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H. BİLİMSEL KURAMLARIN YORUMU ÜZERİNE*

3. TARİHÇİLER VE SAVUNMACILAR

Desde quando foi idealizada, desde a sua criação como parte da Ação Católica, previa-se que a Juventude Estudantil Católica (JEC) fosse organizada em dois setores: o setor feminino (JECF) e o setor masculino (JECM). Mas, pelo que se observou do desenvolvimento dessas seções, elas não nasceram prontas, ao contrário, a autonomia para as diferentes seções da Ação Católica só chegou a partir da década de 1950, e é desse momento que são encontrados registros da organização do setor masculino da juventude católica. Até então, segundo Khoury (1998), bem como pelas fontes disponíveis na CEDIC, foi com o setor feminino que nasceu o movimento organizado da juventude católica brasileira.

A inserção no movimento organizado dos estudantes católicos dava-se por meio de um cerimonial, no qual se promovia uma renovação dos votos do Batismo. A duração do compromisso do jecista duraria enquanto durasse o curso. Após formados, eram encaminhados à Juventude Independente Católica (JIC) ou para a Juventude Universitária Católica (JUC).

Até a sedimentação da autonomia das diferentes seções da JEC, na década de 1950, segundo Khoury (1998), definia-se apenas a organização geral dessas seções, com uma estrutura formada por um Conselho - com funções deliberativas - e por uma equipe ou secretariado - com funções executivas - sendo que ambos deveriam existir em três níveis: internacional, nacional e regional.

A administração da JEC, até então, ficava a cargo de uma Diretoria, composta por sete membros: um Superintendente e um Presidente, um Secretário e um Tesoureiro de cada setor, masculino e feminino. O Superintendente e o Assistente Eclesiástico eram nomeados pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro e seria substituído, quando necessário, por dois Diretores em conjunto, um do setor masculino e outro do feminino.

Os mandatos da JEC eram de um ano e previa que ela seria formada, em cada colégio, por um núcleo ou equipe de base colegial, com uma diretoria constituída por um presidente, um secretário e um tesoureiro e dependia, segundo Khoury (1998), de aprovação da Junta Arquidiocesana. Nos colégios leigos, segundo a autora, a diretoria era formada por um assistente eclesiástico da Ação Católica, cargo que, nos colégios católicos, era ocupado pelo reitor da instituição.

Organograma 2.5

COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA DA JEC

Fonte: Organograma elaborado a partir do Estatuto Geral da JECB de 1953.

Desse modo, observa-se que, quando não havia um representante de confiança da Igreja, nos casos de o colégio não ser católico, esse representante era designado, para que não se perdesse o controle da formação da juventude nos princípios católicos. De qualquer modo, isso explicita que os jecistas não possuíam qualquer autonomia, que todas as atividades eram cuidadosamente planejadas para atender as diretrizes da Igreja, representadas por um dirigente de sua confiança.

À Junta Arquidiocesana cabia também, de acordo com Khoury (1998), elaborar anualmente o programa de atividades dos grupos, programa esse que deveria estar em comum acordo com o Assistente Geral da JEC e submetido à apreciação dos reitores dos colégios católicos, para que as medidas tomadas não prejudicassem as atividades colegiais.

As ações previstas visavam a uma atuação em todo território nacional, para o que se buscava organizar equipes nas diferentes regiões do país. No organograma 2.6 é possível visualizar como a Igreja dividia o país em regiões.

Desse modo, observa-se que, quando não havia um representante de confiança da Igreja, nos casos de o colégio não ser católico, esse representante era designado, para que não

ASSISTENTE ECLESIÁSTICO PRESIDENTE SECRETÁRIO TESOUREIRO

isso explicita que os jecistas não possuíam qualquer autonomia, que todas as atividades eram cuidadosamente planejadas para atender as diretrizes da Igreja, representadas por um dirigente de sua confiança.

