e 5:
Gráfico 4
Situação socioprofissional individual dos pais
O gráfico mostra que a maioria das mães dos alunos do 4.ºA trabalhava na classificação de empregados executantes, sendo que quatro delas eram domésticas. No caso dos pais, grande parte eram operários com trabalhos dirigidos essencialmente para a construção civil. De forma a se caraterizar a família na qual o aluno está inserido, construiu-se o gráfico seguinte, sendo que, a nível socioprofissional, muitos dos alunos eram provenientes de famílias de empregados executantes ou profissionais, técnicos e de enquadramento, com profissões no sector do comércio e função pública.
É evidente que uma análise à situação profissional dos pais estabelece relação direta com as oportunidades educativas que o aluno tem fora da escola, sem esquecer que as aprendizagens da criança não se desassociam entre a escola e o exterior. Sarmento (2005) indica que a economia familiar apresenta consequências diretas na sua estrutura e, portanto, na colaboração que os pais podem oferecer aos filhos para acompanharem as suas atividades escolares e desenvolvimento global. Certamente que é
2 Ver ANEXOS, Anexo 1. 0 2 4 6 8 10 12 N úm er o de P ais Situação Profissional
Indicador Socioprofissional Individual dos Pais
Mãe Pai Legenda: EDL – Empresários, Dirigentes e Profissionais Liberais; PTE – Profissionais, Técnicos e de Enquadramento; TI – Trabalhadores Independentes; AI – Agricultores Independentes; EE – Empregados Executantes; O – Operários; AA – Assalariados Agrícolas.
imperativo um investimento por parte dos pais em relação aos seus filhos e, se o trabalho permitir uma situação económica favorável, expecta-se que a dispersão criança/família/escola seja menor pela diminuição de carga horária e níveis de conhecimento científico superior associados.
Gráfico 5
Situação socioprofissional familiar
A análise dos dados referidos nos gráficos 4 e 5 é sustentada pelo conhecimento que o docente deve ter dos alunos com que trabalha, já que, e como explicita Costa (1999), a caraterização de uma classe alargada não é suficiente para realizar aproximações a um grupo mais restrito, como é o caso das famílias de uma turma específica.
A par da situação socioprofissional, o grau de escolaridade dos pais é também um fator ao qual pode estar suscetível o sucesso dos alunos, dado que um nível elevado de escolaridade pode auxiliar, mais facilmente, as aprendizagens e desencadear conhecimentos globais como uma linguagem oral mais abrangente que facilita a compreensão de tudo o que a criança irá ler.
Gráfico 6
Grau de escolaridade dos pais
0 1 2 3 4 5 6 7 8 Núm er o de F am ília s Situação Profissional
Indicador Socioprofissional Familiar
0 2 4 6 8 10 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo Ensino Secundário Ensino Superior Sem Dados Número de Pais Nív el de E sco la rida de
Nível de Escolaridade dos Pais
Pai Mãe
Legenda:
EDL – Empresários, Dirigentes e Profissionais Liberais;
PTE – Profissionais, Técnicos e de Enquadramento; TI – Trabalhadores Independentes; TIpl – Trabalhadores Independentes Pluriativos; AI – Agricultores Independentes; EE – Empregados Executantes; O – Operários; AA – Assalariados Agrícolas; AEpl – Assalariados Executantes Pluriativos.
Como se pode ver de acordo com o gráfico anterior, cujas informações foram obtidas a partir do PAT, as mães têm níveis superiores de educação em relação aos pais, comummente centradas no 3.ºCEB e Ensino Superior, enquanto os pais obtiveram graduação maioritária no 2.ºCEB. De forma geral, as crianças situavam-se em níveis socioeconómicos familiares médios, com grandes variações no que diz respeito ao nível de escolaridade dos seus pais.
5.1.3 Organização do Ambiente Educativo e Recursos
A escola é um núcleo social fortemente caraterizador da formação pessoal e relacional devido ao tempo que as crianças passam no seu interior. Daí que o seu ambiente deva respeitar os níveis de desenvolvimento dos alunos e promover a otimização das suas habilidades. Primeiramente, o ambiente educativo deve basear-se em conjeturas saudáveis entre professor e alunos e entre alunos com relações interdependentes para a consagração de um ambiente construtivista (Valadares & Moreira, 2009). No caso específico da turma do 4.ºA, foi necessário implementar estratégias inclusivas e de cooperação para que este espaço favorável de aprendizagens existisse plenamente. Observou-se, igualmente, que entre os docentes existia uma troca constante de informações e de apoio.
Apesar de, por vezes, os alunos mudarem de lugar por estarem a incomodar ou distrair os colegas, a estrutura normal baseava-se na dispersão dos alunos com dificuldades de concentração que tinha consequências diretas no trabalho dos colegas. Os alunos que permaneciam juntos apoiavam-se ao longo de todos os momentos de aula, sendo que aqueles que não conseguiam focar a atenção ficavam numa mesa sozinhos. Os alunos com maiores dificuldades na escrita ou com capacidade visual limitada sentavam-se mais próximos do quadro de ardósia que ocupava grande parte da parede frontal. Os móveis serviam essencialmente para arrumação do material (manuais, cadernos e estojos com material de desenho, recorte e colagem) e continham uma pequena biblioteca de livros cujos assuntos reportavam-se a conteúdos recentes. A utilização das janelas como espaço de luz era limitada pois, muitas vezes, os alunos distraíam-se com a vista direta para a baía do Funchal.