À Junta Arquidiocesana cabia também, de acordo com Khoury (1998), elaborar anualmente o programa de atividades dos grupos, programa esse que deveria estar em comum acordo com o Assistente Geral da JEC e submetido à apreciação dos reitores dos colégios católicos, para que as medidas tomadas não prejudicassem as atividades colegiais.

As ações previstas visavam a uma atuação em todo território nacional, para o que se buscava organizar equipes nas diferentes regiões do país. No organograma abaixo é possível visualizar como a Igreja dividia o país em regiões.

Organograma 2.6.

ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE ATUAÇÃO DA JEC

Fonte: Organograma composto a partir das informações disponíveis em Khoury (1998, p. 93).

Khoury (1998) destaca que essa divisão, como se pode observar, não corresponde à divisão regional federativa que conhecemos hoje, uma vez que esta é fruto da divisão utilizada pelo IBGE – Instituto Geográfico e Estatístico após a década de 1970.

Essa autora, após fazer um levantamento da documentação sobre a juventude Estudantil Católica, informa que a divisão por regiões fazia parte de uma estrutura maior, distinta da encontrada nos estatutos de 1953, mas seria conseqüência do desenvolvimento e ampliação do movimento da Juventude Estudantil Católica. O quadro abaixo explicita as conclusões da autora.

JEC - EQUIPES REGIONAIS

CENTRO - LESTE CENTRO - OESTE EXTREMO SUL LESTE NORDESTE NORTE SUL

Espírito Santo - Guanabara - Rio de Janeiro Goiás – Minas Gerais

Rio Grande do Sul – Santa Catarina Bahia - Sergipe

Alagoas – Ceará – Maranhão – Paraíba - Pernambuco – Piauí – Rio Grande do Norte Amazonas - Pará

Quadro 2.1.

COMPOSIÇÃO E FUNÇÃO DOS ÓRGÃOS ESTRUTURAIS DA JEC (1950)

DIVISÃO FUNÇÃO COMPOSIÇÃO

Conselho

Nacional - Elaborar planos de atividades em nível nacional; - Deliberar sobre o movimento.

Membros da Equipes Nacionais e Regionais

Equipe Nacional - Executar as deliberações propostas pelo Conselho Nacional;

- Fixar a contribuição paga pelos militantes;

- Fixar a porcentagem empregada nas despesas dos colégios;

- Zelar pela execução do plano de atividades do Conselho Nacional;

Assistente Eclesiástico Presidente Secretário Tesoureiro Conselhos Regionais

- Deliberar sobre o movimento em plano regional

- Elaborar os programas de atividades.

Membros das Equipes Nacionais e Regionais

Equipes Regionais - Executava as deliberações tomadas pelo Conselho Nacional e Regional - Zelavam pela execução do plano regional de atividades

- Adaptavam os programas anuais às regiões

- Organizavam e distribuíam boletins - Promoviam encontros e seminários nas regiões

Presente em sete regiões brasileiras

Fonte: Quadro composto a partir de Khoury (1988, p. 93).

Essa organização demonstra que a autonomia conseguida pelos movimentos não significava independência em relação à hierarquia eclesiástica, uma vez que em todos os seguimentos encontrava-se um representante da Igreja, mantendo a relação de hierarquia estabelecida desde a instituição da JEC como parte da Ação Católica, da qual grande parte todos os integrantes de sua estrutura pertenciam ao clero.

No entanto, a subordinação hierarquia que a JEC manteve com os clérigos não foi a mesma durante todo o período em que se manteve na ativa (1935-1968), pois, em 1952, com a instituição da CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a JEC, antes subordinada

à Ação Católica, tem as relações de hierarquia modificadas, uma vez que a Ação Católica não mais representava o lugar mais alto da hierarquia eclesiástica brasileira, passando a ser subordinada à CNBB. Por conta dessas alterações, vale observar de que modo a CNBB passou a interferir nas ações da JEC.