Especificamente falando sobre o espaço físico da sala do 4.ºA, esta encontrava-se disposta em forma de “U”, com mesas no seu centro devido ao pouco espaço existente, como mostra a figura seguinte:
Figura 10
Planta da sala do 4.ºA
No início de cada aula os alunos dispunham as mesas como mostra a figura 10, pois a sala era partilhada com uma turma com horário letivo durante a manhã. Do mesmo modo, no fim de cada aula os alunos repunham as mesas separadas. A utilização dos móveis por dois grupos constituía um problema pelo facto de que às vezes perdiam- se ou misturavam-se materiais.
Mesmo que a turma não fosse constituída por demasiados alunos, a circulação pelo espaço era limitada pois as atividades extracurriculares exigiam uma carga superior ao expetado, que seria uma única mochila. Uma solução seria a utilização de cacifos para cada aluno, no entanto, isso apresentaria um peso monetário para a instituição.
Fora da sala do 4.ºA, os alunos utilizavam o computador com acesso à internet na sala de TIC. As aulas de expressão musical proporcionavam o contacto com instrumentos de percussão variados e em expressão físico-motora, existiam materiais para os blocos de perícia e manipulação, deslocamentos e equilíbrios, ginástica e jogos.
Em suma, o ambiente educativo, dentro e fora da sala, conjeturava os materiais necessários e apropriados para o crescimento cognitivo dos alunos, relevando que os
1 2 3 4 5 6 5 4 7 Legenda: 1– Mesa de aluno; 2– Mesa da professora; 3– Armário de arrumação; 4– Janela; 5– Placard expositivo; 6– Porta; 7– Quadro de ardósia. 3 3 3 3
espaços exteriores, eram utilizados pela turma para interagir com outros grupos e realizar diversos jogos, incluído a leitura de contos, em voz alta, que os próprios traziam.
5.1.4 Organização do Tempo
A estruturação de um horário referente ao tempo curricular surgiu da necessidade, por parte dos alunos, de serem capazes de respeitar o tempo determinado para cada tarefa, visto que no ciclo seguinte para o qual iriam transitar – 2.ºCEB, os horários não são flexíveis. Assim, todos os alunos tinham acesso a este horário, realizado e facultado pela docente titular no início do ano letivo.
A turma tinha aulas no turno da tarde, desde as 13h15 até às 18h15. A efetivação do tempo parcial para integral nas escolas permitiu, no caso deste grupo, ter número maior de horas nas áreas do português e matemática. Por outro lado, existia um menor número de horas atribuídas a estudo do meio devido à preocupação dirigida aos exames nacionais que decorrem no final do ano letivo referido.
Quadro 2
Horário letivo da turma do 4.ºA
Horas 2ªfeira 3ªfeira 4ªfeira 5ªfeira 6ªfeira
T em po E xtr ac ur ric ular
8h15 8h45 Ocupação de Tempos Livres
8h45 9h45 Núcleo TIC Estudo Natação Música Biblioteca 9h45 10h45 TIC Expressão Plástica Inglês Estudo Música
10h45 11h15 Intervalo (manhã)
11h15 12h15 Educação Física Biblioteca / Inglês Educação Física Inglês Estudo
12h15 13h15 Almoço T em po C ur ric ular
13h15 14h15 Português TIC Matemática Estudo do Meio Matemática 14h15 15h15 Português Estudo do Meio Matemática Educação Física Matemática
15h15 15h45 Intervalo (tarde)
15h45 16h45 Matemática Português Português Música Português 16h45 17h45 Matemática Português Português Matemática Português 17h45 18h15 Matemática Educação para a Cidadania Estudo do Meio Matemática Área de Projeto
Fonte: PAT (2013).
A prática pedagógica descrita decorreu segundo o horário apresentado, durante os três primeiros dias semanais. Apesar do esforço para seguir o horário no que diz
respeito às áreas curriculares de caráter obrigatório, em casos de necessidade de extensão da atividade, o mesmo era realizado. Outro aspeto relevante traduz-se no horário matutino de quarta-feira. Observou-se que o esforço físico, que a natação e educação física exigiam numa só manhã, perturbava a atenção e concentração dos alunos na parte da tarde.
A aula de TIC presente na terça-feira desenrolava-se como um momento de consolidação de conhecimentos ou para introdução de novos conteúdos, dependendo do trabalho planeado para a aula posterior.
Portanto, a estruturação de um plano do conhecimento dos alunos permitia criar noções dos ritmos de trabalho individuais, assim como sentimentos de responsabilidade perante o que eram capazes de fazer ou que deixavam para terminarem em casa, auxiliando a organização mental de trabalho de cada um.